Redsocks (banda)
| Redsocks | |
|---|---|
![]() Redsocks no Morte ao Silêncio Fest (2025) | |
| Informações gerais | |
| Origem | Ovar |
| País | Portugal |
| Género(s) | Punk-rock Ska |
| Período em atividade | 2004 - 2012 2025 - (atualidade) |
| Afiliação(ões) | Lola Muff Mad Joe's Los Caballeros Hippies Alive Meu Pobre Rapaz Pevides de Cabaça |
| Integrantes | Luís Pinto João Leal Ricardo Matos Hugo Pereira Rafael Silva |
| Ex-integrantes | Miguel Sampaio |
| Prémios | COMA - 1º Lugar (Aveiro), 2009 |
| Página oficial | redsocksovar |
Os Redsocks (por vezes, referidos como Red Socks) são uma banda portuguesa de punk-rock e ska, formada em 2004, em Ovar.
Idealizada quando os seus membros eram ainda estudantes do ensino secundário, a banda mistura elementos de punk-rock e ska, tendo sido alvo de relevante cobertura mediática, principalmente, no final da década de 2000.
Tendo editado uma compilação de originais, em 2008, os Redsocks acabariam por desbandar em 2010, iniciando um hiato de cerca de treze anos.
Em 2025, voltaram inesperadamente à atividade, participando num concerto solidário, em Ovar. No mesmo ano fizeram parte do cartaz do festival Morte ao Silêncio (Válega), cimentando o seu regresso aos palcos.
Biografia
Criação da banda
A ideia de criar uma banda partiu de Hugo Pereira (guitarra) e Ricardo Matos (baixo), no início da década de 2000, enquanto estes eram estudantes na Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar. Este projeto, entretanto nomeado Redsocks, viria a ser composto por vários elementos, sem no entanto se chegar a uma constituição que se reunisse e levasse efetivamente a cabo quaisquer ensaios.[1][2][3][4]
Em 2004, os amigos João Leal e Bruno Gonçalves (que planeavam igualmente começar uma banda) são convidados a juntar-se aos Redsocks, para as posições de guitarra solo e bateria, respetivamente. No entanto, Bruno acabaria rapidamente por desistir da ideia, devido ao facto de não possuir bateria nem meios para aprender a tocar. No sentido inverso, João decide continuar com os Redsocks, assumindo igualmente a posição de vocalista, por ser o único elemento capaz de tocar e cantar ao mesmo tempo.[1][3][4]

No mesmo ano, Miguel "Mike" Pestana (baterista de Fernando Daniel) comenta que um dos seus alunos (Miguel Sampaio) estava à procura de banda, e intercede um encontro entre este e os Redsocks. Este encontro acontece em 20 de abril de 2004, no bar Cem Álcool (Ovar), e define o início efetivo de atividade do grupo, com quatro elementos.
Após o ingresso de Miguel, iniciam-se os primeiros ensaios, no sótão dos pais do baterista. Dois meses depois, os Redsocks tinham já temas originais suficientes para uma primeira atuação ao vivo, que ocorre em 11 de junho de 2004, no mesmo local onde a banda tinha sido formada (bar Cem Álcool). Seguiram-se mais alguns concertos ao vivo, na Região de Aveiro, culminando com a participação da banda no festival Punk Fest, realizado no Furadouro e que contou com bandas como More Than a Thousand, Fonzie ou Easyway.[1][3][4]
Em setembro de 2004, uma amiga da banda (Filipa Mané) ouve os Redsocks comentarem que seria interessante integrar sopros nas suas músicas, e sugere que o namorado (Luís Pinto) participe num ensaio. Após este, Luís é oficialmente integrado nos Redsocks, como saxofonista. João sugere igualmente que Luís assuma a posição de vocalista principal, de forma a libertá-lo para a execução de solos de guitarra mais elaborados e permitir que Luís preenchesse com voz os momentos em que as músicas não contém partes de saxofone.[1][3][4]
Formação definitiva
No final de 2004, divergências entre os membros da banda levam a que Miguel Sampaio saia dos Redsocks, embora continuasse a participar em projetos musicais (Miguel tornar-se-ia músico profissional de jazz).[1][4][5]
Decididos a continuar a tocar, em 2005, os Redsocks convidam Rafael Silva (baterista dos Mad Joe's) a ensaiar temporariamente com a banda, até esta encontrar um substituto definitivo. No entanto, com o decorrer dos ensaios, tanto Rafael como os restantes membros apercebem-se de que a produção musical desta formação agradava a todos os participantes, e decidem pela integração definitiva de Rafael na banda.[1][3][4]
Com a integração do baterista, a formação definitiva dos Redsocks ficaria composta por um saxofonista (Luís Pinto), dois guitarristas (Hugo Pereira e João Leal), um baixista (Ricardo Matos) e um baterista (Rafael Silva). João e Ricardo mantiveram a função de vocalistas em algumas das músicas originais, pelo que a posição de vocalista passou a ser assumida repartidamente, entre os três.[1][3][4]
