Rochedos de Liancourt

Rochedos de Liancourt
Dokdo (독도)
Takeshima (竹島)
Vista das ilhotas em um dia calmo
Rochedos de Liancourt está localizado em: Coreia do Sul
Rochedos de Liancourt
Geolocalização na Coreia do Sul
Coordenadas: 37° 14' 30" N 131° 52' E

Mapa de localização dos Rochedos de Liancourt
Geografia
PaísesCoreia do Sul Coreia do Sul (ocupação)
 Japão (contestado)
Coreia do Norte (contestado)
ContinenteÁsia Oriental
OceanoMar do Japão (Mar do Leste)
Ponto culminante168,5 m (Seodo (Ilha oeste))
Área0,18745 km²
Demografia
População47 hab. (2013)[1]
Administração
RegiãoGyeongsang do Norte
ProvínciaCondado de Ulleung

Mapa dos Rochedos de Liancourt.

Os Rochedos de Liancourt[nota 1], conhecidos na Coreia como Dokdo (em coreano: 독도) e no Japão como Takeshima (em japonês: 竹島) são um pequeno grupo de ilhéus no Mar do Japão, localizadas entre a península da Coreia e o arquipélago japonês. Estão sobre águas de área de pesca de grande valor, com possibilidade de existência de gás natural.[3] O nome internacional "Rochedos de Liancourt" é originário de "Le Liancourt", nome de um navio baleeiro francês que quase colidiu nas rochas em 1849.[4]

Em 1953, a Coreia do Sul invadiu e ocupou os ilhéus, desde então a soberania territorial das rochas é contestada pelo Japão, fazendo das ilhas um território disputado. A Coreia do Norte também reclama as ilhas. A Coreia do Sul administra os ilhéus como Dokdo-ri, Ulleung-eup, condado de Ulleung, província de Gyeongsang do Norte.[5] Enquanto o Japão classifica-as como parte de Okinoshima, distrito de Oki, prefeitura de Shimane.

História

Um mapa japonês datado de 1724, com as Ilhas Oki no canto inferior direito, Rochedos de Liancourt no centro e Ulleungdo à esquerda

Em 1849, um baleeiro francês de Le Havre, Le Liancourt, deu o nome às ilhas de Rochedos de Liancourt. Os russos designaram-nas Rochedos de Menalai e Olivutsa em 1854, e, os ingleses, Rochedos Hornet, em 1855.

O número 3 da Instrução nº 677 do Comandante Supremo das Forças Aliadas (SCAPIN nº 677) entregue ao Governo japonês no dia 29 de Janeiro de 1946 enumera as áreas excluídas do território japonês, entre elas as ilhas Jeju, Ulleungdo e Liancourt.

A SCAPIN nº 1033, entregue no dia 22 de Junho de 1946, diz que "os navios japoneses e seus tripulantes não devem aproximar-se de Liancourt a menos de 12 milhas nem ter qualquer contato com esta ilha".

Entre 1905 e 1945, a Coreia não existia, sendo tudo parte do Império Japonês.

Em 1951, depois da 2ª Guerra mundial, é assinado o Tratado de São Francisco, estipulalando a devolução te todo o território coreano. O Japão reconhece a independência da Coreia e desiste de todos os direitos sobre este país, incluindo as Ulleungdo e Geojedo. A República da Coreia reclamou a inclusão de Dokdo nesse tratado mas os EUA rejeitaram categoricamente o pedido, observando que Takeshima "nunca foi tratada como parte da Coreia".

O presidente Seung-man Lee declarou no dia 18 de Janeiro de 1952, a linha de Seung-man Lee (vulgarmente chamada Linha de Paz)[6]. Este passo permitiu por em marça a anexação, sendo incorporada como território coreano no ano seguinte com uma invasão, que a tornou definitiva. A linha foi abolida em 1965 com a assinatura de um acordo de pesca entre o Japão e a Coreia do Sul, mas o território ainda continua ocupado.[7]

Atualmente a Coreia do Sul tem um destacamento policial permanente de vigilância para reforcar o seu controlo da ilha. No campo da conservação ambiental, os sul-coreanos classificam os Rochedos de Liancourt como monumento nacional nº 336.

