Primeira Regência da Princesa Isabel

A Primeira Regência da Princesa Isabel
Fotografia da Princesa Isabel
Data1871 a 1872
LocalizaçãoImpério do Brasil
ParticipantesIsabel, Princesa Imperial do Brasil
Visconde do Rio Branco
Resultado
  • Lei do Ventre Livre

A Primeira Regência da Princesa Isabel foi o período compreendido entre 25 de maio de 1871 e 31 de março de 1872, em que D. Pedro II ausentou-se do Brasil pela primeira vez, na época sob governo do Gabinete do Visconde de Rio Branco, e deixou sua filha e herdeira, a Princesa Imperial D. Isabel, como Regente.

Antecedentes

No ano de 1871, D. Pedro II expressou o desejo de deixar o Brasil e viajar à Europa pela primeira vez. A viagem teria três objetivos: tratar a saúde da Imperatriz, D. Teresa Cristina; visitar o túmulo de sua filha, a Princesa Leopoldina, falecida em 7 de fevereiro do mesmo ano; e buscar seus dois netos mais velhos, Pedro Augusto e Augusto Leopoldo, para que fossem criados como Príncipes Brasileiros.[1]

A ideia da ausência de D. Pedro II causou muitos debates e desconforto na camada política, pois pela primeira vez em décadas, o Brasil estaria sem o seu monarca. Para ocupar seu lugar no governo, o Imperador anunciou que deixaria como Regente sua filha e herdeira, a Princesa Isabel, que na época contava com apenas 24 anos.

Embora a Constituição permitisse a atuação feminina, a ideia de ter uma mulher à frente da política foi alvo de críticas ferrenhas por parte da imprensa e de alguns políticos. Para os opositores, a Princesa não poderia conduzir os assuntos de Estado por estar limitada aos afazeres domésticos, ou por não ter experiência para assumir o governo de um país como o Brasil. Outro fator era a presença do Conde D'Eu, que era hostilizado por alguns membros da classe política e que, para muitos, seria o verdadeiro governante na ausência do Imperador.[2]

Com muito custo, D. Pedro II conseguiu que o Conselho de Ministros aprovasse uma lei autorizando sua ausência do Brasil e reconhecendo Isabel como Regente em posse de amplos poderes, incluindo o Poder Moderador. Antes de partir efetivamente, D. Pedro II confiou à filha um documento intitulado "Conselhos à Regente", um guia para instruir a filha e o genro nos assuntos de Estado.[1]

A regência

Juramento da Princesa Isabel, 1871

A lei que autorizava a saída de D. Pedro II entrou em vigor no dia 15 de maio de 1871. No dia 20, Isabel dirigiu-se ao Palácio do Senado, onde prestou seu juramento e foi oficialmente reconhecida como Regente. No dia 25, D. Pedro II e Teresa Cristina finalmente deixaram o Rio de Janeiro e partiram para a Europa.

O primeiro despacho da Regente aconteceu no dia 3 de junho, no Paço Imperial. Na ocasião, ela relatou que ficou abismada com tantos papéis para ler e assinar, mas que se resumiam em cartas e concessão de títulos de nobreza. Durante sua Regência, Isabel seguiu à risca os conselhos que recebeu do pai e procurou se manter neutra politicamente, sem tomar preferência por nenhum partido e deixando que o governo caminhasse sozinho. O Conde D'eu também seguindo os conselhos do sogro e procurou se distanciar da atividade política e da vida pública, servindo apenas como um conselheiro da esposa.[3] A Primeira Regência foi pacífica, cabendo a Isabel apenas comparecer no Paço uma vez por semana, a fim representar o Imperador e preencher a sua ausência em petições, assinaturas de documentos e audiências com ministros.[4]

Lei do Ventre Livre

Cartão em comemoração à Lei do Ventre Livre com alusão do Gabinete de Rio Branco

Antes mesmo da partida de D. Pedro II, o assunto da abolição da escravidão já estava em debate nas Câmaras, contando com uma pressão do Imperador. Ficou decidido que a abolição no Brasil aconteceria de forma gradual e o início desse processo ficou a cargo do partido Conservador, com o Gabinete Ministerial do Visconde do Rio Branco, responsável pela aprovação da Lei do Ventre Livre, que alforriava todos os filhos de escravos nascidos a partir da sanção da lei.

Como Regente, coube Isabel sancionar a lei, aprovada em 27 de setembro de 1871, com 59 votos favoráveis. Embora ela tenha dado apoio à tramitação da lei, Isabel não atuou diretamente em sua aprovação por medo dos comentários da oposição. Mesmo assim, tendo sido a responsável por assiná-la, sua imagem foi atrelada ao movimento abolicionista, que estava cada vez mais crescente na sociedade.[4]

Volta do Imperador

Os últimos meses da Regência discorreram de forma tranquila e Isabel não teve mais nenhuma participação efetiva no governo. Em suas cartas, ela já expressava estar cansada da rotina burocrática e ansiava pela volta do pai para se ver livre dos assuntos de Estado. D. Pedro II retornou ao Brasil em 30 de março de 1872, assumindo novamente o governo e dando fim oficial à Regência. Com a volta do Imperador, Isabel e o Conde D'Eu foram excluídos da vida política e voltaram à rotina doméstica que lhes era habitual.[4]

Referências

  1. a b Rezzutti, Paulo (2019). D. Pedro II: a história não contada. São Paulo: Leya 
  2. Cruz, Rafael (2020). «O TERCEIRO REINADO EM QUESTÃO» (PDF). Revista de Publicações da Universidade Federal de Sergipe. Consultado em 21 de março de 2025 
  3. Calmon, Pedro (1941). Princesa Isabel: a redentora (PDF). São Paulo: Companhia Editora Nacional. p. 106 
  4. a b c Barman, Roderick J. (2005). Princesa Isabel do Brasil: gênero e poder no século XIX. [S.l.]: Unesp. p. 163. ISBN 9788571395985