Relíquias da Sainte-Chapelle

As Relíquias da Sainte-Chapelle são relíquias de Jesus Cristo adquiridas pela monarquia francesa na Idade Média e atualmente conservadas pela Arquidiocese de Paris. Originalmente guardadas na Sainte-Chapelle, em Paris, França, elas agora estão no tesouro da catedral de Catedral de Notre-Dame de Paris.
História
Idade Média e início da Idade Moderna
São Luís (Rei Luís IX) construiu a Sainte-Chapelle no século XIII para abrigar a Santa Coroa, um fragmento da Vera Cruz e outras relíquias que havia adquirido de Balduíno II de Constantinopla. Isso fez da própria capela um imenso relicário, abrigando a coroa, o fragmento da Vera Cruz, relíquias da Virgem Maria (em particular seu leite), a Santa Lança, a Santa Esponja e o Mandílio, uma suposta imagem de Cristo.[1] As outras dezessete relíquias compradas de Constantinopla foram o Sangue de Cristo, as fraldas do menino Jesus, uma corrente, uma pedra do Santo Sepulcro, uma cruz, um manto púrpura, um junco, parte de sua mortalha, a toalha com a qual ele enxugou os pés dos Apóstolos, o cajado de Moisés, parte da cabeça de João Batista e as cabeças de São Brás, São Clemente e São Simeão.[2]
No início da era moderna, os reis da França esvaziaram seus tesouros, venderam rubis e fundiram ouro para suprir suas vastas necessidades de gastos militares, transformando todos os tesouros eclesiásticos da capela em uma reserva monetária que poderia ser usada se necessário, como também havia acontecido na Idade Média. Isso significou que, sob o reinado de Henrique IV de França (reinou de 1589 a 1610) o que restava do tesouro foi reduzido ao estado em que se manteria até a Revolução Francesa.
Da Revolução aos dias atuais
A Revolução impôs a proibição de conservar relíquias e todos os outros símbolos sagrados ligados aos reis, embora isso permitisse que peças consideradas de alta qualidade artística fossem preservadas. Essas relíquias foram entregues ao arcebispo de Paris em 1804 e ainda hoje são guardadas no tesouro da catedral de Notre-Dame, sob os cuidados dos Cavaleiros do Santo Sepulcro e do cabido da catedral. Na primeira sexta-feira de cada mês, às 15h, sob a guarda dos Cavaleiros, as Sagradas Relíquias são expostas para veneração dos fiéis diante do altar-mor da catedral.[3] Na Sexta-feira Santa, essa veneração dura o dia todo, intercalada pelas celebrações litúrgicas. Uma exposição intitulada Le trésor de la Sainte-Chapelle foi instalada no Museu do Louvre em 2001. Após o incêndio de abril de 2019 em Notre-Dame, as relíquias foram transferidas para um local seguro, primeiro para a prefeitura de Paris durante a noite,[4] e depois para o Louvre.[5]
Notas e referências
- ↑ (em francês) Jannic Durand, "Les reliques de Constantinople", in Dossier d'archéologie, Faton, vol. 264 « La Sainte Chapelle », juin 2001, p. 60-65 (ISSN 1141-7137)
- ↑ Martin J.L, "Las Cruzadas", in Cuardernos historia, 16, n. 140, p 28
- ↑ Notre-Dame de Paris: Veneration of the Crown of Thorns Arquivado em 2013-09-26 no Wayback Machine
- ↑ Marshall, Alex (15 de abril de 2019). «Fate of Priceless Cultural Treasures Uncertain After Notre-Dame Fire». New York Times. Consultado em 27 de junho de 2019
- ↑ Shaw, Annie (16 de abril de 2019). «Precious Works Rescued from Notre Dame to be Transferred to the Louvre». The Art Newspaper. Consultado em 27 de junho de 2019
Bibliografia
- Durand, Jannic. Le trésor de la Sainte Chapelle. Exh. cat. Paris, 31 mai–27 août 2001. Réunion des musées nationaux, Paris, 2001.
- Hahn, Cynthia. The Reliquary Effect: Enshrining the Sacred Object. Londres: Reaktion Books, 2017: 122–130.
- Hahn, Cynthia. "The Sting of Death is the Thorn, But the Circle of the Crown is Victory Over Death: The Making of the Crown of Thorns." In Saints and Sacred Matter, edited by Cynthia Hahn and Holger Klein. Washington: Dumbarton Oaks, 2014: 107–109.