Renato Machado Cotta
| Renato Machado Cotta | |
|---|---|
![]() Cotta em 2018 | |
| Nascimento | 5 de março de 1960 (65 anos) |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater |
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| Prêmios |
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| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | M. Necati Özışık |
| Instituições | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Campo(s) | Engenharia |
| Tese | Steady, Transient, and Periodic Thermal Entry Solutions of Forced Convection in Channel Flow (1985) |
Renato Machado Cotta (Niterói, 5 de março de 1960) é um engenheiro, pesquisador e professor universitário brasileiro.
Comendador e grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências da Engenharia, é também membro da The World Academy of Sciences (TWAS)[2], da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e do Scientific Council of the International Center for Heat and Mass Transfer, ICHMT, desde 1993.[3]
Recebeu o mais prestigiado prêmio global da área de ciências térmicas, a Medalha Luikov, o primeiro pesquisador do hemisfério Sul agraciado com a honraria.[4]
Biografia
Cotta nasceu em Niterói, no estado do Rio de Janeiro em 1960. Em uma visita à Exposição Brasil Nuclear, em 1975, sentiu-se atraído pela tecnologia nuclear ao ler sobre a biografia do do almirante Álvaro Alberto (1889-1976), pioneiro do Programa Nuclear Brasileiro, e pela participação da Marinha nesse setor. Concluiu o curso de graduação em Engenharia Mecânica com Ênfase Nuclear na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1981, e a seguir cursou o PhD em Engenharia Mecânico-Aeroespacial, com minor em Engenharia Nuclear, na Universidade Estadual da Carolina do Norte, concluído em 1985. Iniciou a carreira no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, tendo se transferido em 1988 para o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação em Engenharia, COPPE/UFRJ, posteriormente prestando concurso público para a Escola Politécnica, Centro de Tecnologia, da mesma universidade, onde atualmente é Professor Titular do Departamento de Engenharia Mecânica. Desde 2019 encontra-se cedido à Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (AMAZUL), em cargo comissionado como Consultor Técnico na Diretoria Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), Ministério da Defesa.[3]
Carreira
Presidiu a Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) no biênio 2000-2001 e foi Membro do Comitê Executivo da Academia Brasileira de Ciências de 2012 a 2015. Também presidiu o Comitê Executivo do International Center for Heat and Mass Transfer (ICHMT) de 2016 a 2018. Foi presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de 2015 a 2017 [5][6] e de 2020 a 2022 foi membro designado do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), Ministério de Minas e Energia. Atualmente é membro do Technical Working Group in Nuclear Desalination (TWG-ND) da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) da ONU, em Viena, Áustria, e membro do Comitê Técnico-Científico da empresa estatal Amazul.[3]
Foi condecorado como Comendador (2007) e com a Grã-Cruz (2018) da Ordem Nacional do Mérito Científico e é Comendador da Ordem do Mérito Naval desde 2018. Recebeu a Leverhulme Visiting Professorship Award, para atuação na University College London, UK, em 2017-2018. Também em 2018 foi agraciado com o título de Doctor Honoris Causae da Université de Reims Champagne-Ardennes (URCA), em Reims, França, e com a Fellowship Award, do International Center for Heat and Mass Transfer, ICHMT. Em 2023, recebeu a prestigiosa Luikov Medal 2022, principal honraria do ICHMT. Também em 2023, recebeu o Prêmio Nuclear Legacy em P&D da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, ABDAN, e o Prêmio Prof. Leonardo Goldstein Jr., principal honraria da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), em sua terceira edição.[7][8]
Entre suas principais contribuições científicas, destacam-se o desenvolvimento da Técnica da Transformada Integral Generalizada (GITT) e da Técnica das Equações Integrais Acopladas (CIEA). Essas metodologias tiveram aplicação inicial na área de transferência de calor e massa, sendo posteriormente estendidas a problemas fundamentais em outras áreas, como mecânica dos fluidos, dinâmica e vibrações, eletromagnetismo, teoria de transporte, física de solos, física atmosférica, problemas multiescala e formulações multifísicas. Foram aplicadas tanto em problemas diretos quanto em tarefas computacionalmente intensivas, como problemas inversos, otimização e simulação sob incerteza, contextos em que as vantagens do enfoque híbrido se tornam mais evidentes.[3][8]
