Rodrigues

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Brasão de armas dos Rodrigues

Rodrigues é um sobrenome patronímico de origem portuguesa, pertence a onomástica portuguesa e é comumente encontrado em habitantes dos países de língua portuguesa e de língua castelhana na versão Rodríguez. O nome de família Rodrigues é de origem patronímica e surgiu na Península Ibérica no período medieval.

Inicialmente significava "filho ou descendente de Rodrigo" e pode ter se originado no século IX, quando outros patronímicos também se originaram. Seu equivalente em Castelhano é "Rodríguez". Tem origem patronímica, provém do prenome "Rodrigo", que tem sua origem visigoda, significando "poderosamente famoso", "famoso pela sua glória" ou "governante poderoso", "rei famoso", "rico em glória", composto pela união dos vocábulos "Hrod", que quer dizer: célebre ou famoso e "Ric" glória/glorioso. Surgiu do germânico antigo "Hrodric" e chegou a língua portuguesa através do Latim "Rodericus". No galego-português, o nome era escrito na forma "Ruderic", "Rudric", "Roderico" e por fim "Rodrigo". Rodrigues evoluiu de Rodrigo, que era sufixado por -iz no período medieval, "Rodriguiz", o mesmo que "filho de Rodrigo", ou "filho daquele que é rico em glória", o sufixo -es na língua portuguesa tem a função de indicar “posse, origem e descendência“. Embora na sua origem medieval ele significasse literalmente "filho de Rodrigo", com o passar dos séculos e a fixação dos sobrenomes em Portugal, ele passou a representar o clã ou a família descendente de um Rodrigo original, a interpretação "da linhagem de Rodrigo" é a mais precisa para os dias de hoje, muito embora dificilmente um Rodrigues consiga indicar diretamente o Rodrigo original de sua linhagem familiar, assim sendo, o sobrenome tornou-se mais uma marca de prestígio do que um patronímico real, como era na época de seu surgimento que indicava diretamente a filiação paterna. Com a fixação do sobrenome na linhagem familiar, mesmo que o pai de determinada geração não se chamasse Rodrigo, então houve a padronização dos sobrenomes na Península Ibérica, tornando-se nomes hereditários de família.

Na Idade Média em Portugal, se o nome do pai era Rodrigo, o filho era Rodrigues. Se o filho se chamasse Fernando Rodrigues, o neto receberia o patronímico Fernandes, com base no nome de seu pai, ignorando o nome do avô Rodrigo e seguindo a lógica genitiva a partir do nome de Fernando, gerando um Fernandes, assim o patronímico mudava a cada geração, com base no nome do pai da geração, muito semelhante ao que acontece no sistema russo de patronímicos, a excessão que, na Rússia e na Europa eslava são usados sufixos diferentes para homens e mulheres, enquanto que no português essa diferenciação de gêneros, entre masculino e feminino, nunca existiu, sendo utilizado o mesmo patronímico para filhos e filhas. Com o tempo, por volta do século XIV e XV, as famílias em Portugal, decidiram "congelar" o nome para manter a herança e as propriedades. O "Rodrigues" deixou de significar apenas o filho de Rodrigo e passou a ser o nome fixo da família. A partir desse momento, o nome deixa de ser apenas um patronímico, baseado no nome do pai e vira um sobrenome fixo e hereditário de família. Os primeiros a fixar o sobrenome foram os nobres. Eles precisavam manter o nome da linhagem para garantir direitos de heranças, títulos e propriedades. Para uma família abastada e poderosa, era mais vantajoso manter o "Rodrigues" de um ancestral ilustre do que mudar o nome patronímico a cada geração, ou ter que usar outros sobrenomes comuns advindos de outros ramos da família.

