Rattus fuscipes

Rattus fuscipes
Ocorrência: Holoceno

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Muridae
Género: Rattus
Espécie: R. fuscipes
Nome binomial
Rattus fuscipes
(Waterhouse, 1839)[2]
Distribuição geográfica
Distribuição em nível de subespécie: vermelho=R. f. fuscipes; verde=R. f. greyi, azul=R. f. assimilis, marrom=R. f. coracius
Distribuição em nível de subespécie: vermelho=R. f. fuscipes; verde=R. f. greyi, azul=R. f. assimilis, marrom=R. f. coracius

O Rattus fuscipes[3] é um pequeno animal noturno nativo da Austrália. Trata-se de um onívoro e uma das espécies de ratos indígenas mais comuns do continente, amplamente encontrada em áreas de charneca em Victoria e Nova Gales do Sul.

Taxonomia

A descrição da espécie por George Robert Waterhouse foi publicada na segunda parte da série Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle, editada por Charles Darwin.[2][3] Inicialmente, a espécie foi classificada no gênero Mus, uma categoria mais ampla na época, sendo posteriormente transferida para o gênero Rattus. O espécime-tipo foi coletado enquanto o HMS Beagle estava ancorado em King George Sound, um porto no sudoeste do continente. Darwin registrou a captura como "apanhado em uma armadilha com queijo, entre os arbustos...".[2] O local-tipo foi determinado como Little Grove [en], Austrália Ocidental, a 6 km ao sul do Monte Melville, na cidade de Albany. A população é considerada parte do grupo de espécies fuscipes, já que a espécie recebeu diferentes tratamentos de subespécies.[3]

Quatro subespécies são reconhecidas, cada uma ocupando regiões ou habitats distintos:[4]

  • Rattus fuscipes assimilis: comum na região costeira do sul e leste do continente, de Rockhampton, Queensland, até Timboon, em Victoria;
  • Rattus fuscipes coracius: nordeste de Queensland, em Cooktown e Townsville, em florestas tropicais de baixa ou alta altitude;
  • Rattus fuscipes fuscipes: a subespécie nominal, encontrada no sudoeste da Austrália, de Jurien Bay até a Baía de Israelite;
  • Rattus fuscipes greyii: subespécie do sul, distribuída da Península de Eyre até o oeste de Portland, em Victoria.

A subespécie R. fuscipes coracius já foi considerada mais próxima geneticamente da espécie do Cabo York, Rattus leucopus, com a qual compartilha área de distribuição, mas evidências posteriores não corroboraram essa similaridade morfológica.[3]

Descrição

Embora não haja muitas características que distingam facilmente o Rattus fuscipes de outras espécies de Rattus, ele é caracterizado por possuir pequenas bolhas timpânicas e um forame incisivo reto. Adultos são menores que o Rattus lutreolus [en], e as almofadas dos pés do Rattus fuscipes são rosadas, enquanto as do Rattus lutreolus são marrom-escuras.[5] Os pelos dos pés são curtos e pálidos, exceto na subespécie Rattus fuscipes coracius, que é visivelmente mais escura.[4] Os pés são pentadáctilos, com garras em todos os dedos.[5] A cauda é marrom-rosada, quase sem pelos, com escamas sobrepostas que dão uma aparência anelada evidente.[4] A espécie exibe dimorfismo sexual: os machos são maiores que as fêmeas.[5] Seus olhos grandes e proeminentes os diferenciam do Rattus leucopus, de focinho mais estreito, onde suas distribuições se sobrepõem.[4]

A espécie varia muito em coloração e tamanho. O comprimento combinado da cabeça e do corpo vai de 100 a 205 mm, e a cauda mede de 100 a 195 mm, com medidas aproximadas entre os indivíduos. A pelagem ventral é cinza-clara ou creme, mesclando-se com o flanco ruivo e o marrom mais escuro da parte superior; a cor geral é cinza ou marrom-avermelhada. O pé traseiro tem de 30 a 40 mm, e a orelha de 18 a 25 mm. O peso médio, variando de 50 a 225 g, é de 125 g. O número de mamilos varia entre as populações regionais: as fêmeas têm um par de mamilos peitorais e quatro na região inguinal, exceto no norte de Queensland, onde os mamilos peitorais estão ausentes.[4]

Distribuição e habitat

O Rattus fuscipes é encontrado principalmente nas regiões costeiras do sul e leste da Austrália. Embora predomine em terras baixas, também ocorre em altitudes mais elevadas nos Alpes Australianos. Sua distribuição costeira inclui algumas ilhas próximas, como a Ilha dos Cangurus. A subespécie sudoeste, R. fuscipes fuscipes, ocupa florestas esclerófilas de regiões de alta pluviosidade. Ao longo da costa sul, a subespécie R. fuscipes greyii habita áreas áridas, enquanto assimilis é encontrada de Victoria a Queensland.[4]

