Quinto Pompeu Falcão
| Quinto Pompeu Falcão | |
|---|---|
| Nascimento | século I Sicily |
| Morte | século II |
| Cidadania | Roma Antiga |
| Cônjuge | Sosia Polla |
| Filho(a)(s) | Quintus Pompeius Sosius Priscus |
| Irmão(ã)(s) | Quintus Pompeius Priscus |
| Ocupação | soldado, político |
Quinto Pompeu Falcão (em latim: Quintus Pompeius Falco) foi um senador e general romano, nomeado cônsul sufecto para o nundínio de setembro a dezembro de 108, em conjunto com Marco Tício Lústrico Brutiano. É conhecido sobretudo por ter exercido o governo de várias províncias, entre elas a Britânia, a Judeia, a Mésia Inferior e a Lícia e Panfília.
Durante o reinado de Adriano, Falcão esteve à frente da Britânia em contexto de revolta local e, mais tarde, foi nomeado procônsul da Ásia, função considerada um dos pontos culminantes na carreira de um senador de estatuto consular.[1]
Nome
Seu nome completo era Quinto Róscio Célio Murena Sílio Deciano Vibúlio Pio Júlio Eurícles Herculano Pompeu Falcão (em latim: Quintus Roscius Coelius Murena Silius Decianus Vibullius Pius Julius Eurycles Herculanus Pompeius Falco), um caso frequentemente citado de polionímia. Werner Eck demonstrou que Falcão era filho de Sexto Pompeu Falcão e de Clódia Falconila, da Sicília, e identificou Quinto Pompeu Prisco (Quintus Pompeius Pr[iscus]) como seu irmão.[2]
As mais antigas inscrições que o mencionam, datadas de seu governo da Mésia Inferior (115–118), utilizam a forma abreviada Quinto Róscio Murena Célio Pompeu Falcão (em latim: Quintus Roscius Murena Coelius Pompeius Falco), o que indica que, em algum momento, ele foi adotado por outro senador que pretendia perpetuar o próprio nome e linhagem. A identidade desse pai adotivo é discutida na bibliografia moderna. Tanto Ronald Syme quanto Anthony Birley o identificam com Marco Róscio Célio, cônsul sufecto em 81.[3]
Segundo Olli Salomies, é possível que se trate do procônsul da Bitínia e Ponto, Marco (Róscio) Murena, de seu filho, Marco (Róscio) Murena, ou de seu neto, Marco Róscio Quírnia Lupo Murena, questor em Creta e Cirenaica.[4] Porém, o próprio Salomies observa que o pai adotivo de Falcão provavelmente teria o prenome "Quinto", como o do adotado, e não "Marco".[5] Por isso, propõe que o pai adotivo fosse um Quinto Róscio, possivelmente originário da Sicília e aparentado a alguns dos Róscios já mencionados.[6]
A inscrição mais recente a mencioná-lo, datada de 123, utiliza já o nome completo.[7] Entre 115 e 123, Falcão acrescentou os elementos "Sílio Deciano Vibúlio Pio Júlio Eurícles Herculano" ao seu nome. Os dois primeiros remetem ao cônsul sufecto em 94, Lúcio Sílio Deciano. Os últimos derivam do último dos euríclidas de Esparta, Caio Júlio Eurícles Herculano, que morreu entre 136 e 137. Já "Vibúlio Pio" provém de outro senador, Lúcio Vibúlio Pio, que adotou Eurícles Herculano em seu testamento.[8] A incorporação sucessiva desses nomes tem sido interpretada como reflexo das relações de parentesco e patronato que Falcão estabeleceu com distintas famílias senatoriais e equestres.
Carreira
Uma inscrição descoberta em Hierápolis no Piramo (moderna Castabala, na Cilícia), fornece os principais detalhes da carreira de Falcão.[9]
Início da carreira
Falcão iniciou sua trajetória pública como membro de um dos quatro comitês dos vigintíviros, o dos decemviri stlitibus iudicandis, etapa normalmente considerada o primeiro passo para quem pretendia ingressar no Senado Romano. Uma carta de Plínio, o Jovem a Falcão, escrita em 97,[10] permite relacionar esse período com seu posterior mandato como tribuno da plebe e sugere que ele teria nascido por volta de 70.[3]
Ainda como tribuno, Falcão utilizou pelo menos uma vez sua prerrogativa de veto, intercedendo, sem êxito, em favor de Aulo Dídio Galo Fabrício Vejento, favorito do imperador Domiciano e três vezes cônsul, durante a tumultuada sessão do Senado na qual Plínio acusou Publício Certo. Apesar da divergência, Plínio não parece ter se ressentido do veto, já que continua a tratar Falcão com cordialidade em cartas posteriores.[11] De acordo com McDermott, Falcão serviu em seguida como pretor peregrino em 99 ou 100.[11]
Sob Trajano: guerras dácias e governos provinciais
Anthony Birley caracteriza a carreira de Falcão até o início do reinado de Trajano como relativamente discreta.[3] A situação mudou quando ele recebeu o comando da V Macedônica durante a campanha dácia de Trajano (101–102), pelo qual recebeu uma condecoração militar.[3] Após a guerra, foi nomeado governador da Lícia e Panfília e, posteriormente, da Judeia. Birley sugere que a criação da província da Arábia Pétrea em 106 tenha levado à escolha de um administrador experiente para a província vizinha, no caso a Judeia.[3]
Seu consulado sufecto data de 108 e pode ter sido exercido in absentia, enquanto ainda estava ocupado com funções fora de Roma.[12]
Via Trajana e Mésia Inferior
