Revolta do Leste
A Revolta do Leste (RdL),[1] também chamada de MPLA-Fracção Chipenda e posteriormente FNLA-Esquadrão Chipenda, foi uma tendência partidária, e depois fracção e rutura do partido angolano Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Existente ente 1972 e 1976, a fracção foi liderada por Daniel Chipenda, que lutou a Guerra de Independência de Angola contra o domínio colonial de Portugal e depois na primeira etapa da Guerra Civil Angolana.[2] A RDL obtinha o seu apoio da etnia ovimbunda.[3]
A partir de 1974 a RDL tornou-se uma tendência da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), até ser extinda em 1976 ao ser absorvida pelo 32º Batalhão de Elite da África do Sul.
Histórico
Sob ordens de Agostinho Neto, Iko Carreira e Lúcio Lara, em maio de 1966, Chipenda, então membro do MPLA, abriu a exitosa "Frente Leste" (FL), expandindo significativamente o alcance das operações nacionalistas do partido em Angola. A Frente Leste era uma das várias frentes de batalha do partido MPLA em solo angolano, que incluía ainda a Frente Centro, a Frente Sul, a Frente Norte, a Frente de Cabinda e a Frente Oeste. A iniciativa de operações na Frente Leste pelo MPLA era garantida pela III Região Militar (Moxico, Cuando-Cubango e Bié) e pela IV Região Militar (Lunda, Malange e Uíge) do Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA).[4] Chipenda alcançou enorme prestígio em função dos êxitos militares como comandante do EPLA contra os portugueses.[4]
Quando a FL entrou em derrocada em 1971/1972, Chipenda e o líder do MPLA Agostinho Neto, culparam-se mutuamente. Em 1972, a União Soviética apoiou a ala/tendência de Chipenda, oferecendo-lhe ajuda. Opôs-se à liderança do MPLA e desconfiava da União Soviética, apesar do apoio que dela recebia.[2] Chipenda deixou o MPLA em 1973, fundando a Revolta do Leste com 1.500 ex-companheiros do MPLA.[5] A Revolta do Leste também recebeu ajuda dos governos da Zâmbia[3] e do regime de apartheid da África do Sul.[6]
Em 1973, a União Soviética convidou Agostinho Neto para ir a Moscovo e informou-o que Chipenda planeava assassiná-lo.[5] Chipenda levou a RDL a aderir à FNLA em setembro de 1974 [7] com as forças da RDL a lutar oficialmente contra o MPLA a partir de fevereiro de 1975.[6]
Recuando de Luanda após a derrota na batalha de Quifangondo em novembro de 1975, a RDL, então já conhecida como "FNLA-Esquadrão Chipenda", ocupou a zona do rio Cubango, no sul do país, entre Menongue e Dirico, além da base de Cuito Cuanavale, unidades sob comando de Chipenda.[8] Em março de 1976, no avanço das tropas angolano-cubanas, e sem armamento e pessoal para enfrentá-los, a RDL abandonou Angola e fugiu para a Namíbia (na altura ocupada pela África do Sul), tornando-se a base principal de formação do 32º Batalhão de Elite da África do Sul, a legião estrangeira do regime do apartheid.[9] O 32º Batalhão foi reforçado ainda por soldados da UNITA, também fugidos do avanço das tropas angolano-cubanas, participando em incursões do regime do apartheid em Angola.[9] A RDL, portanto, chegou ao fim ao ser absorvida pela África do Sul.[9]
Referências
- ↑ Fátima Salvaterra Peres (2010). A Revolta Activa: Os conflitos identitários no contexto da luta de libertação (em Angola) — dissertação de mestrado. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa
- ↑ a b Popular Movement for the Liberation of Angola-Workers' Party Country-data
- ↑ a b Westad, Odd Arne. The Global Cold War: Third World Interventions and the Making of Our Times, 2005. Page 217.
- ↑ a b Marcelo Bittencourt (1999). «Memórias da guerrilha: a disputa de um valioso capital». História Oral. 2: 91-110
- ↑ a b George, Edward. The Cuban Intervention In Angola, 1965-1991: from Che Guevara to Cuito Cuanavale, 2005. Page 46.
- ↑ a b Stewart Lloyd-Jones and António Costa Pinto. The Last Empire: Thirty Years of Portuguese Decolonisation, 2003. Pages 27-29.
- ↑ Bennett, Andrew. Condemned to Repetition?: The Rise, Fall, and Reprise of Soviet-Russian Military Interventionism, 1999. Page 152.
- ↑ João Santa Rita; Coque Mukuta (13 de setembro de 2019). «Antigo combatente do Batalhão Búfalo terá vendido documentos sobre Cuito Cuanavale». VOA Português
- ↑ a b c «Batalhão Búfalo: um passado enviesado». BBCparaAfrica.com. 19 de maio de 2005