Robert Cushman Murphy

Robert Cushman Murphy
Robert Cushman Murphy in 1910
Nascimento29 de abril de 1887
Brooklyn
Morte20 de março de 1973 (85 anos)
Stony Brook
ResidênciaNova Iorque
CidadaniaEstados Unidos
Alma mater
Ocupaçãobiólogo, ornitólogo, zoólogo, autor, curador
Distinções
O navio baleeiro Daisy, no qual Murphy viajou pela Antártida.

Robert Cushman Murphy (Brooklyn, 29 de abril de 188720 de março de 1973), ornitólogo e curador Lamont da coleção de aves do American Museum of Natural History, de New York. Ao longo da sua carreira científica, participou em múltiplas expedições oceânicas, afrimando-se como um dos maiores especialistas do seu tempo em aves marinhas, tendo escrito vários livros importantes sobre o tema e publicado cerca de 600 artigos. Descreveu uma espécie de petrel, que hoje é conhecida como petrel de Murphy (Pterodroma ultima). Os topónimos Monte Murphy, na Antártida, e os Picos Murphy, na Geórgia do Sul, receberam o nome em sua homenagem.[1][2]

Biografia

Robert C. Murphy nasceu em Brooklyn, New York, filho de Thomas D. Murphy, funcionário de uma escola secundária, e Augusta Cushman.[3] Logo na infância de Robert, a família mudou-se para uma área rural de Long Island, onde o menino, incentivado pelos pais, se interessou pela vida selvagem local. Gostava de sair com um pescador local para pescar anchovas e identificava pássaros.

Em 1906, quando era estudante na Brown University, conheceu Frank Chapman, curador de aves do Museu Americano de História Natural, que o contratou por um curto período para fazer a revisão das provas da sua obra intuitulada Warblers of North America, uma revisão das toutinegras norte-americanas.[3]

Obteve o seu bacharelato em Ciências Naturais na Brown University em 1911. Enquanto estudante, havia conhecido Frederic Augustus Lucas, então curador dos museus do Instituto de Artes e Ciências de Brooklyn. Lucas nomeou Murphy curador de aves e mamíferos do Instituto em 1911 e providenciou para que Robert embarcasse, em 1912, como naturalista num navio baleeiro de New Bedford, o brigue Daisy, para uma viagem ao subantártico. Casou então nesse ano com Grace Emeline Barstow, que também conhecera quando era estudante na Brown University. Grace convenceu Robert a aceitar um cargo como naturalista a bordo do Daisy e logo após o casamento, o casal navegou para as Caraíbas e, em seguida, de onde Robert partiu para o mar por mais de um ano.[4] Foi durante esse período que escreveu as notas que foram incluídas no seu livro de 1947, Logbook for Grace: Whaling Brig Daisy, 1912-1913 (Diário de bordo para Grace: brigue baleeiro Daisy, 1912-1913), obra que dá uma visão da vida a bordo do último dos clássicos brigues baleeiros em atividade.[5]

A viagem de caça à baleia deu a Robert Murphy a oportunidade de observar e coletar aves oceânicas e de ganhar um um interesse especial por aves marinhas. Durante uma estadia de quase quatro meses para observação de elefantes-marinhos na ilha Geórgia do Sul, obteve espécimes de pinguins e de outras aves, mamíferos marinhos e plantas, que seriam depositados no Museu Americano de História Natural, em New York.[4]

Após o regresso de Robert da região antártica, a família viveu por um período em Brooklyn, onde o casal teve três filhos. Mudaram-se para o condado de Westchester em 1921. Passando a realizar regularmente viagens de exploração ornitológica e de recolha de espécimes para as coleções do Museu Americano de História Natural, explorou as aves marinhas nas ilhas ao largo das costas do Peru e publicou sobre elas a obra Bird Islands of Peru (1925). Participou na Expedição Brewster-Sanford, sob o comando de Rollo H. Beck. Em 1936, escreveu os dois volumes da obra Oceanic Birds of South America (Aves oceânicas da América do Sul), considerado um clássico. Também ajudou a planear a Expedição Whitney aos Mares do Sul. Em 1969, a família mudou-se para Stony Brook.[6] Em 1951, Murphy liderou a expedição que redescobriu a petrel das Bermudas (Pterodroma cahow), ou cahow, uma ave que se acreditava extinta há 330 anos.