A GITT consiste em um método híbrido para a solução de equações diferenciais parciais de convecção-difusão, lineares e não lineares. Baseia-se no método clássico de transformação integral, cujas origens remontam às descobertas de Joseph Fourier no início do século XIX, relativas à teoria da transferência de calor. A abordagem segue a solução analítica em todas as variáveis independentes, exceto uma, reduzindo o problema numérico à resolução de um sistema de equações diferenciais ordinárias nessa única variável, com baixo custo computacional e controle de erro definido. A CIEA, por sua vez, é uma técnica de reformulação de problemas baseada no uso de fórmulas de Hermite para aproximação de integrais, originalmente propostas no século XIX. Aplicada a processos de média das equações de balanço, permite a redução de modelos por meio da eliminação de variáveis espaciais da formulação original, incorporando os efeitos das condições de contorno nas direções correspondentes.[3][8]
Por se tratarem de abordagens distintas das tendências predominantes em métodos puramente discretos, a difusão dessas técnicas exigiu ampla divulgação em revistas científicas, congressos e publicações especializadas, bem como o desenvolvimento de códigos de uso aberto, como o código UNIT (registrado no INPI), para facilitar sua aplicação. O avanço dessas metodologias foi favorecido pela formação de mais de uma centena de mestres, doutores e pós-doutores, atualmente atuando em instituições científicas no Brasil e no exterior, e por uma contínua cooperação nacional e internacional.[3][8]
Sua atuação científica esteve continuamente associada à aplicação prática, buscando a integração entre ciência e tecnologia, com o objetivo de enfrentar desafios decorrentes de problemas de crescente complexidade. As técnicas desenvolvidas tiveram aplicação em diversas áreas da engenharia, incluindo mecânica, nuclear, naval, química, aeroespacial, de petróleo, ambiental, civil e biomédica.
As contribuições científicas e tecnológicas abrangem a coordenação de projetos estratégicos nacionais, entre os quais:
- Desenvolvimento de ultracentrífugas para enriquecimento isotópico de urânio (CTMSP/Marinha do Brasil);
- Análise térmica de veículos lançadores de satélites – VLS (IAE/CTA);
- Projeto do repositório de rejeitos radioativos resultantes do acidente com Césio-137 em Goiânia (CNEN);
- Desenvolvimento da proteção térmica do satélite de reentrada atmosférica – SARA (AEB);
- Avaliação do impacto ambiental de instalações de mineração de urânio em Caetité, Bahia (INB);
- Análise da dispersão de contaminantes em solos heterogêneos, rochas fraturadas, rios e correntes (EPRI & Tetra Tech, Estados Unidos);
- Projeto de tubulações pipe-in-pipe para isolamento térmico na produção de petróleo em águas ultraprofundas (Petrobras);
- Desenvolvimento de fluidos térmicos nanoestruturados (nanofluidos) para o setor de petróleo e gás (Petrobras);
- Análise e projeto de sistemas anti-gelo e de degelo para estruturas e sensores aeronáuticos (FAPERJ, ATS4i e Marinha do Brasil);
- Sistemas passivos de armazenamento de elementos combustíveis nucleares exauridos (Eletronuclear);
- Projeto de instalação de alta pressão e baixa temperatura para pesquisa em sistemas de isolamento na produção ultraprofundas de petróleo (Tenaris/CONFAB);
- Desenvolvimento de sistemas sustentáveis de dessalinização de água com recuperação de calor (Ministério da Defesa, Petrogal/ANP, EMBRAPII).
Vida pessoal
Cotta é casado com a engenheira e professora universitária Carolina Cotta, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da UFRJ. O casal tem três filhos: Victor, 22, Clara, 15, Gabriel, 13. Bianca, sua filha mais velha e fruto de um casamento anterior, morreu aos 25 anos em um acidente aéreo ocorrido em 2009.[8]
Ver também
Referências
- ↑ a b «Agraciados pela Ordem Nacional do Mérito Científico». Canal Ciência. Consultado em 18 de janeiro de 2025
- ↑ «Cotta, Renato Machado». TWAS (em inglês). Consultado em 13 de janeiro de 2021
- ↑ a b c d e f «Renato Machado Cotta». Academia Brasileira de Ciências. Consultado em 12 de janeiro de 2021
- ↑ «Renato Cotta é agraciado com a Medalha Luikov». Academia Brasileira de Ciências. Consultado em 13 de agosto de 2025
- ↑ «Renato Machado Cotta é o novo presidente da CNEN». antigo.cnen.gov.br. Consultado em 13 de janeiro de 2021
- ↑ «ABC e SBPC criticam demissão de presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear – SBPC». Consultado em 13 de janeiro de 2021
- ↑ «Ordem Nacional do Mérito Científico». Consultado em 10 de janeiro de 2021
- ↑ a b c d e «Renato Cotta: Engenheiro defende a ampliação de investimentos na área nuclear». Revista Pesquisa FAPESP. Consultado em 13 de agosto de 2025
