Sé de Faro

Sé Catedral de Faro
Vista da fachada principal da Sé de Faro, com a sua torre gótica.
Informações gerais
Estilo dominanteGótico (torre com pórtico, portal principal, algumas capelas), maneirista e barroco (nave, capela-mor)
Início da construçãoFundada em meados do século XIII, maioritariamente a partir do século XV
Fim da construçãoSéculo XVIII
ReligiãoIgreja Católica Romana
DioceseDiocese do Algarve
Património de Portugal
DGPC74873
SIPA1289
Geografia
PaísPortugal Portugal
Localização, Faro
RegiãoDistrito de Faro
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico

A Sé Catedral de Faro, também conhecida por Igreja da Sé ou Igreja de Santa Maria, é um dos edifícios históricos mais importantes de Faro, no Algarve, em Portugal. Situa-se no Largo da Sé da cidade, em pleno centro histórico, e está classificada como Imóvel de Interesse Público. É a sede da Diocese do Algarve.

Fotografia da Sé, publicada no jornal Algarve Illustrado em 1880.
Gravura da cidade de Faro, publicada em 1813 pelo artista britânico George Landmann. No lado direito é visível a torre sineira da Sé a destacar-se do casario.

História

Antecedentes e construção

De acordo com os vestígios arqueológicos, sensivelmente no local do Largo da Sé encontrava-se um templo romano, provavelmente utilizado entre os séculos I a IV d.C., podendo ter sido o centro da cidade romana de Ossónoba.[1] Terá sido igualmente neste local que foram depois construídos os santuários muçulmanos e cristãos que foram o antecessor da Sé Catedral de Faro.[1] Com efeito, durante o período visigótico este local poderá ter sido ocupado por um templo cristão, que por seu turno terá sido substituído por uma mesquita após a cidade ter sido tomada pelos mouros.[2] A presença islâmica é testemunhada pelos vestígios de um bairro na Horta da Misericórdia, na área posterior da Sé, onde foram encontrados materiais cerâmicos que indicam que foi ocupada continuamente durante todo do domínio muçulmano da região, entre os séculos VIII e XIII.[3] O próprio edifício da Catedral pode ter criada a partir da conversão da mesquita[4] ou então poderá ter sido construída em cima do templo islâmico,[2] transformação que foi em ambos os casos motivada pela Reconquista de Faro por D. Afonso III,[4] A torre sineira poderá ter sido construída na sequência da reconquista de Faro, quando D. Afonso III procurou reforçar as defesas da cidade contra as incursões islâmicas.[5] O investigador José António Pinheiro e Rosa avançou igualmente com a teoria de que a torre, em conjunto com os transeptos, terão constituído a estrutura original da igreja.[6] A partir destes elementos, fez uma reconstituição do santuário original, alvitrando que teria já as três naves, uma ábside e absidíolos, formando sensivelmente uma cruz latina, sendo a haste maior composta pela torre e pela nave central, prolongada pela ábside, enquanto que a haste menor seria constituída pelas duas capelas nos extremos do transepto.[6] A nave teria provavelmente três tramos até ao transepto, sendo os seus limites demarcados no exterior por contrafortes.[6] A nave central estaria separada das laterais por arcos quebrados, sustentados por colunas ligadas a pilastras.[6] Segundo Pinheiro e Rosa, a configuração original do corpo superior da torre sineira poderá ter sido composta por duas sineiras ovais em cada face e rematada por uma varanda com ameias, uma vez que, devido à sua altitude e posição no interior da cidade, poderá ter tido funções defensivas, além de religiosas.[6] Alvitrou que o acesso original aos andares superiores da torre sineira, e do coro alto no interior da igreja, poderá ter sido feito por uma escada em caracol partindo do piso térreo.[6]

De acordo com a tradição, não apoiada por evidência arqueológica, a Igreja de Santa Maria de Faro foi erguida sobre as fundações de uma basílica paleocristã e uma mesquita.[7]

