Salim ibne Almustafade

Abu Almuraja Salim ibne Almustafade Alhandani (em árabe: أبو المُرَجَّى سالم بن المُصْطَفاد الحَمْداني; romaniz.: Abūʾl-Murajjā Sālim ibn al-Mustafād al-Ḥamdānī; morreu em 1034) foi o comandante do adate (milícia urbana) de Alepo durante os reinados dos emires mirdássidas Sale ibne Mirdas (r. 1024/5–1029) e Nácer ibne Sale (r. 1029–1038). Ele foi executado por este último em 1034 por incitar uma revolta local de muçulmanos contra a condição de vassalagem de Alepo ao Império Bizantino cristão.

Vida

Salim ibne Almustafade era filho de um gulam (soldado escravo) de Ceife Adaulá, o emir hamadânida de Alepo entre 945–967.[1] Ibne Almustafade era líder dos gulans sobreviventes da era hamadânida quando os fatímidas governaram diretamente Alepo no início da década de 1020.[2] Embora de origem estrangeira, ibne Almustafade foi assimilado pela população alepina e residia no bairro Azajajim (dos vidreiros), onde provavelmente cultivou relações estreitas com artesãos, pequenos comerciantes e trabalhadores.[3]

Ibne Almustafade desertou para o rebelde beduíno Sale ibne Mirdas quando este sitiou Alepo em 1024. Ibne Almustafade reuniu os gulans e moradores locais e abriu o Portão de Quinacerim às forças quilabitas de Sale em 18 de janeiro de 1025.[2] Em troca, Sale garantiu a segurança dos habitantes e nomeou ibne Almustafade como ra’is al-balad (chefe municipal) e almocadém do adate (muqaddam al-ahdath). Os adates consistiam em jovens armados dos bairros de classe baixa e média de Alepo.[3] Sale então confiou a ibne Almustafade e a Solimão ibne Tauque a supervisão do cerco à cidadela de Alepo, onde a guarnição fatímida estava entrincheirada.[2] Esta se rendeu em 30 de junho, e toda Alepo passou ao controle do emirado mirdássida de Sale.[4]

Após a morte de Sale, seus filhos Nácer e Timal o sucederam, até que o primeiro tomou controle completo de Alepo em 1030, após a vitória mirdássida sobre os bizantinos na Batalha de Azaz. Ibne Almustafade permaneceu à frente do adate, mas opôs-se à decisão de Nácer de tornar o Emirado de Alepo um vassalo formal do Império Bizantino em 1031.[3] Ele incitou os muçulmanos pobres e de classe média da cidade a protestarem contra a aliança com o Império Bizantino,[5] o que levou o governador bizantino de Antioquia a exigir que Nácer executasse ibne Almustafade. Consequentemente, ele foi capturado e executado no mesmo ano. Não está claro, nas fontes contemporâneas, se alguém sucedeu ibne Almustafade como comandante do adate.[3]

Referências

  1. Zakkar 1971, p. 258.
  2. a b c Amabe 2016, p. 62.
  3. a b c d Amabe 2016, p. 66.
  4. Amabe 2016, p. 63.
  5. Bianquis 1993, p. 117.

Bibliografia

  • Amabe, Fukuzo (2016). Urban Autonomy in Medieval Islam: Damascus, Alepo, Cordoba, Toledo, Valencia and Tunis. Leida: Brill. ISBN 978-90-04-31598-3 
  • Bianquis, Thierry (1993). «Mirdās». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume VII: Mif–Naz. Leida e Nova Iorque: Brill. pp. 115–123. ISBN 90-04-09419-9 
  • Zakkar, Suhayl (1971). The Emirate of Alepo: 1004–1094. Beirute: Dar al-Amanah. OCLC 759803726