Dandalunda
| Dandalunda | |
|---|---|
![]() |
Dandalunda, Dandaluna ou Dandalunga (do quimbundo e quicongo: Ndanda Lunda), e ainda Angoleira, Caçanje, Caiaia, Dandá, Dandazumba, Gongombera, Iadalunda, Lamazi, Malemba, Mameto-Quissimbe, Mãe-Dalunda, Micaia, Mucunã, Pandá, Quianda, Quissambô, Quissimbi, Quissimbi-Quiamaza, Sereia-Mucunã, na mitologia bantu, é a inquice das águas doces, fertilidade, fecundação, ouro, amor, beleza e riqueza. Quiçá seu nome derivou do rio Lunda, localizado no norte do Reino Lunda. Seus iniciados usam nomes os como: Diamazi, Longadialongo, Mazacalunga e Samba-Diamongo.[1]
Figura mitológica de rara beleza e profunda doçura, Dandalunda é a senhora das águas doces, guardiã dos rios e das cachoeiras. Em sua presença, as águas murmuram cânticos de amor, fertilidade e vida. Conhecida nas tradições afro-brasileiras, especialmente na nação Angola, ela representa a força feminina que acolhe e encanta, mas também purifica e transforma. Dandalunda é o reflexo da serenidade que corre mansa sobre as pedras, levando embora as dores e abrindo caminhos de prosperidade. Quando seu nome é chamado, as águas dançam, e o coração humano se renova sob o brilho dourado de sua luz.
A origem de Dandalunda remonta às tradições bantu, trazidas da região da atual Angola e Congo para o Brasil pelos povos africanos escravizados. No contexto religioso da nação Angola, ela é uma inkisi, ou seja, uma força divina da natureza, equivalente ao que os iorubás chamam de divindade.
Em cânticos e pontos cantados, Dandalunda é lembrada com grande reverência, sendo lembrada para trazer harmonia, sensibilidade e proteção. É tida como aquela que lava o coração das pessoas com águas mansas, mas que também pode despertar a correnteza forte quando é preciso limpar e renovar.
A Quianda é especialmente importante aos pescadores e marinheiros. A festa da Quianda[2] é realizada em Luanda uma semana antes da Procissão de Nossa Senhora do Cabo, que tem forte relação sincrética.[3][4] Uma mesma festa é realizada na Lagoa da Ibendoa (província de Bengo) em julho.[5]
O nome quianda também é o epíteto específico do mosassauro Prognathodon kianda[6] de Angola.
Referências
- ↑ Barros 2007, p. 261.
- ↑ «Cerimónia tradicional em Angola para apaziguar a Kianda em troca de boa faina». Consultado em 6 de outubro de 2014. Arquivado do original em 14 de julho de 2014
- ↑ «Procissão de Nossa Senhora do Cabo em Luanda». RTP. 15 de novembro de 1968
- ↑ Yuri Manuel Francisco Agostinho (2020). «Entre registros e memórias: um olhar sobre as festas populares e tradicionais de Luanda». Universidade Estadual de Ponta Grossa. Revista Internacional de Folkcomunicação. 18 (40): 96-111
- ↑ «Festas do Caxito». Portal de Angola. 11 de março de 2013
- ↑ Schulp, A. S., Polcyn, M. J., Mateus, O., Jacobs, L. L., & Morais, M. L. (2008). A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. In Proceedings of the Second Mosasaur Meeting, Fort Hays Studies Special Issue (Vol. 3, pp. 1-12).
Bibliografia
- Barros, Elisabete Umbelino de (2007). Línguas e Linguagens nos Candomblés de Nação Angola. São Paulo: Universidade de São Paulo
- Castro, Yeda Pessoa de (2001). Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras
- Ferreira, A. B. H. (1986). Novo dicionário da língua portuguesa 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira
- Lima, Tânia Andrade (1996). Sincretismo Religioso: O Ritual Afro. 4. São Paulo: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana
_(1).jpg)