Saigo Takamori
| Saigō Takamori 西郷 隆盛 | |
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![]() Um retrato fiel de Saigo Takamori de Ishikawa Shizumasa | |
| Nascimento | Kajiya-cho, Kagoshima-jōka, Domínio de Satsuma |
| Morte | 24 de setembro de 1877 (49 anos) |
| Nacionalidade | Japonês |
| Cônjuge | Suga Ijuin (c. 1852; div. 1854) Otoma Kane "Aigana" (1859–1862) Iwayama Itoko (1865–1877) |
| Filho(a)(s) | 4 (3 filhos, 1 filha) |
| Ocupação | Samurai, político |
| Serviço militar | |
| País | Domínio de Satsuma |
| Conflitos | Guerra Boshin Rebelião Satsuma |
| Religião | Xintoísmo |
| Saigo Takamori | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Em japonês | |||||
| Hiragana: | さいごう たかもり | ||||
| Kyūjitai: | 西鄕 隆盛 | ||||
| Shinjitai: | 西郷 隆盛 | ||||
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Saigō Takamori (西郷 隆盛; 23 de janeiro de 1828 – 24 de setembro de 1877) foi um samurai e político japonês que foi uma das figuras mais influentes da história do Japão. Ele desempenhou um papel fundamental na Restauração Meiji, que derrubou o xogunato Tokugawa em 1868, e subsequentemente serviu no novo Governo Meiji. No entanto, ele posteriormente desiludiu-se com a direção do novo regime e liderou a Rebelião de Satsuma contra ele em 1877, na qual foi morto.
Nascido numa família de samurais de baixa patente do Domínio de Satsuma, Saigō ganhou destaque como servo de Shimazu Nariakira, o daimiô de Satsuma. Ele esteve envolvido na política nacional em Edo e Kyoto, defendendo a reforma do xogunato e um papel imperial mais forte. Após a morte de Nariakira, Saigō foi exilado duas vezes, primeiro para Amami Ōshima e depois para a mais severa Okinoerabujima, períodos nos quais ele desenvolveu suas ideias políticas e filosóficas. Anistiado e reconvocado, ele teve uma parte crucial na forja da Aliança Satchō entre Satsuma e o Domínio de Chōshū, que foi instrumental na queda do xogunato durante a Guerra Boshin. Saigō comandou as forças imperiais e negociou a rendição sem sangue do Castelo de Edo.
No governo Meiji, Saigō inicialmente ocupou cargos importantes, incluindo o de comandante da Guarda Imperial, e esteve envolvido em grandes reformas, como a abolição do sistema han. Ele foi uma figura central no governo interino durante a Missão Iwakura. Em 1873, ele renunciou ao governo devido a desentendimentos políticos, particularmente a rejeição de sua proposta para uma missão à Coreia (Seikanron). Retornando à sua terra natal, Kagoshima, Saigō tornou-se o líder relutante de samurais descontentes que se levantaram contra o governo central na Rebelião de Satsuma. Apesar de sucessos iniciais, a rebelião foi esmagada pelo Exército Imperial Japonês, numericamente e tecnologicamente superior. Saigō morreu na batalha final no Monte Shiroyama.
A morte de Saigō consolidou seu status lendário. Ele é frequentemente chamado de "o último verdadeiro samurai" e permanece uma figura extremamente popular e romantizada no Japão. Sua vida e morte foram o tema de inúmeros livros, filmes e representações artísticas, refletindo um fascínio duradouro por seu caráter e seu papel complexo na transição do Japão do feudalismo para um estado moderno. Embora os relatos históricos de suas ações e motivações variem, Saigō Takamori é amplamente considerado um símbolo da virtude samurai, da sinceridade e do heroísmo trágico.
Primeiros anos

(Gion, Kyoto, Japan)
Nasceu na localidade de Kagoshima, no feudo de Satsuma (atual província de Kagoshima) e foi um samurai de classe baixa nos primeiros anos da sua vida. Nesse momento da sua vida, o país estava tendo uma crise política dentro do xogunato Tokugawa, com a chegada do norte-americano Matthew Calbraith Perry ao Japão em 1853. Com este acontecimento, polarizaram-se duas frentes: uma que apoiava o xogunato e outra que reclamava a dissolução do xogunato e a expulsão das potências estrangeiras. Takamori foi contrário ao regime Tokugawa nesse então.
Foi recrutado em uma viagem a Edo em 1854 para assistir ao daimyō de Satsuma Shimazu Nariakira, quem apoiava o movimento kōbu gattai (公武合体), que consistia a reconciliação e a união marital entre o xogunato Tokugawa e a Corte Imperial de Kioto.
Porém, a atividade de Takamori em Edo teve um final abrupto com a Purga Ansei, realizada pelo tairō Ii Naosuke, quem perseguiu a quem tinha ideias contrárias ao xogunato; e somado a isso com a morte repentina de Shimazu Nariakira; com este acontecimento, Saigō tentou executar o suicídio por afogamento.[1]
Takamori regressou para Kagoshima em 1859, sendo arrestado e exilado nas ilhas Amami, devido a diferenças de ideias com o novo daimyō Shimazu Hisamitsu, quem persistia com o movimento kōbu gattai. Novamente regressou para Kagoshima em 1861, sendo-lhe comunicado que seria exilado novamente. Finalmente em 1864, Hisamitsu perdoou-o, enviando-o para Kioto como assistente do feudo frente da Corte Imperial.
Restauração Meiji