Atividade até ao final de 2009
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Após a consolidação da formação definitiva, a banda iniciou ensaios regulares numa sala de ensaio improvisada, na zona industrial de Ovar. Denominado Kaza do Rock, este espaço era o principal local de ensaio e de convivência de várias bandas de garagem locais, tais como Twenty Toon, Cabeças de Martelo, Trinco no Mamilo ou Los Caballeros. Durante este período, os Redsocks realizaram diversos concertos em várias localidades do país, incluindo Mirandela, Albufeira e Porto. Apesar desta atividade, o grupo não possuía ainda qualquer registo fonográfico representativo do seu repertório.[1][3][4]
Em janeiro de 2008, foi anunciado o despejo e demolição do espaço que alojava a Kaza do Rock, o que forçou a banda a localizar um novo local de ensaio. Em março, os Redsocks começaram a ensaiar num estúdio em Esmoriz, permitindo ao grupo regressar ao processo criativo e à preparação de futuras atuações.[1][3][4]
Ainda em 2008, os Redsocks lançaram a compilação de originais Rock 'n Roll is Bitchin', de forma independente,[2][4][1] com três temas originais (Passivity, Kitty e Kid Gasoline). O nome da compilação faz referência e homenagem à música homónima lançada no álbum Cheer Up!, de Reel Big Fish, uma das influências musicais da banda.[1][3][4]
Em março de 2008, os Redsocks participaram no Concurso de Música de Aveiro (COMA), iniciativa organizada pela Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro, que contou também com a presença das bandas The Un-X-Pected, PaperLost e Reckless. A banda obteve o segundo lugar na competição, facto que contribuiu para a sua maior visibilidade no panorama musical local. Em novembro, o interesse pelo grupo motivou várias entrevistas em órgãos de comunicação como a rádio Informédia (São João da Madeira) ou o jornal OvarNews (Ovar).[1][3][4][2][6]
Em 2009, a banda participou em vários festivais e concursos de música, destacando-se o VieiraRock (Vieira do Minho), SuperBock SuperRock, Latada de Coimbra e OVAR ao VIVO.[1][3][4]
Ainda em 2009, os Redsocks voltaram a participar no concurso COMA,[2][7] sendo premiados com o 1º lugar. Este prémio permitiu-lhes integrar a edição de 2009 da Semana do Enterro da Universidade de Aveiro, na qual atuaram em abril do mesmo ano, juntamente com artistas como os GNR, Brandi Carlile, Deolinda e Rui Veloso. No dia do concerto, partilharam o palco com David Fonseca e Rita Redshoes.[1][2][3][4][7][8]
Hiato
Em 2010, apesar do sucesso do ano anterior, os Redsocks decidiram iniciar um hiato, motivado principalmente pelas deslocações, por motivos profissionais, de João (Tancos) e Hugo (Faro), que condicionavam fortemente a capacidade do grupo se reunir em ensaios. A partir desta data, a banda apenas se reuniu em concertos de forma esporádica, tais como os que aconteceram na primeira edição do festival Viva Hell Mexico (2011),[9] ou na sede do Grupo Carnavalesco Hippies (2012).[4][10]
Durante mais de uma década, os membros da banda mantiveram-se geralmente afastados de novos projetos musicais, à exceção de Luís, que integrou os grupos Lula Muff, Meu Pobre Rapaz, e Pevides de Cabaça.[9] Apesar disso, todos participaram em várias formações ad-hoc dos Hippies Alive, agrupamento que seria reestruturado e oficialmente apresentado em 2024.[11]
Regresso à atividade

No final de 2024, os Redsocks foram inesperadamente anunciados na reedição do festival Viva Hell Mexico, de cariz solidário a favor da associação APADO, juntamente com as bandas Trinco no Mamilo, Pevides de Cabaça, No Violation e Twenty Toon.[9] Regressando aos ensaios, cerca de 13 anos após o último concerto, a banda reuniu-se em janeiro de 2025 para participar no festival. Em julho do mesmo ano, participaram no Morte ao Silêncio Fest (Válega), confirmando oficialmente o seu regresso à atividade.[12][13] Em dezembro, participaram no CARNATAL (organizado pelo Grupo Carnavalesco Os Hippies), cuja receita reverteu novamente a favor da APADO.[14]
Características
A sonoridade dos Redsocks resulta da combinação entre o punk-rock e o ska, marcada por guitarras cruas e distorcidas em andamento acelerado, sobre as quais se sobrepõe a melodia do saxofone, elemento invulgar neste contexto que introduz contraste e fluidez à estrutura musical.[1]
