Relações entre Nicarágua e Santa Sé

As relações entre a Nicarágua e a Santa Sé referem-se às relações atuais e históricas entre a República da Nicarágua e a Santa Sé. O catolicismo foi introduzido na Nicarágua no início do século XVI pela colonização espanhola e é a religião predominante no país, com aproximadamente 45% da população.[1] A Nicarágua é o maior país em extensão da América Central e é um estado laico desde 1939.[2]

Catedral da Imaculada Conceição, em Manágua.

Após uma escalada de tensões entre a Igreja e o Governo, a Nicarágua rompeu as relações diplomáticas com a Santa Sé, em 13 de maio de 2023, congelando as contas bancárias das dioceses católicas no país. A decisão ocorreu em meio às repressões do ditador Daniel Ortega às manifestações da Igreja Católica contra o seu regime e agravadas pelas críticas feitas pelo papa Francisco.[3]

História

Início das relações

Muito antes do surgimento do estado do Vaticano, a Nicarágua e a Igreja Católica já compartilhavam uma relação profunda desde o século XVI, com a colonização espanhola.

Mesmo após a independência da Nicarágua em 1821 e a sua nova Constituição de 1893, que declarava o Estado laico em todo o país, a Igreja ainda manteve um papel fundamental dentro da sociedade nicaraguense, no que envolvia registros civis, educação e assistência social.

Até a década de 1960, o Vaticano via a Nicarágua como um típico país católico da América Central, com uma Igreja relativamente conservadora e próxima das elites agrárias.

Em 1979, com a impopularidade do ditador Anastasio Somoza, setores mais revolucionários da Igreja, alinharam-se com as forças sandinistas na derrubada do regime. Isso aproximou muito os líderes da Revolução Sandinista com setores da Igreja Católica adeptos da Teologia da Libertação, que pregava uma interpretação social do Evangelho e a "libertação" das ditaduras como um dever pastoral da Igreja.

Esse alinhamento, todavia, não era unânime dentro da Igreja. A maior parte dos bispos seguia uma linha mais conservadora, enquanto a base popular e de parte dos clérigos, apoiavam os sandinistas, inclusive alguns padres ocupavam cargos importantes dentro do governo de esquerda.[4]

Visita de João Paulo II em 1983

Tensões

As relações do governo de Daniel Ortega com a Igreja Católica se deterioraram a partir dos protestos de 2018, quando a Igreja se alinhou a diversas ONGs locais e a governos internacionais em denunciar as políticas autoritárias e de repressão violenta dos protestos por parte do governo de Ortega.

Apesar da Igreja ser uma instituição apartidária, a partir disso, o deterioramento das relações entre o regime da Nicarágua e a Santa Sé tornaram-se cada vez mais crescente.[5]

Referências