O edifício actual foi começado em 1251, dois anos após a Reconquista cristã do povoado, por ordem do Arcebispo de Braga D. João Viegas. Em 1271 esse templo foi entregue à Ordem de São Tiago, em recompensa pelos serviços prestados na tomada da povoação aos mouros.[7][8] Este primeiro templo era provavelmente muito pequeno e foi ampliado a partir de 1321, no reinado de D. Dinis (1279-1325).[carece de fontes?] Originalmente era dedicada a Santa Maria da Ordem de Santiago.[5]

Séculos XV a XIX

Durante o século XV foi novamente reformulado, datando dessa época os elementos medievais da igreja que subsistem, como a torre da fachada, o portal principal e as capelas do transepto.[7][8]

Em 1577, quando o bispo do Algarve era D. Jerónimo Osório, a Igreja de Santa Maria foi ascendida a sede episcopal da Diocese do Algarve, substituindo assim a Silves.[9] Alguns anos depois (1596), a cidade e a Sé foram saqueadas e incendiadas pelas tropas inglesas de Robert Devereux, 2º Conde de Essex. Apenas as capelas da cabeceira, a torre da fachada e as paredes da nave teriam ficado de pé, enquanto que altares e os tectos de madeira foram destruídos.[8] Segundo José António Pinheiro e Rosa, além do incêndio de 1596, o monumento poderá ter sido atingido por sismos no século XVI, que teriam gravemente danificado o corpo superior da torre sineira.[6] Com efeito, nas descrições do século XVII já surge composto apenas por muros de suporte para os sinos.[6] Também no século XVII foi adicionada uma escada exterior para acesso à torre sineira.[6]

Órgão da Sé de Faro
Gravura de Faro publicada na revista O Panorama em 1842. É visível a torre sineira com a torre lanterna à direita, e o grande desnível entre os telhados das naves central e laterais, com janelas.

A Sé foi reconstruída com ajuda do rei D. Filipe I, quando a arcarias góticas da nave foram substituídas por colunas toscanas em estilo chão.[7][8] As capelas antigas foram inicialmente mantidas, mas a capela-mor foi reconstruída por volta de 1640 pelo bispo D. Francisco Barreto I, cujo brasão pode ser visto no arco triunfal da capela.[7][8] O retábulo desta capela, em estilo maneirista e decorado com pinturas, foi construído entre 1642 e 1643.[8] As duas capelas da cabeceira que flaqueiam a capela-mor também foram reconstruídas no século XVII. Apenas as capelas dos braços do transepto permaneceram góticas até os dias actuais.[7][8] Outros bispos que fizeram obras na Sé de Faro foram D. José de Meneses, D. Simão da Gama, e D. António Pereira da Silva, tal como os cónegos Domingos Pereira da Silva e Gaspar da Mota e o arcediago José da Gama, tendo os seus brasões de armas sido colocados nos arcos das capelas cuja construções ordenaram.[5]

Segundo José António Pinheiro e Rosa, nos princípios do século XVII existem registos da existência de frestas no corpo central da torre sineira, e da sua substituição pelas janelas.[6] Data também dessa centúria uma gravura da Sé, publicada posteriormente no jornal O Panorama, e que apesar de conter várias incongruências com as descrições existentes dessa época, ainda assim foi considerada por José António Pinheiro e Rosa como um valioso testemunho de como era o edifício.[6] No desenho, o santuário surge já com o corpo dividido em três naves, sendo a central mais alta, com cobertura em telhado de duas águas rasgado por janelas, enquanto que as laterais apresentavam telhado de uma só água, sem aberturas e com contrafortes.[6] No ponto sobre o cruzeiro erguia-se uma torre lanterna, sensivelmente com a mesma altura da torre sineira, e que tinha uma cobertura plana, e duas janelas ogivais em cada face.[6] A torre lanterna provavelmente teria uma abóbada de nervuras.[6] Logo após esta torre encontrava-se a cobertura da ábside, em telhado de duas águas, e que é rasgada por três janelas laterais, e junto à parede estava o telhado do absídolo.[6] Também no século XVII foi adicionada a sacristia na face meridional da igreja, levando à remoção de um dos quatro contrafortes naquele lado.[6] Segundo o investigador, a combinação da torre lanterna e das janelas na cobertura permitiria uma boa iluminação da nave central, enquanto que as laterais, cujos telhados não tinham quaisquer aberturas, ficariam na escuridão.[6] Provavelmente as naves não seriam cobertas por uma abóbada de nervuras, devido à relativa rapidez com o que o edifício foi erguido, talvez em menos de vinte anos, o que não permitiria a instalação de abóbadas em toda a igreja.[6] Devido à configuração das capelas laterais do transepto, Pinheiro e Rosa supôs que os elementos originais da ábside e dos absidíolos seria relativamente semelhante, com a primeira a ter um fundo poligonal cujos ângulos eram marcados no exterior por contrafortes, e rasgado por três ou cinco janelas.[6] Seria mais elevada do que as capelas laterais, e contaria com uma abóbada de nervuras.[6] Quanto aos absidíolos, existiram talvez um ou dois de cada lado da ábside, tendo o investigador encontrado uma das colunas do arco por detrás da talha dourada da capela de São Francisco de Paula.[6] Pinheiro e Rosa considerou que a configuração da igreja original seria talvez muito semelhante à do Convento de Santa Clara, em Santarém, salvo pelo elemento da torre sineira em frente à fachada.[10]

