Ricardo Boechat
| Ricardo Boechat | |
|---|---|
![]() Boechat em 2010 | |
| Nome completo | Ricardo Eugênio Boechat |
| Nascimento | 13 de julho de 1952 |
| Morte | 11 de fevereiro de 2019 (66 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Cônjuge | Veruska Seibel |
| Ocupação | jornalista âncora locutor de rádio |
Ricardo Eugênio Boechat (Buenos Aires, 13 de julho de 1952 – São Paulo, 11 de fevereiro de 2019) foi um jornalista, âncora e locutor de rádio brasileiro. Já esteve presente nos principais jornais do país, como O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Seu último trabalho na comunicação foi no Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde estava desde 2004,[1] quando começou como âncora do noticiário matinal BandNews FM em 2005 — inicialmente no bloco local da filial carioca, passando no ano seguinte para a apresentação da faixa matinal da rede, quando também passou a ancorar o Jornal da Band na Rede Bandeirantes. Também assinava uma coluna semanal na revista IstoÉ.[2]
Venceu por três vezes o prêmio Esso, além de ter recebido por várias vezes o Prêmio Comunique-se, tendo sido o maior vencedor da história do prêmio, e o único a vencer em três categorias diferentes: âncora de rádio, colunista de notícia e âncora de TV.[3] Em 2014 e 2015, foi eleito o jornalista mais admirado do Brasil em pesquisa do portal Jornalistas & Cia, dividindo o posto com a jornalista Miriam Leitão.[4]
Biografia
Filho de um diplomata brasileiro de ascendência colonial suíça[5] e da argentina Mercedes Carrascal,[6] nasceu na capital argentina enquanto o pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores. Passou parte da infância viajando devido à carreira diplomática do pai, residindo em diversos países antes de se fixar no Brasil. Boechat era pai de seis filhos, três com Claudia Boechat, uma com a produtora cultural Ana Reis e dois do casamento com a jornalista Veruska Seibel.[7][8][9]
Carreira

Iniciou sua carreira na década de 1970 como repórter do extinto jornal Diário de Notícias, começando a trabalhar assim que deixou a escola, na virada de 1969 para 1970.[10] Com apenas 17 anos, começou como office-boy na redação, mas rapidamente demonstrou talento para o jornalismo e foi promovido a repórter. Também nessa época, iniciou sua carreira como colunista, colaborando com a equipe de Ibrahim Sued, um dos colunistas sociais mais influentes do Rio de Janeiro na época.
Durante a década de 1970, Boechat consolidou-se como repórter investigativo, cobrindo diversos acontecimentos políticos importantes do período da ditadura militar no Brasil. Nos anos 1980, trabalhou na sucursal carioca do jornal O Estado de S. Paulo, onde aprofundou sua experiência em jornalismo político. Em 1983, foi contratado pelo jornal O Globo, onde criou a coluna Swann, que posteriormente passou a se chamar Boechat.[11] A coluna tornou-se uma das mais lidas do jornal, conhecida por revelar bastidores da política brasileira e denúncias de corrupção.
Em 1987, ocupou por seis meses a Secretaria de Comunicação Social no governo Moreira Franco (1987-1991) no estado do Rio de Janeiro. A experiência no cargo público, embora breve, lhe proporcionou uma visão privilegiada dos mecanismos de poder e da relação entre governo e imprensa. Após o período, voltou para O Globo, onde permaneceu até 2001, consolidando-se como um dos jornalistas mais influentes do país.
Na década de 1990, Boechat expandiu sua atuação para a televisão, passando a ter uma coluna diária no Bom Dia Brasil, principal telejornal matinal da TV Globo. Também trabalhou no Jornal da Globo, telejornal noturno da emissora. Paralelamente, foi colunista no SBT e manteve sua coluna no jornal O Dia. Além da atuação na imprensa, foi professor de jornalismo na Faculdade da Cidade no Rio de Janeiro, onde lecionou disciplinas relacionadas ao jornalismo investigativo e ética jornalística.
Também foi colunista do Jornal do Brasil, onde chegou a ocupar o cargo de diretor de redação durante aproximadamente um ano, período em que implementou mudanças editoriais significativas no jornal.[12] Durante sua carreira em O Globo, Boechat ganhou notoriedade nacional por suas investigações jornalísticas que resultaram em diversos prêmios, incluindo três Prêmios Esso, considerado o mais prestigioso do jornalismo brasileiro.