Demografia

Apesar de possuir residentes permanentes, o acesso ao arquipélago é relativamente restrito e está em vigilância 24 horas por dia. A restrição de acesso diminuiu paulatinamente com a emergente atividade turística patrocinada pela própria província de Gyeongsang Norte, tanto nas ilhas principais como na zona marítima circundante.

Natureza

A ilha, com ambiente natural e clima têm importante valor ecológico.

Clima

A Temperatura Média Anual é de 12 °C. Sendo em janeiro 1 °C e em agosto : 23 °C.

Precipitação

A precipitação média anual é de 1.240 milímetros (Principalmente neve durante o inverno). Trata-se de um típico clima oceânico afetado pelas correntes oceânicas quentes, de frequente nevoeiro, sendo nebuloso por mais de 160 dias por ano. Na ilha chove 150 dias por ano.

Ecologia

É um objeto-local de estudo sobre a origem e distribuição de espécies, já que a ilha tem sua importância biogeográfica, onde se repousam ou se refugiam aves migratórias.

Plantas

Cerca de 60 espécies plantas encontram-se na ilha.

Plantas herbáceas

Dente-de-leão, trevo-azedo, capim rabo-de-raposa, capim-colchão, Artemísia, beldroegas, pé-de-pato, plantago, oryzifolium, margarida ártica e mauritânia.

Árvores

Pinheiro negro, lonicera insularis, baga-avinhada, serralha e camélia.

Insetos

Cerca de 130 espécies de insetos, incluindo libélula, tesourinha, gafanhotos, besouros, mosca e borboleta senhora-pintada.

Aves

Cerca de 160 espécies de aves. Entre elas alma-de-mestre, pardela listrada, gaivota de cauda negra, francelho, águia-pescadora, aftas escura, gaivota glauca, pombo madeira preta, rabo-ruivo redstart e garça chinesa.

Vida Marinha

Peixes

Sauro pacífico, olho-de-boi, baiacu, dorosoma cepedianum, congro, peixe-chato, arctoscopus japonicus, pleugrammuns azonus, budião preto e lula.

Marisco

Incluindo abalone, concha e mexilhão.

Algas Marinhas

Wakame, kombu, nori e gelidium.

Outra vida marinha

Pepino do mar e camarão, por exemplo.

Localização

Se, por um lado, a Coreia do Sul as classifica como parte do Condado de Ulleung, província de Gyeongsang do Norte, o Japão reclama-as como parte da cidade de Okinoshima, Distrito de Oki, Prefeitura de Shimane.

Mapa

Posição do governo coreano

Para o Governo Sul Coreano, a ilha é território inerentemente da Coreia, histórico e geograficamente, e de acordo com o Direito Internacional. É negada a existência de alguma disputa territorial a respeito da ilha, e, portanto não é uma questão a ser tratada por meio de negociações diplomáticas para resoluções judiciais.[1]

O governo da República da Coreia clama exercer a soberania territorial da Coreia sobre a ilha. O governo afirma lidar com firmeza e determinação contra qualquer provocação do Japão, e pensa continuar a controlar a integridade territorial da ilha.[8]

'Razões' do governo coreano

Subjugação de Usan-guk

Usan-guk (Ulleungdo e Dokdo) foi conquistado por Ichan Isabu, e subjugado a Silla. A partir disso, Ulleungdo e Dokdo tornaram-se territórios coreanos. O fato está registrado na Compilação dos Documentos Referentes à Coreia (1770), em que diz, "Ulleung [Ulleungdo] e Usan (Dokdo) são ambos os territórios de Usan-guk".

Sejong Sillok Jiriji (Volume Geográfico dos Anais do Reinado de Sejong)

Está registrado no Volume Geográfico dos Anais do Reinado de Sejong, uma das compilações do início do governo Joseon, dizendo que tanto Ulleungdo e Dokdo pertencem ao conselho de Uljin da Província de Gangwon.

Observa-se especificamente, "As ilhas de Usan [Dokdo] e Mureung [Ulleungdo] não estão distantes entre si, de tal modo que, em dias claros, é possível avistar uma a partir da outra."

