Revolução Arménia em 2018

Revolução Arménia de 2018
Parte de Revoluções coloridas
Manifestantes no dia 22 de abril
Período12 de Abril – 8 de maio de 2018
LocalArménia:
* Erevã
* Guiumri
* Vanazor
* Aboviã
* Sevã
* Artaxata
* Armavir
* Ashtarak
* Valarsapate
* Capã
Estados Unidos:
* Glendale[1]
Rússia:
* Moscovo,[2]
França:
* Marselha[3]
CausasEleição de Serzh Sargsyan para Primeiro-ministro da Arménia
ObjetivosOriginalmente: Resignação de Serzh Sargsyan como Primeiro-ministro[4]
  • Mais tarde: Eleições imediatas para a Assembleia nacional[5]
MétodosManifestações e protestos
ResultadoEleição de Serzh Sargsyan como Primeiro-ministro no dia 16 de Abril
Detenção de líderes da oposição[6]
O Primeiro-ministro demitiu-se no dia 23 de abril[7]
Líderes
Nikol Pashinyan (detido de 22 de Abril a 23 de abril)[8] Serzh Sargsyan (ex-presidente, actual Primeiro-ministro)
Forças
115,000 (22 de abril)[9]
5,000 (em Glendale, Califórnia)[10]
Feridos
40 (estimativa da oposição)[11]
6 polícias

A Revolução Arménia de 2018, também conhecida como a Revolução de Veludo Arménio de 2018, foi uma série de protestos antigovernamentais na Armênia, de abril a maio de 2018, organizados por diversos grupos políticos e civis liderados por um membro do da Assembleia Nacional da ArmêniaNikol Pashinyan (chefe do partido Contrato Civil). Os protestos e marchas ocorreram inicialmente em resposta ao terceiro mandato consecutivo de Serzh Sargsyan, e posteriormente se ampliaram contra o Partido Republicano, que estava no poder desde 1999.[12]

Serzh Sargsyan, que havia sido presidente da Armênia de 2008 a 2018, foi eleito primeiro-ministro em 17 de abril de 2018, após uma mudança constitucional que permitiu que ele concorresse ao cargo. A oposição e os manifestantes alegaram que essa mudança foi feita para permitir que Sargsyan permanecesse no poder.[13] Os protestos começaram em 12 de abril de 2018. Os manifestantes bloquearam ruas e estradas, e realizaram manifestações em Erevã, a capital do país. A polícia e as forças de segurança tentaram dispersar os manifestantes, mas eles continuaram a protestar pacificamente.

Em 22 de abril, Pashinyan foi preso e mantido em confinamento solitário durante a noite, sendo libertado no dia seguinte. Assim, após onze dias de protestos, Sargsyan cedeu, afirmando: "Eu estava errado" e que "os protestos nas ruas são contra meu mandato. Eu estou aceitando as demandas dos protestantes "[14] e demitiu-se do cargo de Primeiro-ministro.[7][15][16][17]

Em 28 de abril, todos os partidos da oposição no parlamento armênio anunciaram que apoiariam a candidatura de Pashinyan. Uma votação foi marcada na Assembleia Nacional para 1 de maio; para que Pashinyan fosse eleito primeiro-ministro, o que exigia 53 votos, ele teria que obter os votos de pelo menos seis membros do Partido Republicano.[18] Pashinyan foi o único candidato apresentado para a votação.[19] No entanto, o Partido Republicano votou unanimemente contra Pashinyan – 102 deputados estavam presentes, dos quais 56 votaram contra sua candidatura e 45 votaram a favor.[20][21] Uma semana depois, em 8 de maio, ocorreu a segunda votação. Pashinyan foi eleito primeiro-ministro com 59 votos.[22]

O evento é referido como uma revolução pacífica semelhante às revoluções em outros Estados pós-soviéticos.[23][24][25] A revolução foi vista como uma oportunidade para a Armênia realinhar sua política externa. Contrariando a política russa, a revolução na Armênia foi considerada de natureza "europeia", pois correspondia aos valores e princípios europeus, tanto sociais quanto políticos.[26] A revolução sinalizou uma mudança significativa na política interna da Armênia, com políticos pró-Rússia sendo depostos do poder e um governo reformista assumindo o seu lugar. A mudança trouxe uma reavaliação das relações da Armênia com a Rússia.[27]

