Rosemarie Köhn

Rosemarie Köhn
Rosemarie Köhn
Atividade Eclesiástica
Igreja Igreja da Noruega
Diocese Diocese de Hamar
Nomeação 5 de fevereiro de 1993
Entrada solene 20 de maio de 1993
Predecessor Georg Hille
Sucessor Solveig Fiske
Mandato 1993–2006
Hierarquia
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 1969
por Per Lønning
Nomeação episcopal 5 de fevereiro de 1993
Ordenação episcopal 20 de maio de 1993
Catedral de Hamar
por Andreas Aarflot
Dados pessoais
Nascimento Rathenow
20 de outubro de 1939
Morte Hamar
30 de outubro de 2022 (83 anos)
Progenitores Mãe: Mathilde Köhn
Pai: Willy Köhn
Cônjuge Rev. Susanne Sønderbo
Habilitação académica Universidade de Oslo
Sepultado Cemitério de Hamar

Rosemarie Köhn (20 de outubro de 1939, Rathenow - 30 de outubro de 2022, Hamar) foi uma teóloga luterana norueguesa. Tornou-se a primeira bispa da Noruega em 1993 e se aposentou em 2006.[1]

Biografia

Willy Köhn, natural de Rathenow, também negociava equipamentos ópticos na Noruega, onde conheceu sua futura esposa, Mathilde. Eles se mudaram para Rathenow, onde Rosemarie nasceu. Ainda pequena, presenciou o bombardeio aliado de Berlim e, em 1946, depois que Willy não retornou da prisão, Mathilde Köhn mudou-se para a Noruega com Rosemarie.[1][2]

Educação e sacerdócio

Após o examen artium em 1959, começou a estudar teologia na Universidade de Oslo e se tornou cand.theol. em 1966. No ano seguinte, fez o exame prático-teológico. Foi ordenada pelo Bispo Per Lønning em 1969, tornando-se a sexta mulher sacerdote na Noruega. Por um período, foi substituta na diocese de Borg e, posteriormente, serviu por vários verões como capelã de hospital e pároca.[1]

De 1968 a 1975, Rosemarie Köhn foi assistente de pesquisa e pesquisadora associada em teologia do Antigo Testamento na Universidade de Oslo. Em 1976 se tornou professora sênior de estudos bíblicos no Departamento de História Religiosa e Estudos Cristãos da instituição e, de 1978 a 1983, chefe do departamento. Por vários anos, lecionou hebraico e, em 1971, escreveu uma gramática hebraica amplamente utilizada por estudantes de teologia. Por vários semestres, lecionou em meio período em cuidado pastoral e ensino de sermões no Seminário Teológico Prático. Em 1984, participou da realização de uma pesquisa sobre sacerdotisas, trabalho que acompanhou como gerente de projeto para um importante relatório de pesquisa sobre o papel dos sacerdotes (1989). Foi chefe do grupo de trabalho "Escritório e Conselho", nomeado pelo Conselho da Igreja em 1986-87, e editou uma coletânea de sermões de teólogas (1986). Em 1989, ela foi nomeada a primeira reitora do Seminário Teológico Prático, que formava teólogas desde a década de 1940.[1]

Episcopado

Köhn foi mencionada desde o início como uma possível candidata episcopal e, portanto, a primeira mulher bispa na Igreja da Noruega.[1] Na procura para o novo bispo da Diocese de Hamar, em novembro de 1992, o Conselho Diocesano indica cinco pessoas, entre os quais, duas mulheres: a Reitora Rosemarie Køhn e a Capelã Diocesana Irene Wenaas Holte.[3] Em 8 de janeiro, ela ficou em terceiro lugar na votação paroquial para o novo bispo de Hamar, e em 14 de janeiro, também em terceiro na votação do Conselho da Igreja.[4] Apesar disso, sendo a Igreja da Noruega ainda uma igreja estatal, o rei nomeou Rosemarie Køhn como bispa da diocese de Hamar em 5 de fevereiro de 1993. Na votação eclesiástica que serviu de base para a nomeação do governo, ela recebeu forte apoio de padres e conselhos paroquiais da diocese de Hamar e de todos os professores da Faculdade de Teologia. Køhn foi consagrada bispa em 20 de maio de 1993, Dia da Ascensão, pelo presidente do colégio episcopal, Andreas Aarflot, em uma Catedral de Hamar lotada, inclusive com a presença do rei e da rainha.[1][4] O serviço de ordenação foi televisionado para a Noruega, Dinamarca e Suécia. Rosemarie Köhn foi a primeira mulher bispa luterana nos países nórdicos e a terceira no mundo.[1]

Como bispa, Rosemarie se comprometeu com uma igreja nacional aberta e inclusiva. Ela pertencia a uma minoria entre os bispos que acreditavam que homossexuais vivendo em parcerias deveriam poder ocupar cargos ordenados na igreja. Sua posição a tornou controversa e levou alguns padres da diocese de Hamar a renunciar à sua supervisão espiritual.[1][5] A oposição contra ela aumentou em 1999, quando após cuidadosa consideração, ela decidiu permitir que a padre lésbica Siri Sunde, que havia entrado em uma parceria registrada, continuasse em sua posição sacerdotal.[6][7] Em dezembro de 1997, a pressão fez Köhn licenciar Sunde, após entrar na parceria registrada, e transferi-la para a secretaria do bispado;[8] em 1998, o Comitê Doutrinário da Igreja da Noruega rejeitou o pedido da Bispa de Hamar para avaliar a base para o serviço sacerdotal da Capelã Sunde.[9] Após a decisão de reintegrar Siri Sunde à sua paróquia, a bispa disse: "A Igreja tem muito a se desculpar com os homossexuais. Espero que a posteridade mostre que este foi um bom dia para a Igreja da Noruega".[10]

