Praia do Gonzaguinha

Praia do Gonzaguinha e o Marco Padrão
| Coordenadas | |
|---|---|
| Localização |
| Tipo de praia |
oceânica |
|---|---|
| Extensão da orla |
800 m |
| Água e ondas |
mar calmo |
| Faixa de areia |
branca |
| Rios |
casqueiro |
| Ilhas próximas |
Não possui |
| Acesso público |
Terrestre |
|---|
A Praia do Gonzaguinha ou Praia de São Vicente é considerada por muitos a praia mais animada de São Vicente, com vários quiosques, bares, restaurantes e lojas, e é localizada próxima ao Centro da cidade e de atrações históricas.
É palco, todos os anos, da Encenação da Chegada de Martim Afonso de Sousa (Prefeitura Municipal de São Vicente). Com 800 m de extensão, localiza-se em uma baía de águas calmas, entre o Marco Padrão e a Praia dos Milionários.
É muito utilizada por pessoas que praticam esportes como iatismo, jet-ski, wakeboard e Wind surf, frequentada também por moradores do local. Possui bancos e decks de madeira para acesso à areia, espaço verde, quiosques com cobertura de piaçava ao longo do calçadão, além de um píer particular que faz passeios diários pela Baía e imediações, ilhas, bares, restaurantes e lojas [1] [2].
Ao seu lado, localiza-se um ícone de São Vicente (Prefeitura Municipal de São Vicente): a praça denominada Biquinha de Anchieta, onde há uma bica que fornece água permanentemente. Nesta praça também são vendidos doces nos quiosques construídos para esse fim.
Na extensão da Biquinha, localiza-se a Praça Ipupiara, onde ocorrem exposições, shows, vendas de artesanato em algumas ocasiões, além do tradicional passeio de trenzinho para crianças.
Problemas ecológicos
O aterramento que liga a Ilha Porchat à Ilha de São Vicente, na década de 1940, é apontada como a causa principal do desaparecimento da faixa de areia da Praia do Gonzaguinha. A obra, que visava facilitar o acesso a um cassino na ilha, bloqueou a corrente marinha responsável por depositar sedimentos na praia, dando início a um processo de erosão que se estende por décadas.
Até o ano de 1945, a Praia do Gonzaguinha possuía uma faixa de areia ao longo de seus 1.300 metros de extensão, mantida por um equilíbrio natural. As correntes marinhas que corriam paralelas às praias de Santos e à Praia do Itararé transportavam a areia que garantia a estabilidade da orla da Praia do Gonzaguinha. A construção do aterro interrompeu esse fluxo natural de sedimentos.
Como resultado, a areia que antes chegava ao Gonzaguinha passou a se acumular na Praia do Itararé. Sem a reposição de areia, a Praia do Gonzaguinha começou a sofrer um processo de erosão, com os sedimentos restantes sendo levados para o Canal dos Barreiros.
Atualmente, apenas um pequeno trecho de areia persiste, retido pelas rochas do Morro dos Barbosas. O desaparecimento da praia tem consequências diretas para a infraestrutura costeira, que se torna vulnerável à força das ondas, especialmente durante as marés altas e ressacas.
Para compreender a dinâmica do transporte de sedimentos na região, a Universidade Santa Cecília (UNISANTA) utilizou o Modelo Hidrodinâmico de Circulação Oceânica (MOHID).
O estudo confirmou a existência de uma corrente que se desloca de Santos para São Vicente, responsável pelo transporte de areia. As simulações realizadas com o modelo matemático indicaram que, sem a ligação artificial entre a ilha e o continente, os sedimentos seriam naturalmente depositados na Praia do Gonzaguinha.
O modelo também demonstrou que, na situação atual, parte da areia é bloqueada pelo aterro e se deposita na Praia do Itararé, enquanto outra parte contorna a ilha e se acumula em um grande banco de areia próximo à "Garganta do Diabo", um estreito entre a ilha e o continente [3].
Tentativas de recuperação
Ao longo dos anos, foram realizadas tentativas de recuperação da praia, como a construção dos molhes de pedra que hoje mantêm a pequena faixa da Praia dos Milionários. Essa tentativa foi proposta pelo engenheiro Rinaldo Rondino, que começou a estudar o comportamento da Baía de São Vicente desde 1950 [4].
Rondino explica que a técnica de construção de molhes para a interceptação de sedimentos não busca lutar contra o mar, mas sim "respeitá-lo" e "orientá-lo" para que ele mesmo auxilie na formação das praias. O projeto previa a construção de uma série de molhes que iriam interceptar as correntes tangenciais, desviando-as da orla [4].
Essa intercepção faria com que a velocidade das correntes diminua, permitindo que a areia em suspensão se deposite, formando novas praias. O primeiro molhe, além da estrutura teste que foi no mesmo lugar, porém menor, foi construído em frente ao Monumento aos Heróis de 32, com 80 metros de comprimento, que é a distância média da corrente tangencial [4].
O plano previa a construção de molhes subsequentes em novos pontos de contato da corrente com a orla, criando zonas de baixa velocidade e, por consequência, novas praias. Segundo Rondino, essa técnica também ajudaria a proteger a orla da avenida, pois a areia das praias amortece o impacto das ondas durante as ressacas, algo que muros de arrumo e molhes paralelos à costa não conseguem fazer, eles não amortecem as ondas, apenas as recebem [4].
Ligações externas
- [1]- Site oficial da Prefeitura de São Vicente de onde os dados foram compilados e confirmados.
Referências
- ↑ https://naturam.com.br/sao-vicente/
- ↑ http://www.guiasaovicente.com.br/pontos-turisticos/sao-vicente/praias/
- ↑ Berzin, Gilberto; Sampaio, Alexandra. «O CASO DA PRAIA DO GONZAGUINHA EM SÃO VICENTE: PESQUISA DO TRANSPORTE DE SEDIMENTOS NA BAÍA DE SANTOS – SP» (PDF). ABRHIDRO. Evento. Consultado em 10 de outubro de 2025
- ↑ a b c d Rondino, Rinaldo (19 de janeiro de 1971). "Recuperação das Praias na Baía de São Vicente". Processo nº 18577/97, Fls. 108-182. Arquivo Público Municipal de São Vicente, São Paulo, Brasil.
| Precedido por Praia dos Milionários |
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Sucedido por Praia do Itararé |