Praça de Toiros da Nazaré
Praça de Toiros da Nazaré
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|---|---|
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| Categoria | 2ª Categoria |
| Estilo | Neo-árabe |
| Arquitecto | Francisco da Silva Castro |
| Início da construção | 1891 |
| Inauguração | 1897 |
| Lotação | 5.552 lugares |
| Propriedade | Confraria de Nossa Senhora da Nazaré |
| Património Nacional | |
| SIPA | 7232 |
| Geografia | |
| País | |
| Localidade | Nazaré |
| Província | Estremadura |
| Coordenadas | |
Geolocalização no mapa: Portugal Continental
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A Praça de Toiros da Nazaré é uma praça de toiros situada no Sítio da Nazaré, no concelho da Nazaré, em Portugal. Foi inaugurada em 1897 e caracteriza-se pela sua arquitectura recreativa e revivalista, sendo desde o início propriedade Confraria de Nossa Senhora da Nazaré.
História
A Nazaré tem uma longa tradição tauromáquica que remonta pelo menos ao século XVIII, estando esta actividade intimamente associada aos festejos em honra de Nossa Senhora da Nazaré, dos quais eram um dos pontos mais altos.
Já em 1712 se registava a realização de corridas em palanques de madeira improvisados, montados anualmente para as festividades. Esta tradição atingiu o seu máximo esplendor sob a influência de D. José Tomás de Meneses, segundo Marquês de Marialva e Juiz do Círio de Lisboa, cuja chegada era celebrada com eventos de grande pompa.
A vila não possuía então uma praça de alvenaria ou de madeira, pelo em cada ano eram construídas arenas temporárias em madeira, improvisadas no local das Festas, no Terreiro, perto do Santuário e a Sul do Palácio Real. Este último edifício possuía uma porta na varanda, posteriormente convertida em janela, que se ligava ao palanque através de um passadiço de madeira, que lá existiu até 1830.
A manutenção destas estruturas exigia um esforço logístico considerável, recorrendo-se frequentemente à madeira proveniente do Engenho e do Pinhal da Casa, como se verificou em 1758, 1775 e 1788. Em 1793, a praça foi transferida para um novo local, incorporando materiais vindos de Pisões e ferragens transportadas de Lisboa no ano seguinte. Contudo, a instabilidade destas construções era notória. Em 1802, uma nova praça foi erguida com 482 cerneiros do Pinhal Real, tendo um custo de mil réis, mas a sua existência foi curta, pois acabou incendiada pelas tropas francesas em Julho de 1808.
Após um período de reconstruções precárias, Dâmaso Xavier dos Santos obteve licença em 1822 para reedificar o recinto, que começou a funcionar no local actual em 1823. Na década de 1840, realizaram-se obras de vulto com a intervenção do mestre Domingos Manuel Gomes e do fornecedor de cantaria Francisco José Gonçalves, da Pederneira. Todavia, a fatalidade do fogo voltou a atingir o monumento em 1874.
Após duas corridas de enorme afluência nos dias 8 e 10 de Setembro, um violento incêndio reduziu a praça a cinzas em apenas duas horas. O governador civil Peito de Carvalho determinou então que a futura reconstrução deveria privilegiar a pedra e a cal em detrimento da madeira, visando uma maior segurança.
O actual edifício resulta de uma diligência da Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré junto do Ministério das Obras Públicas, que em 1891 encomendou o projecto ao arquitecto Francisco da Silva Castro, iniciando-se a construção.
Apesar de a inauguração oficial apenas ter ocorrido em 1897, com capacidade para cerca de cinco mil espectadores, o redondel foi utilizado para uma corrida ainda em 1893, antes da conclusão total da obra. Durante o século XX, a praça manteve a sua relevância, tendo passado pelas suas bancadas as mais ilustres figuras do toureio nacional.
Em 1977, surgiram divergências entre a Confraria e a Associação Recreativa Planalto quanto ao modelo de exploração do recinto, culminando num acordo em 1978 para a criação de uma comissão de gestão conjunta. Em 1986, o complexo foi dotado de uma enfermaria. Actualmente, a Confraria de Nossa Senhora da Nazaré mantém a propriedade do imóvel, alugando-o para a realização de cerca de nove corridas anuais, essencialmente durante o período estival, sendo o espaço igualmente aproveitado para eventos de cariz cultural, como concertos.
Actualidade
Actualmente, a Praça de Toiros, propriedade da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, recebe, durante os meses de Verão, diversas corridas de toiros a que assistem aficcionados e turistas. A Praça é também, por vezes, utilizada para a realização de outros eventos culturais.[1][2][3][4][5][6][7]
Descrição
O monumento apresenta uma planimetria singular, composta pela sobreposição de dois corpos: um primeiro registo de planta poligonal e um segundo de planta circular, que assenta nos ângulos do polígono inferior através de longas falsas mísulas.
Esta estrutura de volumes escalonados exibe fachadas rebocadas e pintadas de branco, onde os vãos e as faixas decorativas são sublinhados a vermelho. O estilo dominante é o neo-árabe, visível no desenho das janelas e nos remates interiores.
Na zona de Sudoeste localizam-se as bilheteiras, caracterizadas por três vãos em arco deprimido encimados por círculos, preenchidos parcialmente com tijolo de vidro. No segundo piso desta zona, destaca-se uma janela em arco trilobado. A Nordeste, um corpo rectangular apoia-se na muralha que circundava o Sítio, criando um passadiço inferior. Este muro de protecção, destinado a travar a invasão das areias, confere ao conjunto um enquadramento urbano adossado, adaptando-se ao declive do terreno.
Interior
O interior da praça organiza-se em torno de uma arena central com pavimento em areia, protegida por uma barricada de madeira pintada de vermelho e equipada com burladeros decorados com motivos em losango. O anfiteatro divide-se em dois níveis de bancadas, integrando alguns camarotes no piso superior. A lotação total é de 5552 pessoas.
A cobertura do recinto é sustentada por colunas lisas, pintadas nas cores amarelo e vermelho, que no segundo piso suportam um remate ornamental composto por duplos arcos trilobados. O segundo registo dispõe ainda de uma guarda em ferro com perfil contracurvo.
Sob as bancadas do primeiro nível, articulam-se os corredores de acesso e o touril, que possui ligação directa à zona de pesagem e às áreas de serviço exteriores. Na construção foram aplicados materiais diversos, incluindo alvenaria de pedra, cantaria rebocada, elementos de betão e cimento, coberturas em telha e caixilharias de madeira com vidros simples e tijolo de vidro.[8][3][4][5][6][7]
Galeria
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Entrada -
Entrada -
Exterior -
Interior da arena -
Interior da arena -
Interior da arena -
Interior da arena -
Visto de cima -
Praça de Toiros, Sítio da Nazaré e Praia
Referências
- ↑ Câmara Municipal da Nazaré. «Praça de Toiros da Nazaré»
- ↑ Igogo. «Praça de Touros da Nazaré»
- ↑ a b «Praça de Touros». Confraria de Nossa Senhora da Nazaré. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Monumentos». www.monumentos.gov.pt (em inglês). Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Praça de Touros». Findout Nazaré. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ a b «INFORMAÇÃO | Praça de toiros da Nazaré». www.toirosnazare.com. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Praça de Toiros da Nazaré - Plataforma Tauromaquia Patrimonio». www.tauromaquiapatrimonio.pt. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ Lifecooler. «Praça de Touros da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré»