Referências

  1. «Thousands of SoCal Armenians protest election results in their homeland» (em inglês). KABC-TV. 23 de abril de 2018 
  2. «В Москве у армянской церкви прошла акция в поддержку протестов в Ереване. Митингующих задержали». meduza (em russo). 22 de abril de 2018 
  3. Ghukasyan, Seda (18 de abril de 2018). «Yerevan: "Reject Serzh" Rally Kicks-Off in Republic Square; March To Baghramyan Avenue». Hetq (em inglês). He claimed that protesters had removed a photo of Serzh Sargsyan hanging in the Armenian Consulate in Marseille and publicly burnt it. 
  4. «Armenian PM Sarkisian Resigns After Protest Leader Pashinian Released». RadioFreeEurope/RadioLiberty (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2018 
  5. Armenian PM Sarkisian Resigns, Thousands Celebrate In Yerevan
  6. «Armenia: Negotiations Fail, Opposition Leaders Detained, Protesters Increase in Numbers». Armenian Weekly (em inglês). 22 de abril de 2018 
  7. a b «Onda de protestos faz primeiro-ministro armênio renunciar ao cargo». Folha de S.Paulo. 23 de Abril de 2018. Consultado em 24 de Abril de 2018 
  8. «PanARMENIAN.Net - Mobile». panarmenian.net. Consultado em 23 de abril de 2018 
  9. Kucera, Joshua (22 de abril de 2018). «Armenian opposition leader arrested, but protesters rally». eurasianet 
  10. about, Melissa MacBride, bio, (23 de abril de 2018). «SoCal Armenians protest election results in their homeland». ABC7 Los Angeles (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2018 
  11. «Հոսպիտալացվել է 46 քաղաքացի, այդ թվում՝ 6 ոստիկան» (em arménio). Consultado em 16 de abril de 2018 
  12. «"Velvet Revolution" Takes Armenia into the Unknown». Crisis Group. 26 de abril de 2018. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2021 
  13. «Armênia atrai atenção global após revolta política pacífica». Folha de S.Paulo. 12 de janeiro de 2019. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2025 
  14. Neil MacFarquhar; Richard Perez-Penã (23 de Abril de 2018). «'I was Wrong': Armenian Leader Quits Amids Protests». The New York Times (em inglês). Consultado em 24 de Abril de 2018 
  15. «Primeiro-ministro da Armênia renuncia após protestos da oposição». VEJA. 23 de abril de 2018. Consultado em 24 de abril de 2018 
  16. «Премьер-министр Армении Саргсян подал в отставку». РБК (em russo). Consultado em 23 de abril de 2018 
  17. Hairenik (23 de abril de 2018). «Breaking: Serge Sarkisian Resigns as Prime Minister». The Armenian Weekly (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2018 
  18. «Armenian Opposition Leader Pashinyan Nominated As PM Candidate». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês). 30 de Abril de 2018. Cópia arquivada em 30 de Abril de 2018 
  19. Armenian Protest Leader Pashinian Only Candidate For Premier Arquivado em 2021-11-29 no Wayback Machine, rferl.org.
  20. «Парламент проголосовал против Пашиняна на выборах премьера Армении». РБК. Maio de 2018. Cópia arquivada em 11 de Julho de 2018 
  21. «Armenia parliament fails to elect Nikol Pashinyan as new PM». panarmenian.net. Consultado em 8 de maio de 2018. Cópia arquivada em 2 de Maio de 2018 
  22. «Revolution sweeps Armenian opposition leader into power». Reuters. 8 de Maio de 2018. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2018 – via www.reuters.com 
  23. «Armenia's Peaceful Revolution Is a Lesson for Putin». Bloomberg.com (em inglês). 23 de abril de 2018. Cópia arquivada em 25 de Abril de 2018 
  24. «Armenian Revolution: Russian influence to remain amid power shift8» (em inglês). Cópia arquivada em 10 de Julho de 2018 
  25. Eckel, Mike (24 de Abril de 2018). «A 'Color Revolution' In Armenia? Mass Protests Echo Previous Post-Soviet Upheavals». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês). Cópia arquivada em 25 de Abril de 2018 
  26. «Nikol Pashinyan's Russian threats and European opportunities». 1in.am. Cópia arquivada em 11 de abril de 2023 
  27. «Armenia's EU Candidacy: A Departure from Moscow's Sphere of Influence». ankasam.org. 20 de março de 2024 

Ligações externas