Santo António da Serra (Santa Cruz)
Santo António da Serra | |
|---|---|
| Freguesia | |
| Localização | |
![]() | |
![]() Santo António da Serra |
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| Coordenadas | 🌍 |
| Região | |
| Município | |
| Código | 310806 |
| Administração | |
| Tipo | Junta de freguesia |
| Presidente | José António Batista Reis |
| Características geográficas | |
| Área total | 14,77 km² |
| População total (2021) | 822 hab. |
| Densidade | 55,7 hab./km² |
| Outras informações | |
| Orago | Santo António |
| Sítio | https://www.jf-santoantoniodaserra.pt/ |
Santo António da Serra é uma freguesia portuguesa do município de Santa Cruz, com 14,77 km² de área[1] e 822 habitantes (censo de 2021)[2]. A sua densidade populacional é 55,7 hab./km².
História
A freguesia de Santo António da Serra começou a ser povoada tardiamente, devido ao facto de o povoamento da ilha da Madeira ter começado primeiramente, no litoral, e mais tarde nas zonas altas. Esta zona começou a ser primeiramente cultivada durante o primeiro quartel do século XVI, onde atualmente se localiza a igreja matriz, no entanto nesta altura ainda não existia um povoamento efetivo.[3]
Ao longo do século XVI com o desenvolvimento e o aumento da população, Gil de Carvalho manda erguer duas ermidas para as necessidades religiosas da população residente que dedicava o seu quotidiano ao cultivo da terra.[3]
No século XVII era possível encontrar um núcleo populacional já com alguma dimensão desde á existência da igreja paroquial, desde o século XVI. A primeira ermida, que existia no lugar onde hoje se encontra a igreja matriz, estava sobre a jurisdição do vigário da Machico, no entanto a partir do século XVII iniciou-se uma disputa pela posse da ermida, envolvendo os vigários de Machico, Água de Pena e Santa Cruz. Sendo assim, o Bispo D. Lourenço de Távora, com o objetivo de resolver esta disputa decide pôr a ermida sobre sua jurisdição episcopal, e os terrenos circundantes, por consequente, tornaram-se da Mitra do Funchal.[3]
Em 1836, a freguesia de Água de Pena foi anexada á freguesia do Santo da Serra pelo vigário António Alfredo de Santa Catarina. No entanto, em 1848 com uma carta régia foi anexado á freguesia a Achada do Barro, deixando a paróquia em jurisdição de Machico. Em 1852, foram anexados ao concelho de Santa Cruz alguns sítios das freguesias de Machico e do Santo da Serra, que provocou bastantes protestos. Os limites dos concelhos de Machico e de Santa Cruz, e a divisão paroquial como estão atualmente foram acordados em 1862 pela iniciativa do Secretário-geral do Distrito, António Lopes Barbosa de Albuquerque, que se reuniu na Casa dos Romeiros do Santo da Serra com os respetivos representantes das câmaras municipais. Com esta divisão, a freguesia de Santo António da Serra tornou-se a única freguesia de Portugal a ser dividida entre dois concelhos.[3]

Durante o reinado de D. Maria I, na freguesia de Santo António da Serra estabeleceu-se uma aldeia para a população do Porto Santo, sendo distribuídas casas para os populares, para combater a fome que se combatia no Porto Santo que era consequência da crise económica que ocorreu no século XVIII. Esta aldeia teve o nome de Aldeia da Rainha, no entanto, a população não se adaptou ao clima mais húmido e fresco abandonando assim a aldeia ali criada sob a jurisdição do concelho de Machico.[3]
Brasão
O brasão da Junta de Freguesia de Santo António da Serra é esquartelada das cores verde e amarelo com cordão e bordas de ouro e verde, a sua haste e lança são em ouro. Esta bandeira tem um escudo em ouro com uma Coroa Mural de prata de três torres, tem também um Listel branco com a legenda a negro “Santo António da Serra- Santa Cruz”. O escudo da bandeira tem uma cruz que representa a cruz de Santo António, sendo este o orago da freguesia, tem também duas macieiras que representa que nesta freguesia serem abundantes as árvores de fruto (macieiras e pereiras) e os pinheiros, castanheiros, eucaliptos acácias e os sabugueiros e para além disso pretende referir que as atividades económicas a que os habitantes da freguesia mais se dedicam é a agricultura assim como a transformação de madeira, entre outras. Por fim neste escudo temos os cômoros que representam o elemento determinativo do topónimo “da Serra”.