De volta a Roma, Falcão foi nomeado primeiro superintendente da Via Trajana. McDermott observa que, embora o título não correspondesse a um dos cargos mais altos disponíveis para um consular, a importância que Trajano atribuía às vias e à infraestrutura — em particular à necessidade de oferecer uma alternativa à Via Ápia, que atravessava os Pântanos Pontinos em más condições — tornava o encargo significativo. A missão de Falcão era supervisionar a construção da nova estrada, concluída em 112.[13]
Depois de alguns anos como privatus, Falcão voltou a exercer comando provincial como governador da Mésia Inferior, onde sua presença está documentada entre 116 e 117.[14]
Governo da Britânia sob Adriano
Sua nomeação para a Britânia seguiu-se imediatamente, sendo descrita por Birley como "um dos primeiros atos de Adriano".[3] A História Augusta relata que Adriano, ao tornar-se imperador, enfrentou várias revoltas, incluindo uma na Britânia, onde "não era possível manter os britanos sob controle romano".[15]
Sheppard Frere propôs que os brigantes lideravam a revolta e mantinham laços estreitos com os sélgovas e novantas do sul da Caledônia. Apesar da escassez de detalhes, uma inscrição recuperada em Jarrow e moedas comemorativas cunhadas em 119 são interpretadas como indícios do êxito de Falcão em restaurar a ordem na província.[16]
Uma referência do orador Frontão a numerosas perdas militares na Britânia durante o reinado de Adriano tem sido vinculada por alguns autores a esse conflito, embora também tenha sido sugerido que se refira a outra campanha.[17] Em 122, Adriano visitou as ilhas Britânicas e promulgou várias reformas, entre elas a decisão de construir a Muralha de Adriano. Para levar adiante essas medidas, o imperador substituiu Falcão por Aulo Platório Nepos antes de retornar a Roma.[3]
Procônsul da Ásia e últimos anos
Tendo regressado a Roma tarde demais para participar do sortitio das províncias proconsulares naquele ano, Falcão foi designado procônsul da Ásia para o período de 123–124.[18] O governo da Ásia era tradicionalmente contado entre os postos mais elevados da carreira senatorial.
McDermott sugere que os dois cargos provinciais imediatamente anteriores de Falcão — na Mésia Inferior e na Britânia — foram particularmente exigentes e que ele provavelmente os exerceu sem a companhia de sua família. No caso da Ásia, há indícios de que sua esposa e seu filho o acompanharam.[19] Ao término do mandato, Falcão retirou-se para suas propriedades, provavelmente nas proximidades de Túsculo.[3]
A última referência conhecida a Falcão encontra-se em uma carta do jovem Marco Aurélio a Frontão, provavelmente escrita em 143, na qual relata uma visita feita três anos antes ao antigo senador e general. Nessa ocasião, Falcão mostrou ao futuro imperador e ao pai deste sua propriedade rural e exibiu uma árvore de muitos ramos que chamava de "catachanna".[3]
Família
Falcão casou-se com Sósia Pola, filha de Quinto Sósio Senécio, cônsul em 99 e 107, e neta de Sexto Júlio Frontino, três vezes cônsul (97, 98 e 100).[20] O casamento provavelmente ocorreu em 108, logo após o retorno de Falcão da Judeia, ou pouco depois.[21] O casal teve pelo menos um filho, Quinto Pompeu Sósio Prisco, cônsul em 149.[3]
Ver também
| Cônsul do Império Romano | ||
| Precedido por: Lúcio Licínio Sura III com Quinto Sósio Senécio II |
Ápio Ânio Trebônio Galo 108 com Marco Ápio Brádua |
Sucedido por: Aulo Cornélio Palma Frontoniano II com Públio Calvísio Tulo Rusão |
Referências
- ↑ Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 13 (1983), p. 158.
- ↑ Werner Eck, "Senatorische Familien der Kaiserzeit in der Provinz Sizilien", Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, 113 (1996), pp. 109-128.
- ↑ a b c d e f g h i j Anthony Birley, The Fasti of Roman Britain (Oxford: Clarendon Press, 1981), pp. 97–99.
- ↑ Olli Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature in the Roman Empire (Helsínquia: Societas Scientiarum Fennica, 1992), p. 122.
- ↑ Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature, p. 123.
- ↑ Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature, pp. 124–125.
- ↑ CIL X, 6321
- ↑ A. J. S. Spawforth, "Balbilla, the Euryclids and Memorials for a Greek Magnate", Annual of the British School at Athens, 73 (1978), pp. 254–261.
- ↑ CIL III, 12117
- ↑ Plínio, o Jovem, Epístolas, 1.23.
- ↑ a b William C. McDermott, "Stemmata quid faciunt? The Descendants of Frontinus", Ancient Society, 7 (1976), p. 243.
- ↑ Birley, The Fasti of Roman Britain, pp. 98–99.
- ↑ McDermott, "Stemmata quid faciunt?", pp. 245–246.
- ↑ CIL III, 12117
- ↑ História Augusta, Vida de Adriano 5.
- ↑ Sheppard Frere, Britannia (Londres: Routledge, 1978), pp. 147–148.
- ↑ Frontão, Principia Historiae, fragmentos, apud Birley, The Fasti of Roman Britain, p. 99.
- ↑ Eck, "Jahres- und Provinzialfasten...", p. 158.
- ↑ McDermott, "Stemmata quid faciunt?", p. 250.
- ↑ Ronald Syme, "Ummidius Quadratus, Capax Imperii", Harvard Studies in Classical Philology, 83 (1979), p. 295.
- ↑ McDermott, "Stemmata quid faciunt?", pp. 244–245.