A Sé foi enriquecida ao longo dos séculos XVII e XVIII com vários trabalhos de talha dourada e painéis de azulejos, com destaque para o órgão construído por volta de 1715. Este instrumento, atribuído tradicionalmente ao fabricante alemão Arp Schnitger, foi construído em Lisboa pelo também alemão Johann Heinrich Hulenkampf (João Fernandes Hulencampo), discípulo de Schnitger radicado em Portugal desde 1701[11]. O instrumento foi decorado com pinturas em chinoiserie em 1751 por um artista de Tavira, Francisco Correia da Silva.[8] Um órgão gêmeo ao da Sé de Faro foi enviado à Sé de Mariana, no Brasil colonial, por ordem de D. João V, por volta de 1750.[11]

Os terramotos de 1722 e 1755 afectaram o edifício e motivaram contudo ainda outras obras. Desde essa época a Sé sofreu poucas modificações.[8] De acordo com Pinheiro e Rosa, o portal entre o interior da igreja e o corpo central da torre sineira foi destruído pelo sismo de 1722.[6] Grande parte da catedral foi destruída pelo sismo de 1755, tendo um dos poucos elementos sobreviventes sido a imponente torre sineira.[5] Ainda assim, o sismo deverá ter provocado a destruição da abóbada de nervuras no interior dos primeiro e segundo corpos, tendo este último sido igualmente muito atingido no exterior, que foi depois reparado.[6] Durante o mandato de D. Francisco Gomes do Avelar como Bispo do Algarve, iniciado nos finais do século XVIII, dá-se a reorganização do largo em redor da Sé Catedral, que passou a estar parcialmente rodeado por edifícios religiosos, como o Seminário de São José. Esta intervenção inseriu-se num programa de D. Francisco para a reurbanização da cidade de Faro, devastada pelo sismo de 1755, e que também incluiu a instalação do Arco da Vila.[12] No século XIX, foi rebaixado o solo do Largo da Sé.[1] Nos finais da centúria, o monsenhor Joaquim Pereira Botto ordenou que fossem feitas obras na janela da capela setentrional do transepto, com a remoção de um retábulo que a tinha obstruído.[6]

Séculos XX e XXI

Em 1939 foram feitas escavações no Largo da Sé, durante as quais foram encontrados vestígios antigos, tendo os arqueólogos Abel Viana e Mário Lyster Franco avançado a hipótese que pertenceriam a um templo romano do fórum de Ossónoba.[1]

Em 1955, o monumento foi classificado como Imóvel de Interesse Público.[13] Entre 1996 e 1997 foi alvo de obras de restauro, e em 1998 foram feitos trabalhos de recuperação na área envolvente.[13]