Período na Band
Em 2001, após seu desligamento da TV Globo em meio ao escândalo envolvendo grampos telefônicos no setor de telefonia, Boechat ficou afastado temporariamente do jornalismo televisivo. Em 2004, foi contratado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, marcando o início de uma nova fase em sua carreira. Estreou como comentarista do Jornal da Noite e logo depois foi nomeado diretor de jornalismo do Grupo Bandeirantes no Rio de Janeiro, posição que lhe dava autonomia editorial e influência sobre a linha jornalística da emissora na capital fluminense.[13]
O grande salto de Boechat na Band ocorreu em 2005, quando ganhou reconhecimento nacional através da rádio BandNews FM. Passou a ancorar o jornalístico matinal da filial do Rio de Janeiro, programa que ia ao ar das 6h às 10h da manhã.[14] Seu estilo direto, opinativo e sem papas na língua rapidamente conquistou os ouvintes, transformando a BandNews FM em uma referência no radiojornalismo brasileiro.
No ano seguinte, em 2006, devido ao sucesso no rádio, Boechat mudou-se para São Paulo para assumir a âncora do principal jornalístico das manhãs da rede nacional da BandNews FM, substituindo Carlos Nascimento que havia deixado a emissora. A mudança marcou uma expansão nacional de sua influência no rádio. Consequentemente, foi também alçado à posição de âncora titular do Jornal da Band, o principal telejornal da Rede Bandeirantes, ao lado de Paloma Tocci.[15] Apresentou o telejornal por 13 anos ininterruptos, até sua morte em 2019, tornando-se o rosto mais reconhecido do jornalismo da emissora.
Boechat logo se tornou uma das principais figuras da rádio e da TV brasileiras, conhecido por seu estilo direto, crítico e por vezes ácido ao comentar os fatos políticos e sociais do país. Não poupava críticas a políticos de todos os espectros ideológicos, o que lhe rendeu tanto admiradores quanto detratores.[16] Seu programa na BandNews FM tornou-se um dos mais ouvidos do país, com milhões de ouvintes acompanhando diariamente suas análises sobre os principais acontecimentos nacionais e internacionais.
Mesmo com a mudança para São Paulo, o jornalista continuou apresentando o jornalístico local do Rio de Janeiro diretamente dos estúdios na capital paulista, demonstrando seu comprometimento com a audiência carioca que o acompanhava desde o início de sua trajetória na Band.[17] Durante seus anos na Band, Boechat também manteve atividades paralelas, como palestras, participações em eventos corporativos e sua coluna semanal na revista IstoÉ, onde assinava artigos de opinião sobre temas políticos e sociais.
Sua rotina era intensa: acordava por volta das 4h da manhã para apresentar o programa de rádio das 6h às 10h, participava de reuniões de pauta, gravava comentários para o Jornal da Band que ia ao ar à noite, e ainda encontrava tempo para escrever sua coluna semanal. Essa dedicação ao jornalismo e sua capacidade de trabalho eram frequentemente citadas por colegas e pela direção da Band como características marcantes de sua personalidade profissional.
Livro
Em 2003, Boechat lançou o livro Copacabana Palace: Um Hotel e Sua História, pela editora DBA, com fotografias de Sérgio Pagano. A obra resgata a trajetória do icônico hotel carioca desde sua inauguração em 1923, revelando histórias dos bastidores e personagens que frequentaram o estabelecimento ao longo das décadas.[18] O livro mistura jornalismo investigativo com relatos históricos, apresentando episódios envolvendo personalidades como Carmen Miranda, Orson Welles, Marlene Dietrich, presidentes brasileiros e figuras da alta sociedade que fizeram do Copacabana Palace um símbolo da elegância carioca.
Com cerca de 200 páginas ricamente ilustradas, a obra foi bem recebida pela crítica especializada e pelo público, sendo considerada uma referência sobre a história social do Rio de Janeiro no século XX vista através das lentes de um de seus endereços mais emblemáticos. O livro foi relançado em edição comemorativa dos 85 anos do hotel em 2008, com textos atualizados e novas fotografias, consolidando-se como um dos principais registros históricos sobre o estabelecimento.
