Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço
Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço
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| Localização | Brasil |
| Dados | |
| Criação | 2005 |
A Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço (RBSE) é uma área reconhecida pela UNESCO em 2005 no âmbito do programa Man and the Biosphere (MAB), abrangendo extensas porções da Serra do Espinhaço nos estados de Minas Gerais e Bahia. A reserva tem como finalidade principal a conservação da biodiversidade, a promoção do desenvolvimento sustentável e o apoio à pesquisa científica em uma das regiões de maior diversidade biológica e geológica do Brasil.
Histórico
A proposta de criação da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço foi resultado de articulações entre instituições acadêmicas, órgãos ambientais e movimentos de conservação, diante do reconhecimento da singularidade ecológica e geomorfológica da cadeia do Espinhaço. O reconhecimento internacional ocorreu em 2005, sendo posteriormente ampliado em fases sucessivas, com destaque para a segunda fase de expansão, homologada em 2018, que consolidou a RBSE como uma das maiores reservas da biosfera do país [1].
Objetivos
A RBSE tem como objetivos:
- conservar a biodiversidade e os ecossistemas associados aos campos rupestres;
- proteger recursos hídricos estratégicos;
- valorizar o patrimônio geológico, paisagístico e histórico-cultural;
- incentivar práticas de desenvolvimento sustentável;
- apoiar pesquisas científicas, educação ambiental e intercâmbio de conhecimentos [1].
Delimitação e organização territorial
Na sua configuração atual, a RBSE abrange cerca de 10,2 milhões de hectares e compreende 172 municípios, distribuídos principalmente entre o Quadrilátero Ferrífero, a porção meridional e central da Serra do Espinhaço e áreas adjacentes [1].
A reserva é organizada segundo o modelo tripartite do programa MAB:
- zonas núcleo, destinadas à proteção integral;
- zonas de amortecimento, voltadas ao uso controlado;
- zonas de transição, onde se desenvolvem atividades humanas sustentáveis.
Unidades de conservação
A RBSE engloba diversas unidades de conservação federais, estaduais e municipais, entre as quais se destacam:
- Parque Nacional da Serra do Cipó;
- Parque Nacional das Sempre-Vivas;
- Parque Estadual do Itacolomi;
- Parque Estadual da Serra do Rola-Moça;
- Parque Estadual da Serra do Ouro Branco;
- Parque Estadual do Rio Preto;
- Parque Estadual do Biribiri;
- Parque Estadual do Pico do Itambé;
- Estação Ecológica Estadual de Tripuí;
- Estação Ecológica Estadual de Fechos;
- Parque Natural Municipal do Ribeirão do Campo;
- Parque Natural Municipal do Salão de Pedras;
- Reserva Particular do Patrimônio Natural da Mata do Jambreiro.
Geografia e ecologia
A Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço situa-se em uma área de transição entre três grandes biomas brasileiros: Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica [1]. Essa condição ecotonal contribui para elevados níveis de biodiversidade e endemismo.
O ecossistema predominante é o dos Campos rupestres, reconhecido internacionalmente por sua singularidade florística e elevado grau de endemismo [2]. Estimativas indicam a ocorrência de 2.000 a 3.000 espécies vegetais, com taxas de endemismo em torno de 30% e cerca de 350 espécies ameaçadas de extinção [3].
Espécies emblemáticas como a canela-de-ema e as sempre-vivas são características da paisagem da reserva.
Hidrografia e solos
A RBSE abriga importantes áreas de nascentes dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha, desempenhando papel estratégico na segurança hídrica regional.
Destacam-se também as turfeiras da porção meridional da Serra do Espinhaço, consideradas ambientes de elevada importância para a conservação, o armazenamento de carbono e a regulação hidrológica [4].
Importância científica e conservação
A Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço é reconhecida como um dos principais laboratórios naturais para estudos em botânica, geologia, ecologia e conservação no Brasil. A fragilidade dos campos rupestres, aliada à pressão de atividades minerárias e à expansão urbana, tem motivado debates acadêmicos sobre a necessidade de reconhecimento desse ecossistema como um bioma independente [3].
Ver também
Referências
Bibliografia
- UNESCO (2018). Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço – Fase 2 (Relatório). Brasília: Programa MAB
- Costa, Thaís Ribeiro; Moura, Cristiane Coelho de; Machado, Evandro Luiz Mendonça; Gonzaga, Anne Priscila Dias (2021). «Flora arbórea de capões na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço». Revista Espinhaço. doi:10.5281/zenodo.5104405
- Freire, Jéssica Pereira; Costa, Thaís Ribeiro; Alves, Pablo Lopes; Machado, Evandro Luiz Mendonça; Gonzaga, Anne Priscila Dias (2021). «Raridade e endemismo da flora em campo rupestre (OCBIL) na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço». Revista Espinhaço. doi:10.5281/zenodo.5508171
- Cortizas, Antonio Martinez; et al. (2009). «Turfeiras da Serra do Espinhaço Meridional – MG». Revista Brasileira de Ciência do Solo. ISSN 0100-0683
- «Unesco amplia em 220% o território da Reserva da Biosfera do Espinhaço»