Em Maio de 2009, a associação Almargem criticou as obras de conservação que estavam a ser feitas na Sé de Faro, nomeadamente as substituições nos rebocos, pavimentos e nas cornijas.[14] De acordo com aquela associação, os rebocos estavam a ser substituídos utilizando cimento, não respeitando a composição original, formada por cal aérea, gesso e areia, enquanto que as cornijas novas eram «de forma completamente dissonante em termos de perfil e aspecto».[14] Quanto aos pavimentos, estavam a ser substituídos por ladrilho de tipologia Santa, formando um vivo contraste com os originais, formados por lajetas de calcário.[14] Denunciou igualmente a falta de sinalização, e a inexistência de um caderno de encargos e de um plano para os trabalhos em curso, além da ausência «de qualquer supervisão ou técnico responsável pelas mesmas», tendo recordado que «a realização de obras em edifícios desta natureza só pode ser levada a cabo por empresas devidamente qualificadas e devidamente planeadas e supervisionadas e não podem ser alvo de intervenções pontuais de improviso».[14] A associação afirmou que esta não foi a primeira vez que o monumento foi prejudicado devido a obras de restauro, uma vez que «já anteriormente alguém, quando levou a cabo uma pintura, resolveu pintar os cunhais tendo conferido aos alçados um aspecto dissonante do existente».[14] Em resposta às críticas, o cónego Gilberto Santos afirmou ao jornal Público que não estava a compreender a origem da polémica, e recordou que o monumento estava a necessitar de mais trabalhos de recuperação, incluindo no telhado, onde havia «infiltrações pontuais».[15] Explicou igualmente que a Diocese de Faro estava com grandes dificuldades em financiar as obras, comentando que que «quando pedimos apoios ao Estado, o Igespar responde que não há dinheiro.»[15] Um dos principais críticos das obras da Sé em 2009 foi o arquitecto Fernando Silva Grade,[16] que também foi responsável pela denúncia de uma situação semelhante na Igreja Matriz de Olhão, em 2017.[17]

Após ter sido descoberto um túmulo gótico no interior da Capela de São Domingos, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais fez obras de restauro na Sé em 2006.[18] Durante os trabalhos de acompanhamento arqueológico, foram descobertas novas informações sobre a história daquela capela, ao longo dos séculos XV e XVI, e sobre as modificações de que foi alvo durante o período barroca.[18] Foram encontradas várias peças dos séculos XV a XVI e XVIII, incluindo fragmentos de azulejos, materiais de cerâmica e metal, e partes do túmulo gótico, testemunhando que foi parcialmente demolido.[18] Em Julho de 2016, a Sé Catedral comemorou os trezentos anos da sua consagração, evento que foi assinalado com uma conferência e exposição sobre o bispo D. Francisco Gomes do Avelar e um concerto.[19] No ano seguinte iniciou-se uma escola sobre órgão na Sé, aproveitando o órgão de tubos existente no interior do edifício.[20]

Em Janeiro de 2024, uma relíquia de São Vicente foi transladada da Sé de Lisboa para a Sé de Faro, onde foi construído um altar próprio para a expor.[21] Em Setembro de 2025 foram feitos trabalhos arqueológicos na envolvente da Sé, organizados pelas Universidades do Algarve e Marburgo.[1] Estas investigações consistiram em diversas sondagens geofísicas, feitas em cooperação com o Museu Municipal de Faro, tendo sido utilizado um equipamento de georradar - o Ground Penetrating Radar, que permite criar uma espécie de radiografia do subsolo.[1] Segundo o professor Felix Teichner, da Universidade de Marburgo, foi encontrado «o canto do templo, encostado à arcada da Sé. Vê-se o pódio e as escadas», tendo apontado várias semelhanças com o Templo romano de Évora, tendo-se desta forma confirmado as teorias avançadas por Abel Viana e Mário Lyster Franco na década de 1930.[1]

Portal da Sé, em arco de volta quebrada.

