Cururuzinho-ocelado

Cururuzinho-ocelado
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Bufonidae
Género: Rhinella
Espécie: R. ocellata
Nome binomial
Rhinella ocellata
Günther, 1858
Sinónimos[2][3][4]
  • Bufo ocellatus (Günther, 1858)
  • Rhinella ocellatus Günther, 1858
  • Chilophryne ocellata (Cope, 1862)

O cururuzinho-ocelado[5] (nome científico: Rhinella ocellata) é uma espécie de anfíbio da família dos bufonídeos (Bufonidae), endêmica do Brasil. Seus habitats naturais são savana úmida, matagal úmido tropical ou subtropical, matagal subtropical ou tropical de alta altitude, rios, rios intermitentes, pântanos de água doce e pântanos intermitentes de água doce. Está ameaçado pela perda de habitat.[1]

Taxonomia

O cururuzinho-ocelado foi descrito pela primeira vez em 1858 por Albert C. L. G. Günther, que o incluiu no gênero Bufo com o descritor específico de ocellatus. Em 1952, foi redescrito por A. T. Leão e D. M. Cochran e reclassificado no gênero Rhinella.[3][5]

Descrição

Na maioria de seus registros, membros dessa espécie atingem, aproximadamente, de cinco[5] a sete centímetros de comprimento quando adultos.[6] Caracterizam-se por suas manchas negras arredondadas, os ocelos, na região dorsal; uma linha vertebral clara de largura variável; e cristas cefálicas pouco desenvolvidas.[5]

Distribuição e habitat

O cururuzinho-ocelado é endêmico do Brasil e foi registrado nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Maranhão, Pará[5][7] e Rondônia, nos biomas do Cerrado e Amazônia. Em termos hidrográficos, está presente nas sub-bacias do Araguaia, do Itapecuru, do Madeira, do Paranaíba, do Médio São Francisco, do Tapajós, do Alto Tocantins e do Xingu. Seus habitats naturais são campos úmidos, veredas, margens de rios, áreas abertas,[4] savana úmida, matagal úmido tropical ou subtropical, matagal subtropical ou tropical de alta altitude, rios, rios intermitentes, pântanos de água doce e pântanos intermitentes de água doce.[1][8]

Ecologia

O cururuzinho-ocelado é ativo durante a estação chuvosa (novembro a janeiro). Precisa de uma área de vida de 160 metros quadrados, bem como indivíduos dessa espécie se deslocam, em geral, 81 metros dentro dessa área. Sua vocalização (que varia de 23 a 51 cantos diferentes) consiste numa longa série de chamados de curta duração (três segundos) com longos intervalos entre as séries de chamados (oito segundos).[5] Machos costumam vocalizar em buracos no barranco de rios rasos, de 10 a 64 metros de distância da margem.[6] Os cantos são pulsionados e cada um deles têm sete pulsos com modulação de amplitude interior seguidos por uma série de pulsos individuais com diminuição da amplitude. O canto possui modulação na frequência 1205 a 1378 Hz, sendo que esta pode variar de 1185 a 1501 Hz.[5] Possui o período de reprodução bastante prolongado, porém seu tempo de desenvolvimento é caracterizadamente curto. Seu cenário de reprodução se faz presente em ambientes terrestres, a cerca de 30 metros das margens dos rios, em solos arenosos cobertos por vegetação que, em sua maioria, são espécies de gramíneas,[6] onde os girinos se desenvolvem.[5] Em ao menos duas localidades com registros da espécie, os habitats reprodutivos foram alagados devido à construção de usinas hidrelétricas.[4]

Risco de extinção

Em 2004, o cururuzinho-ocelado foi classificado como pouco preocupante na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN), embora sua população esteja sob constante ameaça por conta de perda de habitat decorrente de desmatamento para atividades agro-pecuária, construções de barragens e incêndios.[1] Em 2007, a espécie foi classificada (sob o antigo nome científico Bufo ocellatus) como vulnerável na Lista de espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção do Estado do Pará;[9] em 2010, sob a rubrica de dados insuficientes (DD) na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais;[10] e em 2018, como pouco preocupante no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[11][12]

