Robert M. Sullivan
| Robert Michael Sullivan | |
|---|---|
![]() Robert M. Sullivan no seu escritório segurando um crânio de paquicefalossaurídeo. | |
| Nome completo | Robert Michael "Bob" Sullivan |
| Conhecido(a) por | Descoberta do segundo crânio mais completo de Parasaurolophus tubicen
Descrição de Nodocephalosaurus kirtlandensis e Ziapelta sanjuanensis Definição do "Kirtlandiano" (idade-fauna de vertebrados terrestres do Cretácico Superior) Estudos sobre lagartos gliptossauríneos e dinossauros paquicefalossaurídeos |
| Nascimento | 4 de agosto de 1951 |
| Nacionalidade | estadunidense |
| Alma mater | Universidade do Novo México |
| Carreira científica | |
| Campo(s) | Paleontologia de vertebrados |
Robert Michael Sullivan (Nova Iorque, 4 de agosto de 1951), também conhecido como Bob Sullivan, é um geólogo e paleontólogo estadunidense especializado em paleontologia de vertebrados. É reconhecido pelas suas contribuições ao estudo de répteis fósseis (especialmente lagartos) e dinossauros do Cretácico Superior da Bacia de San Juan [en], no estado do Novo México, nos Estados Unidos.
Entre as suas mais importantes descobertas destacam-se o segundo crânio mais completo conhecido do hadrossaurídeo Parasaurolophus tubicen[1], os crânios dos anquilossaurídeos Nodocephalosaurus kirtlandensis e Ziapelta sanjuanensis,[2] e o primeiro pterossauro do estado do Novo México, Navajodactylus boerei. Sullivan também definiu o "Kirtlandiano", uma idade-fauna de vertebrados terrestres do Cretácico Superior situada entre o Judithiano e o Edmontonian.[3]
Foi um dos primeiros críticos vocais da hipótese do impacto de asteroide como causa única da extinção dos dinossauros.[4]
Biografia
Primeiros anos e formação acadêmica
Filho mais velho de dois irmão do casal Robert F. Sullivan e Marian E. Sullivan, Robert Michael "Bob" Sullivan, nasceu no Queens, distrito da cidade de Nova Iorque, morando entre 1951 e 1953 em Tarrytown, e mudando-se para Fairfield no estado do Connecticut, no início de 1953.
Posteriormente, morou em Trumbull, também em Connecticut, até entrar na faculdade no outono de 1969. Robert cresceu lendo livros de história natural, incluindo Dinosaurs: Their discovery and their world (Dinossauros: sua descoberta e seu mundo), de autoria Edwin Harris Colbert, publicado em 1961 pela editora E. P. Dutton, que alimentou seu fascínio por dinossauros desde muito cedo.[5] Tornou-se um ávido colecionador de borboletas, rochas, minerais e fósseis, mas foi seu amor por animais pré-históricos que consumiu sua carreira profissional.
De vez em quando, o pai de Sullivan o deixava no Museu Peabody de História Natural da Universidade de Yale, onde ele passava horas na galeria de dinossauros observando os vários vertebrados fossilizados. Sua avó apoiava especialmente seu desejo de se tornar paleontólogo e o levava a um conhecido afloramento rochoso do Devoniano em Stroudsburg, na Pensilvânia, onde ele passava horas coletando briozoários, corais rugosos e braquiópodes fossilizados. Na adolescência, ele e um amigo construíram um “museu” de história natural e um planetário no porão da casa do amigo.[6]
Sullivan frequentou a St. Joseph's Boys High School em Trumbull entre 1964 e 1965 e, em seguida, ingressou na Universidade do Novo México (UNM), onde formou-se no curso de Geologia em 1973.[1] Após a formatura, mudou-se para Lincoln, no estado do Nebraska, onde iniciou um programa de pós-graduação em geologia e paleontologia de vertebrados.
