Símbolos litúrgicos
Os Símbolos Litúrgicos são os objetos e locais utilizados durante celebrações litúrgicas na Igreja Católica.
Para as celebrações litúrgicas na Igreja Católica, os clérigos devem utilizar os paramentos (vestes litúrgicas). Alguns deles são:
- Amito ou amicto (latim amictus[1]): é um retângulo de tecido branco, normalmente de linho ou algodão e com uma cruz ao meio, tendo fitas ou cordões em duas das pontas. É colocado à volta do pescoço, atando-se no peito com as fitas. Todos os ministros que vestem alva podem vestir o amito. O seu uso é obrigatório sempre que a alva ou túnica não cubra totalmente a roupa que se usa por debaixo na zona do pescoço. Ao cobrir a maçã de Adão, simboliza que o pecado original foi apagado. Também simboliza a sobriedade que o sacerdote deve ter nas palavras e no agir.[2]
- Alva (latim alba[3]): é geralmente de tecido branco e cobre todo o corpo até aos pés. Veste-se sobre a batina ou outra roupa ordinária e sobre o amito (se for usado). Recorda, segundo António Vasconcelos, a túnica utilizada por Jesus na casa de Herodes. Simboliza também, pela sua cor branca, pureza e santidade, símbolo ainda complementado pelo material: o linho[2] Nesse momento, o sacerdote despoja-se daquilo que é e, não obstante as suas falhas e pecados, ele celebrará na pessoa do próprio Cristo. É importante não confundir a alva ou túnica com a batina. A batina é de cor preta ou de outra cor (de acordo com dignidade eclesiástica) e usada por clérigos e seminaristas, enquanto a alva é usada apenas no momento da celebração e é sempre de cor branca ou clara.[4]
- Cíngulo (latim cingulum[5]): é um cordão comprido usado como cinto, cingindo à cintura a alva. Recorda tanto as cordas com que Jesus foi amarrado no Getsêmani e na coluna quanto a pureza e a castidade do sacerdote.[6]
- Estola (latim stola[7]): é a faixa vertical que desce do pescoço paralelamente e significa o poder da autoridade sacerdotal. A cor da estola varia de acordo com o tempo litúrgico.[8] A estola do sacerdote distingue-se da estola do diácono porque esta desce de uma parte do pescoço à região da perna paralela, enquanto aquela desce do pescoço até as duas pernas.[9]
- Casula (latim casula[10]): é usada pelos sacerdotes e bispos como uma espécie de capa ou “poncho”. A cor varia conforme o tempo litúrgico, mas com tonalidades mais vistosas e brilhantes, às vezes também pode ser dourada ou prateada, substituindo o branco. É uma veste solene, devendo ser usada em festas e solenidades, mas também em dias comuns, ao menos pelo sacerdote que preside à celebração. Sob a casula decem estar a estola, a alva, o amito etc. Há várias espécies de casulas, entre elas a casula romana (popular no rito extraordinário), a casula gótica (popular no rito ordinário) e a casula monástica (popular entre Ordens monásticas).[11][12]
Objetos e locais
Para a celebração da Santa Missa, são exigidos (ou ao menos recomendados) alguns objetos (chamados de "alfaias") e locais próprios da liturgia.
- Altar: é tanto a mesa do Banquete, onde os fiéis fraternalmente comungarão Corpo e Sangue do Senhor, quanto a pedra do Sacrifício. O altar-mor encontra-se no presbitério, este sendo separado por alguns degraus da nave para que os fiéis possam vê-lo.[13]
- Toalha: de cor geralmente branca e comprida, a toalha deve cobrir todo o altar e se encontrar em bom estado de limpeza e conservação.
- Crucifixo: recordando Aquele que se oferece como bode expiatório por nossos pecados, Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, o crucifixo geralmente é encontrado no altar e acima do sacrário.
- Vela: trazendo consigo diversos símbolos, entre eles a Luz de Cristo e a chama da fé, as velas são encontradas sobre o altar.
- Flores: utilizadas para ornamentação. A Instrução Geral do Missal do Romano adverte que, na época da Quaresma, à exceção do domingo Laetare, de solenidades e dias festivos, o altar não deve ser ornamentado. Durante o tempo do Advento, a IGMR também adverte que a ornamentação deve ser moderada. Tais regras não se aplicam a solenidades e festividades do Advento e da Quaresma.[14]
- Missal Romano: livro onde se encontram determinadas partes da celebração eucarística, como os ritos iniciais (sinal da cruz a oração coleta), a oração eucarística e os ritos finais. Utilizado pelo sacerdote. O acólito responsável pelo Missal é chamado "librífero".
- Evangeliário: livro no qual estão reunidos os Evangelhos lidos pelo sacerdote ou pelo diácono nas missas dominicais.