Controvérsias
Escândalo no setor de telefonia
Ao participar da cobertura jornalística sobre a guerra pelo controle das companhias telefônicas no Brasil durante o processo de privatização do setor, Boechat se viu envolvido em um dos maiores escândalos do jornalismo brasileiro. Sua participação foi exposta em reportagem publicada na revista Veja em junho de 2001. O colunista foi imediatamente demitido do O Globo e da TV Globo, onde tinha uma coluna no Bom Dia Brasil,[19][20] quando a revista publicou trechos de um grampo telefônico ilegal em que o jornalista revelava ao empresário Paulo Marinho, seu amigo pessoal,[21][22] o conteúdo de matérias que seriam publicadas pelo jornal O Globo sobre a disputa no setor telefônico.
A decisão dos diretores da empresa de demiti-lo foi unânime e imediata. Eles alegaram que o comportamento do jornalista feria gravemente o código de ética da empresa, que proíbe terminantemente que jornalistas revelem antecipadamente o conteúdo editorial a fontes ou interessados, especialmente em matérias de caráter investigativo.[19] Paulo Marinho, o empresário com quem Boechat conversava nas gravações, trabalhava para Nelson Tanure, principal acionista do Jornal do Brasil e aliado da TIM, empresa italiana que disputava o controle acionário da Telemig Celular (Minas Gerais) e Tele Norte Celular (região Norte do Brasil) em confronto direto com o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity.[19]
O escândalo revelou alguns dos métodos ilegais e antiéticos empregados nas guerras corporativas pelo controle das companhias telefônicas recém-privatizadas, incluindo grampos telefônicos ilegais a jornalistas, plantação de notícias favoráveis ou desfavoráveis, pagamentos a colunistas e o envolvimento de grupos econômicos poderosos na manipulação da cobertura jornalística. Flagrado nesses grampos revelando informações privilegiadas, a situação de Boechat ficou insustentável nas Organizações Globo, apesar de sua popularidade e influência.[20]
Nos últimos anos antes da demissão, o jornalista, com sua coluna diária em O Globo sendo a mais lida do jornal, havia se transformado em um dos mais influentes jornalistas do país, com acesso privilegiado a fontes no alto escalão político e empresarial.[23] Essa influência tornava suas colunas particularmente valiosas tanto para quem queria se promover quanto para quem desejava atacar adversários.
Antes desse escândalo, Boechat também havia dado início ao primeiro caso de quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado Federal. Em 2000, revelou em sua coluna falhas graves de segurança no sistema de votação eletrônica do Senado, que permitiam identificar o voto nominal de senadores em votações que deveriam ser secretas. Pouco depois, causou polêmica ao afirmar que a senadora Heloísa Helena teria traído o Partido dos Trabalhadores (PT) em votação secreta que cassou o mandato do senador Luís Estêvão, acusado de corrupção. Boechat deixou claro publicamente que possuía uma cópia da lista de votação, o que gerou indignação no Senado. Mesmo assim, ou justamente por isso, ele não foi convocado a depor no Conselho de Ética do Senado, já que a investigação só poderia inquirir parlamentares, não jornalistas.[24]
Anos depois, em entrevistas, Boechat reconheceu que cometeu um erro grave ao revelar informações jornalísticas antes da publicação, mas sempre ressaltou que jamais recebeu qualquer tipo de pagamento ou favor em troca, tratando-se apenas de uma relação de amizade mal conduzida que comprometeu sua ética profissional. O episódio o afastou da TV Globo permanentemente, mas não encerrou sua carreira, que ganhou novo fôlego anos depois na Band.
Discussão com Silas Malafaia
Em 19 de junho de 2015, Boechat e o pastor Silas Malafaia protagonizaram uma discussão pública de grande repercussão nacional que expôs tensões entre setores da imprensa e lideranças religiosas evangélicas. Tudo começou quando, no dia 17 de junho, o jornalista decidiu comentar em seu programa matinal na rádio BandNews FM sobre uma onda de crimes motivados por intolerância religiosa que vinha ocorrendo no Rio de Janeiro,[25] incluindo casos de agressões a praticantes de religiões de matriz africana e o assassinato de um médium dentro de um centro espírita.[26]
Durante o comentário, Boechat afirmou que alguns pastores e igrejas neopentecostais estavam estimulando, direta ou indiretamente, ações de hostilidade e violência contra outras religiões, especialmente as religiões de origem africana como o Candomblé e a Umbanda. O jornalista foi cuidadoso ao delimitar sua crítica, dizendo que não se tratava de uma generalização contra todos os evangélicos, mas sim de uma denúncia direcionada a lideranças específicas que pregavam a demonização de outras crenças religiosas.
