Ribeirinhos da Amazônia

Ribeirinhos
Ribeirinha no Acre. Foto: Mâncio Lima-AC (2014)
População total
148.778 famílias identificadas como ribeirinhas no CadÚnico.[1] (2021)
Regiões com população significativa
       Maranhão37,9% das famílias identificadas como ribeirinhas no CadÚnico (2021)[1]
      Pará Pará27,3% das famílias identificadas como ribeirinhas no CadÚnico (2021)[1]
       Amazonas19,9% das famílias identificadas como ribeirinhas no CadÚnico (2021)[1]
Línguas
português
Religiões
Catolicismo romano sincrético
Protestantismo[2]

Embora estejam presentes em outros estados, os povos ribeirinhos da Amazônia representam a maioria desta população tradicional no Brasil.[3] O surgimento da cultura ribeirinha (ou cabocla) advém da aculturação dos povos indígenas em contato com os portugueses (um período que vai de 1500 a 1850), e uma segunda fase marcada pelo extrativismo da borracha (que vai de 1850 a 1970), onde aos dois primeiros elementos somam-se os nordestinos, que emigraram em busca de trabalho nos seringais.[2]

Histórico

Cartaz de propaganda da Batalha da Borracha, anos 1940.

A população ribeirinha amazônica seria caracterizada por sua relação com o ciclo das águas e a natureza circundante, possuindo um extenso patrimônio cultural. Conforme descreve Chaves (2001, p.78):[4]

Tal como a denominamos hoje, esta população surge a partir do século XIX, no Ciclo da Borracha, quando migrantes nordestinos se estabeleceram na Amazônia atraídos por promessas de bons salários trabalhando nos seringais.[5] Com o aumento da concorrência internacional à borracha produzida no Brasil, a partir da década de 1950 os seringueiros viram-se sem a sua principal fonte de renda. Sem políticas públicas que os apoiassem na desmobilização, começaram a se espalhar ao longo dos rios Negro e Amazonas, bem como seus afluentes.[6]

Apenas no século XXI, através do Decreto Presidencial nº 6.040/2007, o governo federal reconheceu a população ribeirinha dentro do conjunto mais amplo das populações tradicionais, ampliando o reconhecimento que já havia sido dado pela Constituição de 1988 aos indígenas e quilombolas.[6]

Organização

Por dispor de amplo conhecimento prático sobre o ambiente amazônico, as comunidades ribeirinhas lançam mão dos recursos florestais para a sua alimentação e sobrevivência. A terra é usada de forma comunitária, e o controle dos recursos básicos é feito coletivamente; a propriedade privada circunscreve-se às casas e quintais de cada família.[2]

Para sua subsistência, estas comunidades lançam mão da pesca (sendo que peixe é a principal fonte de proteína destas populações) e da produção agrícola em pequena escala, geralmente de mandioca, com eventuais excedentes sendo comercializados nas cidades próximas para obter bens industrializados. [2]

Outras atividades econômicas com destaque nestas comunidades incluem a plantação de milho, a produção de farinha de mandioca, a coleta de castanha-do-pará e de açaí.[6] Recentemente, algumas comunidades começaram a se utilizar do turismo de base comunitária como forma de obter renda de forma sustentável.[7]

As comunidades ribeirinhas da Amazônia localizam-se às margens de rios e organizam suas moradias de forma adaptada aos ciclos de cheias e vazantes. Apesar dessa relação harmoniosa com o ambiente, essas populações enfrentam inúmeros desafios decorrentes da infraestrutura precária e das condições geográficas extremas da região. Tais fatores dificultam significativamente a implementação, o acesso e a continuidade dos serviços de saúde, comprometendo a atenção básica e a qualidade de vida local [8].

Referências

  1. a b c d «Diversidade no Cadastro Único: Identificação e perfil socioeconômico de Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos» (PDF). Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. 2023. Consultado em 23 de novembro de 2024 
  2. a b c d Lira, Talita de Melo; Chaves, Maria do Perpétuo Socorro Rodrigues (fevereiro de 2016). «Comunidades ribeirinhas na Amazônia: organização sociocultural e política». Interações. Campo Grande. pp. 66–76. doi:10.20435/1518-70122016107. Consultado em 23 de novembro de 2024 
  3. Koga, Dirce Harue Ueno (2 de fevereiro de 2016). MDS, ed. «Relatório do Projeto 914BRZ3002» (PDF). p. 9. Consultado em 23 de novembro de 2024 
  4. a b CHAVES, Maria P. S. R. (2001). Uma experiência de pesquisa-ação para gestão comunitária de tecnologias apropriadas na Amazônia: o estudo de caso do assentamento de Reforma Agrária Iporá (Tese - Doutorado em Política Científica e Tecnológica). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas 
  5. REDDA+, ed. (2023). «Conheça tudo sobre o povo ribeirinho da Amazônia». Consultado em 23 de novembro de 2024 
  6. a b c Instituto Ecobrasil, ed. (2023). «Comunidades Tradicionais: Ribeirinhos». Consultado em 23 de novembro de 2024 
  7. «"Defensores da Floresta": conheça a relação de ribeirinhos da Amazônia com a natureza». WWF-Brasil. 5 de junho de 2020. Consultado em 23 de novembro de 2024 
  8. Dias, Márcia Jeane Do Rego; Lima, Christiano Adson Barbosa; Valentim, Lívia De Aguiar; Moraes, Waldiney Pires; Fernandes, Franciane De Paula (20 de junho de 2025). «Os desafios enfrentados e as estratégias adotadas na atenção primária à saúde no enfrentamento da covid-19 em comunidades ribeirinhas da amazônia: uma revisão integrativa». Revista Interagir (128): 46–49. ISSN 1809-5771. doi:10.12662/1809-5771ri.128.5196.p46-49.2025. Consultado em 9 de outubro de 2025