Ricardo Fontes Mendes
| Ricardo Fontes Mendes | |
|---|---|
![]() | |
| Nome completo | Ricardo Fontes Mendes |
| Outros nomes | Ricardo Mendes ou Ricardo F. Mendes |
| Nascimento | 29 de março de 1968 (57 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Cidadania | Brasileiro |
| Etnia | Negro |
| Ocupação | Jornalista |
Ricardo Fontes Mendes (Salvador, 29 de março de 1968) é um escritor e jornalista investigativo, fotógrafo e músico; primeiro editor-chefe negro na história do jornal A Tarde, o mais antigo diário ainda em circulação na Bahia. Duas vezes vencedor do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (2002[1] e 2006[2]), foi também repórter do Jornal Nacional, da Globo, trabalhando para a Rede Bahia, onde ocupou o cargo de editor-chefe do Núcleo Nacional (TV Bahia, em Salvador; TV Oeste, em Barreiras; TV Santa Cruz, em Itabuna; TV São Francisco, em Juazeiro; a TV Subaé, em Feira de Santana; e a TV Sudoeste, em Vitória da Conquista), em Salvador. Trabalhou ainda como repórter e editor assistente na Folha de S.Paulo, em Ribeirão Preto (SP). Foi consultor internacional do Programa Para Fortalecimento da Mídia em Moçambique, implementado pela ONG norte-americana IREX, financiado pelo Governo dos Estados Unidos da América, através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional, a USAID. Sua trajetória inclui países da América Latina, Europa, Ásia e África, tendo publicado obras acadêmicas e ficcionais.
Biografia
Filho de Eduardo Francisco Mendes, engenheiro mecânico formado pelo ITA, coronel da Força Aérea Brasileira, e de Marlene Fontes Mendes, formada pela antiga Escola Técnica Federal da Bahia, viveu a infância e adolescência no Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP), no Centro Técnico Aeroespacial (CTA). Depois, morou em Campinas e diversas outras cidades do interior paulista, antes de voltar para Salvador, na década de 90, e seguir para países como França, Inglaterra, China, Japão, Perú, Argentina, Uruguai, Moçambique, África do Sul, Quênia, Ruanda, Etiópia.
Carreira
Formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP (PUC Campinas), onde participou ativamente do movimento estudantil, fazendo parte da diretoria do Diretório Acadêmico da Escola de Linguagem e Comunicação (DALC). Em 1988, como protesto ao aumento do valor das mensalidades, Mendes foi um dos responsáveis pelo "sequestro" dos carnês de pagamentos usados pelos estudantes. Eles foram retirados da secretaria do curso de comunicação, o que quase o levou a expulsão. A devolução, no entanto, foi negociada com a reitoria.
Jornalismo
Ainda durante a universidade, Mendes foi repórter de rádio em Sumaré (SP); colaborador do Museu da Imagem e do Som de Campinas/SP, onde escrevia críticas sobre os filmes que eram exibidos na programação do MIS. Em 1987, começou a trabalhar como revisor e repórter no jornal Diário do Povo, vendido para o Correio Popular mais tarde. Trabalhou ainda para Gazeta Guaçuanana, na cidade de Mogi Guaçu. No fim da década de 1980, criou junto com alunos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o primeiro selo editorial brasileiro a lançar livros digitais no país, o Booket. O negócio não deu certo.
Depois de formado, exerceu a profissão de jornalista nas cidades paulistas de Ribeirão Preto, São Carlos, Rio Claro, Araraquara, São Paulo. Trabalhou em empresas como o Correio Popular, Folha de S. Paulo e na Editora Abril, onde foi repórter da Revista Exame. Também esteve no grupo EPTV como produtor e repórter local. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi responsável por implementar a Revista do Vestibular, durante o período em que foi jornalista da Coordenadoria de Comunicação Social.
Em 1996, mudou-se para a Bahia. Trabalhou para os telejornais locais da TV Bahia e ainda na reportagem do Jornal Nacional. A partir de 1999, fez reportagens especiais para o programa Rede Bahia Revista, exibida aos domingos. Também esteve no cargo de editor-chefe do Núcleo Nacional da Rede Bahia, coordenando os repórteres e a produção de jornalismo naquele Estado.
