Robert Spaemann

Robert Spaemann
Robert Spaemann em 2015
Nome completoRobert Spaemann
Escola/TradiçãoEscola Ritter
Data de nascimento1927 de maio de 5
LocalBerlim, Estado Livre da Prússia, República de Weimar
Morte2018 de dezembro de 10
LocalBotnang, Estugarte, Baden-Württemberg, Alemanha
Principais interessesÉtica cristã, bioética, direitos humanos, ecologia
ReligiãoIgreja Católica
Ideias notáveisAção benevolente como fundamento da felicidade, centralidade da pessoa na ética
Trabalhos notáveisGlück und Wohlwollen (Felicidade e Benevolência, 1989), Personen (Pessoas, 1996)
EraFilosofia contemporânea
InfluênciasJoachim Ritter
InfluenciadosPapa João Paulo II, Papa Bento XVI

Robert Spaemann [a] (5 de maio de 192710 de dezembro de 2018) foi um filósofo católico alemão[1], considerado membro da Escola Ritter.

O principal campo de investigação de Spaemann foi a ética cristã. Destacou-se por suas contribuições em bioética, ecologia e direitos humanos. Embora grande parte de sua obra ainda não tenha sido amplamente traduzida para idiomas além do alemão, Spaemann era reconhecido internacionalmente e o seu trabalho recebeu elevada consideração do Papa Bento XVI[2]. Além disso, atuou como conselheiro pessoal do Papa João Paulo II e manteve amizade próxima com Joseph Ratzinger[3].

Biografia

Robert Spaemann nasceu em Berlim, em 1927, filho de Heinrich Spaemann e Ruth Krämer. Seus pais, originalmente ateus radicais, converteram-se à Igreja Católica em 1930. Após a morte prematura de sua mãe, o seu pai foi ordenado sacerdote em 1942[4]. Robert Spaemann cresceu em um lar católico e social-democrata[5].

Estudou filosofia, história, teologia e estudos românicos nas universidades de Münster, Munique, Friburgo (Suíça) e Paris. Recebeu seu doutorado em 1952 e sua habilitação em filosofia e educação em 1962 na Universidade de Münster.

Na década de 1950, Spaemann tornou-se crítico dos planos de armamento nuclear do governo alemão. Posteriormente, participou de debates públicos sobre a Guerra do Kosovo, legislação sobre aborto, eutanásia e suicídio assistido, defendendo a proteção da vida humana desde a concepção até a morte natural.

Exerceu a docência nas universidades de Estugarda (até 1968), Heidelberg (até 1972) e Munique, permanecendo nesta última até a sua aposentadoria e nomeação como Professor Emérito em 1992. Posteriormente, foi nomeado Professor Honorário da Universidade de Salzburgo e, em 2012, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica de Lublin.

A filosofia de Robert Spaemann está profundamente enraizada na fé cristã. Ele defende a racionalidade da crença humana em Deus como ponto central de seu pensamento e rejeita a visão de que a religião é uma questão puramente privada. Para Spaemann, religiões universalistas como o cristianismo têm compromisso com o discurso público e devem influenciar a sociedade.

Em ética e filosofia do direito, enfatiza a relevância do direito natural, argumentando que a moralidade e o direito positivo são legitimados por uma fonte suprema — Deus. Em bioética, defendeu veementemente a dignidade humana desde a concepção, o que o levou a opor-se ao aborto e à eutanásia ativa ou passiva.

Em 2006, Robert Spaemann discutiu com o Papa Bento XVI a relação entre ciência, filosofia e .

Obra

As duas obras mais importantes de Robert Spaemann são Glück und Wohlwollen (Felicidade e Benevolência, 1989) e Personen (Pessoas, 1996). Em Felicidade e benevolência, o autor apresenta a tese de que a felicidade deriva da ação benevolente e que os somos humanos criados por Deus como seres sociais para ajudar uns aos outros a encontrar a verdade e o significado em um mundo frequentemente confuso e desordenado.

"O paradigma de agir a partir da benevolência é qualquer ação pela qual ajudamos a vida humana que requer essa ajuda... somente quando somos ajudados aprendemos a nos ajudar, isto é, a entrar naquele relacionamento indireto conosco mesmos que é constitutivo de toda racionalidade que não é estritamente instrumental, [e em vez disso] constitutivo de toda prática ética."[6]

Robert Spaemann também participou do Círculo de Ex-Alunos Ratzinger (Ratzinger Schülerkreis), uma conferência privada convocada no final da década de 1970 por Joseph Ratzinger. [7]

Prova de Deus pela gramática

Em 2005, Robert Spaemann publicou um artigo para o jornal alemão Die Welt, defendendo a existência de Deus a partir de uma reflexão sobre o tempo verbal do futuro perfeito. O argumento era:

  1. O futuro perfeito estabelece uma conexão com o presente, na medida em que algo ocorre agora pode ser concebido como já ocorrido em um futuro hipotético.
  2. Toda verdade é, nesse sentido, eterna, pois o presente permanece real como o passado do futuro presente.
  3. A realidade do passado subsiste na lembrança dos indivíduos. No entanto, eventualmente, não haverá mais seres humanos na Terra capazes de recordar-se dele.
  4. Considerando que o passado é sempre o passado de um presente, ele desaparecerá juntamente com o presente caso este deixe de ser lembrado. Consequentemente, o futuro perfeito perderá o seu significado.
  5. Quando o presente deixar de existir, deixará de ser real. Se o futuro perfeito for anulado, o presente também será.

A partir dessas premissas, Robert Spaemann conclui que, para preservar a realidade do presente, deve existir uma consciência absoluta na qual tudo o que ocorre seja armazenado. Essa consciência, argumenta ele, é Deus.[8]

Notas

  1. Pronúncia alemã: [ˈʁoːbɛʁt ˈʃpaːman]
  1. Robert Spaemann (em inglês), consultado em 11 de outubro de 2025 
  2. «Wayback Machine» (PDF). web.tuomi-media.de. Consultado em 11 de outubro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 2 de setembro de 2011 
  3. CNA. «Full text: Interview with Robert Spaemann on Amoris Laetitia». Catholic News Agency (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2025 
  4. «Beiträge von Prof. Dr. Robert Spaemann». www.kath-info.de. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  5. «Lexikon der Philosophen und Denker – Robert Spaemann». Klett Verlag. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  6. Spaemann, Robert (2000). Happiness and Benevolence. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press. p. 104-105. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  7. Story in The Guardian
  8. «Der Gottesbeweis - WELT». DIE WELT (em alemão). Consultado em 11 de outubro de 2025 

Leituras adicionais

  • Reinhard Löw (org.): Oikeiosis. Festschrift für Robert Spaemann. Weinheim: Acta humaniora, VCH, 1987.
  • Hanns-Gregor Nissing (org.): Grundfunktionen der Person: Dimensionen des Menschseins bei Robert Spaemann. Munique, 2008. [1]

Ligações externas