Qorpo Santo
| Qorpo Santo | |
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| Nascimento | 19 de abril de 1829 Triunfo |
| Morte | 1 de maio de 1883 (54 anos) Porto Alegre |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | dramaturga, poeta, jornalista, criador tipográfico, escritor |
José Joaquim de Campos Leão, conhecido como Qorpo Santo (Triunfo, 19 de abril 1829 — Porto Alegre, 1 de maio de 1883) foi um dramaturgo, poeta, jornalista, tipógrafo e gramático brasileiro.[1]
Biografia
Antes de produzir sua obra literária, Qorpo Santo trabalha como comerciante e professor. Também exerce as atividades de vereador e delegado de polícia na cidade de Alegrete, Rio Grande do Sul. Começa a escrever para jornais desse Estado no ano de 1852. A explicação do apelido é dada em um de seus escritos, quando tem 34 anos: "Se a palavra corpo-santo foi-me infiltrada em tempo que vivi completamente separado do mundo das mulheres, posteriormente, pelo uso da mesma palavra hei sido impelido para este mundo".[2]
Por volta de 1864, o dramaturgo começa a sofrer de alucinações, o que o leva a ser internado e examinado por médicos no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. É desse período conturbado a maior parte de seus trabalhos. Dezesseis peças são escritas entre janeiro e maio de 1866.[3]
Em 1877, Qorpo-Santo decide criar a própria tipografia. É nela que edita sua Ensiqlopédia ou Seis Mezes de Huma Enfermidade, obra em nove volumes, dos quais, até o momento, são conhecidos seis, que reúnem poemas, confissões, receitas culinárias, máximas e suas dezessete peças teatrais. A grafia "ensiqlopédia" surge de uma reforma ortográfica proposta pelo autor e defendida em artigo no jornal A Justiça em 23 de outubro de 1868. Dessa reforma é que também surge a grafia para o seu nome literário: Qorpo-Santo. Importante lembrar que o escritor, em seus textos, algumas vezes segue seu projeto ortográfico e em outras a ortografia da época.[4]
O caráter estranho do teatro qorpo-santense fez com que suas peças ficassem esquecidas entre o fim do século XIX e a primeira metade do XX, não sendo conhecida nenhuma montagem de qualquer uma delas nesse período. Qorpo-Santo morre em 1883, sem nenhum reconhecimento do valor de sua obra.[5]
Sexualidade na dramaturgia
A sua obra A Separação de Dois Esposos se encerra com um diálogo no mínimo bastante fora do comum para a sua época e lugar, a qual ocorre entre Tatu e Tamanduá, decididamente o primeiro casal gay da dramaturgia brasileira.[6][7] Na obra As relações naturais, há personagens prostitutas – algo incomum para o teatro brasileiro da época –, além de insinuações de incesto.[8]
Referências
- ↑ [Qorpo-Santo, Poemas, Org. Denise Espírito-Santo. Rio de Janeiro, Livraria Contra-capa, outubro de 2000. ISBN 85-86011-36-3.]
- ↑ Qorpo Santo (1877). Ensiqlopédia ou Seis Mezes de Huma Enfermidade (PDF). II. [S.l.: s.n.] p. 16
- ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Qorpo-Santo». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- ↑ Aguiar, Flávio (1975). Os homens precários. Porto Alegre: IEL. p. 24
- ↑ LEÃO, José Joaquim de Campos (Qorpo Santo). Teatro Completo, Guilhermino César (org). Rio de Janeiro : Serviço Nacional de Teatro/ Fundação Nacional de Arte, 1980. Clássicos do Teatro Brasileiro, 4)
- ↑ Ensiqlopédia maluca - Teatro Completo reúne as comédias do original (e esquisito) gaúcho Qorpo-Santo, por Jerônimo Teixeira. Revista Veja: Edição 1 733 - 9 de janeiro de 2002. Brasil.
- ↑ «Teatro completo: Qorpo Santopor Alberto Guzik, escrito em 1866 e publicado em 2011, 1ª edição: ISBN 8573211547. VERA CRUX: Editora Iluminuras LTDA., Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 - CEP 05432-011 - São Paulo - SP, Brasil». Consultado em 13 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 13 de dezembro de 2013
- ↑ «Os muitos corpos de Qorpo-Santo». Revista Cult. 8 de abril de 2019. Consultado em 2 de janeiro de 2026
