Santo Antônio do Leite

Santo Antônio do Leite
Distrito do Brasil
Vista parcial do distrito
Vista parcial do distrito
Vista parcial do distrito
Localização
Mapa de Santo Antônio do Leite
Coordenadas 🌍
Estado Minas Gerais
Município Ouro Preto
História
Criado em 7 de setembro de 1923 (102 anos)
Características geográficas
Área total 37,89 km²[1]
População total (2022[2]) 1 817 hab.

Santo Antônio do Leite é um distrito do município brasileiro de Ouro Preto, no interior do estado de Minas Gerais. Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 1 817 habitantes[2] e havia 684 domicílios particulares permanentes ocupados.[3] Possui área de 37,89 km² conforme a Fundação João Pinheiro (FJP).[1] Foi criado pela lei estadual nº 843 de 7 de setembro de 1923.[1]

Dista 25 km da sede do município e 78 km de Belo Horizonte e está a uma altitude média de 1092 metros. A população de Santo Antônio do Leite é distribuída em diversos núcleos adjacentes: Centro (Leite), Catete, Gouveia, Chapada, Passagem e Boa Vista. Há também regiões menos povoadas como Lagoa, Dumbá, Holanda, Madureira e Milho Branco. O clima é o tropical de altitude, razão pela qual as terras do distrito são procuradas para sítios e fazendas. A tranquilidade, a salubridade do clima e da água são possíveis explicações para a longevidade alcançada por muitos habitantes do lugarejo.

Histórico

Sobre a origem do nome da localidade, existem versões romantizadas, segundo as quais, à época do Império, Oficiais da Tropa Paga de Cachoeira do Campo, cavalgando pela região, passavam pelo local, onde encontravam leite de qualidade nas antigas fazendas da vila. O nome tornou-se popular e a região passou a ser chamada de Leite.

Na verdade, a presença do nome Leite é muito mais de um século anterior ao período imperial: Diogo de Vasconcelos, em sua "História Antiga de Minas Gerais", registra o nome Leite para o arraial quando da Guerra dos Emboabas, reconstituindo a chamada Batalha da Cachoeira, de setembro de 1708, em que os paulistas foram derrotados. Também Eduardo Canabrava Barreiros, em seu "Episódios da Guerra dos Emboabas e sua Geografia" informa que "Deslocando-se do Sabará os Emboabas dirigiram-se a Cachoeira do Campo, e passando pelo Leite atacaram os paulistas no local então conhecido por Jardim", onde fica hoje o Oratório Festivo. E especifica: "Leite, atual Santo Antônio do Leite, distrito do município de Ouro Preto". Pode-se pois dizer que, sendo o arraial do conhecimento dos combatentes de Manuel Nunes Viana, chefe dos Emboabas, a provável formação do arraial tenha se dado em torno de 1700, talvez antes, por ser passagem entre a Cachoeira do Campo e Ouro Branco. A incorporação do hagiomástico "Santo Antônio" ao "Leite" deu-se somente após 1858, quando foi concluída a igreja construída em torno da primitiva capela erguida em homenagem a Santo Antônio de Lisboa, na Praça Juca Geraldo. A nova edificação deveu-se ao grande esforço e dedicação de Antônio Gonçalves do Sacramento, destacado personagem da história local, que levantou os necessários fundos. O teto da igreja ostenta bela pintura alegórica de autoria de Honório Esteves, natural da localidade.

O Almanaque administrativo, civil e industrial da província de Minas Gerais, de 1864, registra o povoado com o nome de Santo Antônio do Arraial do Leite. Tornou-se distrito de Ouro Preto com o nome atual, pela lei nº 843 de 7 de setembro de 1923. Pela lei nº 336 de 27 de dezembro de 1948 passou a se chamar Bárbara Heliodora, mas, após abaixo-assinado firmado pela unanimidade dos moradores, conseguiu-se em 1953 , com projeto aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e proposto por Carlos Horta Pereira, a edição da lei nº 1.039 de 12 de dezembro de 1953, que restaurou o nome Santo Antônio do Leite, que continua até os dias atuais.

Em 1999 foi aberta a primeira pousada em Santo Antônio do Leite, com o nome de Capricho Asturiano, o que abriu caminho para o desenvolvimento do turismo como uma fonte de renda importante da localidade. O artesanato em prata também se apresenta com destaque no distrito. Iniciado nos anos 80 por artesãos de várias partes do mundo, o trabalho em prata com pedras semipreciosas se desenvolveu e passou a fazer parte da economia local.

Ver também

Referências

Bibliografia

  • BARBOSA, Waldemar de Almeida - Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais, Ed. Promoção-da-Família, Belo Horizonte 1971.
  • COSTA, Joaquim Ribeiro - Toponímia de Minas Gerais, Ed. Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte 1970.
  • MARTINS, Antonio de Assis e OLIVEIRA, José Marques , Almanak administrativo, civil e industrial da província de Minas Gerais, Typographia do Minas Geraes, Ouro Preto, 1864.

Ligações externas