Ronnie Von (álbum de 1969)
| Ronnie Von | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de Ronnie Von | ||||
| Lançamento | 1969 | |||
| Gravação | 1968–1969 | |||
| Gênero(s) | Rock psicodélico, Tropicália, pop experimental | |||
| Gravadora(s) | Polydor (CBD) | |||
| Produção | Manoel Barenbein; Arnaldo Saccomani (assistência de produção) | |||
| Cronologia de Ronnie Von | ||||
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Ronnie Von é o quinto álbum de estúdio do cantor brasileiro Ronnie Von, lançado pela Polydor em 1969.[1] Geralmente apontado como o início da fase psicodélica do artista, o disco representa uma ruptura com a imagem de “príncipe” associada à Jovem Guarda e foi posteriormente reavaliado pela crítica.[2][3]
Antecedentes e gravação
No final dos anos 1960, Ronnie Von aproximou-se de artistas ligados ao Tropicália (como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Mutantes), buscando um som mais ousado e moderno.[4] A feitura do álbum contou com o produtor Manoel Barenbein, a assistência de produção de Arnaldo Saccomani e regências/arranjos do maestro Damiano Cozzella, o que deu ao trabalho caráter experimental e controle artístico incomum na carreira do cantor à época.[4]
Estilo musical e canções
A obra combina referências psicodélicas (p.ex., Beatles e Pink Floyd) com lampejos do tropicalismo e elementos de música erudita, resultando em uma estética de vanguarda para o período.[4] Entre as faixas destacadas pela crítica estão “Silvia: 20 horas, Domingo”, “Espelhos Quebrados”, “Anarquia”, “Meu Novo Cantar” e “Tristeza Num Dia Alegre”.[4]
Lançamento e recepção
Fontes reputadas citam o lançamento como ocorrido em 1969,[5] embora alguns textos jornalísticos refiram 1968 para a estreia desta fase;[6] a discografia oficial do artista também registra 1969.[7] Os críticos reagiram com estranheza àquele álbum. O jornalista e compositor Sérgio Bittencourt (1941-1979), filho do músico Jacob do Bandolim (1918-1969), quebrou o disco de Ronnie em pleno programa de TV do apresentador Flávio Cavalcanti (1923-1986), onde era jurado. Comercialmente, o disco não foi bem, vendeu pouco. Assim como críticos musicais, o público não recebeu bem o disco, não estava preparado para aquele novo momento do artista. A faixa “Sílvia: 20 Horas, Domingo”, ainda chegou a ter alguma execução em rádio. Décadas depois o álbum viria a ser reconhecido como um marco do rock psicodélico brasileiro.[8] O trabalho ganhou reedições em CD nos anos 2000, o que ampliou seu alcance e a redescoberta crítica.[4]
Legado
Com os álbuns seguintes — A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o Império de Nuncamais (1969) e A Máquina Voadora (1970) —, Ronnie Von passou a ser visto como a abertura de uma trilogia psicodélica que ajudou a redefinir a imagem do cantor para além da Jovem Guarda e contribuiu para a consolidação de uma vertente experimental no pop brasileiro do período.[9][10]
Faixas notáveis
- Silvia: 20 horas, Domingo – canção símbolo da virada estética do disco.[4]
- Espelhos Quebrados – arranjos com cordas “elisabetanas” e efeitos de vidro estilhaçado, comparada por críticos à ambiência de “Eleanor Rigby”.[4][11]
- Anarquia – registro do impulso contracultural do álbum.[4]
Créditos
- Produção: Manoel Barenbein
- Assistência de Produção: Arnaldo Saccomani
- Maestro/Arranjos: Damiano Cozzella.[4]
- Gravadora: Polydor (CBD).[12]
Referências
- ↑ «Ronnie Von – verbete». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ Lúcio Flávio (1º de outubro de 2018). «Jukebox Sentimental: CD psicodélico de Ronnie Von ainda é provocador». Metrópoles. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von, um dos responsáveis pelo rock psicodélico brasileiro». Estadão. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Lúcio Flávio (1º de outubro de 2018). «Jukebox Sentimental: CD psicodélico de Ronnie Von ainda é provocador». Metrópoles. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von – verbete». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Jukebox Sentimental: CD psicodélico de Ronnie Von ainda é provocador». Metrópoles. 1º de outubro de 2018. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von – Discografia (página do artista)». Wikipédia. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von, um dos responsáveis pelo rock psicodélico brasileiro». Estadão. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von, um dos responsáveis pelo rock psicodélico brasileiro». Estadão. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von – biografia». Whiplash.net. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von – verbete». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «Ronnie Von – verbete». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de agosto de 2025
Leitura adicional
- «O "príncipe psicodélico" da música jovem volta a atacar com relançamento de CDs». O Globo. Consultado em 22 de agosto de 2025
- «Suficiente, com restrições – um pouco de Ronnie Von». Psicodelia Brasileira. 26 de março de 2007. Consultado em 22 de agosto de 2025

