Castelo de Rothesay
| Castelo de Rothesay | |
|---|---|
![]() O castelo em 2016 | |
| Informações gerais | |
| Website | https://www.historicenvironment.scot/visit-a-place/places/rothesay-castle/ |
| Geografia | |
| País | |
| Localização | Rothesay |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
O Castelo de Rothesay (em inglês: Rothesay Castle) constitui as ruínas de uma fortificação situada em Rothesay, a principal localidade da Ilha de Bute, no oeste da Escócia.[1] Localizado nas coordenadas NS086646, o castelo tem sido descrito como "um dos mais notáveis da Escócia", devido à sua longa história, que remonta ao início do século XIII, e à sua invulgar planta circular.
A estrutura é composta por uma muralha de cintura, reforçada por quatro torres circulares, em conjunto com uma barbacã (corpo de guarda) do século XVI, encontrando-se o conjunto rodeado por um fosso. Erguido pela família Stewart, o castelo resistiu a ataques nórdicos até se tornar uma residência real. Não obstante o seu declínio e ruína após o século XVII, o imóvel foi alvo de restauro por iniciativa do Marquês de Bute, antes de transitar para a tutela do Estado no século XX.
Em 1816, foi construído um navio a vapor (de rodas de pás) batizado em homenagem ao castelo.
O castelo primitivo
A fortificação foi erguida ou por Alan fitz Walter, Grande Administrador da Escócia (falecido em 1204), ou pelo seu filho e sucessor, Walter (falecido em 1246). Durante o mandato de Alan, a família anexou a Ilha de Bute ao seu senhorio. Inicialmente, foi construído um castelo de madeira, mas a muralha de cintura circular, em pedra, já estaria concluída na década de 1230, quando o castelo foi atacado e tomado pela frota de Óspakr-Hákon, Rei das Ilhas (falecido em 1230), que contava com o apoio norueguês. Segundo a Hákonar saga Hákonarsonar, as forças de Óspakr combateram durante três dias para conquistar a praça, logrando abater parte da muralha oriental ao talharem a pedra com os seus machados. Esta saga constitui o mais antigo relato documentado de um assalto a um castelo escocês.[2] Em 1263, Rothesay foi novamente tomado pelas forças norueguesas sob o comando de Haakon IV da Noruega, antes da Batalha de Largs. Embora esta batalha seja considerada inconclusiva, a campanha de Hákon redundou num fracasso; os nórdicos retiraram-se, o que pôs efetivamente termo à autoridade norueguesa no oeste da Escócia.
O castelo primitivo compreendia apenas a muralha de cintura, de traçado sensivelmente circular, com 2,7 metros de espessura, 7,9 metros de altura e cerca de 42 metros de diâmetro, edificada sobre um pequeno outeiro, coroada por um adarve com merlões, cujo acesso se processava por escadarias abertas.[3][4] O fosso comunicava com o mar, sendo que a linha de costa se situava, à época, mais próxima do flanco nordeste do castelo do que na atualidade. É possível distinguir os largos merlões originais no interior das paredes, as quais foram posteriormente sobrelevadas. Orifícios na parte superior da muralha teriam servido de apoio a um cadafalso de madeira, uma estrutura saliente que funcionava como um prolongamento do parapeito defensivo. Esta muralha foi construída em silharia aparelhada e possuía apenas duas aberturas: o portão principal, num arco com uma porta simples de madeira, e uma pequena poterna na muralha ocidental, mais tarde selada.
No final do século XIII, o castelo foi reforçado com a adição de quatro torres circulares, das quais apenas a de noroeste sobrevive intacta. Estas torres de três pisos possuíam bases robustas em talude, com frestas sob o parapeito ameado. Foi igualmente instalada uma grade de ferro no portão principal.
As guerras de independência e a ascensão dos Stewarts
Durante as Guerras de Independência da Escócia, Rothesay esteve sob domínio inglês, sendo posteriormente tomado por Roberto I da Escócia em 1311. Em 1334, a praça regressou à posse inglesa, antes de ser novamente reconquistada pelos escoceses.
Após a ascensão da Dinastia Stewart ao trono da Escócia, em 1371, o castelo tornou-se uma das residências prediletas dos monarcas Roberto II e Roberto III, tendo este último ali falecido em 1406. Roberto II concedeu a alcaidaria hereditária da fortificação ao seu filho John, antepassado dos Condes e Marqueses de Bute.
Em 1401, Roberto III agraciou o seu primogénito, David, com o título de Duque de Rothesay, estabelecendo assim a tradição de honrar o herdeiro do trono escocês com esta dignidade. Mais tarde, em 1462, o castelo resistiu com sucesso a um cerco imposto pelas forças de João de Islay, 11.º Conde de Ross, e o último Lorde das Ilhas.
