Revolução Nacionalista Chinesa

Revolução Nacionalista Chinesa
Parte da Revolução Chinesa

*
Data1921-1928
LocalChina
Desfecho
Beligerantes
República da China

Apoio:

Governo de Beiyang

Apoio:

Comandantes
Sun Yat-sen (Até 1925)

Chiang Kai-Shek
Feng Yuxiang
Li Zongren
Yan Xishan
Li Jishen (Até 1927)
Wang Jingwei (Até 1927)
Mao Zedong

Zhou Enlai
Zhang Zuolin 

Zhang Xueliang
Zhang Zongchang
Yang Yuting
Wu Peifu

Sun Chuanfang
Forças
c. 100,000 (1926)

c. 700,000 (1927)

c. 1,000,000 (1928)
c. 700,000–1,000,000

A Revolução Nacionalista Chinesa, também chamada de Primeira Guerra Civil Revolucionária ou Grande Guerra Revolucionária,[1] foi uma fase de transição da Revolução Chinesa, entre a Revolução Xinhai e a Revolução Comunista Chinesa, sendo protagonizada pelo Partido Nacionalista da China e pelo recém fundado Partido Comunista da China, contra o Governo dos Senhores da Guerra.

História

Origens

Entre 1913 e 1916, Yuan Shikai controlou a recém criada República da China de forma que:

Estes atos foram alegados como abuso de poder e autoritarismo por parte dos chineses que protestaram ou se revoltaram, como foi o caso da Guerra de Proteção Nacional e o Movimento de Quatro de Maio, já após a sua morte, quando estes mesmos generais assumiram o poder da China no chamado Governo de Beiyang.

Sun Yat-sen, líder do Partido Nacionalista da China (KMT ou GMD), declarou um governo militar no sul da China, paralelo as ordens do Governo de Beiyang. A Junta de Proteção Constitucional foi fundada em 1917 e tinha como função, a primeira vista, restaurar a República da China e derrubar os senhores da guerra.

Governo de Cantão (1921 - 1925)

A Partir de 1921, Sun Yat-sen substituiu a Junta de Proteção Constitucional pelo Governo da República da China em Guangzhou (Cantão). Esta mudança se deve ao fato de que Sun passou a tentar por em pratica seus Três Princípios do Povo e a integração do Partido Comunista da China.

Entre 1921 e 1924, os nacionalistas e comunistas tiveram sérios problemas militares, o que os forçou a criar seu próprio exército de forma mais organizada, fundando a Academia Militar de Whampoa (hoje a Academia Militar da República da China) e criando o Exército Nacional Revolucionário, com apoio da União Soviética.

Como desde 1921, Sun Yat-sen já estava colocando em pratica seus Três Princípios do Povo, isso significava que a economia estava sendo mudada para uma economia mista e inclinada ao socialismo. Esta mudança fez com que a burguesia da região de Cantão (província) se revoltasse com os impostos e a Equalização da propriedade de terras, com estes burgueses e comerciantes se organizando em 1924 no chamado "Exército Voluntário dos Comerciantes de Cantão", que se revoltaram com apoio estrangeiro entre Agosto e Outubro daquele ano.[2] Até serem derrotados por um cerco, em 11 de Outubro, feito por Chiang Kai-shek, após Zhou Enlai - que tinha como objetivo mediar a revolta e repassar a posição do PCCh sobre a situação - declarar: "Derrotar o Exército dos Comerciantes, Matar Chen Lianbo e Apoiar o Governo Revolucionário Nacionalista".[3][4]

Ainda em 1924, o Partido Nacionalista realizou o 1.º Congresso Nacional do Kuomintang, onde foi acordado que:[5]

Preparativos para a Expedição do Norte (1926)

Em 1925, Sun deu inicio a os planejamentos do que seria a Expedição do Norte, no entanto, morreu vitima de um câncer no fígado. Temporariamente, Hu Hanmin assumiu a liderança do partido, até que um 2.º Congresso Nacional foi reunido em 1926 e elegeu durante suas 4ª e 5ª sessões, Chiang Kai-shek, como líder do partido.

A ascensão de Chiang criou uma tensão entre as alas de direita e esquerda do partido, já que durante o tempo que Hu Hanmin esteve no poder, houve uma disputa pelo poder entre Chiang e Wang Jingwei. Wang Jingwei favorecia a aliança com os comunistas e o Socialismo como componentes fundamentais para o Kuomintang.