Ao chegar a Kyoto, assumiu o comando das tropas de Satsuma e faz uma aliança com o samurai do feudo de Aízu, numa tentativa de impedir às forças do feudo rival de Chōshū que tomassem o Palácio Imperial em Kioto, na Rebelião Hamaguri. Em agosto de 1864, foi um dos comandantes militares que liderou uma expedição patrocinada pelo xogunato Tokugawa contra o feudo de Chōshū, como retaliação do incidente, mas secretamente Takamori estava negociando com os líderes de Chōshū e estabeleceu a Aliança Satchō (Satsuma-Chōshū). Quando o xogunato enviou uma segunda expedição militar contra Chōshū, o feudo de Satsuma permaneceu neutral.
Em novembro de 1867, o xogum Tokugawa Yoshinobu renunciou, e começou o processo de restauração do poder político ao Imperador do Japão, conhecido como a Restauração Meiji. Contudo, Takamori foi um dos mais críticos opositores à revolução pacífica, e demandava que os Tokugawa deviam ser desapropriados das suas terras e do seu status especial. Sua posição inamovível foi uma das principais causas do começo da Guerra Boshin.
Durante a Guerra Boshin, liderou as forças imperiais na Batalha de Toba Fushimi, e posteriormente avançou as forças imperiais sobre Edo, onde aceitou a rendição pacífica do Castelo Edo por Katsu Kaishu.
Burocrata Meiji

Takamori teve um papel de destaque no novo governo Meiji, apesar que outros políticos como Ōkubo Toshimichi foram mais ativos e influentes nesse período. Assumiu o cargo de sangi (conselheiro); cooperou com a abolição do sistema han, que eliminava os feudos e estabelecia as prefeituras como base administrativa do país; também foi responsável pelo estabelecimento de um exército recrutado.
Em 1871 teve de assumir o governo provisório do país enquanto os políticos mais influentes do governo, estavam percorrendo a Europa e os Estados Unidos, durante a Missão Iwakura (1871 – 1873).
Durante este período, esteve em desacordo com a modernização do Japão, imitando o estilo de governo dos países ocidentais e esteve em desacordo com a abertura comercial ao Ocidente. Opôs-se à construção de uma rede de ferrovias, argumentando que o dinheiro podia ser usado no fortalecimento das forças militares.[2]

Também foi partidário de declarar a guerra à Coreia com o fim de anexar esse país antes que os países ocidentais, no debate Seikanron de 1873; dando como razão que a Coreia recusava reconhecer a legitimidade do Imperador Meiji como chefe de estado do Império do Japão e expulsaram de maneira grosseira uns enviados japoneses que tinham como objetivo estabelecer relações diplomáticas e comerciais entre Coreia e Japão.
Takamori esteve disposto a ir para a Coreia e provocar intencionalmente um casus belli, de maneira tal que os coreanos não tiveram mais opção que assassiná-lo. Porém, quando os membros do governo regressaram da Missão Iwakura em 1873, opuseram-se ferreamente à ideia, tanto por falta de orçamento quanto por se encontrarem numa posição muito desvantajosa com os países ocidentais, fato que foi corroborado na viagem. Dada a negativa, Takamori sentiu-se frustrado, renunciou ao governo em sinal de protesto e decidiu regressar para Kagoshima.
Rebelião Satsuma

