Relatório Franck

O Relatório Franck (do inglês: Franck Report)de junho de 1945 foi um documento assinado por vários físicos nucleares proeminentes recomendando que os Estados Unidos não usassem a bomba atómica como arma para provocar a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.
O relatório recebeu o nome de James Franck, o chefe do comité que o produziu. O comité foi nomeado por Arthur Compton e reuniu-se em segredo, em sessões noturnas num ambiente altamente seguro.[1] Em grande parte escrito por Eugene Rabinowitch,[1] o relatório falava sobre a impossibilidade de manter as descobertas atómicas dos Estados Unidos em segredo indefinidamente. O relatório previu uma corrida armamentista nuclear, forçando os Estados Unidos a desenvolver armamentos nucleares num ritmo tal que nenhuma outra nação pensaria em atacar primeiro por medo de retaliação avassaladora. Esta previsão acabou se mostrando precisa, pois a corrida armamentista nuclear e o conceito de destruição mútua assegurada tornaram-se um fator importante na Guerra Fria. O relatório recomendou que a bomba nuclear não fosse usada e propôs que uma demonstração da "nova arma" fosse feita diante dos olhos de representantes de todas as Nações Unidas, numa ilha árida ou deserto, ou tentar manter a existência da bomba nuclear em segredo pelo maior tempo possível.[2]
No primeiro caso, a comunidade internacional seria avisada dos perigos e encorajada a desenvolver um controlo internacional eficaz sobre tais armas. No último caso, os Estados Unidos ganhariam vários anos para desenvolver ainda mais o seu armamento nuclear antes que outros países iniciassem a sua própria produção. O Relatório Franck foi assinado por James Franck (Presidente), Donald J. Hughes, J.J. Nickson, Eugene Rabinowitch, Glenn T. Seaborg, J.C. Stearns e Leó Szilárd.[3]
Por um acidente da história, estávamos entre os poucos que estavam conscientes de um novo perigo que ameaçava o mundo, e sentimo-nos obrigados a expressar as nossas opiniões.
Franck levou o relatório a Washington em 12 de junho,[1] onde o Comité Interino, nomeado pelo presidente Truman para aconselhá-lo sobre o uso da bomba atómica, se reuniu em 21 de junho para reexaminar as suas conclusões anteriores. No entanto, este comité reafirmou que não havia alternativa ao uso da bomba[4] e em 6 e 9 de agosto, os americanos lançaram bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki.
O Relatório foi desclassificado e divulgado ao público no início de 1946, mas os funcionários do Projeto Manhattan exigiram a censura de algumas passagens.[5]
Ver também
- Petição de Szilárd - petição malsucedida contra o uso da bomba atómica, assinada por 70 cientistas do Projeto Manhattan em julho de 1945.
- Ralph Austin Bard - contendo a descrição do memorando do subsecretário da Marinha Ralph A. Bard pedindo um aviso ao Japão antes de usar a bomba atómica.
Referências
- ↑ a b c d Wittner, Lawrence S. (1993). The Struggle Against the Bomb: One World or None: A History of the World Nuclear Disarmament Movement Through 1953. Col: Stanford Nuclear Age Series. [S.l.]: Stanford University Press. pp. 25. ISBN 0-8047-2141-6 Verifique o valor de
|url-access=registration(ajuda) - ↑ Schollmeyer, Josh (janeiro–fevereiro de 2005). «Minority Report». www.thebulletin.org. Bulletin of the Atomic Scientists. Consultado em 4 de agosto de 2009
- ↑ Howard Gest, The July 1945 Szilard Petition on the Atomic Bomb: Memoir by a signer in Oak Ridge Arquivado em 2006-03-07 no Wayback Machine. bio.indiana.edu
- ↑ Frank, Richard B. (1999). Downfall: the End of the Imperial Japanese Empire. New York: Penguin. 260 páginas. ISBN 0-14-100146-1
- ↑ «The Uncensored Franck Report». NuclearSecrecy.com. 11 de janeiro de 2012. Consultado em 11 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 31 de janeiro de 2012
Ligações externas
O texto do Relatório Franck está disponível nestes locais online (em inglês):