Descrição

Localização e conservação

A Catedral de Faro situa-se no Largo da Sé,[4] na parte mais antiga do centro histórico de Faro, conhecido como vila-adentro.[2] Nesta área encontram-se outros edifícios de grande interesse histórico, como o Paço Episcopal e o Seminário Episcopal.[4]

Está classificada como Imóvel de Interesse Público.[4]

Composição

Exterior e torre sineira

Consiste num edifício de grandes dimensões,[5] cuja aparência exterior testemunha as várias campanhas de obras pelas quais passou ao longo da sua história, que alteraram quase completamente a sua traça original.[4] Assim, são visíveis as influências góticas, barrocas e do estilo chão.[4] Em frente da fachada principal encontra-se uma torre, no estilo romano-gótico,[22] dividida em três corpos,[6] formando o primeiro uma galilé e um portal em forma de arco quebrado,[4] ao qual se acede por uma escadaria.[2] Esta configuração da torre em frente da fachada principal é considerada pouco comum no país, tendo José António Pinheiro e Rosa considerado a Sé de Faro como uma «réplica» da Igreja de São Martinho de Mouros, um monumento românico do século XII.[6] O portal para o interior da catedral em si situa-se no interior da galilé, e era também de arco ogival, com decoração vegetalista.[6] Originalmente o acesso entre o interior da Sé e o corpo central da torre era feito igualmente por um portal em arco quebrado, mas este foi destruído pelo sismo de 1722.[6]

Vista de uma das capelas laterais, que provavelmente fariam originalmente parte do transepto. É visível o arco de entrada ligeiramente quebrado, e a abóbada de nervuras sobre colunas que acompanham os vértices da cabeceira.

Interior

A mistura de estilos verifica-se igualmente no interior, onde existem vários elementos renascentistas, enquanto que a decoração é de influência barroca.[4] A catedral apresenta uma planta longitudinal, dividida em três naves, uma capela-mor, sete capelas laterais e um coro-alto.[4] As naves estão separadas por colunas de ordem dórica e arcos de volta perfeita.[4] A cobertura da capela-mor é composta por uma abóbada com caixotões.[4] Os espaços da capela-mor, das capelas colaterais e das outras nas naves laterais estão decoradas com talha dourada, executada por Manuel Martins, e por azulejos.[4] São igualmente de especial de especial interesse os retábulos.[4] Destaca-se também o órgão barroco, situado na nave central.[4] Da autoria de Arp Schnitger, tem três castelos e quatro nichos, e está decorado com motivos de influência oriental, conhecidos como chinoiserie.[4] Situa-se na nave central.[4]

Duas das capelas laterais pertencem provavelmente ao edifício original, servindo como pontos finais do antigo transepto, formando assim uma planta em cruz latina, em conjunto com as naves.[6] Estas capelas laterais estão divididas em duas partes, uma rectangular e outra poligonal no remate extremo, e cujas paredes estão ligadas, no exterior, aos contrafortes.[6] Na face central do polígono, em cada capela lateral, abre-se uma janela, sendo uma ligeiramente diferente da outra, devido a obras no século XIX.[6] Pinheiro e Rosa avançou a teoria que estas janelas são diferentes das originais, uma vez que o filete em redor da capela está interrompido.[6] Em 1957 ainda permaneciam três contrafortes na capela meridional, tendo o quarto sido destruído com a instalação da sacristia, enquanto que no lado setentrional já só restavam dois contrafortes, e deslocados em relação à posição original, pois não correspondem à configuração interior.[6] Ambas tinham cachorrada por debaixo do telhado, e na face meridional destacavam-se igualmente as elaboradas gárgulas.[6] No interior, o acesso entre as capelas laterais do transepto e a nave é feito através de um portal de arcos ogivais canelados sobre colunas adossadas, cujos capitéis são românicos.[6] Os portais são ligeiramente diferentes, apresentando o meridional uma forma ogival mais acentuada, tendo Pinheiro e Rosa avançado a teoria de que esta diferença entre ambos os arcos deveu-se a terem sido instalados durante uma fase de transição, e à falta de talento por parte dos artistas.[6] O interior de cada capela é totalmente percorrido por um filete, que parte dos capitéis do arco de entrada, e na cabeceira erguem-se quatro colunas, correspondendo aos ângulos no polígono.[6] A partir dos seus capitéis, e de duas mísulas nas paredes laterais, são suportadas as nervuras da abóbada, formando uma configuração conhecida no passado por aranha, por ser ligeiramente semelhante àquele animal.[6]

