SMS Blücher (1877)
SMS Blücher
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| Operador | Marinha Imperial Alemã |
| Fabricante | Norddeutsche Schiffbau |
| Homônimo | Gebhard Leberecht von Blücher |
| Batimento de quilha | março de 1876 |
| Lançamento | 20 de setembro de 1877 |
| Comissionamento | 21 de dezembro de 1879 |
| Descomissionamento | 29 de fevereiro de 1908 |
| Destino | Desconhecido |
| Características gerais | |
| Tipo de navio | Corveta |
| Classe | Bismarck |
| Deslocamento | 2 890 t (carregado) |
| Maquinário | 1 motor a vapor 4 caldeiras |
| Comprimento | 82,5 m |
| Boca | 13,7 m |
| Calado | 5,68 m |
| Propulsão | 3 mastros 1 hélice |
| - | 2 989 cv (2 200 kW) |
| Velocidade | 12 nós (22 km/h) |
| Autonomia | 2 380 milhas náuticas a 12 nós (4 410 km a 22 km/h) |
| Armamento | 4 canhões de 88 mm até 13 canhões de 37 mm 4 a 7 tubos de torpedo de 350 mm |
| Tripulação | 404 |
O SMS Blücher foi uma corveta operada pela Marinha Imperial Alemã e a segunda embarcação da Classe Bismarck, depois do SMS Bismarck e seguido pelo SMS Stosch, SMS Moltke, SMS Gneisenau e SMS Stein. Sua construção começou em março de 1876 na Norddeutsche Schiffbau e foi lançado ao mar em setembro do ano seguinte, sendo comissionado em dezembro de 1879. Era armado com vários tubos de torpedo de 350 milímetros mais alguns canhões, tinha um deslocamento de quase três mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de doze nós.
O Blücher foi convertido em um navio-escola de torpedos pouco depois de entrar em serviço com o objetivo de testar os novos torpedos com propulsão própria. Ele desempenhou essa função durante toda a sua carreira ativa, com a maioria dos oficiais e tripulantes alemães treinando a bordo entre a década de 1880 e o início da década de 1900. O Blücher sofreu uma explosão em uma caldeira em 1907 que o deixou seriamente danificado. Foi considerado um navio muito velho para ser consertado e foi vendido em 1909 para uma empresa neerlandesa. Seu destino final é desconhecido.
Características
A Classe Bismarck foi encomendada na década de 1870 para complementar a frota de navios de guerra da Marinha Imperial Alemã, que nessa época dependia de várias embarcações com mais de vinte anos de idade. As corvetas tinham a intenção de patrulharem o império colonial alemão e protegerem interesses econômicos ao redor do mundo.[1]
O Blücher tinha 82,5 metros de comprimento de fora a fora, boca de 13,7 metros e calado de 5,68 metros à vante. Seu deslocamento carregado era de 2 890 toneladas. Seu sistema de propulsão tinha quatro caldeiras a carvão que alimentavam um motor a vapor que girava uma hélice de duas lâminas. Tinha uma potência indicada de 2 989 cavalos-vapor (2 197 quilowatts) para uma velocidade máxima de 13,9 nós (25,7 quilômetros por hora). A autonomia era de 2 380 milhas náuticas (4 410 quilômetros) a nove nós (dezessete quilômetros por hora). Foi finalizado com um aparelho completo, mas isto foi depois reduzido. Sua tripulação era formada por dezoito oficiais e 386 marinheiros.[2][3]
O armamento de canhões consistia em quatro canhões retrocarga calibre 25 de 88 milímetros e até treze canhões revólver Hotchkiss de 37 milímetros. Também foi equipado com uma variedade de tubos de torpedo pelo decorrer da sua carreira para exercer sua função de navio-escola, com o número variando de quatro até sete. Todos eram tubos de 350 milímetros e ficavam posicionados em vários locais do navio, tanto acima quanto abaixo da linha de flutuação.[2][3]
Carreira
Início de serviço