No verão de 1973, Sullivan trabalhou como paleontólogo de campo próximo de Crawford, no interior de Nebraska, para o Museu Estadual da Universidade de Nebraska [en], e encontrou um crânio parcial e o esqueleto de um lagarto fóssil que mudaria suas buscas científicas. Em 1974, ele deixou a pós-graduação e se mudou para São Francisco, na Califórnia, onde conseguiu um emprego como técnico de laboratório na BP Alaska, Inc. Um ano depois, mudou-se para San Diego para estudar o lagarto fóssil Glyptosaurus sob a orientação de Richard Estes [en], tema de sua dissertação de mestrado publicada em 1979.[7]
Sullivan obteve seu mestrado em Paleontologia de Vertebrados (especialização) pela Universidade Estadual de San Diego em 1978 e concluiu seu doutorado em Geologia pela Universidade Estadual de Michigan, sob a orientação de J. Alan Holman [en], em 1980.
Carreira
Após concluir os estudos, Sullivan trabalhou para várias empresas petrolíferas em Denver no início dos anos 1980 e, em seguida, lecionou em faculdades no estado do Alabama e, posteriormente, em diversas faculdades e universidades na Califórnia, incluindo a Universidade da Califórnia-Riverside [en]. Ele atuou como assistente curatorial da NSF no final dos anos 80 e, posteriormente, como gerente de coleção no Departamento de Herpetologia do Museu de História Natural de San Diego [en] (1990—1992).
No final de 1992, Sullivan tornou-se curador sênior de paleontologia e geologia do Museu Estadual da Pensilvânia [en], em Harrisburg, Pensilvânia, onde permaneceu até sua aposentadoria no ano de 2012.
Trabalho de campo na Bacia de San Juan
Em meados da década de 1980, Sullivan passou um tempo trabalhando na Formação Paleocena Nacimiento procurando fósseis de lagartos, sem muito sucesso, e ocasionalmente vagava pela seção das rochas do Cretáceo Superior da Bacia de San Juan [en]. Iniciou um intenso trabalho de campo no Cretáceo Superior em 1995, com interrupções ocasionais, passando vários verões coletando fósseis de vertebrados nas formações Fruitland, Kirtland e Ojo Alamo (Membro Naashoibito). Esse trabalho de campo, que se estendeu por mais de duas décadas, resultou em inúmeras descobertas únicas e significativas, incluindo a recuperação do primeiro pterossauro do Novo México, Navajodactylus boerei [en], juntamente com outras novas espécies de dinossauros.
Subsídios recebidos e outras afiliações
Durante sua carreira Sullivan recebeu bolsas da Sigma XI (1974), da Fundação Nacional da Ciência (1984), da Dinosaur Society (1996) e da Jurassic Foundation (1999). Atuou como Diretor de Programas da Society of Vertebrate Paleontology (1991-1993).
Sullivan ocupou cargos de pesquisador associado na Universidade do Colorado (1980—1982), no Museu de História Natural de San Diego (1987—1990), Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (1984—1992), Museu Carnegie de História Natural (1993—presente) e Museu de História Natural e Ciência do Novo México (1998—presente).
Principais publicações
- 1979. Revision of the Paleogene genus Glyptosaurus (Reptilia, Anguidae). Bulletin of the American Museum of Natural History [en], 163(1): 1–72.
- 1986. The skull of Glyptosaurus sylvestris Marsh 1871 (Lacertilia: Anguidae). Journal of Vertebrate Paleontology, 6(1): 28–37.
- 1987. Parophisaurus pawneensis (Gilmore, 1928), new genus of anguid lizard from the middle Oligocene of North America. Journal of Herpetology [en], 21(2): 115–133.
- 1987. A reassessment of reptilian diversity across the Cretaceous-Tertiary boundary. Contributions in Science, Natural History Museum of Los Angeles County, n.º 391, 26 pp.