O sobrenome Rodrigues é um dos mais antigos e prestigiosos da Península Ibérica, e a sua história em Portugal é marcada por uma transição fascinante: de um simples patronímico, baseado no nome do pai, para se tornar uma marca de alta nobreza, passando a significar “pertencente a Rodrigo”, indicando descendência. O sobrenome Rodrigues predomina na Espanha na sua forma Rodríguez, em Portugal e em suas respectivas ex-colônias, tendo sido muitos Rodrigues senhores de morgado, fidalgos da Casa Real Portuguesa, governadores ultramarinos, abades e cardeais. Com registros originários de Portugal o sobrenome Rodrigues é comum entre pessoas de ascendência portuguesa. De Portugal o sobrenome começou a chegar ao Brasil no século XVII, entre os administradores coloniais e principalmente com os demais colonos portugueses, no período das capitanias hereditárias e depois com os Governos gerais. Rodrigues é um sobrenome de bastante prestígio na lusofonia, nomeadamente em Portugal e no Brasil. Possuindo apenas uma variação: na sua versão espanhola o Rodrigues torna-se Rodríguez. Esta grafia também é utilizada nos países hispanófonos. Alguns nomes e sobrenomes passaram a existir a partir de abreviaturas como por exemplo: "Roiz", "Röiz" e "Ruiz" que é a forma reduzida, ou seja a forma hipocorística (diminuitivo carinhoso) de Rodrigues. Os sobrenomes Rodrigues e Roiz eram sinónimos um do outro, sendo que o segundo é a abreviatura do primeiro. Hoje constituem apelidos diferentes mas, historicamente, a variante abreviada "Roiz" (ver: Ana Rodrigues) era usada com frequência já que ambos evoluíram a partir do nome Rodrigo, ou na sua forma contraída "Rui/Ruy", gerando "Ruiz". Também é bastante conhecido nos países hispânicos e acabou se espalhando de uma forma que hoje se encontra o sobrenome Rodríguez até mesmo nos Estados Unidos.[1][2][3][4][5][6][7][8][9]

Em Portugal, são conhecidos três Brasões diferentes relativos a este sobrenome e segundo o genealogista português Manuel José da Costa Felgueiras Gaio, em seu “Nobiliário de Famílias de Portugal”, edição composta por 33 volumes, ao menos 3 famílias com origens na Nobreza de Portugal suspeitam que sejam descendentes do Rei Rodrigo, o último rei visigodo da Hispânia entre os anos 710 e 711, século VIII antes da conquista islâmica e mourisca.[10]

Armas

  • Martim Rodrigues: de ouro, com 5 flores-de-lis e vazia de ouro; timbre: um leão de ouro nascente, carregado com a flor-de-lis do escudo na espádua.
  • André Rodrigues de Áustria: escudo partido, sendo o primeiro de ouro, meia águia bicéfala de negro, e o segundo de vermelho, duas faixas de prata; timbre: uma cabeça e um pescoço de uma águia de negro, armada de ouro e lampassada de vermelho.
  • António Rodrigues: escudo partido, sendo o primeiro de negro, meia águia de ouro estendida, e o segundo de prata, uma faixa de vermelho, acompanhada de duas pombas de púrpura, voantes, uma em chefe e outra em ponta; timbre: desconhecido.
  • Rodriguez de la Varillas: de ouro, 4 palas de vermelho; bordadura de azul, carregada de 8 cruzes, também potenteias de prata, cada cruz acantonada de 4 cruzetas também potenteias.

Referências

  1. Família Rodrigues origem, curiosidades e brasão.
  2. Solidonio., Leite, (1923). Os judeus no Brasil. [S.l.]: J. Leite & cia. OCLC 27439935 
  3. Feitler, Bruno (junho de 2012). «Jerusalém colonial: judeus portugueses no Brasil holandês». Varia Historia (47): 459–462. ISSN 0104-8775. doi:10.1590/s0104-87752012000100024. Consultado em 7 de dezembro de 2021 
  4. «Abreviaturas Antigas – Cobra Pages». www.cobra.pages.nom.br. Consultado em 4 de março de 2022 
  5. «Genealogia FB: Listas de abreviaturas paleográficas e termos antigos». GenealogiaFB. Consultado em 4 de março de 2022 
  6. «Ruiz – Sobre Nomes». Consultado em 5 de março de 2022 
  7. Como tem origem patronímica (“filho de Rui”), Ruiz é um nome de família comum, com várias famílias tendo adotado a identificação sem ligação de parentesco. Entre os Ruiz mais antigos conhecidos estão os cavaleiros que serviram ao rei Fernando III de Castela (1201-52). Um dos primeiros com o sobrenome a chegar a América foi Diego Ruiz, que desembarcou no México em 1519 com Fernando Cortez (1485-1547) — há vários registros sobre de familiares Ruiz chegados a Nova Espanha entre 1521-55. No Brasil, há diversos imigrantes espanhóis com este sobrenome chegados principalmente no começo do século 20.
  8. «Os apelidos Rodrigues e Roiz - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 21 de março de 2022 
  9. «Rodrigues família heráldica-genealogia brasão Rodrigues». Heraldrys Institute of Rome. Consultado em 6 de abril de 2022 
  10. «Nobiliário de famílias de Portugal, [Braga], 1938-1941 - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. Consultado em 25 de março de 2022