Um dos espaços no interior da Sé de Faro é a chamada Sala dos Actos do Cabido, que é utilizada como local para eventos, tendo por exemplo albergado em 2021 a Exposição mgc100 – Moderno ao Sul, sobre o arquitecto Manuel Gomes da Costa.[23] O complexo da Sé inclui um claustro, perto do qual está situada a capela dos ossos.[4]

Galeria de imagens

Ver também

Bibliografia

Referências

  1. a b c d e f g PIRES, Bruno Filipe (3 de Setembro de 2025). «Faro: prospecção arqueológica inédita localiza templo do fórum romano junto à Sé». Barlavento. Consultado em 7 de Setembro de 2025 
  2. a b c d COSTA, José P. (3 de Setembro de 2021). «Um Algarve menos visitado: um périplo por igrejas ricas em história e não só». Público. Consultado em 11 de Setembro de 2025 
  3. «Muralha de Faro». Base de Dados de Património Islâmico em Portugal. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Consultado em 9 de Setembro de 2025 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r «Catedral de Faro». Câmara Municipal de Faro. 5 de Setembro de 2024. Consultado em 8 de Setembro de 2025 
  5. a b c d e «Sé de Faro» (PDF). Occidente. Série II, 11.º Ano (360). Lisboa. 21 de Dezembro de 1888. p. 283. Consultado em 12 de Setembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al Alvaro de Valadares (pseudónimo de José António Pinheiro e Rosa) (7 de Dezembro de 1958). «A Sé de Faro» (PDF). O Algarve. Ano 51 (2645). Faro. p. 1, 3. Consultado em 14 de Setembro de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  7. a b c d e f «Sé Catedral de Faro». Pesquisa de Património Imóvel. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 7 de Setembro de 2025 
  8. a b c d e f g h i Sé de Faro na base de dados do (SIPA/DGPC)
  9. História no sítio da Diocese do Algarve
  10. Alvaro de Valadares (pseudónimo de José António Pinheiro e Rosa) (14 de Dezembro de 1958). «A Sé de Faro» (PDF). O Algarve. Ano 51 (2646). Faro. p. 1, 3. Consultado em 16 de Setembro de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  11. a b João Pedro D'Alvarenga. O Órgão da Sé de Faro
  12. «Dom Francisco Gomes do Avelar, o Homem que Mudou a Cidade de Faro!». Diocese do Algarve. 11 de Setembro de 2006. Consultado em 6 de Outubro de 2025 
  13. a b FERNANDES e JANEIRO, 2005:41
  14. a b c d e «Obras dissonantes na Sé de Faro». Almargem. 5 de Maio de 2009. Consultado em 9 de Setembro de 2025 
  15. a b «Falta dinheiro público para mais reabilitação». Público. 7 de Maio de 2009. Consultado em 11 de Setembro de 2025 
  16. REVEZ, Idálio (12 de Maio de 2016). «O Algarve que rejeita os "patos-bravos" está exposto em Faro». Público. Consultado em 12 de Setembro de 2025 
  17. REVEZ, Idálio (5 de Abril de 2017). «Em vez de cal, o padre mandou pintar a igreja com tinta plástica. E a Cultura embargou». Público. Consultado em 12 de Setembro de 2025 
  18. a b c «Sé de Faro». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 8 de Setembro de 2025 
  19. «Catedral de Faro comemora 300 anos da sua consagração». Sul Informação. 15 de Julho de 2016. Consultado em 10 de Setembro de 2025 
  20. LEMOS, Pedro (17 de Novembro de 2017). «Sé de Faro vai ter uma "Escola de Órgão" e interessados não faltam». Sul Informação. Consultado em 10 de Setembro de 2025 
  21. Agência Lusa (22 de Janeiro de 2024). «Parte das relíquias de São Vicente regressa ao Algarve passado 850 anos». Barlavento. Consultado em 9 de Setembro de 2025 
  22. FERNANDES e JANEIRO, 2005:131
  23. «Faro celebra centenário do arquiteto Gomes da Costa». Barlavento. 14 de Outubro de 2021. Consultado em 9 de Setembro de 2025 

Ligações externas