San José (1698)

Pintura mostrando o San José (centro-esquerda) sendo explodido, em 8 de junho de 1708.

O San José era um galeão de 64 canhões da Marinha Espanhola. Foi lançado ao mar em 1698[1] e afundou em uma batalha próximo à Ilha de Barú, ao sul de Cartagena, na Colômbia, em 1708, enquanto estava carregado com ouro, prata e esmeraldas no valor de aproximadamente US$ 17 bilhões em valores de 2023.[2]

O navio naufragado foi localizado a uma profundidade de 600 metros[3] pela Instituto Oceanográfico de Woods Hole (WHOI) em novembro de 2015. Em julho de 2017, foi anunciado que uma operação de salvamento gerida pelo governo colombiano seria realizada.[4]

Carreira

O San José foi projetado por Francisco Antonio Garrote e construído por Pedro de Aróstegui no estaleiro de Mapil, em Usurbil, Guipúscoa, na Espanha. A construção começou em 1697 e terminou em 1698. Eles construíram dois navios irmãos simultaneamente e os nomearam San José e San Joaquín.[1]

O San José e o San Joaquín faziam parte da frota espanhola do tesouro durante a Guerra da Sucessão Espanhola, sob o comando do General José Fernández de Santillán, o Conde de Casa Alegre. Em sua viagem final, o San José navegava como capitânia de uma frota do tesouro composta por três navios de guerra espanhóis e quatorze embarcações mercantes que partiam de Portobelo, no Panamá, com destino a Cartagena, na Colômbia. Em 8 de junho de 1708, a frota encontrou um esquadrão britânico perto de Barú, levando a uma batalha conhecida como Ação de Wager. Durante a batalha, os paióis de pólvora do San José detonaram, destruindo e afundando o navio com a maior parte de sua tripulação e com o ouro, prata, esmeraldas e joias coletadas nas províncias sul-americanas para financiar o esforço de guerra do rei da Espanha.[1][5] Dos 600 homens a bordo, apenas 11 sobreviveram.[1]

Busca e descoberta

Macuquinas, moedas de prata cunhadas manualmente entre os séculos XVI e XVIII.

O naufrágio do San José, frequentemente chamado de o "Santo Graal dos Naufrágios", era estimado em bilhões de dólares devido à enorme quantidade de ouro e prata que transportava das minas de Potosí, na Bolívia — possivelmente valendo até US$ 17 bilhões atualmente. Em 1981, a empresa norte-americana Sea Search Armada (SSA), liderada pelo historiador Dr. Eugene Lyon, afirmou ter descoberto o navio afundado na costa da Colômbia. No entanto, o governo colombiano contestou a localização, rejeitou uma proposta de divisão dos lucros e aprovou uma lei que garantia ao Estado a posse total do tesouro, concedendo à SSA apenas uma pequena taxa de achado, ainda sujeita a impostos. Após uma série de disputas judiciais tanto na Colômbia quanto nos Estados Unidos, o galeão foi finalmente declarado propriedade do governo colombiano.[2][5][6]

Em 2015, a Marinha da Colômbia redescobriu o San José em outro local, utilizando um veículo subaquático autônomo, confirmando sua identidade pelos canhões de bronze característicos do navio. Desde então, a Colômbia classificou a localização exata como segredo de Estado e declarou o galeão parte de seu patrimônio submerso, comprometendo-se a preservá-lo. No entanto, as disputas sobre a posse continuam. Em 2022, a SSA reabriu o caso no Tribunal Permanente de Arbitragem, alegando que a "nova descoberta" colombiana era, na verdade, o mesmo local encontrado por eles décadas antes. Outros grupos também reivindicam o tesouro, incluindo a Espanha e comunidades indígenas de Potosí, que afirmam que o ouro e a prata pertencem aos descendentes dos povos que o extraíram.[7][8][9][10]

Conservação

O Instituto Colombiano de Antropologia e História (ICANH), ligado ao Ministério da Cultura, é responsável por supervisionar os sítios arqueológicos do país e lidera os estudos sobre o galeão San José, analisando o solo e a profundidade do mar para definir métodos de extração adequados. O então presidente Juan Manuel Santos anunciou a construção de um museu em Cartagena para expor parte dos achados.

Em 2015, a Procuradoria-Geral solicitou que toda a exploração fosse devidamente documentada e que uma amostra das moedas, lingotes e pedras preciosas fosse enviada ao Banco da República. A ministra da Cultura, Mariana Garcés Córdoba, afirmou que 2016 seria um “ano de exploração, não de extração”, com foco em pesquisa arqueológica.[11]

Em 2024, as autoridades colombianas iniciaram planos para recuperar alguns itens do naufrágio e, em 2025, um estudo publicado na revista Antiquity confirmou que moedas de 300 anos encontradas pertencem ao San José.[12][13]

Em novembro de 2025, o governo da Colômbia apresentou em Cartagena das Índias, os cinco primeiros objetos arqueológicos recolhidos dos destroços do naufrágio do galeão San José. As peças, recolhidas por navios da Armada da Colômbia no âmbito da missão “Rumo ao Coração do Galeão San José”, foram um canhão, uma chávena de porcelana, três moedas, dois fragmentos de porcelana e vestígios de sedimento associados a estes cinco objetos.[14]

Referências

  1. a b c d Gómez, Santiago (14 de março de 2006). «El Galeón San José y la batalla de Barú.». Todo A Babor. Consultado em 8 de dezembro de 2015 
  2. a b «The battle for Colombia's sunken treasure». The Economist. ISSN 0013-0613. Consultado em 22 de novembro de 2022 
  3. «A shipwreck worth billions off the coast of Cartagena». www.bbc.com. 9 de setembro de 2019. Consultado em 28 de fevereiro de 2024 
  4. «Colombia to salvage Spanish galleon San José wreckage». BBC News. BBC News. 6 de julho de 2017. Consultado em 6 de julho de 2017 
  5. a b «Spain says it has rights to Colombian treasure ship». BBC News. Consultado em 8 de dezembro de 2015 
  6. Spilman, Rick (29 de fevereiro de 2012). «Galleon San Jose, the 'Holy Grail of Ship Wrecks'». The Old Salt Blog. Consultado em 8 de dezembro de 2015 
  7. «Spanish galleon with rumoured £1bn treasure hoard found, says Colombia's president». The Guardian. Reuters. Consultado em 5 de dezembro de 2015 
  8. Henderson, Emma. «San Jose galleon shipwreck with £1 billion treasure found off Colombia, says President Juan Manuel Santos». The Independent. Consultado em 5 de dezembro de 2015. Cópia arquivada em 24 de maio de 2022 
  9. «Colombia treasure-laden San Jose galleon 'is found'». BBC News. Consultado em 5 de dezembro de 2015 
  10. Taylor, Luke (29 de março de 2024). «Bolivian Indigenous groups assert claim to treasure of 'holy grail of shipwrecks'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 22 de fevereiro de 2025 
  11. «Construirán museo para exhibir restos de Galeón San José». Portafolio.co (em espanhol). Reuters. 5 de dezembro de 2015. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  12. Vargas Ariza, Daniela; et al. (10 de junho de 2025). «The cobs in the archaeological context of the San José Galleon shipwreck». Antiquity: 1–6. doi:10.15184/aqy.2025.10095 
  13. Longmire, Becca (11 de junho de 2025). «Discovery of 300-Year-Old Coins May Prove $17 Billion 'Richest Wreck in History' Has Been Found». People 
  14. «El Estado colombiano recolectó cinco objetos y fragmentos arqueológicos del Bien de Interés Cultural Galeón San José» (em espanhol) 

Bibliografia