Renato Borghetti

Renato Borghetti
Borghettinho
Renato Borghetti durante espetáculo em 18 de setembro de 2006.
Nome completoRenato Becker Borghetti
Pseudônimo(s)Renato Borghetti
Nascimento
23 de julho de 1963 (62 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Carreira musical
Gênero(s)
Instrumento(s)
Websiterenatoborghetti.com.br

Renato Becker Borghetti, mais conhecido como Borghettinho (Porto Alegre, 23 de julho de 1963), é um músico instrumentista e gaiteiro brasileiro. É mais conhecido pelo seu trabalho com a gaita-ponto.

Biografia

Renato Borghetti começou na música aos 12 anos, tocando uma gaita-ponto que ganhou do pai em Barra do Ribeiro. Em pouco tempo, já era atração no Centro de Tradições Gaúchas comandado por seu pai e, aos 16 anos, se apresentou pela primeira vez, na 9ª Califórnia da Canção Nativa, em 1979, com a canção Retorno,[1] onde chamou atenção tanto por sua música quanto por sua performance no palco: usava cabelos compridos, chapéu sobre os olhos, bombacha de campo e alpargatas.[2]

Em 1984, alugou um estúdio de gravação para o que seria seu primeiro disco, Gaita-Ponto, um trabalho independente com tiragem projetada de duas mil cópias, para o qual contou com a colaboração dos músicos Ênio Rodrigues, Oscar Soares e Francisco Castilhos. Antes de seu lançamento, o produtor Ayrton dos Anjos apresentou a gravação ao selo RBS Discos, que decidiu lançar o disco por conta própria.[1]

Em três semanas, foram vendidas sessenta mil cópias, um recorde de vendas no Rio Grande do Sul. Pouco depois, o número chegou a cem mil, rendendo-lhe um disco de ouro — o primeiro para um álbum instrumental e para a música nativista gaúcha no Brasil.[1] O álbum ultrapassou 250 mil cópias vendidas em CD, valendo-lhe o disco de platina. Entre as interpretações mais destacadas desse disco estão Milonga para as Missões, de Gilberto Monteiro; Minuano, de Sadi Cabral; e Tio Bilia na gaita de oito baixos, de Tio Bilia.[2]

No ano seguinte, o selo Som Livre lançou seu segundo disco, intitulado Renato Borghetti. Em 1987, a RCA Victor apresentou o terceiro, também homônimo, que incluía, entre outras faixas autorais e em coautoria, uma versão de Negrinho do Pastoreio, de Barbosa Lessa. Apresentou-se na Alemanha em 1987, e em 1988 participou do Free Jazz Festival de São Paulo e do Projeto Pixinguinha, no Rio de Janeiro.[2]

Além da música nativista gaúcha, Borghettinho incursionou em outros gêneros musicais, como o jazz e a música clássica. Na década de 1990, apresentou-se no Sounds of Brazil (S.O.B.) de Nova York, junto com a Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro. Realizou também apresentações com outras orquestras brasileiras, entre elas a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), a orquestra da Unisinos e as orquestras de câmara de Blumenau e Curitiba.[2]

Em 1991, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu-lhe o prêmio de melhor disco de música regional do ano, e ele gravou o álbum Borghetti, que incluía as faixas São Jorge, de Hermeto Pascoal, e Fantasia para gaita de ponto e orquestra de câmara, sob regência de Fred Guerling. A partir desse ano, passou a integrar o Projeto Asa Branca, que organizava espetáculos em todo o Brasil com artistas como Sivuca, Dominguinhos, Elba Ramalho e Alceu Valença, entre outros.[2]

Em seus discos, além de composições próprias e em parceria, gravou versões de temas tradicionais e de importantes músicos brasileiros, como Lupicínio Rodrigues, Hermeto Pascoal, Sivuca, Glorinha Gadelha, Sadi Cardoso, Barbosa Lessa e Kleiton & Kledir, entre outros. Em 1994, o selo Prestige Records, da Inglaterra, lançou o LP Accordionist, que inclui uma versão das Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa-Lobos. Em 1995, lançou Instrumental no CCBB, gravado no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro), junto a Hermeto Pascoal, e em 1996, Gaúcho, que inclui faixas em colaboração com Paulo Silveira e Hilton Vaccari.[2]

Entre 1995 e 1996, como representante do sul do Brasil, percorreu o país com o projeto Brasil Musical, ao lado de Paulo Moura, Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Egberto Gismonti, entre outros. Participou de trabalhos conjuntos com artistas argentinos, uruguaios e europeus, realizou turnês pela Europa e voltou a se apresentar no Free Jazz Festival de São Paulo em 1997. Em 1998, interpretou vários clássicos gaúchos em um álbum dedicado a Barbosa Lessa, intitulado Gauderiando, no qual destacou-se Prenda Minha, com participação de Milton Nascimento, e o Hino Rio-Grandense, com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.[2]