Greve geral em Hong Kong e Cantão (1925)

Em 30 de maio de 1925, estudantes e universitários em Xangai fizeram manifestações em oposição à interferência estrangeira na China. Especificamente, com o apoio do partido nacionalista, eles pediram o boicote de produtos estrangeiros e o fim da Concessão Internacional de Xangai, que era governada pelos britânicos e americanos. A Polícia Municipal de Xangai, operada pelos britânicos, abriu fogo contra a multidão de manifestantes. Este incidente gerou indignação em toda a China, culminando na greve Cantão-Hong Kong, que começou em 18 de junho e provou ser um campo fértil de recrutamento politico, e posteriormente militar, para os nacionalistas e comunistas. Preocupações sobre o poder crescente da facção esquerdista e o efeito da greve na capacidade do governo de Guangzhou de arrecadar fundos, que dependia em grande parte do comércio exterior, levaram ao aumento das tensões dentro da Frente Unida.[6]

A Medida que os nacionalistas e comunistas cresciam no sul da China, os senhores da guerra passaram a notar a ameaça e assim que a Expedição do Norte se iniciou, as facções no norte da China organizaram o Exército de Pacificação Nacional, que tinha como objetivo dissolver os nacionalistas e comunistas.

Expedição do Norte (1926)

Chiang deu inicio a expedição em 9 de Julho de 1926, quando iniciou um ataque contra o senhor da guerra, Wu Peifu, e capturou os territórios da Camarilha de Anhui. Apenas dois dias depois, a cidade de Changsha foi capturada e então uma nova ofensiva invadiu os territórios de outro senhor da guerra, Sun Chuangfang, que apesar de possuir o poderio bélico muito maior, estava lutando contra as forças pró-nacionais do Guominjun (que havia declarado lealdade a os nacionalistas), com tudo, entre 11 e 12 de Agosto toda a provincia de Hunão, incluindo as cidades de Nanchang e Wuchang foram capturadas.

A Expedição continuou até 1928, todavia, com a captura da cidade de Wuhan, a capital foi recolocada de Gangzhou para lá e a expedição passou a consquistar menos territórios a medida que se concluia.

Governo de Wuhan (1926 - 1927)

Em 5 de Dezembro de 1926, a cidade de Wuhan foi capturada pelos nacionalistas, a capital foi movida de Guangzhou para lá. Neste meio tempo, Chiang Kai-shek havia realizado o Massacre de Xangai de Abril de 1927, o que irritou tanto os comunistas quanto os nacionalistas que pressionaram Chiang a renunciar a presidencia.

De toda forma, Wang Jingwei se tornou o líder do partido, até que em 1927, após a captura de Nanquim, Chiang se auto nomeou novamente presidente e moveu a capital para Nanquim, expurgando a ala esquerda do Partido Nacionalista. O Partido Comunista, já irritado com toda a situação e vendo Chiang havia enfraquecido a esquerda do partido nacionalista, bem como dominado ele, se separou do KMT após a Revolta de Nanchang, marcando o inicio da Guerra Civil Chinesa.

Estabelecimento do Governo Nacional da República da China em 18 de Abril de 1927.

Governo de Nanquim (1927 - 1928)

Em Abril de 1927, a cidade Nanquim foi capturada por Chiang Kai-shek, e após o Golpe de Wuhan, reunificou o Partido Nacionalista da China e expulsou o Partido Comunista da China, que se revoltou e fugiu para o interior rural para combater as forças nacionais.

Em 29 de Dezembro de 1928, ocorre a subistituição da bandeira do nordeste, quando o ultimo senhor da guerra, Zhang Zuolin é assassinado em uma emboscada japonesa e seu filho Zhang Xueliang assume, favorecendo o governo chinês e desfazendo a Camarilha de Fengtian.

Legado

A Revolução Nacionalista Chinesa foi uma fase de transição fundamental entre a Revolução Xinhai e a Revolução Comunista Chinesa. Foi durante esta fase que o Partido Comunista da China se formou melhor e se autodesenvolveu, a partir de sua aliança com o Partido Nacionalista da China enquanto Sun Yat-sen esteve vivo.[7][8]

Ideologicamente, a Revolução Nacionalista Chinesa contribuiu para que o Partido Nacionalista conseguisse desenvolver na pratica os Três Princípios do Povo, bem como contribuiu a formação de sua corrente, o Maoismo,[9] adotado posteriormente pelo Partido Comunista em uma fase mais tardia. Este período foi fundamental para desenvolvimento do Princípio de Subsistência e a Democracia Tutelada, bem como a Nova Democracia de Mao Tsé-Tung.[10]

