Puxangue
Puxangue (Pushang), também conhecida pela forma arabizada Buxanje, Buxangue e Fuxanje, era o nome de uma cidade do Coração, próxima a Herate, no atual Afeganistão.
Fundação
Segundo eruditos iranianos medievais, Puxangue era a cidade mais antiga do Coração e foi fundada pela figura mitológica iraniana Paxangue. Contudo, para estudiosos modernos, dizia-se que fora fundada por Paxangue apenas por causa da semelhança entre o nome dele e o da cidade.[1] Outras fontes afirmam que o segundo xainxá sassânida Sapor I (r. 240–270) teria sido o fundador da cidade.[2]
História
Em 588, menciona-se um bispado nestoriano em Puxangue. Na década de 650, a cidade foi capturada pelos árabes invasores. Após a Revolução Abássida em 750, ficou sob o governo de Muçabe ibne Ruzaique, um companheiro iraniano do general abássida Abu Muslim.[2] O neto de Muçabe, Tair ibne Huceine, desempenharia mais tarde um papel importante nos assuntos do Califado Abássida e estabeleceria o Império Taírida, que governaria Puxangue e o restante do Coração até 873, quando o emir safárida Iacube ibne Alaite Açafar lhe tomou o território. Durante o declínio safárida no início do século X, a cidade foi capturada pelo Império Samânida.[2] Segundo o viajante do século X ibne Haucal, a cidade tinha metade do tamanho de Herate. Ele também afirma que a cidade era bem construída, sendo cercada por três portas. Em 998, a cidade foi capturada pelo emir gasnévida Mamude. Após a batalha de Dandanacã em 1040, a cidade foi tomada pelos turcos seljúcidas.[2]
Em 1152, Puxangue foi brevemente ocupada pelo sultão gúrida Aladim Huceine, que foi derrotado e capturado pelo governante seljúcida Amade Sanjar. Em 1163, Puxangue foi novamente ocupada pelos gúridas, sem que os seljúcidas conseguissem retomá-la. Durante a invasão mongol (1206–1337), Puxangue foi destruída, mas conseguiu se recuperar após algum tempo.[1] Em 1245, a cidade foi capturada pelo Reino Cúrtida Xameçadim Curte I. No século XIV, a cidade era famosa por suas melancias e uvas.[3] Em 1381, o governante turco-mongol Tamerlão mandou destruir a cidade após ter tornado o último governante cúrtida, Guiaçadim Pir Ali, seu vassalo.[3] Contudo, a cidade foi posteriormente restaurada e é mencionada muitas vezes pelo historiador iraniano Hafiz-i Abru.[2] Durante o início da era moderna, Puxangue foi destruída devido a disputas territoriais entre o Império Safávida, os usbeques e os afegãos. No entanto, a cidade foi novamente revivida e hoje é conhecida pelo nome de Ghurian.[2]
Referências
- ↑ a b Houtsma 1987, p. 802.
- ↑ a b c d e f Bosworth 2000, pp. 229–230.
- ↑ a b Le Strange 1905, p. 411.
Bibliografia
- Houtsma, Martijn Theodoor (1987). «Pushang». E.J. Brill's First Encyclopaedia of Islam 1913-1936. Leida: Brill. pp. 1–5164. ISBN 9789004082656
- Bosworth, C.Edmund (2000). «FŪŠANJ». Encyclopaedia Iranica, Vol. X, Fasc. 3. Londres: Universidade de Colúmbia. pp. 229–230
- Le Strange, Guy (1905). The Lands of the Eastern Caliphate: Mesopotamia, Persia, and Central Asia, from the Moslem Conquest to the Time of Timur. Nova Iorque: Barnes & Noble, Inc. p. 202