Nos primeiros anos, o grupo mostrou afinidades com o punk-pop de bandas como Blink-182, Green Day ou Good Charlotte, o que se refletiu em temas iniciais como Let Me Try, Bob ou Wonderland. A canção Run Away segue a mesma orientação, apresentando letras próximas do imaginário juvenil dos filmes norte-americanos do final da década de 1990 e início da de 2000. Nesta fase, todas as composições eram interpretadas em inglês.[1][3]
Com a evolução do projeto, a música tornou-se mais pesada, aproximando-se de referências como Pennywise, NOFX ou Rise Against, sobretudo no uso intensivo da distorção e em estruturas rápidas de guitarra. Também as letras passaram a abordar de forma mais direta questões sociais e políticas, deixando para trás temáticas juvenis. Exemplos deste período são Passivity e We Won’t Fall, que aliam guitarras aceleradas a vocais de registo mais agressivo.[1][3]
A utilização do saxofone constituiu um traço constante na evolução dos Redsocks, funcionando como elemento de contraste com a distorção das guitarras e aproximando a banda de sonoridades como a dos britânicos Capdown. Essa interação é visível em composições como Kid Gasoline e Kitty. [1][3]
Mais recentemente e continuando o trabalho interrompido no início da década de 2010, os Redsocks editaram o primeiro tema em português, uma versão da tradicional Cantar de Emigração, de Rosalía de Castro e popularizada em Portugal por Adriano Correia de Oliveira, com instrumental de José Niza.[1][9]
Integrantes
Formação
- Luís Pinto (saxofone/vocais);
- João Leal (guitarra-solo/vocais);
- Hugo Pereira (guitarra-ritmo);
- Ricardo Matos (baixo/vocais);
- Rafael Silva (bateria).[4][1]
Ex-integrantes
Discografia
Associativismo
A banda tem a particularidade de todos os seus membros integrarem o Grupo Carnavalesco Os Hippies, que desfila no Carnaval de Ovar. Alguns destes participam ainda na banda de covers associada ao grupo, com o nome Hippies Alive, atuando em vários eventos durante o ano.[16]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v INFORMÉDIA 106.3 FM (1 de novembro de 2008). «Rádio Informédia - Entrevista Redsocks» (Rádio). Rádio Informédia | 106.3 FM (São João da Madeira). Consultado em 6 de julho de 2022
- ↑ a b c d e Aveiro, Universidade de. ««The Seca Show» estreia-se dia 16 de Abril no Seca2tv». Universidade de Aveiro. Consultado em 16 de março de 2021. Cópia arquivada em 16 de fevereiro de 2022
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o «Bandas Emergentes - REDSOCKS». Blitz (revista) (42): 12. Dezembro de 2009
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r «Redsocks - BLITZ». web.archive.org. 15 de novembro de 2014. Consultado em 16 de março de 2021
- ↑ LusoDrums (16 de fevereiro de 2022). «12º Festival Porta-Jazz | Entrevista a Miguel Sampaio». Youtube. Consultado em 20 de julho de 2023. Cópia arquivada em 20 de julho de 2023
- ↑ «Arquivo.pt». AAUAV - Bandas participantes do COMA. Arquivo.pt. Consultado em 24 de outubro de 2023. Arquivado do original em 21 de outubro de 2008
- ↑ a b «Arquivo.pt». AAUAv - Associação Académica da Universidade de Aveiro. Consultado em 24 de outubro de 2023. Arquivado do original em 25 de maio de 2009
- ↑ «Brandi Carlile, Deolinda e Rui Veloso no Enterro'09». OAveiro. Consultado em 24 de outubro de 2023. Arquivado do original em 24 de junho de 2009
- ↑ a b c d OvarNews (11 de janeiro de 2025). «Vingança, delírio e loucura em noite Rock revivalista e solidária». OvarNews. Consultado em 13 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2025
- ↑ «Redsocks - Bio». Redsocks - Repositório Digital. 2019. Consultado em 8 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2022
- ↑ OvarNews (22 de junho de 2024). «"Hippies Alive" enchem o palco da Ribeira no "warm up" das marchas». OvarNews. Consultado em 8 de julho de 2024. Cópia arquivada em 22 de junho de 2024
- ↑ adminCM (23 de julho de 2025). «Morte ao Silêncio Fest: Horários e informações». Caminhos Metálicos. Consultado em 27 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
- ↑ Barros, Francisco (21 de julho de 2025). «Morte ao Silêncio 2025». Irreversível. Consultado em 27 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
- ↑ OvarNews (27 de dezembro de 2025). «Hippies solidários com "patudos" da APADO». OvarNews. Consultado em 29 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Rock 'n Roll is Bitchin'». 24 de abril de 2025. Consultado em 27 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
- ↑ «"Bike Tascas Tour" dos Hippies na estrada - OvarNews». Ovar News. 25 de outubro de 2023. Consultado em 25 de outubro de 2023. Cópia arquivada em 25 de outubro de 2023
