Ruth Scott Miller
| Ruth Scott Miller | |
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| Nome completo | Ruth Johnson |
| Nascimento | 19 de junho de 1895 Missouri, EUA |
| Morte | 14 de setembro de 1984 (89 anos) Virgínia, EUA |
| Ocupação |
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Ruth Scott Miller (nascida Johnson; 19 de junho de 1895 – 14 de setembro de 1984)[1] foi uma crítica musical, violinista, autora e professora americana. Atuou como crítica musical do Chicago Tribune e colaborou com outras publicações periódicas, como Saturday Evening Post e Ladies' Home Journal.
Início de vida e educação
Ruth Johnson nasceu no Missouri, filha de Pearl Makinson Johnson, que trabalhava como costureira.[2][3] Em 1902, quando tinha sete anos, Pearl casou-se com James W. Miller, um impressor, e adotou seu sobrenome.[4]
Uma reportagem de 1916 no The Topeka Capital-Journal [en] observa que Miller foi criada em uma família musical, o que favoreceu sua educação musical precoce.[5] Seu padrasto James era filho de George W. Miller, membro da Marshall's Civic Band.[6] A irmã de James, Ona Miller Briefer, era harpista e cantora.[7]
Miller estudou violino inicialmente com Carlton Wood, de Topeka.[8] Aprendeu contraponto, harmonia e composição com Arthur Olaf Andersen [en], do Conservatório Americano de Música [en], e com Frederick Stock, diretor musical da Orquestra Sinfônica de Chicago.[9] Em 1911, continuou os estudos de violino em Chicago sob a orientação de Hugo Kortschak [en], assistente do concertino da Orquestra Sinfônica de Chicago.[8] Kortschak retornou à Áustria em 1912, e Miller viajou para sua casa em St. Veit para prosseguir os estudos com ele, acompanhada de sua mãe.[10] Retornou aos Estados Unidos em 1913, com planos de visitar Berlim em 1915 como solista de concerto.[10] Em 1915, foi nomeada solista-estudante artista da temporada da Orquestra Sinfônica de Chicago no Festival Ravinia [en].[8] Depois disso, começou a lecionar violino em Chicago no Fine Arts Building [en].[11]
Em um perfil autobiográfico para a Ladies' Home Journal, Miller escreveu que sonhava ser violinista de concerto desde os oito anos: "O desejo de ser musicista me absorveu completamente por anos. Governava-me, excluindo tudo o resto".[12]
Carreira
Miller foi a primeira crítica musical mulher do Chicago Tribune, escrevendo para o jornal de setembro de 1920 a maio de 1921.[11] A historiadora e crítica musical de Chicago Hannah Edgar destaca a novidade e a importância da posição de Miller: ela foi a primeira mulher a ocupar esse cargo, em uma época em que era quase inédito que mulheres escrevessem sob assinatura própria fora da seção de sociedade.[11] No levantamento crítico e histórico Unsung: A History of Women in American Music, Christine Ammer destaca o problema da representatividade, observando que, até os anos 1970, "menos de um terço dos críticos de jornal eram mulheres".[13]
Os editores do Chicago Tribune obsevaram que Miller chamou a atenção deles por meio de dois artigos sobre música publicados no Saturday Evening Post: "Our American Music Makers" (1919)[14] e "Our Orchestral Americanization" (1920).[15][16][17] Ela mesma disse que o Chicago Tribune "tinha muitos leitores e queria um crítico que pudesse escrever para as massas e não para 'quatro ou cinco mil amantes de música excêntricos'. Então escrevi para as massas e deixei os cinco mil amantes de música gritarem até ficarem roucos. Como gritaram! Ufa!"[12] Mais tarde, minimizou seu tempo no Tribune, referindo-se a ele como "cobertura de emergência", enquanto ao mesmo tempo afirmava que vários leitores achavam que ela era "a melhor crítica musical que o Tribune já teve".[12]
Em um artigo de 1922, ela menciona um ombro quebrado que exigiu que a temporada musical de 1921–1922 fosse dedicada à recuperação.[18] Depois disso, mudou-se para Nova Iorque.[12] Continuou publicando no Saturday Evening Post e no Ladies' Home Journal. Com foco na educação, argumentou em 1923: "O que a indústria da música realmente precisa é de uma apresentação ampla dos dois lados da cortina artística, nos bastidores e na plateia".[19] Seus artigos defendiam a educação musical profissional para jovens americanos, a fim de prepará-los adequadamente para as orquestras americanas, detalhado especialmente em "Cost of a Career" (1924) e em seu apoio à Orquestra de Estudantes de Música Cívica de Chicago.[19][17]
Em março de 1924, Miller mudou-se para Sandwich, Massachusetts, e reformou uma casa colonial, que apresentou em um artigo do Saturday Evening Post.[20] Foi nomeada membro honorária do Cape Cod Press Club em 1925.[21] Uma viagem à França em 1927 resultou na tradução de A Century of Fashion, do estilista Jean Philippe Worth.