O Blücher foi encomendado sob o nome provisório "C" e seu batimento de quilha ocorreu em março de 1876 nos estaleiros da Norddeutsche Schiffbau. Foi lançado ao mar em 20 de setembro de 1877, sendo batizado pelo contra-almirante Reinhold von Werner, o chefe da Estação Naval do Mar Báltico, em homenagem ao general-marechal de campo Gebhard Leberecht von Blücher, comandante militar prussiano das Guerras Napoleônicas. O navio ficou pronto para testes marítimos no final de 1878, com eles durando até 30 de janeiro de 1879. Foi designado para deveres de teste de torpedos, com a Marinha Imperial planejando usá-lo como navio de suporte para barcos torpedeiros em caso de guerra. Foi convertido para este uso no início de 1880; seu armamento original foi removido e substituído com uma variedade de tubos de torpedo, enquanto o aparelho foi reduzido. Finalmente entrou em serviço com a Escola de Torpedos em Kiel em 10 de agosto de 1880,[4] com o capitão-tenente Alfred von Tirpitz como seu primeiro oficial comandante.[5]
A maioria dos oficiais navais e marinheiros alemães tiveram seus treinamentos em torpedos a bordo do Blücher durante os anos em que a embarcação esteve em serviço ativo, porém ele só começou a receber tripulações para treinamento em 1º de maio de 1881. Ficou inicialmente baseado no Fiorde de Kiel e participou em 17 de setembro de uma revista naval com o objetivo de demonstrar os novos torpedos ao imperador Guilherme I. A Escola de Torpedos realizou várias demonstrações próximas de Friedrichsort que começou com quatro pinaças lançando torpedos contra seus alvos, seguidas pelo Blücher navegando em velocidade máxima e lançando torpedos contra o navio alvo estacionário Elbe, acertando um torpedo diretamente à meia-nau e afundando-o. A corveta foi descomissionada em 27 de outubro ao final das manobras anuais de treinamento.[6]
O barco torpedeiro SMS Ulan foi designado como o auxiliar do Blücher em 1882. O navio fez um cruzeiro pelo Mar Báltico entre 22 de junho e 15 de julho, em seguida participou dos exercícios de treinamento anuais da frota entre agosto e setembro. Passou todo o ano de 1883 descomissionado, o primeiro ano em que isso aconteceu. A Marinha Imperial organizou uma divisão de barcos torpedeiros pela primeira vez em 1884, que incluía o SMS Kühn, SMS Flink, SMS Scharf, SMS Sicher, SMS Tapfer e SMS Vorwärts, mais a canhoneira SMS Jäger. A antiga canhoneira SMS Wolf foi afundada como alvo em 4 de agosto durante testes. O Blücher foi para Wilhelmshaven em setembro a fim de auxiliar no teste de novos barcos torpedeiros em construção no local. O navio passou 1885 realizando exercícios de treinamento com os barcos torpedeiros da esquadra de treinamento. Foi designado em 1886 para a recém formada Inspetoria de Torpedos, com o ano transcorrendo tranquilamente com exceção de uma curta viagem a Wilhelmshaven.[7]
Foi descomissionado em 1º de outubro para reformas. O Almirantado Imperial considerou restaurar o Blücher a um navio de guerra, com seu lugar na Escola de Torpedos sendo passado para a fragata SMS Elisabeth, mas este plano não foi adotado. As salas de aula foram modernizadas e holofotes instalados no convés para permitir treinamentos de torpedo noturnos. Voltou ao serviço em 30 de abril de 1887 e participou de uma revista naval em junho para celebrar o início das obras do Canal Imperador Guilherme. O Blücher passou o ano seguinte na rotina normal de exercícios. Participou em 1889 de manobras perto de Kristiansand, na Noruega, enfatizando lançamentos à longa distância.[7]
Últimos anos

Por conta das exigências cada vez maiores do desenvolvimento de táticas de torpedo, o aviso SMS Greif foi designado para esse propósito, permitindo que o Blücher se focasse apenas no treinamento de tripulações. O ano 1891 transcorreu tranquilamente e em maio de 1892 o navio foi passar por outra reforma. Seu lugar na Escola de Torpedos foi temporariamente assumido pelo ironclad SMS Sachsen até 1º de dezembro. O Blücher retornou ao serviço no início do ano seguinte; três de seus tripulantes sofreram um acidente perto de Kiel em 6 de setembro, quando acidentalmente emborcaram seu bote. A corveta serviu de capitânia da IV Divisão durante as manobras anuais de frota daquele ano. O Blücher e o Greif operaram juntos a partir de 1894. O Blücher em 18 de setembro o cruzador protegido SMS Prinzess Wilhelm, que tinha encalhado na ilha de Bornholm, na Dinamarca.[8]