Licença de Passagem para Takeshima (Ulleungdo)

O xogunato japonês emitiu uma licença para as famílias Oya e Murakawa, autorizando a passagem para Takeshima (Ulleungdo). O ano em que foi emitida a licença é conhecido por ser 1618 ou 1625.

Rapto de An Yong-bok por pescadores japoneses

Um incidente em que os pescadores coreanos An Yong-bok e Park Eo-Dun foram sequestrados e levados para o Japão por pescadores japoneses que trabalhavam para as famílias Oya e Murakawa enquanto pescavam em águas próximas de Ulleungdo.

A disputa sobre a posse de Ulleungdo (a Disputa Ulleungdo) eclodiu entre Joseon e Japão, como resultado do incidente.

Instrução para inspecionar Ulleungdo

Após o incidente do rapto de An Yong-bok, a disputa diplomática sobre a questão da soberania sobre Ulleungdo (Disputa Ulleungdo) eclodiu entre a Coreia e o Japão. Consequentemente, o governo de Joseon despachou Jang Hansang, um funcionário regional, para inspecionar a ilha de Ulleungdo. Depois disso, o governo de Joseon decidiu enviar funcionários para Ulleungdo para realizar inspeções a cada dois anos, como proposto pelo primeiro-ministro Nam Guman.

Resposta de Tottori-han

Em 24 de dezembro de 1695, o xogunato Edo enviou uma pergunta para o Tottori-han para determinar se Ulleungdo fazia parte do Tottori-han. O Tottori-han respondeu a esta pergunta, informando o xogunato que nem Takeshima (Ulleungdo) e nem Matsushima (Dokdo) pertence a Tottori-han, e, assim, foi confirmado oficialmente que Ulleungdo e Dokdo não eram territórios japoneses.

Ordem de Proibição de Passagem para Takeshima (Ulleungdo)

Tendo recebido a confirmação de que Ulleungdo e Dokdo não eram territórios japoneses, o xogunato Edo baixou a ordem de proibição de passagem para Takeshima (Ulleungdo), em 28 de janeiro de 1696. Mais tarde, em uma correspondência diplomática com Joseon, o xogunato reconheceu oficialmente que Ulleungdo era território de Joseon.

Viagem de An Yong-bok ao Japão

Este foi um incidente em que An Yong-bok navegou para o Japão, correndo atrás dos navios de pesca japoneses que estavam pescando em torno de Ulleungdo.

Um documento histórico intitulado “Memorando sobre a Chegada de um Barco de Joseon (Coreia) no Ano IX da era Genroku", registra que An Yong-bok informou autoridades na ilha de Oki que Ulleungdo e Dokdo pertenciam à Província de Gangwon de Joseon (Coreia).

Dongguk Munheon Bigo (Compilação de Documentos Referentes à Coreia)

Esta é uma compilação do governo que registra civilização e instituições de Joseon. Está escrito nela que "Usando [Dokdo] e Ulleungdo ... uma destas duas ilhas é Usan ... De acordo com a Geografia da Coreia, diz-se que Ulleung e Usan são ambos os territórios de Usan-guk e que Usan é o que os japoneses chamam de Matsushima [antigo nome japonês de Dokdo].

Chosenkoku Kosai Simatsu Naitansho (Relatório da Investigação sobre os Detalhes das Relações Exteriores de Joseon (Coreia))

Este é um relatório apresentado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês por uma equipe de inspecção, incluindo Hakubo Sada. Este relatório, intitulado "O Inquérito Confidencial sobre particularidades das Relações Exteriores da Coreia", registros de "Como Takeshima [Ulleungdo] e Matsushima [Dokdo] vieram a pertencer a Joseon [Coreia]", o que revela que o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês claramente reconheceu Dokdo como território coreano.

Ordem de Dajokan

Esta é uma ordem dada pelo Dajokan, o mais alto órgão administrativo do Japão na época, ao Ministério dos Assuntos Internos japonês, confirmando que Ulleungdo e Dokdo não eram territórios do Japão.

