Prova por intimidação

A prova por intimidação (ou argumentum verbosum) é uma expressão humorística usada principalmente na matemática para se referir a uma forma específica de demonstração, pelo qual se tenta avançar um argumento apresentando um argumento repleto de jargões e resultados obscuros ou marcando-o como óbvio ou trivial.[1] É uma tentativa de intimidar o público para que simplesmente aceite o resultado sem provas, apelando à sua ignorância ou falta de compreensão.[2]

A frase é frequentemente usada quando o autor é uma autoridade em sua área, apresentando sua prova a pessoas que respeitam a priori a insistência do autor na validade da prova, enquanto em outros casos, o autor pode simplesmente afirmar que sua afirmação é verdadeira porque é trivial ou porque ele diz que é. O uso dessa frase é, em sua maioria, bem-humorado, embora também possa aparecer em críticas sérias.[3] Uma prova por intimidação é frequentemente associada a frases como:

  • "Claramente..."
  • "É evidente que..."
  • "É facilmente demonstrado que..."
  • "... não necessita de uma prova."
  • "A prova é deixada como exercício para o leitor."
  • "É trivial..."

Fora da matemática, a "prova por intimidação" também é citada por críticos da ciência ruim para descrever casos no qual as evidências científicas são deixadas de lado em favor de argumentos duvidosos — como aqueles apresentados ao público por defensores articulados que se apresentam como especialistas em suas áreas.[4]

A prova por intimidação também pode apoiar afirmações válidas. Ronald Fisher afirmou no livro creditado com a nova síntese evolutiva: "...pela analogia dos juros compostos, o valor presente da descendência futura de pessoas com idade x é facilmente visto como...", apresentando assim uma nova definição integral do valor reprodutivo.[5] Sobre isso, Hal Caswell comentou: "Com todo o respeito a Fisher, ainda não conheci ninguém que ache essa equação 'facilmente percebível'".[6] Provas válidas foram fornecidas por pesquisadores subsequentes, como Leo A. Goodman (1968).[7]

Ver também

  • Argumentum ad verecundiam — Falácia argumentativa onde se afirma que está certo apenas por ser uma suposta autoridade
  • Defesa Chewbacca — defesa jurídica em que se tenta confundir deliberadamente o júri, recorrendo à falácia da pista falsa
  • Galope de Gish — técnica retórica que utiliza apenas o volume e a rapidez dos argumentos
  • Obscurantismo — ocultamento deliberado e restrição de fatos e conhecimentos
  • Prova por exemplo — método errôneo de demonstração

Referências

  1. Bennett, Bo. «Proof by Intimidation». logicallyfallacious.com. Consultado em 1 de dezembro de 2019 
  2. Michael H. F. Wilkinson. «Cogno-Intellectualism, Rhetorical Logic, and the Craske-Trump Theorem» (PDF). Annals of Improbable Research. 6 (5): 15–16. Consultado em 22 de fevereiro de 2008 
  3. Tony Hey (1999). «Richard Feynman and computation» (PDF). Contemporary Physics. 40 (4): 257–265. Bibcode:1999ConPh..40..257H. doi:10.1080/001075199181459. Consultado em 22 de fevereiro de 2008 
  4. Marjorie K. Jeffcoat (julho de 2003). «Junk science: Appearances can be deceiving». Journal of the American Dental Association. 134 (7): 802–803. PMID 12892436. doi:10.14219/jada.archive.2003.0268 
  5. Fisher, Ronald Aylmer (1930). The genetical theory of natural selection. Oxford: The Clarendon Press. p. 27. OCLC 18500548 
  6. Caswell, Hal (2001). Matrix Population Models. [S.l.]: Sinauer Associates, Incorporated. p. 92. ISBN 0-87893-096-5 
  7. Goodman, Leo A. (1 de março de 1968). «An elementary approach to the population projection-matrix, to the population reproductive value, and to related topics in the mathematical theory of population growth». Duke University Press. Demography. 5 (1): 382–409. ISSN 0070-3370. doi:10.1007/bf03208583Acessível livremente