Em 2005, Mendes criou uma empresa de consultoria - a Farol, que foi responsável pela consultoria que resultou na criação da revista semanal MUITO e do Jornal Massa!, dando suporte à transição das mídias tradicionais para a chamada convergência e integração de redações, desenvolvendo modelos de negócios impulsionado pelas novas tecnologias. Ele tinha foco no gerenciamento de projetos e em novos mercados e produtos. Foi durante a sua gestão como Editor Executivo do Grupo A Tarde que foi implementado o uso de QRCode.
A proposta era complementar conteúdos impressos com material audiovisual, primeira iniciativa do tipo na América Latina. A implementação foi feita por Ana Carolina Casais, cientista de computação formada pela Universidade Salvador (UNIFACS), gerente técnica do A Tarde On Line. A ideia foi apresentada no congresso da Associação Nacional de Jornais. Neste contexto, Mendes colaborou para a criação da revista semanal Muito, em 2008, e o jornal MASSA!, em 2010, ambos também projetos do Grupo A TARDE, este último concebido junto com o jornalista Paulo Oliveira[3], editor executivo da publicação.
Em 2013, passou a trabalhar para a IREX, uma organização internacional que prestava serviço para o governo dos Estados Unidos através da USAID. O jornalista foi diretor de capacitação da IREX Moçambique, com sede em Maputo, formando e treinando centenas de jornalistas investigativos e colaborando para o fortalecimento da mídia daquele país. Atuou desde a reportagem, passando pela reestruturação das empresas jornalísticas locais até na advocacia em questões de gênero e liberdade de imprensa.
Docência
Após a graduação na PUC Campinas, Ricardo Fontes Mendes fez mestrado em Ciências Sociais na Universidade Federal de São Carlos/SP (UFSCar), cursando disciplinas na Universidade de São Paulo, na Escola de Comunicação e Artes (USP/ECA), com pesquisas financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).[4]
Foi cofundador da Agência Baiana de Notícias, à época parte da Faculdade Social da Bahia[5], hoje Centro Universitário Social da Bahia (UNISBA), e membro do Conselho de Administração da instituição. Colaborou na implantação dos cursos de comunicação da Unijorge (Centro Universitário Jorge Amado) e do Centro Universitário da Bahia (FIB), atual Universidade Estácio de Sá. Foi docente de cadeiras como Ética do Jornalismo, História do Jornalismo, Jornalismo Televisivo, Jornalismo Comparado nestas instituições. Também deu aulas na Unifacs, no curso de Publicidade e Propaganda.
Como docente de cursos de graduação e de pós-graduação no Brasil e no exterior, contribuiu para a formação de centenas de jornalistas profissionais[6], nacionais e africanos. Exerceu a docência também na Universidade Eduardo Mondlane, a maior e mais antiga de Moçambique, na África Austral.
Obras
O jornalista é autor de diversas obras acadêmicas[7] e literárias, entre elas A Profissionalização do Jornalismo no Brasil[8], Guia do Direito à Informação Para Jornalistas e Ferramentas Digitais para Jornalistas 2.0, uma tradução do espanhol para o português da obra de Sandra Crucianelli. O livro foi editado pela USAID, IREX e Knight Center for Jounalism in the Americas.
Na ficção, escreveu A morte de Zuleica Martan[9] (Prêmio de Literatura Ignácio de Loyola Brandão), O Território Livre de Duquesa, Salvator Mundi, Caminho para Varanasi, Para Onde os Gatos Vão Quando Dormem e Mangue. Foi revisor dos originais e da tradução do livro O Comprovante da Falta - Lições de Introdução à Psicanálise, de Oscar Masotta, Editora Papirus.
Música
Mendes é autor de várias canções, entre elas Trem Caipira, que teve arranjo para coral feito por Cláudia Arcos, cantora lírica do Teatro Municipal de São Paulo, e pelo músico, instrumentista e docente José Eduardo Gramani, da Unicamp (Universidade de Campinas). Além de compositor, ele é também é cantor, violonista e pianista. Participou da Cia Minaz de Ópera interpretando Carmina Burana, do alemão Carl Off, junto com outros 200 artistas e solistas, no Theatro Pedro II, de Ribeirão Preto (SP).
