Revolta de Belém (1823)
| Revolta de Belém (1823) | |||
|---|---|---|---|
![]() Largo das Mercês em Belém, onde os rebeldes se reuniram em 1823 antes de marcharem para o quartel de artilharia; foto tirada em 1875 | |||
| Data | 13 a 14 de abril de 1823 | ||
| Local | Belém, Província do Grão-Pará, Brasil | ||
| Desfecho | vitória dos portugueses | ||
| Beligerantes | |||
| |||
| Comandantes | |||
| |||
| Forças | |||
| |||
| Baixas | |||
| |||
A Revolta de Belém (1823) foi uma rebelião contra o Reino de Portugal, como uma tentativa de proclamar a independência do Grão-Pará e integrá-lo ao Império Brasileiro.
Contexto
Após Dom Pedro I proclamar a independência do Brasil de Portugal em 7 de setembro de 1822, várias províncias das regiões norte e nordeste do país inicialmente relutaram em se juntar ao novo Império Brasileiro. Entre essas províncias estava o Grão-Pará, onde permaneceram leais à coroa portuguesa, e a região ainda era controlada por autoridades alinhadas a Portugal.[1]
No início de 1823, as tensões aumentaram quando surgiu um movimento para alinhar a província com o novo império.[1][2] Um grupo de oficiais militares pró-independência, liderados por civis e oficiais, começou a planejar uma rebelião em Belém, a capital da província. O objetivo era tomar pontos-chave da cidade, declarar independência e jurar fidelidade a Dom Pedro I. Estes eram liderados por João Baptista Balbi, Domiciano Ernesto Dias Cardoso, José Mariano de Oliveira Bello, Boaventura Ferreira da Silva, Manoel Lourenço de Mattos, Domingos Gonçalves Marreiros e José Narciso da Costa Rocha.[3] Apesar do sigilo em torno dos seus planos, as autoridades legalistas estavam cientes da potencial rebelião.[1]
A revolta estava marcada para a manhã de 14 de abril. A facção pró-independência trabalhou para derrubar o controle português, embora estivesse em menor número em relação às forças legalistas. A junta assumiu o controle da imprensa local, transferindo-a para o jornal O Luso-Paraense, a fim de angariar apoio público para a independência. O sentimento geral era cada vez mais favorável à independência, mas a facção legalista e seus oficiais militares trabalharam para impedi-la.[3]
Rebelião
Na noite de 13 de abril de 1823, 100 revolucionários reuniram-se secretamente na residência de Balbi, em Belém, para preparar a rebelião.[1][4] O plano era inicialmente secreto, mas logo foi descoberto pelo governador, que ordenou que seus oficiais permanecessem em seus quartéis.[5] No entanto, os rebeldes conseguiram surpreender as forças legalistas ao amanhecer,[5] tomando o controle do parque de artilharia da cidade. Antônio de Loureiro Barreto assumiu o comando das tropas rebeldes e conseguiu se infiltrar no complexo de artilharia fingindo ser coronel. Pegos de surpresa, os guardas permitiram que os rebeldes entrassem sem resistência.[1]
Com fogos de artifício disparados para sinalizar a ocupação, os rebeldes deram continuidade ao seu plano. Boaventura liderou forças adicionais, reunindo soldados e civis que apoiavam a independência. Ao marcharem em direção ao Largo das Mercês, encontraram-se com aliados do 3º Regimento, liderado por José Narciso da Costa Rocha. Juntos, o grupo celebrou Dom Pedro I e declarou sua intenção de se juntar ao Império Brasileiro. Fortificaram-se no parque de artilharia, montando canhões para se defender de qualquer ataque.[1]
O tenente-coronel José Antonio Nunes tentou resistir à ocupação disparando um canhão contra os rebeldes, matando um e ferindo outro. Os rebeldes retaliaram, disparando vários tiros que deixaram Nunes gravemente ferido, resultando em sua morte três dias depois.[1]
No entanto, ao amanhecer de 14 de abril, a maré virou contra os rebeldes. As forças legalistas, lideradas pelo governador de armas José Maria de Moura e pelos coronéis João Pereira Villaça e Francisco José Rodrigues Barata, avançaram pela cidade. Ao se aproximarem, Boaventura ordenou que seus homens suspendessem o fogo, não querendo agravar a situação. Barata marchou para o Largo das Mercês, proclamando lealdade à Coroa Portuguesa e a Dom João VI.[1] À medida que os legalistas se reagrupavam, os revolucionários foram finalmente cercados e, com seus líderes capturados,[6] logo se renderam.[1]
Destino dos rebeldes
Após o fracasso, as autoridades portuguesas prenderam muitos rebeldes, mantendo-os na Fortaleza da Barra, em Belém.[1][6] Outros, principalmente apoiadores civis, foram confinados na cadeia pública. Embora alguns tenham conseguido escapar, a maioria enfrentou prisão e, posteriormente, deportação.[1]
Sob pressão do presidente do conselho provincial, Romualdo Antonio de Seixas, as autoridades decidiram, por fim, não aplicar a pena de morte aos rebeldes, temendo que represálias severas pudessem provocar novos distúrbios.[1][7] Em vez disso, 271 rebeldes foram deportados para Lisboa, onde muitos sofreram com doenças e com as péssimas condições na prisão de São Julião. Dos deportados, apenas 171 sobreviveram à provação e retornaram ao Brasil.[1]
Alguns, entre militares e civis, conseguiram escapar, escondendo-se na cidade de Muaná, na ilha de Marajó.[8][1][2]
Revolta de Muaná
As tensões no Grão-Pará continuaram. Em 28 de maio, os refugiados de Muaná uniram forças com o fazendeiro local José Pedro de Azevêdo, que, liderando um grupo de 200 homens, proclamou a independência do Brasil em nome de Dom Pedro I e,[8] em seguida, tomou a aldeia.[2]
Em resposta a esse movimento, o Major Francisco José Ribeiro foi enviado a Muaná. Após quatro horas de luta, conseguiu reprimir a revolta e prender muitos de seus participantes, incluindo Pedro de Azevêdo.[9][2] Os presos foram levados para a Cadeia Pública, que exibia palmatórias e chicotes nas janelas, como símbolos de repressão.[8]
Rescaldo
Apesar da derrota dos rebeldes de Belém e Muaná, o cerco naval de Belém e Salinópolis, ocorrido em agosto de 1823, ao fim incorporou o Pará ao Brasil de jure em 15 de agosto de 1823.[10] O Grão-Pará foi de facto incorporado ao Império do Brasil em outubro de 1823.[9]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Rebeldes, Impressões. «Motim militar a favor da Independência»
- ↑ a b c d Agência 2022.
- ↑ a b Raiol 1865, p. 41-42.
- ↑ Raiol 1865, p. 44.
- ↑ a b Raiol 1865, p. 43.
- ↑ a b Raiol 1865, p. 47.
- ↑ Raiol 1865, p. 48.
- ↑ a b c Muaná 2023.
- ↑ a b Rebeldes.
- ↑ «Feriado lembra a adesão do Pará à Independência do Brasil». G1 Pará. Consultado em 5 de setembro de 2022
Bibliografia
- Raiol, Domingos Antônio (1865). Motins politicos; ou, Historia dos principaes acontecimentos politicos da provincia do Pará desde o anno de 1821 até 1835. [S.l.]: Lucas Pordeus Leon
- Agência, Rádio (2 de setembro de 2022). «Guerras da Independência: Conflitos armados pela liberdade no Pará». Lucas Pordeus Leon
- Muaná, IBGE (2023). «Muaná»