A perda de habitat no norte do Cerrado continua a se intensificar, representando uma potencial ameaça para subpopulações da espécie em médio e longo prazo. No entanto, sua ampla distribuição geográfica e o atual grau das ameaças não indicam risco iminente de extinção. Em sua área de distribuição está presente em algumas áreas de conservação: Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo (Rebio Nascentes da Serra do Cachimbo), a Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio das Preguiças (APA Foz do Rio das Preguiças), a Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (APA Ilha do Bananal/Cantão), a Área de Proteção Ambiental do Jalapão (APA Jalapão), a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto (APA Pouso Alto), a Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu (TI Pequizal do Naruvôtu), a Terra Indígena Tapirapé/Karajá (TI Tapirapé/Karajá) e a Terra Indígena Ubawawe (TI Ubawawe).[4]

Referências

  1. a b c d Bastos, Rogério; Pavan, Dante; Silvano, Débora (2004). «Rhinella ocellata». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2004: e.T54720A11192773. doi:10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T54720A11192773.enAcessível livremente. Consultado em 15 de novembro de 2021 
  2. «Bufo ocellatus Günther, 1858». Global Biodiversity Information Facility (GBIF). Consultado em 26 de abril de 2023. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023 
  3. a b Frost, D. R. (2014). «Rhinella ocellata». Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.0. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. Consultado em 26 de abril de 2023. Cópia arquivada em 4 de abril de 2019 
  4. a b c d Bastos, Rogério Pereira; Martins, Marcio Roberto; Bataus, Yeda Soares de Lucena; Côrtes, Lara Gomes; Guimarães Júnior, Robson Vieira; Rodrigues, Juliana; Brandão, Reuber Albuquerque; Ferrão, Miquéias; Gordo, Marcelo; Hoogmoed, Marinus Steven; Kaefer, Igor Luis; Leite, Felipe Sá Fortes; Maciel, Natan Medeiros; Prado, Vitor Hugo Mendonça do; Santana, Diego José; Silvano, Débora Leite; Souza, Moisés Barbosa de; Toledo, Luís Felipe (2023). «Rhinella ocellata (Günther, 1858)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.21503.2. Consultado em 7 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  5. a b c d e f g h Vaz-Silva, Wilian; Maciel, Natan Medeiros; Nomura, Fausto; Morais, Alessandro; Batista, Vinicius Guerra; Lopes, Danusy; Andrade, Sheila Pereira de; Oliveira, Arthur Ângelo Bispo de; Brandão, Reuber; Bastos, Rogério Pereira (2020). «Lista comentada das espécies: Ordem Anura Fisher von Waldheim, 1813 - Família Bufonidae Gray, 1825». Guia de identificação das espécies de anfíbios (Anura e Gymnophiona) do estado de Goiás e do Distrito Federal, Brasil Central. Col: Zoologia: guias e manuais de identificação series. Curitiba: Sociedade Brasileira de Zoologia. pp. 19–30. ISBN 978-65-87590-01-1 
  6. a b c «Rhinella ocellata». Herpeto. Consultado em 16 de abril de 2023. Cópia arquivada em 16 de abril de 2023 
  7. Matavelli, R.; Campos, A. M.; Silva, G. R.; Andrade, G. V. (2014). «First record of Rhinella ocellata (Günther, 1858) (Bufonidae) for the state of Maranhão, northeastern Brazil». Check List. Journal of Species Lists and Distribution. 10: 432–433 
  8. «Rhinella ocellata». Animalia. Consultado em 16 de abril de 2023. Cópia arquivada em 20 de abril de 2023 
  9. Extinção Zero. Está é a nossa meta (PDF). Belém: Conservação Internacional - Brasil; Museu Paraense Emílio Goeldi; Secretaria do Estado de Meio Ambiente, Governo do Estado do Pará. 2007. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de maio de 2022 
  10. «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022 
  11. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  12. «Rhinella ocellata (Günther, 1859)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 26 de abril de 2023. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023