Região de Planejamento da Pré-Amazônia
A Região de Planejamento da Pré-Amazônia é uma das 32 regiões administrativas de planejamento em que se divide o estado do Maranhão, Brasil, instituídas pela Lei Complementar n.º 8.717, de 21 de novembro de 2007.[1] Tem como município-sede Presidente Dutra e integra a porção central do território estadual.
Municípios
A região é composta por oito municípios:[1]
- Governador Eugênio Barros
- Governador Luiz Rocha
- Graça Aranha
- Presidente Dutra
- Santa Filomena do Maranhão
- São Domingos do Maranhão
- Senador Alexandre Costa
- Tuntum
Rodovias
As principais rodovias federais que atravessam a região são a BR-226, que corta o território no sentido oeste–leste, e a BR-135, eixo de ligação no sentido norte–sul.
Saúde
Na área da saúde, Presidente Dutra abriga o Hospital Regional de Urgência e Emergência de Presidente Dutra, unidade que atende casos de média e alta complexidade e funciona como referência para municípios das regiões Centro e Leste do estado do Maranhão.
No município de Tuntum está instalado o Centro de Imagem Antônio Joaquim da Cunha, equipamento de saúde vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) que, por meio do SUS, oferece à população de dezenas de municípios exames de tomografia computadorizada, ultrassonografia, raio X e mamografia.
Educação
O município de Presidente Dutra conta com um campus da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), o Centro de Estudos Superiores de Presidente Dutra (CESPD), que atende estudantes da região de planejamento da Pré-Amazônia e de áreas vizinhas.
Agropecuária
São Domingos do Maranhão destaca-se na agricultura regional, em especial na produção de abacaxi. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, em meados da década de 2010 o município apresentou a maior área plantada de abacaxicultura do Maranhão (cerca de 1.050 ha), a maior área colhida (1.050 ha) e a maior quantidade produzida (aproximadamente 20.023.000 frutos), configurando-se como principal produtor estadual da cultura.[2]
O município realiza anualmente a denominada Festa do Abacaxi, evento associado à cadeia produtiva local da fruta e que, em edições recentes, contou com apoio de órgãos públicos e entidades como Embrapa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil, FAEMA, SENAR e SEBRAE.[2]
Terminologia
O uso da expressão "pré-Amazônia" para designar parte do território maranhense tem sido questionado por pesquisadores, que apontam ausência de critérios científicos claros, seja sob o ponto de vista biogeográfico, seja sob o ponto de vista ecológico. Autores sugerem que a terminologia foi adotada e difundida a partir da década de 1980 em discursos e materiais oficiais como forma de atenuar ou invisibilizar o caráter amazônico da região e, com isso, relativizar a aplicação de normas de proteção específicas do bioma amazônico, como a exigência de 80% de reserva legal em imóveis rurais situados nesse bioma.[3]
Estima-se que aproximadamente 34% da área do Maranhão corresponda ao bioma Amazônia, abrangendo cerca de 62 municípios. Estudos indicam que, desse total, algo em torno de 71% já foi desmatado, restando menos de 25% de cobertura florestal original. As terras indígenas Alto Turiaçú (c. 530.525 ha), Awá (c. 118.000 ha) e Caru (c. 172.667 ha), bem como a Reserva Biológica do Gurupi (c. 278.000 ha), são apontadas como áreas centrais para a conservação da floresta remanescente, embora submetidas a pressões relacionadas ao desmatamento, incêndios florestais, retirada ilegal de madeira, mineração, produção de carvão, caça e criação extensiva de gado.[3]
Na chamada Amazônia maranhense, pesquisas apontam a ocorrência de, pelo menos, 109 espécies de peixes, 124 de mamíferos e 503 de aves, incluindo espécies ameaçadas, como o gavião-real e primatas como o cairara-ka’apor (Cebus kaapori) e o cuxiú-preto (Chiropotes satanas). A região apresenta, em média, cerca de 570 árvores por hectare, pertencentes a pelo menos 100 espécies diferentes.[3]
Referências
- ↑ a b «Lei Complementar n.º 8.717, de 21 de novembro de 2007» (PDF). Regionalização do Estado do Maranhão. Diário Oficial do Estado do Maranhão. 21 de novembro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2016
- ↑ a b «A nova fronteira da abacaxicultura do Brasil» (PDF). Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Consultado em 6 de dezembro de 2016
- ↑ a b c Miotto, Karina (24 de janeiro de 2012). «Amazônia maranhense requer atenção para continuar existindo». ((o))eco. Consultado em 4 de novembro de 2020