Rima real
Rima real (rhyme royal) - estrofe de sete versos, sendo todos decassílabos heroicos[1] com rima ABABBCC[2]. Foi introduzida por Geoffrey Chaucer, considerado um dos grandes poetas da língua inglesa, no século XIV[3]. O esquema de rimas ABABBCC tem sido utilizado por muitos poetas nos séculos XV e XVI (por exemplo, John Lydgate, Robert Henrysson, Thomas Wyatt, Thomas Sackville, Stephen Hawes, Edmund Spenser).
Alguns críticos atribuem o nome ao francês chant royal. O poeta e músico francês Guillaume de Machaut (c. 1300–1377), pode tê-lo inventado ou derivado de poetas franceses e provençais anteriores.[3]
Um exemplo notável foi também William Shakespeare, que usou a estrofe em seu poema The Rape of Lucrece, como segue um exemplo no original:
- From the besieged Ardea all in post,
- Borne by the trustless wings of false desire,
- Lust-breathed Tarquin leaves the Roman host,
- And to Collatium bears the lightless fire
- Which, in pale embers hid, lurks to aspire
- And girdle with embracing flames the waist
- Of Collatine's fair love, Lucrece the chaste.
- (William Shakespeare, The Rape of Lucrece)
No século XIX, William Morris usou a estrofe num poema longo, The Earthly Paradise[3]. Nos Estados Unidos, a rima real foi utilizada por Emma Lazarus. Na literatura inglesa, a rima real desempenha o mesmo papel da oitava camoniana (ABABABCC) nas literaturas italiana, portuguesa e espanhola.[carece de fontes] Esquema de rimas ABABBCC foi utilizada em português por Francisco de Sá de Miranda e Gil Vicente. Um exemplo de seu uso é o poema por Gil Vicente:
- Adorae montanhas
- O Deos das alturas,
- Tambem as verduras,
- Adorae desertos
- E serras floridas
- O Deos dos secretos,
- O Senhor das vidas;
- Ribeiras crescidas
- Louvae nas alturas
- Deos das creaturas.
- Louvae arvoredos
- De fruto presado,
- Digam os penedos:
- Deos seja louvado,
- E louve meu gado
- Nestas verduras
- Deos das alturas.
- (Gil Vicente, Villancete)
Referências
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ James Wilson Bright, Raymond Durbin Miller, The Elements of English Versification, Boston 1910, 113; Joseph Berg Esenwein, Mary Eleanor Roberts, The art of versification, Springfield [1913], 111-112.
- ↑ a b «Rima Real». Consultado em 28 de julho de 2025