Demografia
A população registada nos censos foi:[2]
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| Distribuição da População por Grupos Etários[5] | ||||
|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos |
| 2001 | 175 | 132 | 512 | 163 |
| 2011 | 140 | 124 | 503 | 169 |
| 2021 | 93 | 83 | 467 | 179 |
Sítios
A freguesia de Santo António da Serra (Santa Cruz) é constituída pelos seguintes sítios:
- João Frino
- Pereira
- Madre d´Água
- Curral Velho
- Ribeira de João Gonçalves
- Achada do Barro
Igreja Matriz de Santo António da Serra
A Igreja Matriz de Santo António da Serra foi construída onde existia anteriormente uma ermida do século XVI. Posteriormente, foi transformada numa igreja paroquial, sendo que as alterações á mesma acabaram em 1857 com a bênção da igreja. Esta igreja foi dedicada a Santo António e está associada a algumas lendas que foram passadas de geração em geração, a festa de Santo António é celebrada no domingo seguinte ao dia 13 de Junho (o dia de Santo António). Esta igreja é conhecida pelos seus famosos azulejos que preenchem a parede atrás do altar-mor da Igreja Matriz. Tal como o famoso quadro do padroeiro da freguesia, o Santo António.
A Lenda[6] afirma que nesta zona apareceu Santo António enquanto um mouro procurava um bezerro desaparecido, este já estava doente devido á sova que tinha levado de seu senhor, quando este caiu doente teve um sonho em que Santo António lhe aparece e diz que lhe cura se este construísse uma ermida. Quando melhorou começou a tratar de construir esta ermida, levando o material em gado, no entanto, o mesmo acabava por sempre parar no mesmo sítio e não continuar até ao sítio pretendido. Apesar de os alicerces já estarem construídos noutro sítio, o mouro constrói a ermida onde atualmente foi atualizada para a igreja matriz, já o antigo lugar onde se encontrava os alicerces já prontos para a ermida é onde, atualmente, podemos encontrar a histórica Fonte de Santo António.
[6]
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Vista do sudeste -
Espaço interior -
Sacrário -
Azulejo
Fonte de Santo António da Serra

A Fonte de Santo António da Serra, também geralmente conhecida como Fonte do Bispo ou Fonte dos Ingleses, é um fontanário localizado na freguesia de Santo António da Serra, Santa Cruz, na ilha da Madeira. As múltiplas designações dadas a esta fonte, deve-se ao facto da residência de verão que o prelado do Funchal tinha nas proximidades como também da presença de um grande número de ingleses. No interior deste fontanário é possível ver algumas inscrições com nome de ingleses, que moravam em quintas no Santo da Serra, assim como forasteiros estivais e soldados ingleses que ocuparam a Ilha da Madeira entre 1807 e 1814.[7]
Este fontanário prevê-se que seja dos finais do século XVII ou início do século XVIII, não há certezas relativamente ao ano da sua construção devido à falta de documentos que o comprovem. A Fonte de Santo António da Serra é feita em pedra, apresentando um amplo vão em arco de volta perfeita e interior semicircular abobadado. Possuindo estas características é uma fonte do estilo “tardo-Maneirista”.[7]
Os fontanário eram geralmente construídos com o objectivo de servir as populações com água, e havia quem acreditasse que a água destas fontes possuía propriedades curativas e por isso eram também conhecidas como fontes santas.