Rosemarie Köhn foi, entre outras coisas, líder da Associação Teológica Norueguesa de Mulheres e membro do Conselho Intereclesiástico e do Conselho de Pesquisa do Grupo de Especialistas em Teologia e Estudos Religiosos da Noruega. Ela recebeu diversos prêmios e distinções.[1]

Ela se aposentou em outubro de 2006, ao completar 67 anos, e foi sucedida por outra bispa na Diocese de Hamar, Solveig Fiske.[11] Naquele ano, se tornou parceira e, mais tarde, esposa de Susanne Sønderbo, uma sacerdotisa e psicóloga dinamarquesa.[12]

Köhn morreu em outubro de 2022, aos 83 anos, após uma longa doença.[13] Deixou sua esposa, Susanne Sønderbo.[14][15] Ela foi homenageada com um funeral às custas do estado,[16] realizado na Catedral de Hamar e sepultada no Cemitério de Hamar. Além de lideranças da Igreja, também autoridades do governo e a rainha Sonja participaram do funeral.[17]

No mês anterior a sua morte, o governo destinou 200.000 coroas para uma estátua de Köhn a ser construída em frente à catedral de Hamar, 30 anos após sua posse como bispa.[13] A estátua foi inaugurada em 20 de maio de 2023.[18]

Honrarias

  • 1998: HR Norges Lederpris (Prêmio de Liderança HR Noruega)[19]
  • 2004: Comendadora da Real Ordem Norueguesa de Santo Olavo[20]
  • 2004: Olav Selvaags minnepris (Prêmio Memorial Olav Selvaag)[21]
  • 2005: O Stjerneskuddprisen (Prêmio Estrela Cadente), concedido por Skeiv Ungdom Innlandet[15][22]
  • 2005: LO’s likestillingspris (Prêmio LO de Igualdade)[23]
  • 2005: Homofrydprisen (Prêmio Orgulho Gay)[24]
  • 2006: TrollKjerring (Prêmio Bruxa Troll)[25]
  • 2021: Cidadã honorária de Rathenow[2]
  • 2022: Funeral às custas do Estado[17]

Obras

Referências

  1. a b c d e f g h i Elstad, Hallgeir (27 de novembro de 2024). «Rosemarie Köhn». Norsk biografisk leksikon (em norueguês). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  2. a b «Stadt und Kirche: Rathenow im Havelland macht frühere Bischöfin aus Norwegen zur Ehrenbürgerin». www.moz.de (em alemão). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  3. «Kirken.no - Det hendte i 1992». www.kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2012 
  4. a b «Kirken.no - Det hendte i 1993». www.kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2010 
  5. «Kirken.no - Det hendte i 1994». kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2010 
  6. Solli, Inger Johanne (23 de janeiro de 2022). «Siri Sunde rydda veg for oss som kjem etter.». NRK (em norueguês nynorsk). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  7. «Kirken.no - Det hendte i 1999». kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2010 
  8. «Kirken.no - Det hendte i 1997». kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2010 
  9. «Kirken.no - Det hendte i 1998». kirken.no. Consultado em 10 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2010 
  10. NTB (1 de fevereiro de 1999). «Siri Sunde fortsetter som prest». VG (em norueguês). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  11. Næsheim, Anne (19 de outubro de 2006). «Stående applaus for Rose». NRK (em norueguês bokmål). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  12. «Drømmedamer». Dagbladet (em norueguês bokmål). 27 de novembro de 2009. Consultado em 10 de agosto de 2025 
  13. a b «Tidligere biskop Rosemarie Köhn er død». Dagsavisen (em norueguês). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  14. «Biskopen som vant folks hjerter». Den norske kirke (em norueguês bokmål). 30 de outubro de 2022. Consultado em 9 de agosto de 2025 
  15. a b Elstad, Hallgeir (25 de março de 2025). «Rosemarie Köhn». Store norske leksikon (em norueguês). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  16. kontor, Statsministerens (30 de outubro de 2022). «Rosemarie Köhn hedres med begravelse på statens bekostning». Regjeringen.no (em norueguês bokmål). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  17. a b Børresen, Mette Finborud (3 de novembro de 2022). «I dag begraves Rosemarie Köhn». NRK (em norueguês bokmål). Consultado em 9 de agosto de 2025 
  18. «Statue av Norges første kvinnelige biskop». Den norske kirke (em norueguês bokmål). 31 de março de 2022. Consultado em 10 de agosto de 2025 
  19. «HR Norges Lederpris». HR Norge (em norueguês bokmål). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  20. «Tildelinger av ordener og medaljer». www.kongehuset.no. Consultado em 10 de agosto de 2025 
  21. NRK (17 de dezembro de 2004). «Rosemarie Köhn fikk pris». NRK (em norueguês bokmål). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  22. Svensrud, Tore (20 de janeiro de 2009). «Skeiv pris til Gunnes». Østlendingen (em norueguês). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  23. NRK (8 de maio de 2005). «Køhn fikk pris». NRK (em norueguês bokmål). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  24. Møllersen, Brynhild Marit Berger (9 de abril de 2005). «Rosemarie Köhn er en homofryd». Østlendingen (em norueguês). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  25. «TROLLKJERRING». Østlendingen (em norueguês). 17 de junho de 2006. Consultado em 10 de agosto de 2025 

Ligações externas