Princípio de Pigou-Dalton

O Princípio de Dalton-Pigou (PDP), em economia, define a desigualdade de renda a partir do bem-estar dos indivíduos. Afirma que uma transferência de renda de um indivíduo mais rico para um indivíduo mais pobre, desde que essa transferência não inverta a posição social entre os dois, resulta em uma maior bem-estar e igualdade social[1][2].

Seu nome faz referência a dois economistas ingleses: Edward Hugh John Neale Dalton, Barão de Dalton, que desenvolveu o princípio, e Arthur Cecil Pigou, que o sugeriu a ideia[3]. Dalton propôs a teoria de uma relação funcional positiva entre renda e bem-estar social, concluindo que o bem-estar social cresce a uma razão exponencialmente decrescente em relação ao crescimento da renda, o que leva à conclusão de que o máximo bem-estar social só é atingido quando todas as rendas são iguais[1].

Histórico e contexto

O estudo sistemático de medidas da desigualdade remonta pelo menos a autores como Lorenz (1905)[4], Gini (1912, 1921)[5][6], Pigou (1912)[7] e Dalton (1920)[1], mas sua análise moderna e axiomática pode ser considerada a partir de Atkinson (1970)[8][9] e Sen (1973)[10][11].

Nessa linha de pesquisa, maior desigualdade é frequentemente associada a menor bem-estar social, de modo que este projeto pode ser interpretado como a busca por uma função de bem-estar social bem-comportada em um domínio restrito. Existem várias maneiras de estabelecer essa ligação, sendo a abordagem utilitarista a mais disseminada, presumindo que os indivíduos compartilham uma função de utilidade estritamente côncava em relação às rendas. Além disso, o fato de existirem múltiplas medidas razoáveis de desigualdade levou a um trabalho considerável sobre os fundamentos axiomáticos comuns e distintos para várias dessas medidas[11].

Conexão com a curva de Lorenz

Diagrama que mostra a área a compreendida entre a curva de Lorenz e a linha de igualdade na diagonal de 45º

Existe uma correspondência entre o critério de Pigou-Dalton e aquele associado à curva de Lorenz[1]: uma vez realizada uma transferência de Pigou-Dalton, de uma pessoa de maior renda para uma pessoa de menor renda, a curva de Lorenz associada à nova distribuição está sempre acima daquela correspondente à primeira distribuição (refletindo uma menor desigualdade).

Assim, se considerarmos duas curvas de Lorenz, podemos obter a que corresponde à situação menos desigual da outra por um certo número de transferências de Pigou-Dalton[1].

Dito de outra forma, qualquer transferência de renda de uma pessoa mais pobre para uma pessoa mais rica deve aumentar a medida de desigualdade, ou distanciar a curva de Lorenz da reta de igualdade perfeita[11].

Formalização

Considere uma população finita de tamanho . Notamos    a renda do indivíduo (). Denotamos por o vetor renda e por uma medida de desigualdade, tal que representa o valor tomado por no vetor . Em outras palavras, é uma função matemática que, dado o vetor , retorna um número real positivo que reflete o grau de desigualdade da distribuição .

Exemplos

  • A função igualitária: satisfaz o PDP em um sentido forte: quando a utilidade é transferida dos ricos para os pobres, o valor do estritamente aumenta.
  • A função utilitária: satisfaz o PDP em um sentido fraco: quando a utilidade é transferida dos ricos para os pobres, o valor de não aumenta, mas também não diminui.
  • A função viola o PDP: quando a utilidade é transferida dos ricos para os pobres, o valor de diminui estritamente.
  • O Índice de Atkinson e o índice de entropia generalizada relacionado satisfazem o princípio: qualquer transferência de alguém relativamente mais pobre para alguém relativamente mais rico aumentará a desigualdade medida pelo índice. Para o índice de Atkinson, isso é válido quando o parâmetro de aversão à desigualdade é não negativo, o que é o caso definidor.

Ver também

Referências

  1. a b c d e Dalton, Hugh (setembro de 1920). «The Measurement of the Inequality of Incomes». The Economic Journal (119): p.351. 348 páginas. doi:10.2307/2223525. Consultado em 12 de maio de 2025 
  2. Sen, Amartya; Foster, James E. (1997). On economic inequality Enl. ed ed. Oxford : New York: Clarendon Press ; Oxford University Press 
  3. Pigou, A. C. (Arthur Cecil) (1912). Wealth and welfare. Cornell University Library. [S.l.]: London, Macmillan and co., limited. p. p.24. Consultado em 12 de maio de 2025 
  4. Lorenz, M. O. (1 de junho de 1905). «Methods of Measuring the Concentration of Wealth». Publications of the American Statistical Association (70): 209–219. ISSN 1522-5437. doi:10.1080/15225437.1905.10503443. Consultado em 12 de maio de 2025 
  5. Gini, Corrado (1912). Variabilità e mutabilità: contributo allo studio delle distribuzioni e delle relazioni statistiche. [Fasc. I.] (em italiano). [S.l.]: Tipogr. di P. Cuppini. Consultado em 12 de maio de 2025 
  6. Gini, Corrado (1921). «Measurement of Inequality of Incomes». The Economic Journal (121): 124–126. ISSN 0013-0133. doi:10.2307/2223319. Consultado em 12 de maio de 2025 
  7. Pigou, A. C. (1912). Wealth and welfare. Macmillan and Company, limited.
  8. Atkinson, Anthony B (1 de setembro de 1970). «On the measurement of inequality». Journal of Economic Theory (3): 244–263. ISSN 0022-0531. doi:10.1016/0022-0531(70)90039-6. Consultado em 12 de maio de 2025 
  9. Atkinson, A. B. (setembro de 2008). «More on the measurement of inequality». The Journal of Economic Inequality (em inglês) (3): 277–283. ISSN 1569-1721. doi:10.1007/s10888-007-9075-7. Consultado em 12 de maio de 2025 
  10. Sen, Amartya; Foster, James E. (1997). On economic inequality Enlarged ed. with a substantial annexe ed. Oxford: Oxford Univ. Press 
  11. a b c Patty, John W.; Penn, Elizabeth Maggie (11 de maio de 2019). «Measuring Fairness, Inequality, and Big Data: Social Choice Since Arrow». Annual Review of Political Science (em inglês) (Volume 22, 2019): 435–460. ISSN 1094-2939. doi:10.1146/annurev-polisci-022018-024704. Consultado em 12 de maio de 2025 

Ligações externas