Levada da Serra do Faial

Em 1830, começa a ser construída uma levada com o objectivo de aproveitar as águas que eram “perdidas” na Ribeira da Laje, localidade situada na freguesia do Faial, na costa Norte da Ilha da Madeira para transportar água até o Pico do Infante, no Funchal. Foi uma iniciativa da Sociedade da Nova Levada do Furado. Os estatutos desta sociedade foram aprovados a 21 de março de 1840, dando assim o direito de captar as referidas águas e de as conduzir até o Lombo da Raiz, situado na freguesia de Santo António da Serra pelo canal comum das levadas do Juncal e Furado, que o Estado já possuía. Contudo por dificuldades técnicas e económicas, o projecto foi abandonado pelos privados ficando a cargo da obra o Estado, esta obra destinada a irrigar as freguesias de Santa Maria Maior, São Gonçalo e Caniço apenas ficou concluída no dia 20 de setembro de 1905, 75 anos após o início da obra, demorou 3 dias para que a água cobrisse os 54 quilómetros desta levada. Esta levada é então conhecida como Levada da Serra ou mais propriamente por Levada da Serra do Faial.[8]
Esta levada tem vários percursos pedestres, sendo que um desses percursos tem início na freguesia de Santo António da Serra, Santa Cruz junto o sítio das quatro estradas e é um percurso com cerca de 9 quilómetros em que o tempo médio para realizar esta levada é de 2 a 3 horas, a terminar em Santo António da Serra, Machico. Esta levada é um percurso relativamente calmo de realizar-se que assume diversos cenários ao longo do seu trajecto, pois é capaz de conjugar a envolvência rural, onde predomina a floresta intensa e envolvente, com a vida quotidiana de periferia dos concelhos da Costa Este. No lado mais rural deste percurso é de observar as árvores de grande porte, a Floresta Laurissilva e as espécies classificadas pela UNESCO como Património Mundial Natural.[9]

Em certos momentos do percurso é possível ver algumas paisagens onde as montanhas são a maior referência dessas paisagens, assim como as quintas rurais existentes que servem de alojamento para os turistas, como para locais. Ao entrar no concelho de Machico em direcção à Portela há vários miradouros naturais onde é possível observar a conhecida Penha de Águia, que divide a freguesia do Faial e a freguesia do Porto da Cruz.
O percurso termina junto à casa de água do Santo da Serra, conhecida também como Casinha da Água que foi construída em 1906[10] de forma a apaziguar as disputas entre o concelho de Santa Cruz e de Machico no que referia às águas vindas da Levada do Faial e que era utilizadas para as culturas e para as casas das zonas altas desses dois concelhos.
Dados Adicionais
A principal atividade económica local é a agricultura.
Santo António da Serra tem uma estrada que liga a Machico, a Santa Cruz, ao Funchal e a Santana via Poiso.
Esta freguesia tem uma escola primária, um centro de saúde, um pavilhão desportivo, uma igreja, um parque de feiras e uma praça, que constitui o centro da freguesia (marco da separação do concelho de Santa Cruz e Machico). É uma freguesia muito popular na Madeira, principalmente aos fins-de-semana, dado que são muitas as pessoas que se dirigem até lá para fazerem compras e usufruir de uma tarde bem passada. Outro atracção desta freguesia é o Campo de Golf, situado numa parte da freguesia pertencente ao concelho de Machico, local de inúmeros torneios nacionais e internacionais.
Em setembro realiza-se nesta freguesia a festa da sidra, uma bebida típica desta zona e muito popular na Madeira.
O santo padroeiro da freguesia, tal como o nome indica, é Santo António, cuja festa se realiza em junho.
Referências
- ↑ «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 10 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2013
- ↑ a b Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos»
- ↑ a b c d e «iFREG - .Junta Freguesia Santo Antonio da Serra Machico». www.jfsantoantoniodaserra.ifreg.pt. Consultado em 4 de junho de 2019
- ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
- ↑ INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022
- ↑ a b Gonçalves, Luisa. «Igreja do Santo da Serra em foco | Jornal da Madeira». Consultado em 4 de junho de 2019
- ↑ a b «Roteiro do Alvoredo – Roteiro». jf-santoantoniodaserra.pt. Consultado em 4 de junho de 2019
- ↑ Fernandes (1995). Moinhos e Águas do Concelho de Santa Cruz. Madeira: Grafimadeira
- ↑ Newcomb's, Bonnie (2010). Leisurely Levadas of Madeira. Funchal: Francisco Ribeiro & Filhos, LDA
- ↑ «Roteiro da "Casinha da Água" – Roteiro». jf-santoantoniodaserra.pt. Consultado em 4 de junho de 2019