Atualmente na China, a Primeira Frente Unida e Sun Yat-sen são lembrados e recordados pela República Popular da China e pelo Partido Comunista, enfatizando suas importancias na história chinesa, bem como, Yat-sen é referido como o Pai da Nação ou Pioneiro da Revolução.[11][12][7]

Bibliografia

  • Wilbur, C. Martin. The Nationalist Revolution in China, 1923-1928. Cambridge University Press, 1984.
  • Fenby, Jonathan. Chiang Kai-shek: China's Generalissimo and the Nation He Lost. Carroll & Graf, 2003.
  • Fairbank, John King & Goldman, Merle. China: A New History. Harvard University Press, 2006.
  • Schram, Stuart. Mao Tse-tung. Simon & Schuster, 1966.
  • Eastman, Lloyd. Seeds of Destruction: Nationalist China in War and Revolution, 1937-1949. Stanford University Press, 1984.
  • Bianco, Lucien. Origins of the Chinese Revolution, 1915-1949. Stanford University Press, 1971.
  • Ch'en, Jerome. Mao and the Chinese Revolution. Oxford University Press, 1965.
  • Zarrow, Peter. China in War and Revolution, 1895-1949. Routledge, 2005.
  • Spence, Jonathan D. The Search for Modern China. W. W. Norton & Company, 1999.
  • Mitter, Rana. A Bitter Revolution: China’s Struggle with the Modern World. Oxford University Press, 2004.
  • Dickson, Bruce J. The Lessons of Defeat: The Reorganization of the Kuomintang on Taiwan, 1950–52. The China Quarterly, 1993.
  • Wilbur, C. Martin. The Nationalist Revolution in China, 1923-1928. Cambridge University Press, 1984.
  • Tanner, Harold M. Guangdong Under Communism: The Military and Political Structure of the Chinese Communist Movement in Guangdong Province, 1925–1930. The Journal of Asian Studies, 1999.
  • Sun Yat-sen. San Min Chu I (Três Princípios do Povo). Primeira edição em inglês publicada em 1927.
  • Mao Zedong. Report on an Investigation of the Peasant Movement in Hunan. Março de 1927.

Referências

  1. N/A, N/A (2017). «????2017??10??6? ??». Chinese Optics (6): 1–2. ISSN 2095-1531. doi:10.3788/co.20171006.0001. Consultado em 7 de fevereiro de 2025 
  2. Pakula, Hannah (3 de novembro de 2009). The Last Empress: Madame Chiang Kai-shek and the Birth of Modern China (em inglês). [S.l.]: Simon and Schuster 
  3. «1924 in China». web.archive.org. 21 de julho de 2011. Consultado em 7 de fevereiro de 2025 
  4. «Antiga casa de Chen Lianbo». web.archive.org. 7 de julho de 2011. Consultado em 7 de fevereiro de 2025 
  5. Dickson, Bruce J. (março de 1993). «The Lessons of Defeat: The Reorganization of the Kuomintang on Taiwan, 1950–52». The China Quarterly (em inglês): 56–84. ISSN 1468-2648. doi:10.1017/S0305741000018191. Consultado em 7 de fevereiro de 2025 
  6. Wilbur, C. Martin (29 de novembro de 1984). The Nationalist Revolution in China, 1923-1928 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press 
  7. a b Zarrow, Peter (11 de fevereiro de 2025). «The Chinese Communist Party Has Followed Sun Yat-sen's Road Map». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2025 
  8. Ching-yao, Yin (16 de abril de 1952). «The Bitter Struggle between the KMT and the CCP». Asian Survey (em inglês) (6): 622–631. ISSN 0004-4687. doi:10.2307/2643790. Consultado em 9 de fevereiro de 2025 
  9. «History of the Communist Party of China». news.xinhuanet.com. Consultado em 9 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2016 
  10. van de Ven, Hans (março de 1996). «From War to Nationalism: China's Turning Point, 1924-1925». China Information (1): 190–193. ISSN 0920-203X. doi:10.1177/0920203x9601100154. Consultado em 9 de fevereiro de 2025 
  11. «The Official Website Of ZhongShan China». www.zs.gov.cn. Consultado em 9 de fevereiro de 2025 
  12. «IN COMMEMORATION OF DR. SUN YAT-SEN.». www.marxists.org. Consultado em 9 de fevereiro de 2025