O habitat do R. fuscipes é terrestre, preferindo áreas úmidas com sub-bosque denso.[4] A espécie constrói uma toca rasa que leva a uma câmara-ninho forrada com grama e outra vegetação.[1]

Ameaças

Entre as maiores ameaças ao Rattus fuscipes estão as raposas-vermelhas e os gatos ferais, ambas espécies introduzidas. Evidências indicam que a incidência de incêndios pode aumentar a predação desses ratos, devido à remoção do sub-bosque que geralmente os protege.[6]

Dieta

O Rattus fuscipes não apresenta grande sobreposição alimentar com outras espécies locais de roedores. No verão, consome principalmente frutas, artrópodes e sementes, mas no inverno sua principal fonte de alimento é uma espécie específica de ciperácea. Em florestas, alimenta-se sobretudo de fungos e material vegetal fibroso.[7] Foram observados se alimentando de néctar sem danificar as flores, provavelmente auxiliando na polinização.[8]

Comportamento

Ilustração acompanhando a primeira descrição.

É principalmente herbívoro, consumindo fungos e tecidos vegetais, mas inclui artrópodes na dieta.[4]

Eles tendem a evitar áreas impactadas por humanos, e suas populações diminuem com o aumento de influências antropogênicas em uma região.[9]

Comportamento reprodutivo

A reprodução do Rattus fuscipes começa por volta de novembro, com ninhadas geralmente entre 4 e 5 filhotes. A maioria dos indivíduos não sobrevive até um segundo ciclo reprodutivo devido à curta expectativa de vida. O período de gestação varia entre 22 e 24 dias. O "berçário" é sua toca, e o período de amamentação dura cerca de 20 a 25 dias.[10]

Referências

  1. a b Menkhorst, P.; Lunney, D.; Ellis, M.; Burnett, S.; Friend, T. (2017) [errata version of 2016 assessment]. «Rattus fuscipes». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T19333A115146907. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T19333A22441590.enAcessível livremente. Consultado em 9 de março de 2022 
  2. a b c Darwin, C.; Bell, T.; Gould, E.; Gould, J.; Owen, R.; Waterhouse, G.R. (1839). The zoology of the voyage of H.M.S. Beagle ... during the years 1832–1836. 2. [S.l.]: Smith, Elder & Co. 
  3. a b c d Musser, G.G. (2005). «Superfamily Muroidea». In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. Mammal Species of the World 3º ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  4. a b c d e f g h Menkhorst, P.W.; Knight, F. (2011). A field guide to the mammals of Australia 3rd ed. Melbourne: Oxford University Press. p. 204. ISBN 9780195573954 
  5. a b c «Bush Rat – Rattus fuscipes assimilis». NSW Wildlife Information, Rescue and Education Service. Cópia arquivada em 4 de maio de 2008 
  6. Hradsky, Bronwyn; Mildwaters, Craig; Ritchie, Euan G.; Christie, Fiona; Di Stefano, Julian (8 de março de 2017). «Responses of invasive predators and native prey to a prescribed forest fire». J Mammal 2017 Gyx010. 98 (3): 835–847. doi:10.1093/jmammal/gyx010Acessível livremente. hdl:10536/DRO/DU:30100106Acessível livremente 
  7. Cheal, DC (1987). «The Diets and Dietary Preferences of Rattus-fuscipes and Rattus-lutreolus at Walkerville in Victoria». Australian Wildlife Research. 14: 35–44. doi:10.1071/WR9870035 
  8. Saul, A. (2013). Aliens replacing natives: are black rats effective substitutes for extinct native mammalian pollinators? (Tese de doutorado). University of Sydney. Consultado em 21 de outubro de 2015 
  9. Lindenmayer, D. B.; Cunningham, R. B.; Peakall, R. (2005). «The recovery of populations of bush rat Rattus fuscipes in forest fragments following major population reduction». Journal of Applied Ecology. 42 (4): 649–658. Bibcode:2005JApEc..42..649L. doi:10.1111/j.1365-2664.2005.01054.xAcessível livremente 
  10. Wood, DH (1971). «The ecology of Rattus fuscipes and Melomys cervinipes (Rodentia : Muridae) in a south-east Queensland rain forest». Australian Journal of Zoology. 19 (4): 371–392. doi:10.1071/ZO9710371 

Ligações externas