Santa Rita Durão (Mariana)

Santa Rita Durão
Distrito do Brasil
Fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré em Santa Rita Durão
Fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré em Santa Rita Durão
Fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré em Santa Rita Durão
Localização
Mapa de Santa Rita Durão
Coordenadas 🌍
Estado Minas Gerais
Município Mariana
História
Criado em 16 de janeiro de 1752 (274 anos)[1]
Características geográficas
Área total 228,03 km²[1]
População total (2022[2]) 1 401 hab.

Santa Rita Durão é um distrito do município brasileiro de Mariana, no interior do estado de Minas Gerais. Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 1 401 habitantes[2] e havia 444 domicílios particulares permanentes ocupados.[3] Possui área de 228,03 km² conforme a Fundação João Pinheiro (FJP).[1] Foi criado pelo alvará de 16 de janeiro de 1752.[1]

De acordo com o IBGE, em 2010 a população era de 1 956 habitantes e havia 680 domicílios particulares.[4]

Faz parte de Santa Rita Durão o subdistrito de Bento Rodrigues, que contava com 200 casas e 620 habitantes até 5 de novembro de 2015, quando a localidade foi devastada em consequência do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração de ferro pertencente à Samarco Mineração S.A. no rio Gualaxo do Norte.[5]

História

O distrito nasceu diante da busca por minas de ouro pelos grandes grupos que invadiram o sertão das Minas Gerais durante o século XVII e XVIII. A busca, quase que fracassada por ouro, rendeu ao distrito a primeira denominação de “Inficionado” por volta de 1702. O termo, variante da palavra “Infeccionado”, era devido o pouco ouro e de baixo teor encontrado nas águas do curso d’água local. É lhe atribuída a descoberta das "jazidas do Inficionado" a Salvador de F. Albernaz.

A aventura em conhecer a localidade permite encher os olhos com belezas da história mineira e grandes paisagens naturais, e lhe permite transitar pelas páginas poéticas de escrita pelo frei Santa Rita Durão, natural do distrito e nascido em 1722. O frei Santa Rita Durão se tornou pioneiro da Literatura Brasileira de um dos maiores poemas épicos brasileiros, o “Caramuru”.[6]

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré em 2013

A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, situada em Santa Rita Durão, distrito de Mariana - Minas Gerais, é uma das mais importantes expressões do barroco religioso mineiro do século XVIII. Segundo registros, a primitiva matriz foi construída pelo sargento-mor Paulo Rodrigues Durão e abençoada em 28 de maio de 1729. No entanto, o historiador Germain Bazin indica que o atual edifício não é o original, destacando a menção de obras no Livro de Receita e Despesa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, realizadas na segunda metade do século XVIII por Domingos Francisco Teixeira. A reedificação da capela-mor teve início com licença concedida em 1779, e o orçamento foi elaborado em 1780 por José Pereira Arouca, notório construtor da época. Domingos Francisco Teixeira executou os trabalhos até 1794. A igreja possui estrutura mista de madeira, adobe e taipa. A fachada conta com duas torres sineiras de telhados piramidais e um frontão triangular com óculo quadrilobado. A porta central almofadada, de verga curva, é encimada por nicho com imagem sacra. O interior apresenta rica ornamentação: o coro é sustentado por colunas e arcos, com balaustrada entalhada. A capela-mor possui altar em talha dourada de estilo D. João V, com colunas torsas e figuras de anjos. O teto exibe pintura rococó em perspectiva ilusionista, destacando o milagre de Nazaré: a Virgem salvando Dom Fuas Roupinho. A autoria das pinturas é atribuída a João Batista de Figueiredo, um dos maiores pintores do barroco mineiro. Nos painéis, há figuras de São Pedro, São Paulo, São Tomás de Aquino, São Boaventura e os quatro doutores da Igreja. A igreja é um importante bem cultural e religioso de Santa Rita Durão e de toda a região dos Inconfidentes.[7]