Participou em 2001 do primeiro Festival de Acordeão do Maranhão (Festival da Sanfona), ao lado de Dominguinhos, Sivuca, Waldonys, do argentino Antonio Tarragó Ros e dos norte-americanos Geno Delafose e Mingo Saldivar. Também participou do Encontro de Gerações e Raízes, parte do Projeto Rio Sesc Instrumental, realizado no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Lançou três álbuns em 2002: Renato Borghetti ao vivo em Viena; Umberto Petrin e Renato Borghetti – Reunião (com o pianista italiano Umberto Petrin); e A Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes. Em 2007, lançou FandangoI, seu primeiro DVD, posteriormente também lançado em CD. Em 2010, realizou uma turnê europeia, com apresentações na Áustria, Bélgica, Finlândia, Hungria, Inglaterra, Itália e Portugal. Dois de seus álbuns foram indicados ao Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum de Música Regional Tradicional ou de Raízes Brasileiras” — em 2005, por Gaitapontocom,[3] e em 2008, por Fandango!.[4]

Discografia

Fonte:[5]

  • 1984 - Gaita Ponto - RBS Discos
  • 1985 - Renato Borghetti - Som Livre
  • 1987 - Renato Borghetti - RCA Victor
  • 1988 - Esse tal de Borghettinho - RCA/BMG-Ariola
  • 1989 - Renato Borghetti - Chantecler/Continental
  • 1990 - O Melhor de Renato Borghetti - Som Livre
  • 1991 - Borghetti - Continental
  • 1992 - Pensa que Berimbau é Gaita? - RBS Discos
  • 1993 - Renato Borghetti - RGE
  • 1993 - Instrumental no CCBB (com Hermeto Paschoal) - RGE
  • 1994 - Accordionist - Prestige Records
  • 1995 - As 20 Melhores de Renato Borghetti - RGE
  • 1996 - Gaúcho - RGE
  • 1998 - Gauderiando - RGE
  • 1999 - Ao Ritmo de Tio Bilia - RBS Discos/Som Livre
  • 2001 - Paixão no Peito
  • 2002 - Ao Vivo em Viena
  • 2002 - Umberto Petrin & Renato Borghetti - Reunião
  • 2002 - SESC São Paulo - A Música Brasileira Deste Século Por Seus Autores e Intérpretes
  • 2005 - Gaitapontocom
  • 2005 - Gaúchos (Quinton Recorde Viena)
  • 2007 - Fandango
  • 2011 - Andanças - Live in Brussels
  • 2016 - Gaita na Fábrica
  • 2017 - Borghetti Yamandu
  • 2019 - Accordianist

Prêmios e indicações

Ano Categoria Indicação Resultado
2005 Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras Gaitapontocom Indicado
2008 Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras Fandango! Indicado
2018 Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras Borghetti Yamandu Indicado
Ano Categoria Indicação Resultado
1998[6] Disco de Música Regional Gauderiando[7] Venceu
2000[8] Disco de Música Regional Ao Ritmo de Tio Bilia Indicado
2001[9] Instrumentista de Música Regional Renato Borghetti Indicado
Disco Instrumental Paixão no Peito Indicado
2007[10] Instrumentista de Música Instrumental Renato Borghetti Venceu
Disco de Música Instrumental Fandango! Venceu
DVD do Ano Fandango! Venceu
2012[11] DVD do Ano Quarteto Europa Venceu
2017[12] DVD do Ano Gaita na Fábrica Venceu
Instrumentista de Música Regional[13] Renato Borghetti Indicado
Disco de Música Regional Gaita na Fábrica Indicado

Referências

  1. a b c Pufal, Andressa (7 de novembro de 2024). «Renato Borghetti e a Gaita Ponto: 40 anos de sucesso e um Disco de Ouro». Jornal do Comércio. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  2. a b c d e f g «renato-borghetti». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 29 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 31 de outubro de 2017 
  3. «USATODAY.com - Complete list of 6th annual Latin Grammy nominations». usatoday30.usatoday.com. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  4. «Lista de candidatos a los Grammy Latino 2008». Diario ABC (em espanhol). 11 de setembro de 2008. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  5. «Renato Borghetti». renatoborghetti.com.br. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  6. Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Vencedores do Prêmio Açorianos de Música - 1998». Consultado em 17 de abril de 2018 
  7. Correio do Povo (26 de março de 1999). «Açorianos de Música premia destaques de 98». Consultado em 17 de abril de 2018 
  8. Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Indicados ao Prêmio Açorianos de Música - 2000». Consultado em 18 de abril de 2018 
  9. Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Indicados ao Prêmio Açorianos de Música - 2001». Consultado em 18 de abril de 2018 
  10. Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Vencedores do Prêmio Açorianos de Música - 2007». Consultado em 2 de maio de 2018 
  11. Prefeitura Municipal de Porto Alegre (26 de junho de 2013). «Açorianos premia os destaques da música popular gaúcha». Consultado em 7 de maio de 2018 
  12. ABRAMUS. «Prêmio Açorianos 2017: Filiados da Abramus são premiados em 15 categorias». Consultado em 16 de abril de 2018 
  13. Prefeitura Municipal de Porto Alegre (21 de fevereiro de 2018). «Prêmio Açorianos de Música anuncia lista de indicados». Consultado em 8 de maio de 2018 

Ligações externas