Esse trecho do comentário despertou imediatamente a reação furiosa de Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e uma das principais lideranças evangélicas do país, que através do Twitter passou a atacar o jornalista. Malafaia escreveu uma série de tuítes chamando Boechat de idiota e acusando-o de fazer generalizações preconceituosas contra os evangélicos. Ao ver as mensagens do pastor em tempo real, enquanto ainda estava no ar pela BandNews FM Fluminense, Boechat decidiu responder às acusações de forma direta e contundente, gerando um dos momentos mais polêmicos de sua carreira no rádio.[27]
O jornalista usou palavras de baixo calão e chamou Malafaia de pilantra, explorador da fé alheia, homofóbico e tomador de dinheiro dos fiéis. O embate verbal foi transmitido ao vivo e rapidamente viralizou nas redes sociais, dividindo opiniões entre aqueles que apoiavam a liberdade de expressão do jornalista e aqueles que consideraram o ataque excessivo e desrespeitoso. Logo depois, Boechat reforçou seu argumento inicial, dizendo que sua crítica era fundamentada em dados concretos sobre a intolerância religiosa e citando, como contraponto positivo, o exemplo do pastor João Melo, da Igreja Batista de Vila da Penha, conhecido por seu trabalho social e postura de diálogo inter-religioso.[28]
Silas Malafaia, por sua vez, passou o restante do dia escrevendo mensagens direcionadas a Ricardo Boechat nas redes sociais, além de ter gravado um vídeo de mais de 10 minutos para retrucar ponto por ponto as acusações do jornalista. No vídeo, o pastor acusa Boechat de ter perdido a linha e a imparcialidade jornalística, alegando que o jornalista não havia demonstrado a mesma indignação quando ocorreram ataques verbais contra cristãos durante a Parada Gay de São Paulo. Malafaia também ameaçou formalmente processar o jornalista por calúnia, difamação e injúria, além de desafiar Boechat para um confronto presencial em algum programa de televisão, proposta que não foi aceita pelo jornalista.[28]
O pastor também contestou especificamente a alegação de que a mãe da menina agredida na saída de um terreiro de candomblé, caso que havia motivado o comentário inicial de Boechat, seria frequentadora de sua igreja, o que, segundo Malafaia, provaria que evangélicos também eram vítimas de violência. A polêmica se estendeu por várias semanas, com declarações de ambos os lados e ampla cobertura da mídia nacional. O caso se tornou emblemático dos conflitos entre liberdade de imprensa, liberdade religiosa e os limites do discurso público no Brasil.
Posteriormente, em dezembro de 2016, após cerca de um ano e meio de tramitação judicial, ambos compareceram a uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Na audiência, mediados por um juiz, Boechat e Malafaia fizeram um pedido mútuo de desculpas, reconhecendo que os ataques pessoais haviam ultrapassado os limites do debate civilizado. O pastor retirou o processo e ambos se comprometeram publicamente a manter o respeito mútuo, encerrando oficialmente a controvérsia.[27]
Morte
Boechat morreu no dia 11 de fevereiro de 2019, vítima da queda do helicóptero modelo Bell 206B, prefixo PT-HPG, que o transportava de Campinas para São Paulo, após realizar uma palestra na Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) sobre o cenário político e econômico brasileiro.[29] A aeronave decolou de Campinas por volta das 11h30 e, aproximadamente 15 minutos depois, caiu na rodovia Anhanguera, mais especificamente embaixo do viaduto de interligação com o Rodoanel Mário Covas, no km 10,5, no bairro de Perus, zona norte da Grande São Paulo.[30]
A aeronave perdeu altitude rapidamente e colidiu violentamente com um caminhão que trafegava pela rodovia, explodindo em seguida e incendiando-se. Também morreu no acidente o piloto Ronaldo Quattrucci, de 56 anos, profissional experiente com milhares de horas de voo.[31][32] O motorista do caminhão, João Francisco Tomanckeves, de 52 anos, conseguiu sair do veículo a tempo e teve apenas ferimentos leves, sendo socorrido e liberado após atendimento hospitalar.[30][33][34]
