Robin Lakoff
| Robin Lakoff | |
|---|---|
| Nascimento | 27 de novembro de 1942 Nova Iorque, Estados Unidos |
| Morte | 5 de agosto de 2025 (82 anos) Walnut Creek, Estados Unidos |
| Cidadania | Estados Unidos |
| Cônjuge | George Lakoff |
| Alma mater | |
| Ocupação | linguista, professora universitária |
| Distinções |
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| Empregador(a) | Universidade da Califórnia em Berkeley |
Robin Tolmach Lakoff (Nova Iorque, 27 de novembro de 1942 – Walnut Creek, 5 de agosto de 2025) foi uma linguista estadunidense, professora emérita da Universidade da Califórnia em Berkeley.[1][2] Foi conhecida principalmente por suas pesquisas acerca da relação entre gênero e linguagem.[3] Foi casada com George Lakoff.[4]
Language and Woman's Place (A Linguagem e o Lugar da Mulher)
O trabalho influente de Lakoff Language and Woman's Place introduz ao campo da sociolinguística muitas ideias sobre a linguagem das mulheres que agora são frequentemente consideradas lugar-comum.[5] Inspirou muitas estratégias diferentes para estudar linguagem e gênero, atravessando fronteiras nacionais assim como linhas de classe e raça. Seu trabalho é notável por sua atenção à classe, poder e justiça social, além do gênero.[6] Lakoff propôs que a fala das mulheres pode ser distinguida da dos homens de várias maneiras (parte do modelo de déficit de gênero), incluindo:[6]
- Atenuantes: Frases como "meio que", "tipo", "parece que"
- Adjetivos vazios: "divino", "adorável", "lindo"
- Formas super-educadas: "Você se importaria..." "...se não for pedir muito" "Tudo bem se...?"
- Pedir mais desculpas: "Me desculpe, mas eu acho que..."
- Falar com menos frequência
- Evitar linguagem de baixo calão ou palavrões
- Perguntas de confirmação: "Você não se importa de comer isso, importa?".
- Gramática e pronúncia hipercorretas: Uso de gramática de prestígio e articulação clara
- Pedidos indiretos: "Nossa, estou com tanta sede." – realmente pedindo uma bebida
- Falar em itálico: Usar tom para enfatizar certas palavras, por exemplo, "tão", "muito", "bem"
Lakoff desenvolveu o "Princípio da Polidez", no qual ela criou três máximas que geralmente são seguidas na interação. Estas são: Não imponha, dê opções ao receptor e faça o receptor se sentir bem. Ela afirmou que estas são fundamentais em uma boa interação.[6]
The Language War (A Guerra da Linguagem)
The Language War (2000) de Lakoff realiza uma análise linguística do discurso sobre questões contemporâneas. Ela cobre tópicos incluindo as audiências Hill–Thomas, o julgamento de O.J. Simpson, o escândalo Lewinsky e o fenômeno do politicamente correto. Lakoff discute cada tópico enquanto argumenta uma tese geral de que a própria linguagem constitui um campo de batalha político.[7][8]
Em The Language War, Lakoff introduziu a ideia de que enquadramentos criam significados. Ela cita que a linguagem (seja verbal ou não-verbal) e experiências é um "corpo de conhecimento que é evocado para fornecer uma base inferencial para a compreensão de uma declaração".[9]
Enquadramentos são ideias que moldam expectativas e criam focos que devem ser vistos como verdade e senso comum. Quando alguém decide adotar um enquadramento, essa pessoa acreditará que tudo dentro do enquadramento é genuíno, e que o que ela aprende dentro do enquadramento se torna o que ela acredita ser senso comum. Por exemplo, no século XIX, as pessoas acreditavam que as mulheres deveriam usar espartilhos e apertar suas cinturas. Ninguém pensava sobre mulheres usando roupas sem um espartilho por baixo porque era senso comum que espartilhos são um item de moda obrigatório.[7][8]
No entanto, se alguém decide olhar para a mesma situação fora do enquadramento— o que raramente acontece porque as pessoas estão sempre convencidas de que o senso comum não requer justificativa— essa pessoa terá uma compreensão completamente diferente do que está no enquadramento, e sentirá que o senso comum não faz mais sentido. Continuando o exemplo do espartilho, em nosso tempo presente é senso comum que espartilhos são prejudiciais à saúde e causarão mais mal do que bem ao corpo feminino. É por isso que a maioria das mulheres hoje em dia não usa espartilhos. E quando olhamos de volta para o antigo enquadramento do século XIX, achamos que o senso de moda daquela época é estranho. Este é o resultado de enquadramentos alterados.[7][8]
Morte
Lakoff morreu de insuficiência respiratória, após uma queda, em um hospital em Walnut Creek, Califórnia, em 5 de agosto de 2025. Ela tinha 82 anos.[10]
Publicações selecionada
- 1972: "Language in Context." Language 48:4 (December 1972): pag. 907–27.