Os séculos XVI e XVII
No alvorecer do século XVI, o Castelo de Rothesay foi novamente objeto de reforços estruturais. Por volta da viragem do século, iniciou-se a construção de uma torre de menagem sobre a porta, que se estendia a norte da muralha de cintura, com o intuito de providenciar aposentos mais modernos para Jaime IV. A própria muralha de cintura foi sobrelevada até atingir os dez metros de altura, tendo as obras prosseguido durante o reinado de Jaime V. Em 1527, a fortaleza resistiu a mais um cerco, desta feita imposto pelo Mestre de Ruthven, o qual resultou na destruição de grande parte do burgo de Rothesay. Em 1544, o castelo capitulou perante Matthew Stewart, 4.º Conde de Lennox, que agia em nome dos ingleses durante o conflito historicamente designado por "Rough Wooing".
A barbacã é uma estrutura de planta em L, que avançava sobre o fosso e cujo acesso se processava por uma ponte levadiça. O piso inferior compreendia um túnel de entrada abobadado que conduzia ao pátio interior da antiga fortificação. Acima, a torre de quatro pisos albergava os aposentos reais, ostentando ainda o brasão de armas real sobre o portal de entrada. Também no início do século XVI, foi edificada uma capela no interior do perímetro amuralhado. De traçado austero, a capela media aproximadamente 7 metros por 14 metros, constituindo hoje a única estrutura sobrevivente no interior da muralha de cintura.[4] A torre noroeste foi convertida em pombal, sendo conhecida como a "Torre dos Pombos", devido aos nichos de nidificação integrados na face exterior da parede.
Esmé Stewart, 1.º Duque de Lennox e favorito de Jaime VI, foi compelido pelo Regime de Ruthven a abandonar a Escócia. Dirigiu-se inicialmente para o Castelo de Dumbarton, tendo permanecido no Castelo de Rothesay em outubro de 1582.[5]
Rothesay acolheu uma guarnição das forças de ocupação de Oliver Cromwell, que invadira a Escócia com o seu Exército Novo no início da década de 1650. Aquando da sua retirada em 1660, as tropas desmantelaram parcialmente a estrutura. O que restava do imóvel foi incendiado pelos partidários de Archibald Campbell, 9.º Conde de Argyll, durante a sua sublevação de 1685, em apoio à Rebelião de Monmouth contra Jaime VII.
Reparação e restauro
Após um prolongado período de abandono, o 2.º Marquês de Bute empregou setenta homens para proceder à escavação das ruínas, removendo vastas quantidades de detritos do castelo entre 1816 e 1817. Contudo, os trabalhos só seriam retomados em 1871, data em que as ruínas foram devidamente estabilizadas.[6]
O 3.º Marquês, um entusiasta do restauro de edifícios históricos, iniciou uma série de reparações e intervenções de restauro, baseando-se em levantamentos e no aconselhamento do seu arquiteto habitual, William Burges. Estes seus "restauros" prolongaram-se até 1900 e incluíram a limpeza e a definição do traçado do fosso, bem como as adições em arenito vermelho na barbacã. Estas últimas permitiram a reposição da cobertura do salão, embora tenham alterado significativamente o carácter original do edifício.
Em 1961, o Castelo de Rothesay foi doado ao Estado, ostentando atualmente a classificação de Monumento Marcado, sob a tutela da agência Historic Environment Scotland.[7]
O castelo encontra-se aberto ao público durante todo o ano. Do topo das suas muralhas, é possível desfrutar de vistas magníficas sobre a vila e em direção ao território continental.[7]
Ver também
- Monumento marcado
- Lista de castelos da Escócia
- Lista de castelos na Inglaterra
- Lista de castelos da Irlanda do Norte
- Lista de castelos do País de Gales
Referências
- ↑ Lindsay, Maurice (1986). The castles of Scotland (em inglês). Londres: Constable. p. 412. ISBN 978-0-09-464600-1. Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ Tabraham, Chris (2005). Scotland's Castles (em inglês). Escócia: Batsford. p. 38. ISBN 978-0-7134-8943-9. Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ «Rothesay from The Gazetteer for Scotland» (em inglês). Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Bute, Rothesay, Rothesay Cast... | Place | trove.scot» (em inglês). Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ Bowes, Robert; Stevenson, Joseph (1842). The correspondence of Robert Bowes, of Aske, esquire, the ambassador of Queen Elizabeth in the court of Scotland (em inglês). University of California Libraries. Londres: J. B. Nichols and son. pp. 205–217. Consultado em 18 de janeiro de 2026
- ↑ Scott, Nicki. Rothesay Castle Guidebook (em inglês). Escócia: Histopric Scotland
- ↑ a b «Overview» (em inglês). Consultado em 18 de janeiro de 2026
Bibliografia
- Coventry, Martin, The Castles of Scotland (3.ª Edição), Goblinshead, 2001;
- Lindsay, Maurice, The Castles of Scotland, Constable & Co. 1986;
- Tabraham, Chris, Scotland's Castles, BT Batsford/Historic Scotland, 1997;
- Walker, Frank Arneil, The Buildings of Scotland: Argyll and Bute, Penguin, 2000;
- Registo Nacional de Monumentos da Escócia, Referência do Local NS06SE 3.