Como resultado das consultas com o governo de Joseon (diz respeito à Disputa Ulleungdo), o Dajokan concluiu que Ulleungdo e Dokdo não pertenciam ao Japão, e baixou a ordem ao Ministério dos Assuntos Internos japonês em que diz: "A respeito de Takeshima [Ulleungdo] e uma outra ilha [Dokdo] sobre os quais um inquérito foi submetido, fique claro que Takeshima (Ulleungdo) e a outra ilha (Dokdo) não tem relação nenhuma com o nosso país (Japão). "

Decreto Imperial da Coreia Nº.41

Este é um decreto proclamado pelo Imperador Gojong quem estipulou que "Ulleungdo será nomeado Uldo" e que "o cargo de inspetor [dogam] será promovido a administrador [gunsu]."

O artigo 2 do Decreto reafirma claramente que Uldo (Ulleungdo) terá jurisdição sobre Jukdo e Seokdo (Dokdo).

Aviso Público da Província de Shimane Nº.40

O Japão estava em guerra desde 1904 contra a Rússia com seus interesses na Manchúria e na península coreana, e precisava de Dokdo para satisfazer as suas necessidades militares em face de possíveis confrontos marítimos com a Rússia no Mar do Leste. O Japão assim tentou anexar Dokdo em 1905 através deste aviso, alegando que a ilha era terra nullius.

Relatório de Shim Heung-taek, administrador de Uldo

Este é um relatório entregue ao governador em exercício da Província de Gangwon e ao Ministério coreano dos Assuntos Internos (hoje o equivalente ao atual Ministério da Segurança e da Administração Pública) por Shim Heung-taek, o administrador do então Conselho de Uldo.

Este relatório afirma que "Dokdo sob a jurisdição deste concelho ..." e, portanto, prova que Dokdo estava sob a jurisdição do Conselho de Uldo (Uldo-gun).

A Diretriz Nº.3 de Maio é uma diretriz emitida pelo Uijeongbu, o órgão máximo de decisão do Império Coreano, repudiando a anexação de Dokdo ao território do Japão.

O Uijeongbu recebeu a notícia do governador em exercício da Província de Gangwon sobre anexação de Dokdo do Japão, e, posteriormente, o vice-primeiro-ministro do Uijeongbu emitiu esta diretriz repudiando a anexação.

Comandante Supremo das Forças Aliadas Número de Índice (SCAPIN) 677

Este é um memorando que ordenou a separação governamental e administrativa de Dokdo do Japão após o fim da Segunda Guerra Mundial. O Comandante Supremo das Forças Aliadas determinou que "... o Japão está definido ... excluindo (a) ilha Utsuryo (Ulleung), rochas Liancourt (ilha Take) [Dokdo] e ilha Quelpart (Saishu ou Cheju).. . "

Comandante Supremo das Forças Aliadas Número de Índice (SCAPIN) 1033

Este é um memorando, seguindo SCAPIN 677, determinando a proibição os navios japoneses ou povo japonês de aproximarem-se para dentro de 12 milhas náuticas de Dokdo.

Ligações

  1. «Residentes e visitantes». Ministério das Relações Exteriores, República da Coreia. Consultado em 31 de outubro de 2016 
  2. «DECRETO Nº 1.530, DE 22 DE JUNHO DE 1995.» (PDF). ICMBIO. Consultado em 31 de outubro de 2016 
  3. «Island row hits Japanese condoms» (em inglês). 17 de julho de 2008. Consultado em 23 de junho de 2025 
  4. Online, Asia Time. «Asia Times Online :: Japan News and Japanese Business and Economy». www.atimes.com. Consultado em 23 de junho de 2025. Cópia arquivada em 1 de março de 2009 
  5. «자치법규정보시스템». www.elis.go.kr. Consultado em 23 de junho de 2025 
  6. «Establishment of "Syngman Rhee Line" and Illegal Occupation of Takeshima by the Republic of Korea» 
  7. «Agreement on Fisheries between Japan and the Republic of Korea. - "The World and Japan" Database». worldjpn.net. Consultado em 3 de outubro de 2025 
  8. «Posição básica do governo coreano sobre Dokdo». Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul. Consultado em 17 de dezembro de 2020 


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