- 1973: The logic of politeness; or, minding your P's and Q's. In: Papers from the Ninth Regional Meeting of the Chicago Linguistics Society, ed. C. Corum, T. Cedric Smith-Stark, A. Weiser, pag. 292–305. Chicago: Department of Linguistics, University of Chicago
- 1975: Language and Woman's Place. ISBN 0-19-516757-0
- 1977: What you can do with words: Politeness, pragmatics and performatives. In: Proceedings of the Texas Conference on Performatives, Presuppositions and Implicatures, ed. R. Rogers, R. Wall & J. Murphy, pag. 79–106. Arlington, Va.: Center for Applied Linguistics.
- 1985: When talk is not cheap. With Mandy Aftel. Warner ISBN 0-446-30070-5
- 1990: Talking Power. Basic Books. ISBN 0-465-08358-7
- 1993: Father knows best: the use and abuse of therapy in Freud's case of Dora. With J. Coyne. Teachers College Press. ISBN 0-8077-6266-0
- 2000: The Language War. University of California Press. ISBN 0-520-22296-2
- 2006: "Identity à la carte: you are what you eat." In: Discourse and Identity, ed. Anna DeFina, Deborah Schiffrin and Michael Bamberg. Cambridge University Press: Cambridge.
Referências
- ↑ «Robin Lakoff». Huffington Post. Consultado em 13 de outubro de 2019
- ↑ «Robin Lakoff (*1942)». English Language and Linguistics Online. Consultado em 13 de outubro de 2019
- ↑ Baker, Paul; Ellece, Sibonile (2011). Key terms in discourse analysis. New York, N.Y.: Continuum International Pub. Group. ISBN 9781441173133. OCLC 703257723
- ↑ Davies, Catherine Evans (dezembro de 2010). «Interview with Robin Tolmach Lakoff». Journal of English Linguistics (em inglês). 38 (4): 369–376. ISSN 0075-4242. doi:10.1177/0075424210384191
- ↑ «Google Scholar - Language and Women's Place citations». scholar.google.com. Consultado em 22 de fevereiro de 2022
- ↑ a b c Mary Bucholz, "Editor's Introduction", Language and a Woman's Place: Text and Commentary, Oxford University Press, 2004, ISBN 0-19-516-757-0, páginas 11–13.
- ↑ a b c Virginia Vitzthum, "'The Language War' by Robin Tolmach Lakoff", 11 de julho de 2000.
- ↑ a b c Judith Rosenhouse, "Robin Tolmach- Lakoff. 2000. The Language War. Berkeley: University of California Press." California Linguistic Notes XXVI(1), primavera de 2001.
- ↑ Levinson, 1983
- ↑ «In Memoriam of Linguistics Professor Emerita Robin Lakoff, a pioneer in gender and language | Letters & Science». UC Berkeley. Consultado em 17 de agosto de 2025
Ligações externas
- Lakoff, "Language and Woman's Place" (1973)
- Lakoff, "Language in Context" (1972)
- Robin Lakoff analyzes Sarah Palin and the 2008 election, entrevista com Kiera Butler para Mother Jones, 3 de outubro de 2008 interview with Kiera Butler for Mother Jones
- Faculty home page (University of California, Berkeley)
- Liberman, Mark (2004). «Gender and tags». Language Log. University of Pennsylvania
- Gender and tags
- Liberman, Mark (2005). «This is, like, such total crap?». Language Log. University of Pennsylvania