Entre 1925 e 1927, publicou três textos no Ladies' Home Journal, um conto romântico sobre música intitulado "Jazz Enthroned"[22] e dois artigos alertando sobre os perigos do divórcio e sua ligação com a criminalidade infantil.[23]
Hannah Edgar acredita que a relação de Miller com os editores do Saturday Evening Post e do Ladies' Home Journal acabou se desgastando, com correspondências descrevendo "uma discussão acalorada, com uma carta aludindo à 'atitude infeliz' de Miller".[11] Edgar descreve a correspondência colorida de Miller, "usando letras maiúsculas e sublinhados para enfatizar".[11] Mesmo assim, continuou contribuindo para o Ladies' Home Journal pelo menos até 1927.[22] Sua casa em Sandwich foi penhorada em 1934 por inadimplência de impostos.[24] Edgar relata que Miller foi despejada; rastreou seus paradeiros posteriores até "a unidade dos fundos de um chalé alugado" em Chincoteague, Virgínia,[11] onde era conhecida como "uma inquilina difícil que possuía um bando de cães desobedientes".[11] Miller viveu no chalé até sua morte em 1984.[11][3]
Publicações
- Jean Philippe Worth. A Century of Fashion. Trad. Ruth Scott Miller. Boston: Little, Brown, and Co., 1928.
Referências
- ↑ "Ruth Scott Miller" death certificate. Virginia Department of Health; Richmond, Virginia; Virginia Deaths, 1912–2014.
- ↑ "Pearl Johnson." U.S. Census Bureau. 1900 Census. Topeka Ward 3, District 0155, Shawnee County, Kansas, US.
- ↑ a b "Obituary of Mrs. Ruth S. Miller", The Eastern Shore News (Onley, Virginia), 27 de setembro de 1984.
- ↑ "Johnston-Miller", The Topeka State Journal (Topeka, Kansas), 20 de fevereiro de 1902, p. 5.
- ↑ "Miss Miller Charms Topekans", The Topeka Daily Capital (Topeka, Kansas), 18 de fevereiro de 1916, p. 6.
- ↑ "Band at Miller Funeral", The Topeka Daily Capital (Topeka, Kansas), 21 de outubro de 1919, p. 11. "Marshall's Band", Dezembro de 1977.
- ↑ "Band at Miller Funeral"; "Shamrock Luncheon". Lawrence Daily Journal-World (Lawrence, Kansas), 19 de março de 1919, p. 5.
- ↑ a b c "Topeka Girl Violinist Will Play With Chicago Orchestra", The Topeka Daily Capital (Topeka, Kansas), 10 de julho de 1915, p. 18.
- ↑ "Concerning Ruth Miller", Chicago Tribune (Chicago, Illinois), 7 de novembro de 1920, p. 97.
- ↑ a b "Berlin as Seen by Topeka Girl", The Topeka Daily Capital, 13 de julho de 1913, p. 3.
- ↑ a b c d e f g h Hannah Edgar, "Searching for Ms. Miller Arquivado em 2023-02-20 no Wayback Machine", Chicago Magazine, 19 de novembro de 2020.
- ↑ a b c d Ruth Miller, "Our Family Album", Ladies' Home Journal Volume 42 (Janeiro de 1925), p. 25.
- ↑ Ammer, Christine (2001). Unsung: A History of Women in American Music. Portland, Oregon: Amadeus. 267 páginas. ISBN 9781574670615
- ↑ Ruth Scott Miller, "Our American Music Makers", The Saturday Evening Post, 18 de outubro de 1919, pp. 15, 68–70.
- ↑ "Concerning Ruth Miller", Chicago Tribune, 7 de novembro de 1920, p. 97.
- ↑ "Who's Who – and Why: Ruth Miller", The Saturday Evening Post, 18 de setembro de 1920, pp. 42, 61.
- ↑ a b Ruth Miller, "Our Orchestral Americanization", The Saturday Evening Post, 23 de outubro de 1920, pp. 36–46.
- ↑ Ruth Miller, "Back Stage" [sic], The Saturday Evening Post, 16 de dezembro de 1922, pp. 38–48.
- ↑ a b Ruth Miller, "Cost of a Career", The Saturday Evening Post, 17 de março de 1923, pp. 28–46.
- ↑ Ruth Miller, "Our Early American Builders", The Saturday Evening Post, 20 de setembro de 1924, pp. 16, 62–67.
- ↑ "Cape Cod Press Club", Yarmouth Register (Yarmouth, Massachusetts), 7 de novembro de 1925, p. 7.
- ↑ a b Ruth Miller, "Jazz Enthroned", Ladies' Home Journal Volume 44 (Setembro de 1927), pp. 16–17, 177–78.
- ↑ "Masterless Wives and Divorce", Ladies' Home Journal Volume 42 (Janeiro de 1925), pp. 20, 119–20; "Divorce and Child Care", Ladies' Home Journal Volume 44 (Março de 1927), pp. 26, 167–68.
- ↑ [1]Arquivado em fevereiro 20, 2023, no Wayback Machine Barnstable [Massachusetts] County Register of Deeds, Land Document Index: Documento 500-193, 6 de fevereiro de 1934.
Leitura adicional
- Karin Pendle e Melinda Boyd. Women in Music : A Research and Information Guide. Nova Iorque: Routledge, 2010.
- Christine Ammer. Unsung: A History of Women in American Music. Portland, Oregon: Greenwood Press, 1980.