Murphy acompanhou Arthur Vernay à ilha de Inagua, em 1956, para observar a colónia de flamingos local, durante a qual se juntou a eles Ian Fleming, a quem Murphy causaria uma forte impressão.

Ao longo da sua carreira publicou mais de 600 artigos científicos, além de várias monografias.[7][4] Publicou em periódicos científicos e revistas populares, incluindo Natural History, National Geographic e Scientific Monthly.

Em 1936, Murphy recebeu a Medalha Daniel Giraud Elliot, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, e, em 1937, a Medalha Brewster, da American Ornithologists' Union (AOU),[8] para além de outras honrarias científicas.[9]

A Universidade Brown conferiu-lhe um doutoramento honorário em ciências em 1941. Foi eleito membro correspondente da União Real Australiana de Ornitólogos em 1939 e da Sociedade Filosófica Americana em 1946.[10] Também recebeu prémios do Explorers Club, da John Burroughs Association e da Geographic Society. Foi presidente da American Ornithologists' Union de 1948 a 1950.[4]

Após Murphyse ter aposentado para Old Field, Nova Iorque, em 1957, juntamente com outros cidadãos de Long Island, incluindo Archibald Roosevelt, intentou uma ação judicial sem sucesso para impedir a pulverização de DDT.[11]

Antes de falecer, o Distrito Escolar Central de Three Village batizou a Robert Cushman Murphy Junior High School em sua homenagem.

Murphy era um ávido diarista, chegando a guardar cópias de todos os cheques que emitia para ajudar em futuras pesquisas. As meias de nylon acabavam de ser lançadas e ele até mantinha anotações sobre o número de vezes que usava cada par.[4] A maioria dos seus documentos pessoais está arquivada na American Philosophical Society (Sociedade Filosófica Americana), em Filadélfia. Alguns dos seus documentos pessoais estão localizados na State University of New York at Stony Brook (Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook). Em 1947, publicou um relato da sua viagem baleeira de 1912, com o título de Logbook for Grace, derivado de seu diário original e de cartas para a esposa.

A espécie Trachurus murphyi, a cavala-chilena, recebeu esse nome em homenagem a Murphy, que coletou o espécime tipo no Peru.[12]

Referências

  1. Eleanor Mathews, Ambassador to the Penguins: A Naturalist's Year Aboard a Yankee Whaleship, Boston: David R. Godine, 2003 ISBN 1-56792-246-5.
  2. Eleanor Mathews, Ambassador to the Penguins: A Naturalist's Year Aboard a Yankee Whaleship, Boston: David R. Godine, 2003 ISBN 1-56792-246-5.
  3. a b «Robert Cushman Murphy Collection | Special Collections and University Archives». www.stonybrook.edu (em inglês). Consultado em 20 de setembro de 2025 
  4. a b c d e Amadon, Dean (1974). «In Memoriam: Robert Cushman Murphy. April 29, 1887 - March 20, 1973» (PDF). The Auk. 91 (1): 1–9. JSTOR 4084656. doi:10.2307/4084656 
  5. Gilmore, Richard C. (Agosto 1949). «Review: Log of Grace by Robert Cushman Murphy». Journal of Mammalogy. 30 (3): 319–321. JSTOR 1375325. doi:10.2307/1375325 
  6. Oceanic Birds of South America por Robert Cushman Murphy, ilustrado a partir de pinturas por Francis L. Jaques, Biodiversity Heritage Library.
  7. «Review: Oceanic Birds of South America by Robert Cushman Murphy». Geographical Review. 26 (3): 489–495. Julho 1936. JSTOR 209053 
  8. «Daniel Giraud Elliot Medal». National Academy of Sciences. Consultado em 16 fevereiro 2011 
  9. «Papers of naturalist Robert Cushman Murphy | Stony Brook University Libraries». library.stonybrook.edu. Consultado em 20 de setembro de 2025 
  10. «APS Member History». search.amphilsoc.org. Consultado em 20 de março de 2023 
  11. Clement, Roland C. (1964). «The Report on Pesticide Use». Nat. Resources J. 4: 247–251 
  12. Christopher Scharpf; Kenneth J. Lazara (10 agosto 2019). «Order CARANGIFORMES (Jacks)». The ETYFish Project Fish Name Etymology Database. Christopher Scharpf and Kenneth J. Lazara. Consultado em 7 dezembro 2019 

Ligações externas