Participou em 1895 das celebrações da inauguração do Canal Imperador Guilherme, enquanto em setembro passou por outra reforma. Seu lugar na Escola de Torpedos desta vez foi assumido pelo ironclad SMS Friedrich Carl. O Blücher no ano seguinte foi a capitânia divisional durante os exercícios de treinamento anuais entre agosto e setembro. Nesta altura, uma nova Escola de Torpedos estava sendo construída em Flensburgo, porque as fortes correntes marítimas e tráfego maior pelo canal estavam dificultando as operações em Kiel. Flensburgo também oferecia distâncias maiores, algo necessários para os modelos mais modernos de torpedo que tinham alcance maiores. Os anos de 1897 e 1898 transcorreram com a mesma rotina dos anteriores, atuando como capitânia da esquadra de treinamento nas manobras de frota nos dois anos.[9]
O Blücher foi descomissionado em 1900 para mais uma reforma no Estaleiro Imperial de Kiel, sendo substituído de novo pelo Friedrich Carl. Voltou ao serviço em 2 de abril de 1901, mas perdeu sua hélice enquanto deixava o estaleiro e precisou ser rebocado. A nova Escola de Torpedos foi inaugurada em 31 de outubro de 1902 e o navio foi transferido para Flensburgo junto com quatro barcos torpedeiros. O ironclad SMS Württemberg foi designado para a Escola de Torpedos a fim de apoiar o Blücher e os barcos torpedeiros. A condição material da corveta tinha deteriorado bastante até 1906, com ela sendo reduzida a uma navio escola estacionário e alojamento flutuante em 25 de setembro.[9]
A embarcação sofreu uma explosão em suas caldeiras em 6 de novembro de 1907. A caldeira não tinha sido usada em semanas e a tripulação não a operou adequadamente, causando uma tubulação de vapor de alta pressão estourar na parede frontal da caldeira. A explosão resultante perfurou o convés à vante e à ré da chaminé, infligindo danos sérios ao navio. Dez homens morreram instantaneamente e outros 24 ficaram seriamente feridos, seis dos quais morreram posteriormente. O número de baixas foi relativamente baixo pelo fato da maior parte da tripulação estar em terra na hora do acidente. O Blücher foi rebocado para o porto de Flensburgo, onde uma minuciosa investigação do acidente ocorreu. Foi removido do registro naval em 29 de fevereiro de 1908. O ironclad SMS Uranus foi convertido em um alojamento flutuante para substituir o Blücher, com este sendo vendido para uma empresa de Roterdã, nos Países Baixos, que passou a usá-lo como depósito de carvão em Vigo, na Espanha. Seu destino final é desconhecido. Um memorial para as vítimas da explosão foi erguido em Flensburgo em fevereiro de 1909, enquanto a figura de proa do navio foi preservada na Academia Naval de Mürwik.[9]
Referências
- ↑ Sondhaus 1997, pp. 116–117, 136–137.
- ↑ a b Gröner 1990, p. 44.
- ↑ a b Lyon 1979, p. 251.
- ↑ Hildebrand & Röhr Steinmetz, p. 95.
- ↑ Kelly 2011, pp. 52, 58.
- ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 95.
- ↑ a b Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 96.
- ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, pp. 96–97.
- ↑ a b c Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 97.
Bibliografia
- Gröner, Erich (1990). German Warships: 1815–1945. I: Major Surface Vessels. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-87021-790-6
- Hildebrand, Hans H.; Röhr, Albert; Steinmetz, Hans-Otto (1993). Die Deutschen Kriegsschiffe: Biographien – ein Spiegel der Marinegeschichte von 1815 bis zur Gegenwart. Vol. 2. Ratingen: Mundus Verlag. ISBN 978-3-7822-0210-7
- Kelly, Patrick J. (2011). Tirpitz and the Imperial German Navy. Bloomington: Indiana University Press. ISBN 978-0-253-35593-5
- Lyon, Hugh (1979). «Germany». In: Gardiner, Robert; Chesneau, Roger; Kolesnik, Eugene M. Conway's All the World's Fighting Ships 1860–1905. Greenwich: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-133-5
- Sondhaus, Lawrence (1997). Preparing for Weltpolitik: German Sea Power Before the Tirpitz Era. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-55750-745-7
Ligações externas
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