Rio Koyukuk

Rio Koyukuk
Ooghekuhno'/Kuuyukaq
Rio Koyukuk
O rio atravessando a Reserva Nacional de Vida Selvagem Kanuti.
Comprimento 684 km
Nascente Confluência dos rios North Fork e Middle Fork
Altitude da nascente 218 m
Caudal médio 403 m³/s (Hughes)
Caudal máximo 9 340 m³/s (Hughes)
Caudal mínimo 7,9 m³/s (Hughes)
Foz Rio Yukon
Altitude da foz 35 m
Bacia hidrográfica Bacia do rio Yukon
Área da bacia 82 800 km²
País(es)  Estados Unidos
Área censitária Yukon-Koyukuk
Cidade Evansville
Bettles
Allakaket
Hughes
Huslia
Coordenadas 🌍

O rio Koyukuk (Ooghekuhno' em língua koyukon, Kuuyukaq ou Tagraġvik em língua inupiaque) é um afluente do rio Yukon, com aproximadamente 684 km de extensão, localizado no estado do Alasca, Estados Unidos.[1] É o último grande afluente a desaguar no Yukon antes de este alcançar o mar de Bering.[2]

O rio tem origem na confluência dos ramos norte e central, e segue predominantemente para sudoeste até encontrar o Yukon na localidade de Koyukuk.[3] Suas nascentes estão localizadas acima do Círculo Polar Ártico, na Cordilheira Endicott, parte da Brooks Range. A bacia do rio drena uma extensa área ao norte do Yukon, incluindo partes do Parque Nacional e Reserva Gates of the Arctic, da Reserva Nacional de Vida Selvagem Kanuti e da Reserva Nacional de Vida Selvagem Koyukuk.[3]

Ao longo de seu curso principal situam-se as comunidades de Evansville, Bettles, Alatna, Allakaket, Hughes e Huslia, antes de o rio atingir Koyukuk.[3] Entre seus afluentes mais importantes estão os braços sul, central e norte do próprio Koyukuk, além dos rios Alatna e John.[4] Outros afluentes relevantes situados a jusante incluem os rios Kanuti, Batzu, Hogatza, Huslia, Dulbi, Kateel e Gisasa.[4] Dentre esses, os rios Alatna, John e North Fork são classificados como Sistema Nacional de Rios Selvagens e Cênicos dos Estados Unidos, assim como o rio Tinayguk, afluente do North Fork.[5]

Etimologia

O nome Koyukuk deriva da expressão na língua iúpique central kuik-yuk, que significa "um rio". O termo foi atribuído ao rio pelo explorador russo Petr Vasilii Malakhov, que desconhecia o nome original na língua Koyukon, Ooghekuhno.[6] A forma kuik corresponde à palavra "rio", enquanto -yuk funciona como um sufixo que indica semelhança ("coisa/como").[7]

Antes da padronização do topônimo atual pelo Conselho de Nomes Geográficos dos Estados Unidos, a Western Union Telegraph Expedition utilizava a grafia Coyukuk.[1] O linguista William Bright também registra a origem do nome em seu estudo sobre topônimos nativos nos Estados Unidos.[8]

História

O explorador russo Petr Vasilii Malakhov alcançou o rio Koyukuk em sua confluência com o rio Yukon em 1838.[9] Após a Guerra Civil Americana, os Estados Unidos adquiriram o território do Alasca, mas foi apenas em 1885 que representantes do Exército dos Estados Unidos, o tenente Henry Tureman Allen e o soldado Fred Fickett, subiram e exploraram o rio.

Em 1893, a descoberta de ouro por Johnnie Folger na região de The Tramway Bar, no braço central do rio, desencadeou uma corrida do ouro em 1898. Em consequência, diversos postos comerciais e acampamentos de mineração, como Bettles, foram rapidamente estabelecidos no curso superior do rio.[10]

Em 1929, o ambientalista Robert "Bob" Marshall explorou o braço norte do rio Koyukuk e identificou a região que ele denominou como Gates of the Arctic.[11]

Em 1980, o Congresso dos Estados Unidos designou um trecho de aproximadamente 164 km do braço norte do Koyukuk, na Brooks Range, como parte do Sistema Nacional de Rios Selvagens e Cênicos dos Estados Unidos, sob o título de Koyukuk Wild and Scenic River, conferindo-lhe proteção ambiental.

