Prunus insititia

Prunus insititia

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Prunus
Espécie: P. insititia
Nome binomial
Prunus insititia
L.

A Prunus insititia, comummente conhecida como abrunheiro[1] (não confundir com a espécie Prunus spinosa, mais comummente conhecida como «abrunheiro-bravo»[2]), é uma espécie de planta com flor pertencente à família das Rosáceas.[3]

A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Amoenitates Academici 4: 273. 1755.

No que toca ao seu tipo fisionómico, pertence ao grupo dos microfanerófitos.[4]

Nomes comuns

Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: ameixieira e cagoiceiro.[4]

Quanto aos frutos, dão pelos seguintes nomes comuns: abrunho,[5] brunho,[6] cabrunho[4] ou cagoiço.[4]

Etimologia

Os nomes comuns «abrunheiro»,[7] abrunho,[5] brunho,[6] cabrunho[4] provêm do étimo latino prunus.[8] Este étimo latino, por sua vez, deriva de prunum[9], que significam respectivamente «ameixeira» e «ameixa».

Quanto ao nome científico desta espécie:

  • O epíteto específico, insititia, também provém do latim, tratando-se de uma declinação do étimo,[10] insĭtŭs, e significa «enxertada; inata».

Descrição

Esta espécie consiste num arbusto ou pequena árvore que pode medir até 6 metros de altura.[11] É caducifólia e muito ramificada, por vezes, pode estar dotada de espinhos. [11]

Os ramos do abrunheiro são tortuosos, contando com ritidoma liso e de coloração castanho-avermelhado.[11] Os ramículos, por seu turno, têm coloração acinzentada e revestimento pubescente, quando jovens, por vezes espinescentes. [11]

Quanto às folhas, são de feitio obovado, elíptico largo ou ovado-lanceolado, com ápice obtuso a sub-agudo, margem crenada ou serrada, provida de dentes glandulíferos.[11] A face adaxial da folha do abrunheiro é verde-escura e glabrescente, ao passo que a face abaxial é mais ou menos pubescente, sobretudo ao longo das nervuras.[11]

O pecíolo é pubescente e as estípulas são caducas, de formato linear ou lanceolado, e borda dentado-laciniada, com dentes glandulíferos.[11]

As flores solitárias ou em fascículos de 2-3, coetâneas com as folhas jovens ou emergindo antes destas.[11] Os pedicelos são pubescentes.[11]

O receptáculo da flor é campanulado e glabro. As sépalas são de formato erecto-patentes, triangular ou ovado e de ápice obtuso, de borda denticulada e pubescente.[11]

As pétalas, por sua vez, são de formato erecto-patente, obovado ou inteiro e de coloração branca.[11] O ovário é glabro.[11] A drupa desta espécie - o abrunho - é de feitio subgloboso ou ovóide-oblongo, tem uma coloração entre o violáceo, o purpúreo e, por vezes, até o amarelado ou esverdeado, encontrando-se recoberta de pruína.[11] O mesocarpo do abrunho tem sabor entre o amargo e ácido e o adocicado.[11] O endocarpo, por seu turno, é rugoso e ligeiramente carenado.[11]

Distribuição

Trata-se de uma espécie presente da Europa Central e do Sul, do Norte de África e do Sudoeste asiático.[4]

Portugal

Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental.[3]

Encontrando-se, mais concretamente, em todas as zonas do Nordeste, na Terra Fria e na Terra Quente transmontanas, no Centro-Oeste olissiponense, no Centro-Leste montanhoso, no Centro-Sul miocénico e no Sudoeste meridional.[4]

Em termos de naturalidade é nativa da região atrás indicada.

Ecologia

Trata-se de uma espécie ruderal, que medra em bosques húmidos, sebes e orlas de matas.[3]

Protecção

Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Comunidade Europeia.

