Qualificação (sociologia do trabalho)

A qualificação é um conceito empregado na sociologia do trabalho, principalmente na sua corrente francesa. Tendo sua origem entre a segunda metade dos anos 1940 e meados dos anos 1950, com a obra do sociólogo Georges Friedmann, o conceito encontrou reverberação nos anos seguintes, tanto pelo debate com Pierre Naville quanto pela tentativa preliminar de síntese feita por Alain Touraine.[3][4] Na contemporaneidade, é comum que o debate em torno da noção de qualificação social se dê em vista do chamado modelo da competência, resultante das progressões recentes do mundo do trabalho e da gestão empresarial que tiveram início em meados dos anos 70, com a chamada "ruptura do modo de regulação fordista" e a popularização do toyotismo e, mais recentemente, do regime de acumulação flexível. Argui-se que a noção de competência teria substituído a qualificação social, sua precedente histórica no debate social.[4][5]
De modo geral, entende-se haver duas correntes que desenvolveram científico-academicamente o conceito de qualificação social: a corrente substancialista, centrada nos estudos de Georges Friedmann; e a corrente relativista ou relacionalista, centrada nos estudos de Pierre Naville.[3][4] Enquanto a primeira enfatizaria aspectos estáticos e individuais, entendendo a qualificação mais como atributo de cada trabalhador e hierarquia enraizada, a segunda abordagem entenderia a qualificação como uma relação social multiforme e historicamente situada, condicionada por diversos conflitos de interesses e pressões nem sempre exclusivas da esfera do trabalho. Enquanto isso, a corrente norte-americana, inspirada pela escola interacionista - em especial, por Howard Becker - desenvolveu o debate sobre qualificações e profissões muito em torno da noção de "super-regras", enfatizando o fechamento de mercados por certas categorias profissionais privilegiadas, assim cindindo a categoria Emprego entre Ocupação - àquelas categorias profissionais subsumidas diretamente pelas leis do mercado - e Profissão - àquelas categorias profissionais que, em acordo com o Estado e outras instituições, asseveram-se sob associações e regulações socialmente reconhecidas.[3]
Referências
- ↑ Dubet, François; Wieviorka, Michel (13 de julho de 2023). «Homage to Touraine». thesis eleven (em inglês). Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ Festi, Ricardo Colturato (20 de maio de 2019). «UM DESEJO DE HISTÓRIA: A SOCIOLOGIA DO TRABALHO DE ALAIN TOURAINE (1948-1973)». Lua Nova: Revista de Cultura e Política: 65–96. ISSN 0102-6445. doi:10.1590/0102-065096/106. Consultado em 11 de maio de 2025
- ↑ a b c Dubar, Claude (setembro de 1998). «A sociologia do trabalho frente à qualificação e à competência». Educação & Sociedade (64): 87–103. ISSN 0101-7330. doi:10.1590/S0101-73301998000300004. Consultado em 29 de março de 2025
- ↑ a b c Tartuce, Gisela Lobo Baptista Pereira (agosto de 2004). «Algumas reflexões sobre a qualificação do trabalho a partir da sociologia francesa do pós-guerra». Educação & Sociedade: 353–382. ISSN 1678-4626. doi:10.1590/S0101-73302004000200004. Consultado em 29 de março de 2025
- ↑ Lima, Claudia Maria Pereira de; Zambroni-de-Souza, Paulo César; Araújo, Anísio José da Silva (2015-Oct-Dec). «A Gestão do Trabalho e os Desafios da Competência: uma Contribuição de Philippe Zarifian». Psicologia: Ciência e Profissão: 1223–1238. ISSN 1414-9893. doi:10.1590/1982-3703001972013. Consultado em 29 de março de 2025 Verifique data em:
|data=(ajuda)