O corpo de Boechat foi velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado na Avenida Europa, nos Jardins, zona oeste de São Paulo, no dia 12 de fevereiro de 2019. O velório foi aberto ao público e atraiu milhares de pessoas, incluindo jornalistas, políticos, artistas, empresários e anônimos que faziam questão de prestar suas últimas homenagens ao comunicador. Entre as personalidades presentes estavam o então presidente da República Jair Bolsonaro, governadores, prefeitos, apresentadores de TV e rádio de diversas emissoras, demonstrando o alcance e a influência que Boechat tinha no cenário nacional.[35] O corpo foi cremado no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, no mesmo dia.[36]
A morte do jornalista causou enorme repercussão nacional e internacional. Diversas personalidades prestaram homenagens públicas através de redes sociais e declarações à imprensa. O presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente era alvo das críticas de Boechat, declarou-se admirador do jornalista e disse que, apesar das divergências, sempre respeitou sua competência e honestidade intelectual. A Rede Bandeirantes e a BandNews FM interromperam sua programação normal para fazer uma cobertura especial sobre a vida e obra do jornalista, exibindo trechos de seus principais trabalhos e depoimentos de colegas emocionados.[37]
Organizações de jornalistas, sindicatos da categoria e entidades de defesa da liberdade de imprensa emitiram notas de pesar ressaltando a importância de Boechat para o jornalismo brasileiro e lamentando a perda de uma voz crítica e independente. Nas redes sociais, as hashtags relacionadas ao jornalista ficaram entre os assuntos mais comentados do país por vários dias. A sede da Band em São Paulo ficou repleta de flores, cartazes e mensagens deixadas por fãs e admiradores.
Trabalhos
| Ano | Título | Papel | Emissora | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1997–2001 | Bom Dia Brasil | Colunista | Rede Globo | |
| 2006–2019 | Jornal da Band | Apresentador | Rede Bandeirantes |
| Ano | Título | Papel | Notas |
|---|---|---|---|
| 2016 | Zootopia - Essa Cidade é o Bicho | Onçardo Boi Chá (dublagem) | Personagem especial criado exclusivamente para a versão brasileira do filme, uma referência direta ao jornalista[38][39] |
| 2020 | Uma Noite de Crime | Apresentador | Série brasileira de ficção exibida em TV aberta, com participação póstuma de Boechat[40] |
Prêmios e indicações
| Ano | Prêmio | Categoria | Trabalho nomeado | Direção | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | Grande Prêmio do Cinema Brasileiro | Série Ficção TV Aberta | Uma Noite de Crime | Marcelo N. Reis | Indicado | [41] |
Prêmios e homenagens
- Prêmio Esso de jornalismo (1989,[42] 1992[43] e 2001[44]) - considerado o prêmio mais prestigioso do jornalismo brasileiro, Boechat foi um dos poucos profissionais a vencê-lo três vezes ao longo da carreira
- Prêmio Comunique-se nas categorias âncora de rádio, colunista e âncora de TV (2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017) - maior vencedor da história do prêmio e único a conquistar nas três categorias diferentes[45]
- Jornalista mais admirado do país, junto com Miriam Leitão (2014 e 2015) - pesquisa realizada pelo portal Jornalistas & Cia em parceria com a MaxPress[46]
- Troféu Imprensa 2016 - Melhor Apresentador de Telejornal - prêmio entregue por Silvio Santos em cerimônia no SBT[47][48]
- Prêmio Contigoǃ Online 2018 - Melhor Âncora - votação popular realizada pela revista Contigo[49]
Homenagens póstumas
Após sua morte, diversas iniciativas foram tomadas para homenagear o jornalista:
- A Câmara Municipal de São Paulo aprovou projeto de lei para dar o nome de Ricardo Boechat a uma rua ou avenida da cidade
- O Prêmio Comunique-se criou uma categoria especial com seu nome para homenagear jornalistas que se destacam pela ética e independência
- A BandNews FM criou o "Prêmio Ricardo Boechat de Jornalismo" para reconhecer jovens talentos do radiojornalismo
- Escolas de jornalismo de diversas universidades brasileiras instituíram palestras anuais em sua memória
- O empresário Paulo Marinho encomendou uma estátua em bronze do jornalista que foi colocada em praça pública no Rio de Janeiro[50]
Referências
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- ↑ «Coluna de Boechat na IstoÉ». ISTOÉ. Consultado em 18 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 27 de abril de 2016
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