- Lecionário: livro onde se encontram as leituras da Missa (primeira leitura, salmo responsorial e, se houver, segunda leitura).
- Hóstia: partícula de pão ázimo que, segundo a doutrina católica da transubstanciação, torna-se Corpo de Cristo. A hóstia magna é maior e geralmente ingerida pelos concelebrantes ou servidores do altar. As hóstias menores são geralmente ingeridas pela assembleia dos fiéis. Podem ser distribuídas por um sacerdote, por um diácono, por um ministro extraordinário da sagrada comunhão ou por outra pessoa devidamente autorizada.
- Vinho canônico: é o vinho utilizado pelo sacerdote durante a consagração na celebração eucarística. Também segundo a doutrina da transubstanciação, torna-se Sangue de Cristo. Embora a comunhão sob duas espécies (Corpo e Sangue) seja rara e geralmente reservada a ocasiões especiais (como a Primeira Comunhão), o Sangue de Cristo não é exclusivo do sacerdote.
- Cálice: destina-se a receber o Sangue de Jesus, sob a espécie do vinho. Deve ser feito de materiais nobres e receber os devidos cuidados.
- Âmbula (ou cibório, píxide): é o local onde são colocadas as hóstias para a distribuição, devendo ser guardadas no sacrário.
- Patena: é um pequeno prato raso. Sobre a patena se coloca a hóstia magna.
- Pala: tem formato quadrado e serve para cobrir o cálice com o vinho e a patena com a hóstia, protegendo-os de impurezas.
- Sanguíneo (ou purificatório): é o tecido utilizado pelo sacerdote para limpar o cálice e as âmbulas e enxugar seus dedos e lábios.
- Corporal: é o tecido de formato quadrado posto sob o cálice e a patena.
- Manustérgio: é uma toalha usada para enxugar as mãos do sacerdote depois que estas são lavadas.
- Galhetas: são duas jarras de vidro que guardam a água e o vinho que serão usados na consagração, postos no cálice durante o ofertório.
- Sacrário (ou tabernáculo): local onde são postas as hóstias consagradas.
- Ao lado do sacrário geralmente se encontra uma luz vermelha, indicando a presença de Jesus no sacrário.
- Ostensório: objeto usado para procissões e adorações eucarísticas. Uma hóstia consagrada é exposta no ostensório, em uma parte chamada luneta.
- Teca: recipiente onde se guardam hóstias para visitas aos enfermos.
- Turíbulo: recipiente onde se queima o incenso usado nas celebrações litúrgicas. O acólito responsável pelo turíbulo é chamado "turiferário".[15]
- Naveta: recipiente onde é guardado o incenso antes de ser posto no turíbulo. O acólito responsável pela naveta é chamado "naveteiro" ou "naviculário".[16]
Ver também
Referências
- ↑ S.A, Priberam Informática. «amito». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ a b VASCONCELOS, António Garcia Ribeiro de. Compêndio de liturgia romana, Vol. I. [S.l.: s.n.] p. 99
- ↑ S.A, Priberam Informática. «alva». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ «Cassock | Religious Garment, Clergy Robe, Vestment | Britannica». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «cíngulo». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ VASCONCELOS, António Garcia Ribeiro de. Compêndio de liturgia romana, Vol. I. [S.l.: s.n.] p. 100
- ↑ S.A, Priberam Informática. «estola». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ Virtual, iSET-Plataforma de Loja (22 de agosto de 2024). «Qual é o Significado da Estola?». www.santainesparamentos.com.br. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ Virtual, iSET-Plataforma de Loja (7 de agosto de 2025). «Estola Diaconal: Significado, Modelos e Uso na Liturgia». www.santainesparamentos.com.br. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «casula». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ «Casula litúrgica:O que É, Significado, Tipo, Cores lAngelus Paramentos». Angelus Paramentos. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ Virtual, iSET-Plataforma de Loja (17 de setembro de 2025). «Paramentos e a Espiritualidade do Sacerdote: Vestir-se de Cristo». www.santainesparamentos.com.br. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ «..:: a hora da missa ::..». www.ahoradamissa.com. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ «IGMR nº 305». Hoje é dia de Liturgia. 28 de outubro de 2014. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ Presbiteros (7 de junho de 2010). «Os acólitos». Presbíteros. Consultado em 14 de dezembro de 2025
- ↑ Florcovski, André (sábado, 28 de julho de 2012). «Pílulas Litúrgicas: A naveta». Pílulas Litúrgicas. Consultado em 14 de dezembro de 2025 Verifique data em:
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Ligações externas
(Pequeno subsídio para a formação de leigos, no que concerne a símbolos nas celebrações litúrgicas)