Em 1994, o rio transbordou e causou uma enchente que devastou três vilarejos, forçando a realocação total de suas populações.

Flora e fauna

Zane Hills e Rio Koyukuk.

A vegetação ao longo do rio Koyukuk é esparsa nos trechos superiores, composta principalmente por plantas de tundra, como salgueiros-anões, arbustos diversos, gramíneas do gênero Carex, e liquens. Em altitudes mais baixas, mais a jusante, predominam espécies típicas da taiga e da floresta boreal, com exceção das Planícies de Koyukuk próximas à foz, onde o solo mal drenado, ou muskeg, favorece o crescimento de ciperáceas e outras plantas herbáceas. Em áreas mais bem drenadas, são comuns árvores como amieiros-das-montanhas, álamos trêmulos, pinheiros-brancos e pinheiros-negros.[2]

Espécies de peixes encontradas no trecho inferior do rio incluem a lampreia-do-ártico e o salmão-vermelho. Este, assim como outras espécies de salmão — incluindo o salmão-rei e o salmão-cão — também é comum nas partes superiores do rio e em seus afluentes.[2]

Renas (caribus) migram pelas porções superiores da bacia do rio Koyukuk.[2] Outros vertebrados significativos da região incluem águias-carecas, ursos-pardos e ursos-negros, visons, castores, martas e lontras.[2] Ocasionalmente, baleias-beluga são avistadas no trecho inferior do rio.[2]

Populações de alces, especialmente em áreas ribeirinhas a jusante de Hughes, atraem caçadores locais e de outras regiões, além de predadores como ursos e lobos. Um consórcio de caçadores e autoridades estaduais de vida selvagem trabalha para manter os rebanhos em níveis sustentáveis.[12]

Até 2005, não havia estudos publicados sobre os invertebrados do rio Koyukuk ou de seus principais afluentes. Informações gerais derivadas de estudos ambientais ligados à construção de dutos na bacia sugerem a presença de diversas espécies de moscas, quironomídeos, mosca-preta, efemerópteros, plecópteros e tricópteros.[2]

Referências

  1. a b Orth, Donald J.; United States Geological Survey (1971). Dictionary of Alaska Place Names: Geological Survey Professional Paper 567 (PDF). [S.l.]: United States Government Printing Office. p. 544. Consultado em 3 de outubro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 17 de outubro de 2013 
  2. a b c d e f g Benke, Arthur C.; Robert C. Bailey (2005). «Capítulo 17: Yukon River Basin». Rivers of North America. Burlington, Massachusetts: Elsevier Academic Press. ISBN 0-12-088253-1. OCLC 59003378 
  3. a b c Alaska Atlas & Gazetteer 7ª ed. Yarmouth, Maine: DeLorme. 2010. pp. 134, 136. ISBN 978-0-89933-289-5 
  4. a b Benke e Cushing, pp. 789–790.
  5. Benke e Cushing, p. 791.
  6. Zagoskin, Lavrenty A.; Henry N. Michael (ed.) (1967). Lieutenant Zagoskin's Travels in Russian America, 1842–1844: The First Ethnographic and Geographic Investigations in the Yukon and Kuskokwim Valleys of Alaska. Toronto: University of Toronto Press. p. 146 
  7. Jacobson, Steven A. (1984). Yup'ik Eskimo Dictionary. Fairbanks: Alaska Native Language Center. pp. 210, 598. ISBN 978-0-933769-21-2 
  8. Bright, William (2004). Native American Placenames of the United States. Norman: University of Oklahoma Press. p. 238. ISBN 0-8061-3576-X 
  9. Hayes, Derek (2004). America Discovered: A Historical Atlas of North American Exploration. Vancouver: Douglas & McIntyre 
  10. Marshall, Robert (1933). Arctic Village. Nova Iorque: The Literary Guild. p. 30 
  11. Marshall, Robert (1956). George Marshall, ed. Arctic Wilderness. Berkeley: University of California Press. pp. 4, 6, 12 
  12. «Koyukuk River Moose Management Plan: 2000–2005» (PDF). Alaska Department of Fish and Game. Março de 2001. pp. 6–11. Consultado em 5 de outubro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 1 de julho de 2013