Usos

Alimentação

O abrunho pode ser consumido cru ou cozinhado. Pauta-se pelo seu sabor mais ácido do que a ameixa, mas ainda assim muito aceitável cru, desde que completamente maduro. [12]

A semente do abrunho contém cerca de 20% de um óleo semi-secante comestível, possuindo um odor agradável.[13]

As flores do abrunheiro são comestíveis, usando-se como guarnição para saladas e gelados ou para preparar chá [14]

Etnobotânica

O abrunho seco é usado como um laxante, sendo-lhe também reconhecidas propriedades estomacais.[15][13]

A casca do abrunheiro é por vezes utilizada em preparados com finalidades febrífugas.[13]

As flores podem ser usadas na confecção de uma infusão com propriedades purgante ligeiras, destinada a crianças. [13]

Todos os membros do género Prunus contêm amigdalina e prunasina, substâncias que se decompõem em água formando ácido cianídrico. [15]

Agroflorestal

Os abrunheiros são bastante resistentes ao vento, pelo podem ser cultivadas como sebes [12]

Outros Usos

Das folhas do abrunheiro pode obter-se um corante verde, ao passo que do abrunho se pode obter-se um corante cinzento-escuro esverdeado.[16]

Da casca do abrunheiro obtém-se um corante amarelo.

Usam-se as sementes moídas do abrunho, em cosmética, para a confecção de de máscaras faciais para pele seca.[17]

A madeira do abrunheiro é dura e compacta, tem cor castanho-avermelhada e exibe uma granulação muito fina.[18] No entanto, como é propensa a empenar e rachar, não se usa em construção, em vez disso é utilizada para fazer instrumentos musicais.

Referências

  1. Infopédia. «abrunheiro | Definição ou significado de abrunheiro no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 21 de julho de 2021 
  2. Infopédia. «abrunheiro-bravo | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de agosto de 2025 
  3. a b c «Prunus insititia | Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 21 de julho de 2021 
  4. a b c d e f g «Prunus insititia». Jardim Botânico Utad. Consultado em 27 de junho de 2021 
  5. a b Infopédia. «abrunho | Definição ou significado de abrunho no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 21 de julho de 2021 
  6. a b Infopédia. «brunho | Definição ou significado de brunho no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 21 de julho de 2021 
  7. Infopédia. «abrunheiro | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de agosto de 2025 
  8. a b Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «prūnus - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 17 de agosto de 2025 
  9. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «prūnum - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 17 de agosto de 2025 
  10. Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «insĭtŭs - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 17 de agosto de 2025 
  11. a b c d e f g h i j k l m n o «Flora Vascular - Toda la información detallada sobre la Flora Vascular | - Especie: Prunus insititia | BioScripts.net». www.floravascular.com. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  12. a b Huxley, Anthony Julian (1992). Dictionary of gardening. London: Macmillan Press ; Stockton Press. 854 páginas. ISBN 0-333-47494-5. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  13. a b c d Fowler, Alys (2019). A Modern Herbal (em inglês). [S.l.]: Penguin. 304 páginas. ISBN 0-14-046-440-9. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  14. Facciola, Stephen (1992). Cornucopia: a source book of edible plants 2. print ed. Vista: Kampong Publ. pp. 446–455. ISBN 0-9628087-0-9. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  15. a b Bown, Deni (1995). Encyclopedia of Herbs & Their Uses (em inglês). London: Dorling Kindersley. 424 páginas. ISBN 0-7513-020-31. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  16. Grae, Ida (1974). Nature's colors. Dyes from plants. New York: Macmillan. 256 páginas. ISBN 0-02-544950-8. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  17. Chiej, Roberto (1984). The Macdonald encyclopedia of medicinal plants. Internet Archive. London: Macdonald. 452 páginas. ISBN 0-356-10541-5. Consultado em 22 de agosto de 2025 
  18. «Prunus domestica insititia - Useful Temperate Plants». temperate.theferns.info. Consultado em 22 de agosto de 2025 

Ligações externas