- 1989. Proglyptosaurus huerfanensis new genus, new species of glyptosaurine lizard (Squamata: Anguidae) from the early Eocene of Colorado. American Museum Novitates [en], n.º 2949, 8 pp.
- 1999. (com Robert M. Sullivan e Thomas E. Williamson) A new skull of Parasaurolophus (Dinosauria: Hadrosauridae) from the Kirtland Formation of New Mexico and a revision of the genus. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin, n.º 15, 52 pp.
- 1999. Nodocephalosaurus kirtlandensis gen. et sp. nov., a new ankylosaurid dinosaur (Ornithischia: Ankylosauria) from the Upper Cretaceous (Late Campanian) Kirtland Formation of New Mexico. Journal of Vertebrate Paleontology, 19(1): 126–139.
- 1999. (com Robert M. Sullivan, Thomas Keller e Jörg Habersetzer) Middle Eocene (Geiseltalian) anguid lizards from Geiseltal and Messel, Germany. I. Ophisauriscus quadrupes Kuhn 1940. Systematics and Taphonomy. Courier Forschungsinstitut Senckenberg, 216: 97–129.
- 2003. Revision of the dinosaur Stegoceras Lambe (Ornithischia: Pachycephalosauridae). Journal of Vertebrate Paleontology, 23(1): 181–207.
- 2003. (com Spencer G. Lucas) The Kirtlandian – a new land-vertebrate "age" from the Late Cretaceous of western North America. New Mexico Geological Society Guidebook, 54: 375–383.
- 2006. (com Spencer G. Lucas) The Kirtlandian land-vertebrate "age" — faunal composition, temporal position and biostratigraphic correlation in the nonmarine Upper Cretaceous of western North America. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin, 35: 7–29.
- 2013. (com Victoria M. Arbour, Michael E. Burns, Spencer G. Lucas, Amanda K. Cantrell, Joshua Fry e Thomas L. Suazo) A new ankylosaurid dinosaur (Ornithischia, Ankylosauria) from the Upper Cretaceous Kirtlandian land-vertebrate age of New Mexico with implications for ankylosaurid diversity in the Upper Cretaceous of western North America. PLoS ONE, 9(9): e108804.
- 2019. The taxonomy, chronostratigraphy and paleobiogeography of glyptosaurine lizards (Glyptosaurinae, Anguidae). Comptes Rendus Palevol, 18(7): 747–763.[8]
Referências
- ↑ a b «Robert M. Sullivan». Palaeo Electronica. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Arbour, Victoria M.; Burns, Michael E.; Sullivan, Robert M.; Lucas, Spencer G.; Cantrell, Amanda K.; Fry, Joshua; Suazo, Thomas L. (2014). «A new ankylosaurid dinosaur from the Upper Cretaceous (Kirtlandian) of New Mexico with implications for ankylosaurid diversity in the Upper Cretaceous of western North America». PLoS ONE. 9 (9): e108804. doi:10.1371/journal.pone.0108804. Cópia arquivada em 20 de julho de 2025
- ↑ Sullivan, Robert M.; Lucas, Spencer G. (2006). «The Kirtlandian land-vertebrate "age" – faunal composition, temporal position and biostratigraphic correlation in the nonmarine Upper Cretaceous of western North America». New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin. 35: 7–29
- ↑ DeWolf, Rose (21 de abril de 1998). «Extinction by asteroid a rocky theory, he says». Philadelphia Daily News: 36. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Colbert, Edwin H. (1961). Dinosaurs: their discovery and their world 1st ed ed. New York: Dutton. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Jones, Mary (27 de junho de 1956). «Cellar Project Grows into Science Museum». Bridgeport Sunday Post. 76 (26): 1. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Bulletin of the American Museum of Natural History 163(1):1-72.
- ↑ «A new Late Cretaceous snake from Patagonia: Phylogeny and trends in body size evolution of madtsoiid snakes». Comptes Rendus Palevol (em francês) (7): 771–781. 2019. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 30 de maio de 2024