Capela Nossa Senhora do Rosário

Capela Nossa Senhora do Rosário

A Capela de Nossa Senhora do Rosário, localizada no distrito de Santa Rita Durão, no município de Mariana, Minas Gerais, é uma edificação histórica construída possivelmente na primeira metade do século XVIII, segundo indícios de seu sistema construtivo. O historiador francês Germain Bazin, no entanto, considera que sua construção tenha ocorrido na segunda metade do século XVIII, preservando ainda o estilo sóbrio característico da década de 1720. A estrutura da capela é composta por armação de madeira, vedação em adobe e pau-a-pique, características que a aproximam da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Sabará. O conjunto é cercado por um muro baixo e possui um adro frontal com um mata-burros de pedra, elementos típicos das igrejas rurais mineiras. A fachada principal exibe uma porta única de grandes dimensões, com folhas almofadadas, ladeada por duas janelas com vergas curvas e guarda-corpo em balaústres. Duas torres sineiras de base retangular com telhado piramidal e coruchéu ladeiam a entrada, integrando-se ao corpo da capela. Uma cimalha de madeira, protegida por beiral, separa o corpo da igreja do frontão triangular, que é encimado por uma cruz e possui um óculo envidraçado em forma de trevo. Um dos aspectos mais singulares da edificação é a presença de dois corredores laterais, abertos à nave principal por meio de arcos e encimados por galerias superiores, conferindo à capela a aparência de possuir três naves. Outra peculiaridade é a varanda posterior, criada pela continuação do telhado da capela-mor, que possivelmente servia como abrigo de animais. No interior, a capela apresenta rica decoração artística. O altar colateral do lado do Evangelho é atribuído com segurança ao escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O altar oposto é considerado uma cópia realizada por entalhador anônimo. As pinturas decorativas abrangem todo o forro, da nave à capela-mor, e são atribuídas a João Batista de Figueiredo, cuja assinatura aparece em um painel sob o coro, datado de 1792. De acordo com a especialista Myriam Ribeiro de Oliveira, essas pinturas podem ser situadas entre os anos de 1788 a 1790. As colunas e arcos internos são revestidos por tábuas pintadas, e os painéis do forro são todos executados a têmpera. Desde a década de 1940, a capela passou por diversas intervenções para garantir sua preservação, em razão da fragilidade dos materiais construtivos originais e da exposição às intempéries. Uma importante restauração foi conduzida pelo IPHAN entre 1957 e 1958, ocasião em que uma das torres teve que ser totalmente reconstruída.[8]

A localização em área de difícil acesso, aliada à ausência de uso contínuo por não ser sede paroquial, contribui para os desafios na conservação do edifício.

Casa de Rótulas

Casa de Rótulas - Fachada

A Casa com Rótulas está situada na Rua do Rosário, em Santa Rita Durão, distrito de Mariana (MG). Presume-se que tenha sido construída no final do século XVIII ou início do século XIX, sendo hoje considerada um dos poucos exemplares remanescentes de residências urbanas coloniais na região. O imóvel foi doado à União em 14 de maio de 1947 por seus proprietários da época, por meio de escritura pública. A casa encontra-se entre o córrego Catavela e uma propriedade particular, tendo ao fundo o rio Piracicaba. É uma construção feita em madeira e taipa, com telhado de quatro águas, coberto por telhas do tipo canal. O beiral é sustentado por cachorros (elementos de madeira esculpidos que apoiam o beiral). A fachada apresenta uma configuração simples, composta por uma porta e três janelas com rótulas. As rótulas são estruturas de madeira fixadas dentro de molduras sobre as janelas, com função de garantir a ventilação e privacidade dos moradores, permitindo a visão de dentro para fora sem que se enxergue o interior da casa. Essas estruturas são formadas por pequenos bilros torneados na parte superior e por painéis com peças finas em formato losangular na parte inferior. Esse tipo de esquadria tem origem oriental e foi amplamente utilizado em residências coloniais, especialmente nas cidades de Diamantina (MG) e em outros centros urbanos do período colonial. No Rio de Janeiro, após a chegada da Corte Portuguesa, as rótulas foram proibidas por ordem real e retiradas das fachadas das casas.[9]

A casa é considerada de significativo valor histórico, arquitetônico e cultural, representando um raro testemunho da arquitetura residencial colonial mineira.

Filhos ilustres

Ver também

Referências

  1. a b c d Fundação João Pinheiro (FJP) (2024). «Relação de 1840 divisões territoriais distritais, sendo 853 distritos-sedes municipais (sede municipal: cidade), e 987 distritos (sede distrital: vila) – dezembro/2024». Consultado em 26 de junho de 2025. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2025 
  2. a b Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2022). «Tabela 9923 - População residente, por situação do domicílio - Distrito». Consultado em 26 de junho de 2025. Cópia arquivada em 26 de junho de 2025 
  3. Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2022). «Tabela 9922 - Domicílios particulares permanentes ocupados - Distrito». Consultado em 26 de junho de 2025. Cópia arquivada em 26 de junho de 2025 
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (16 de novembro de 2011). «Sinopse por setores». Consultado em 2 de dezembro de 2012 
  5. Cristiane Silva (6 de novembro de 2015). «Rejeitos das barragens de Mariana chegam a usina em Santa Cruz do Escalvado». Jornal Estado de Minas. Consultado em 6 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2015 
  6. Prefeitura. «Santa Rita Durão». Consultado em 27 de junho de 2020. Cópia arquivada em 27 de junho de 2020 
  7. «Mariana – Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré | ipatrimônio». Consultado em 23 de julho de 2025 
  8. «Mariana – Igreja de Nossa Senhora do Rosário | ipatrimônio». Consultado em 23 de julho de 2025 
  9. «Mariana – Casa com Rótulas Rua do Rosário | ipatrimônio». Consultado em 23 de julho de 2025