Prêmios
Recebeu o Prêmio Coelba de Jornalismo de 1998/99 e o Prêmio Banco do Brasil 2001. Produziu, junto com as jornalistas Suzana Varjão e Rosana Zucolo, o caderno Nos jardins da infâmia (publicado pelo jornal A Tarde), que foi premiado em 2002 na 1ª edição do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (categoria Jornal)[10]. Foi finalista dos Prêmios Ibero-Americanos de Comunicação da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2004. Em 2006, foi novamente premiado no Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo com a série de reportagens O Silêncio Contra os Inocentes, que acabou gerando uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional, para investigar a exploração sexual de crianças e adolescentes no país.
Desenvolveu trabalhos com o apoio do UNICEF, da Organização Internacional do Trabalho, World Childhood Foundation, tendo recebido prêmios importantes[11]. É Jornalista Amigo da Criança pela ANDI,, desde 2007, reconhecimento concedido com o apoio da, então, Secretaria de Diretos Humanos da Presidência da República do Brasil, Unicef e World Child Foundation (Suécia), pelo conjunto de sua obra em defesa dos direitos da infância e juventude. Coordenou equipes que foram finalistas do Prêmio Esso de Jornalismo 2009 e vencedoras do Society for News Design nos anos de 2009, 2010 e 2012.
Referências
- ↑ «Concurso Tim Lopes: 1ª Edição (2002)». ANDI. 2002. Consultado em 19 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 26 de setembro de 2023
- ↑ «Concurso Tim Lopes: 3ª Edição (2006)». ANDI. 2006. Consultado em 19 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2023
- ↑ O jornal Massa! é o primeiro diário popular da história de Salvador, uma das maiores regiões metropolitana do Brasil. Foi lançado em outubro de 2010. Leia mais nesta reportagem , na monografia de Marilúcia da Silva Ribeiro Leal pela Universidade Federal da Bahia e na matéria de Cleidiana Ramos em que apresenta o produto.
- ↑ FAPESP. «Ricardo Fontes Mendes - Biblioteca Virtual da FAPESP». bv.fapesp.br. Consultado em 12 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de julho de 2021
- ↑ Leia reportagem sobre a ABAN em http://www.comunique-se.com.br/Conteudo/NewsShow.asp?idnot=11706&Editoria=8&Op2=1&Op3=0&pid=1&fnt=fntnl[ligação inativa]
- ↑ Leia entrevista com Ricardo Mendes na Agência Central Sul de Notícias, na Unifra (RS): https://centralsul.org/2006/1a-2a-e-3o-geracao-das-redacoes-de-jornalismo/
- ↑ Ricardo Fontes Mendes é citado em diversos textos acadêmicos, como a dissertação de mestrado de Juliana Galindo Romão defendida na Universidade de Brasília, no programa de Pós-graduação de Comunicação Social. O download do trabalho de Juliana apresentado na Universidade de São Paulo - CONSELHO FEDERAL DE JORNALISMO: Interesses, pressão e desequilíbrio na cobertura jornalística - pode ser feito em http://repositorio2.unb.br/handle/10482/1310 . Veja ainda a dissertação de mestrado de Regina de Abreu Pimentel, da USP - CONCEITOS PARA A EXCELÊNCIA DE PERIÓDICOS EMPRESARIAIS - em https://www.producao.usp.br/item/001356705
- ↑ Citado na dissertação de mestrado de Juliana Galindo Romão: CONSELHO FEDERAL DE JORNALISMO - Interesses, pressão e desequilíbrio na cobertura jornalística, 2008, pela Universidade de Brasília (UNB).
- ↑ Editora Edufscar, São Carlos/SP, 1993. Contos premiados - VI Concurso Nacional de Contos Prêmio Ignácio de Loyola Brandão Autor: Vários autores ISBN: 85-85173-48-3
- ↑ «Primeira Edição - 5º Concurso Tim Lopes». Consultado em 3 de agosto de 2011. Arquivado do original em 19 de agosto de 2011
- ↑ Veja lista dos ganhadores do prêmio Coelba em http://www.coelba.com.br/aplicacoes/menu_secundario/sala_imprensa/trofeu.asp?c=141#99f Arquivado em 25 de setembro de 2011, no Wayback Machine.. Ricardo Mendes foi finalista dos Prêmios Iberoamericanos de Comunicação. Leia reportagem no portal Comunique-se, em http://www.comunique-se.com.br/Conteudo/NewsShow.asp?idnot=12877&Editoria=8&Op2=1&Op3=0&pid=1318561344&fnt=fntnl[ligação inativa]
