Radiotelevisão Comercial
| Radiotelevisão Comercial | |
|---|---|
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| Fundação | 4 de novembro de 1982 |
| Encerramento | dezembro de 2002 |
| Proprietário(s) | Radiotelevisão Portuguesa (95%) Instituto Português de Cinema (5%) |
| Empregados | 60 (2002)[1] |
| Sucessora(s) | Vídeos RTP |
A Radiotelevisão Comercial (RTC) foi uma empresa de produção e distribuição ligada à Radiotelevisão Portuguesa (RTP - atual Rádio e Televisão de Portugal) criada em 1982 e ativa durante meados dos anos 80 e os 90.[2]
Durante os anos 80 e 90, a RTC foi uma grande distribuidora de cassetes de vídeo (em 1996 deu origem aos Vídeos RTP) e foi a responsável nos dois canais da RTP pelo controlo da publicidade, além de ter produzido discos (CDs ou compact discs).
A RTC existiu até 2002, mas exclusivamente como uma produtora de discos, quando a sua principal acionista, a RTP, liquidou a empresa, para assumir o controlo da publicidade da empresa pública de televisão.[1]
História
Antecedentes
Durante os primeiros anos da Radiotelevisão Portuguesa, a publicidade da empresa era assegurada pela própria RTP, cujas receitas líquidas de 1961 indicavam lucros de 15 milhões de escudos.[3] No entanto, em julho de 1962, o Conselho de Administração da RTP debateu a hipótese de "alugar integralmente à RTP a exploração da publicidade" por parte de uma empresa estrangeira, tendo a escolhida sido a hispano-belga Movierecord.[3] A subsidiária portuguesa da empresa, a Movierecord Portuguesa, foi criada em setembro de 1962, tendo o acordo comercial entre a RTP e a Movierecord Portuguesa sido assinado no dia 26 do mesmo mês, com a empresa a pagar 3 mil contos mensais à RTP.[3]
Com a Revolução dos Cravos, em 1974, a RTP foi nacionalizada e o contrato com a Movierecord terminou em janeiro de 1976, tornando-se um mero prestador de serviços, a título precário, até janeiro de 1983.[3] De acordo com o Relatório Anual de 1977 da Movierecord, a situação financeira da empresa era muito debilitada (dívida de 150 mil contos, pois a RTP era o único credor e utilizador da Movierecord Portuguesa, e teve de ser substituída por uma nova empresa que utilizava grande parte da sua infraestrutura existente.[4] O nome Radiotelevisão Comercial já estava definido, mas a empresa estava longe de se tornar uma realidade.[4]
Radiotelevisão Comercial
A Radiotelevisão Comercial foi definitivamente formada em 4 de novembro de 1982, com o seu capital repartido entre os dois maiores credores da antiga concessionária de publicidade, a RTP (com 95%) e o Instituto Português de Cinema (5%).[2]
Nos anos seguintes, as atividades da empresa foram-se expandido para além da publicidade, para incluir a distribuição de cassetes de vídeo e de discos, assim como a produção de filmes, como a A Mulher do Próximo (1988), de José Fonseca e Costa.[5] Para além disso, a RTC também entrou no mercado angolano, através da assinatura de um contrato de exploração de publicidade em 1992, com a Televisão Pública de Angola, juntamente com a Eurovideo.[6] A RTC também patrocinou prémios de publicidade, os Prémios RTC, que existiram entre 1983 e 1999.[7][8]
Acusações de má gestão e extinção
Em 2002, a empresa foi acusada de negligência e má gestão referente ao seu presidente do Conselho de Gerência, Carlos Veloso, por, entre o segundo semestre de 2000 e primeiro de 2001, terem ficado 700 mil contos (cerca de 3,5 milhões de euros) por faturar, devido a problemas informáticos.[9] Em meados de 2000, Veloso havia cortado laços com a empresa que fornecia o software necessário que permitia fazer to trabalho relativo à gestão de clientes e faturação da publicidade da RTP, mas devido à falta de chegada do novo software que foi prometido, a faturação tinha de ser feita manualmente, o que dificultava a fiscalização das contas.[9] Por causa das mudanças no software, a RTC não forneceu 700 mil contos aos clientes entre julho e dezembro de 2000. Em agosto de 2002, o presidente da RTP, Almerindo Marques, recebeu cartas do pessoal da RTC, consciencializando as irregularidades.[9]
Como parte de uma reestruturação mais ampla da corporação, a RTP anunciou a liquidação da RTC em julho de 2002, com a RTP a tornar-se diretamente responsável pelas vendas de publicidade.[10] A liquidação da RTC coincidiu com a reestruturação levada a cabo pela televisão pública à data.
No final de dezembro de 2002, a empresa foi oficialmente liquidada e os seus 60 trabalhadores despedidos. Até à criação da unidade interna de publicidade da RTP, a televisão pública contratualizou uma empresa externa, responsável pelo software, para gerir a publicidade.[1]
Identidade visual
O seu logótipo foi talvez dos mais conhecidos da televisão portuguesa: um "olho" que piscava pelo menos uma vez em losango cortado, rodeado por duas linhas curvas, a de cima maior que a outra, de baixo, mais pequena.[11] Entre 1988 e 1991, o losango era amarelo, com linhas curvas cinzentas, tornando-se azul entre 1991 e 1994. Em todas os separadores que apareciam na RTP1 e na RTP2, o "olho" piscava, pelo menos, uma vez.[11]
Referências
- ↑ a b c Rodrigues, Sofia (25 de janeiro de 2003). «RTP sem vendedores de publicidade há um mês». PÚBLICO. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ a b Teves, Vasco Hogan. «RTP na idade da cor». museu.rtp.pt. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ a b c d Teves, Vasco Hogan. «"RTP aos 10 Anos». museu.rtp.pt. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ a b Teves, Vasco Hogan. «RTP-2: um novo Canal». museu.rtp.pt. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «Cinema Português». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ «Publicidade na TV angolana». Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ «8ª edição do prémio da RTC». Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ «Prémios RTC envoltos em polémica». PÚBLICO. 17 de maio de 1999. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ a b c Rodrigues, Sofia (21 de julho de 2002). «Indícios de negligência e gestão danosa na RTC». PÚBLICO. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ PÚBLICO (25 de julho de 2002). «Nova administração da RTP pretende dissolver RTC e Viver Portugal». PÚBLICO. Consultado em 29 de novembro de 2025
- ↑ a b Teves, Vasco Hogan. «Produção Nacional, uma aposta ganha». museu.rtp.pt. Consultado em 29 de novembro de 2025