Após a sua renúncia ao governo decidiu levantar uma pequena academia militar privada em Kagoshima,[3] que teria como alunos a vários samurai que abandonaram o governo após a renúncia de Takamori. Estes samurai começaram a dominar o governo de Kagoshima e, temendo uma rebelião, o governo Meiji decidiu enviar barcos de guerra para Kagoshima, com o fim de eliminar as armas na região. Adicionalmente em 1877, eliminaram-se as remunerações em arroz aos samurai e provocou um conflito aberto entre o governo e os samurai. Takamori, quem inicialmente não desejava que o conflito empiorasse, deveu finalmente aceitar o liderado dos rebeldes contra o governo central, conhecido como a Rebelião Satsuma.[3]
A rebelião foi sufocada em poucos meses pelo Exército Imperial Japonês, que era uma força combinada de 300 000 samurai leais ao governo e soldados recrutados sob o comando de Kawamura Sumiyoshi. As tropas imperiais estavam modernizadas, usando morteiros e globos de observação. Por outro lado as forças de Satsuma eram inicialmente cerca de 20 000 a 40 000 homens,[3] ficando reduzido somente a 400 no final da guerra na Batalha de Shiroyama. Apesar de as forças de Satsuma visar a preservar o papel dos samurai, usaram métodos militares ocidentais, armas de fogo e canhões; inclusive nas descrições de Saigō Takamori via-se vestido com uniforme militar ocidental. No final da rebelião, quando se esgotaram as munições e as armas modernas, deveram atacar com espadas, arcos e setas.

Na batalha de Shiroyama, Takamori ficou gravemente ferido, e ao não querer ser capturado ou assassinado pelo inimigo, pediu a um companheiro que o decapitasse, para preservar a sua honra como samurai.[3] Outra lenda sugestiona que Saigō cometera o seppuku, uma forma tradicional de suicídio;[3] mas a autópsia e os documentos históricos da época negam esse fato. A morte de Takamori derivou no fim da rebelião e a supressão definitiva da classe samurai no Japão, que dominara o país desde o século XII.
Também existiram lendas que negavam a morte de Saigō Takamori, os japoneses criam que escapara para a Índia, a China ou a Rússia e que voltaria para fazer vingança ao governo.

Em reconhecimento pelo seu trabalho como samurai e a sua ajuda com o povo japonês, o governo Meiji perdoou-o de maneira póstuma a 22 de fevereiro de 1889.[3] Em 1898, o governo erigiu uma estátua de bronze no parque Ueno, em Tokio; nesse monumento está vestido de jeito tradicional, passeando o seu cão. Também lhe foi erguida outra estátua, vestido com uniforme militar, no Parque Chūō de Kagoshima.
Legado cultural
A história de Saigō Takamori foi relatada em diversas obras literárias contemporâneas japonesas. Internacionalmente, a sua ação final na Rebelião Satsuma foi usado no filme de 2003, O último samurai; Ken Watanabe agiu no rol de Takamori, embora em tal filme fosse designado como “Katsumoto”.
Bibliografia
Fontes
- Jansen, Marius B. (2000). The Making of Modern Japan. [S.l.]: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-00991-2
- Ravina, Mark (2004). The Last Samurai: The Life and Battles of Saigō Takamori. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 978-0-471-08970-4
- Ravina, Mark J. (2010). «The Apocryphal Suicide of Saigō Takamori: Samurai, "Seppuku", and the Politics of Legend». The Journal of Asian Studies. 69 (3): 691–721. ISSN 0021-9118. JSTOR 40929189. doi:10.1017/S0021911810001518
- Yates, Charles L. (1995). Saigō Takamori: The Man Behind the Myth. [S.l.]: Kegan Paul International. ISBN 0-7103-0484-6
Leitura adicional
- Beasley, W.G. (1963). The Modern History of Japan. New York City, NY: Praeger Publishers
- Boyd, Richard; Ngo, Tak-Wing, eds. (2006). State Making in Asia. [S.l.]: Routledge. ISBN 0-203-33898-7
- Drea, Edward J. (2009). Japan's Imperial Army: Its Rise and Fall, 1953-1945. [S.l.]: University Press of Kansas. ISBN 978-0-7006-1663-3
- Esposito, Gabriele (2020). Japanese Armies 1868-1877: The Boshin War and Satsuma Rebellion. [S.l.]: Osprey Publishing. ISBN 9781472837066
- Samuels, Richard J. (2003). Machiavelli's Children: Leaders & Their Legacies In Italy & Japan. [S.l.]: Cornell University Press. ISBN 0-8014-3492-0
- Sims, Richard (2001). Japanese Political History since the Meiji Renovation 1868-2000. [S.l.]: Palgrave. ISBN 0-312-23915-7
Referências
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Saigō Takamori», especificamente desta versão.
Ligações externas
- Saigo Takamori - Enciclopedia Encarta (em castelhano)
- Biografia na Livraria Nacional da Dieta (em inglês)
- Saigo Takamori e o final dos samurai (em castelhano)
- História e personagens da Restauração Meiji (em inglês)
